UNIÃO EU­RO­PEIA FE­CHA AS POR­TAS AOS MI­GRAN­TES AFRI­CA­NOS

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A Co­mis­são Eu­ro­peia as­si­nou no dia 15 de de­zem­bro de 2016 um acor­do com a Or­ga­ni­za­ção In­ter­na­ci­o­nal de Mi­gra­ções (OIM), de­pen­den­te das Na­ções Uni­das, pa­ra es­ti­mu­lar o re­gres­so dos mi­gran­tes afri­ca­nos aos seus paí­ses de ori­gem an­tes de che­ga­rem à Eu­ro­pa. A me­ta da co­mis­são é con­se­guir 24 mil re­tor­nos. O acor­do pre­vê o fi­nan­ci­a­men­to à OIM por par­te da União Eu­ro­peia – exa­ta­men­te 100 mi­lhões de eu­ros – e as­sis­tên­cia pa­ra al­can­çar o re­fe­ri­do ob­je­ti­vo. Os mi­gran­tes afri­ca­nos ha­bi­tu­al­men­te usam al­guns paí­ses do con­ti­nen­te, co­mo a Lí­bia, co­mo pla­ta­for­mas pa­ra ten­ta­rem che­gar à cos­ta eu­ro­peia (Itá­lia ou Gré­cia). Tra­var es­sas che­ga­das é a prin­ci­pal es­tra­té­gia da União Eu­ro­peia (UE) pa­ra «re­sol­ver» a cri­se dos re­fu­gi­a­dos ini­ci­a­da em 2015. En­tre­tan­to, e co­mo não tem au­to­ri­da­de le­gal pa­ra ope­rar em ter­cei­ros paí­ses, a par­ce­ria com a OIM é fun­da­men­tal. As­sim, a UE de­ci­diu fi­nan­ci­ar e apoi­ar a OIM nes­se tra­ba­lho. A Lí­bia – de on­de par­ti­ram es­te ano ru­mo à Eu­ro­pa 200 mil mi­gran­tes e re­fu­gi­a­dos –é o fo­co prin­ci­pal. A de­sar­ti­cu­la­ção das es­tru­tu­ras es­ta­tais do país, de­pois da in­ter­ven­ção oci­den­tal, im­pos­si­bi­li­ta as au­to­ri­da­des de con­tro­la­rem os mi­gran­tes que usam o ter­ri­tó­rio lí­bio co­mo pla­ca gi­ra­tó­ria com des­ti­no ao con­ti­nen­te eu­ro­peu. Por is­so, a UE ali­ou-se ago­ra à ONU pa­ra fo­men­tar o re­gres­so vo­lun­tá­rio aos seus lu­ga­res de ori­gem dos mi­gran­tes que se acu­mu­lam no país à es­pe­ra de par­ti­rem, so­bre­tu­do, pa­ra Itá­lia. Des­ses, 38 mil pe­di­ram asi­lo à União Eu­ro­peia, mas ain­da não têm res­pos­ta. De no­tar que a Lí­bia é um dos 13 paí­ses afri­ca­nos com os quais a União Eu­ro­peia de­ve­rá as­si­nar um acor­do pa­ra evi­tar as mi­gra­ções. A Co­mis­são já tem os re­sul­ta­dos ini­ci­ais dos pri­mei­ros cin­co acor­dos, sen­do o Ní­ger o país on­de se re­gis­ta­ram até ago­ra mai­o­res avan­ços. Com efei­to, nes­te mo­men­to, es­te país re­gis­ta 1500 trân­si­tos con­tra 70 mil no pas­sa­do mês de maio. No res­to dos paí­ses com os quais o acor­do já foi as­si­na­do – Etió­pia, Se­ne­gal, Ma­li e Ni­gé­ria – os avan­ços são mais mo­des­tos. Além dis­so, exis­te o ris­co de o trá­fi­co que pre­sen­te­men­te não pas­sa pe­lo Ma­li ser ca­na­li­za­do atra­vés do Ní­ger. A Co­mis­são Eu­ro­peia in­for­mou que pren­deu 102 tra­fi­can­tes e que 4430 mi­gran­tes re­gres­sa­ram vo­lun­ta­ri­a­men­te aos seus paí­ses de ori­gem. Por ou­tro la­do, 2700 pes­so­as fo­ram re­pa­tri­a­das pe­la União Eu­ro­peia pa­ra aque­les cin­co paí­ses. Pre­sen­te­men­te, a UE es­tá a dis­cu­tir a conveniência de es­ten­der es­sa es­tra­té­gia – ne­go­ci­ar van­ta­gens com os paí­ses de ori­gem ou de trân­si­to pa­ra que che­guem me­nos mi­gran­tes e re­fu­gi­a­dos à Eu­ro­pa – a ou­tros es­ta­dos, co­mo o Pa­quis­tão e o Ban­gla­desh.

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