An­te­na21

Africa21 - - Aos Leitores -

A co­mu­ni­da­de ne­gra da Tu­ní­sia, na sua mai­o­ria des­cen­den­te dos an­ti­gos es­cra­vos, es­tá a pres­si­o­nar as au­to­ri­da­des pa­ra apro­va­rem ur­gen­te­men­te uma lei con­tra o ra­cis­mo no país. Eles que­ri­am que is­so fos­se fei­to an­tes de 14 de ja­nei­ro, da­ta do sex­to ani­ver­sá­rio da «pri­ma­ve­ra ára­be», mas tal não acon­te­ceu. Tra­ta-se de uma ve­lha rei­vin­di­ca­ção, que ga­nhou no­vo fô­le­go no fim do pas­sa­do mês de de­zem­bro, de­pois de um ho­mem ten­tar de­go­lar uma es­tu­dan­te con­go­le­sa e apu­nha­lar mais du­as pes­so­as da mes­ma na­ci­o­na­li­da­de, uma das quais en­trou em co­ma. O ata­que, úl­ti­mo de uma lon­ga lis­ta, sus­ci­tou a in­dig­na­ção e a mo­bi­li­za­ção da co­mu­ni­da­de ne­gra na Tu­ní­sia, com­pos­ta pe­los 15% de des­cen­den­tes de es­cra­vos, aos quais se so­mam os mais de 6000 alu­nos ori­gi­ná­ri­os dos paí­ses sub­sa­ri­a­nos que es­tu­dam no país. No dia se­guin­te a es­ta ocor­rên­cia, cen­te­nas de pes­so­as jun­ta­ram-se pa­ra exi­gir a apro­va­ção da re­fe­ri­da lei. O Go­ver­no com­pro­me­teu-se a apro­vá-la com ca­rác­ter de ur­gên­cia. A Tu­ní­sia foi o pri­mei­ro país ára­be e mu­çul­ma­no a abo­lir a es­cra­va­tu­ra, em 1846, an­tes dos Es­ta­dos Uni­dos, mas, ape­sar dis­so, a po­pu­la­ção ne­gra do país con­ti­nua, seis anos de­pois da Re­vo­lu­ção Tu­ni­si­na, tam­bém co­nhe­ci­da co­mo a pri­mei­ra «pri­ma­ve­ra ára­be», a ser ví­ti­ma de vá­ri­as ma­ni­fes­ta­ções dis­cri­mi­na­tó­ri­as. Com efei­to, 160 anos de­pois da abo­li­ção da es­cra­va­tu­ra, a men­ta­li­da­de da mai­or par­te da so­ci­e­da­de tu­ni­si­na tei­ma em não evo­luir em ma­té­ria de re­la­ções ra­ci­ais. Os ne­gros con­ti­nu­am a ser cha­ma­dos, por exem­plo, wa­sif («ser­ven­te»). Ou­tra ex­pres­são de­pre­ci­a­ti­va pa­ra os ape­li­dar é gi­ra-gi­ra («ma­ca­co»). Além dis­so, são igual­men­te ví­ti­mas, com frequên­cia, de agres­sões fí­si­cas. «Sem­pre que saí­mos à rua, te­mos me­do de ser agre­di­dos. Por is­so, ape­nas saí­mos em gru­po», con­tou Ar­maud Demo, es­tu­dan­te oriun­do dos Ca­ma­rões, ao jor­nal El País. «O ra­cis­mo é ne­ga­do pe­la so­ci­e­da­de tu­ni­si­na, mas pa­re­ce ins­ti­tu­ci­o­na­li­za­do, pois a po­lí­cia não nos pro­te­ge», acres­cen­tou.

Ci­da­de de Tu­nis

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