“Co­lo­ni­za­ção é cri­me con­tra a hu­ma­ni­da­de”,

Africa21 - - Aos Leitores -

«Cri­me con­tra a hu­ma­ni­da­de.» Foi as­sim que o ex-mi­nis­tro da Eco­no­mia e can­di­da­to so­ci­a­lis­ta in­de­pen­den­te às elei­ções em Fran­ça, no pró­xi­mo mês de abril, Em­ma­nu­el Ma­cron, clas­si­fi­cou a co­lo­ni­za­ção eu­ro­peia. Por is­so, es­tá sob cer­ra­do ata­que por par­te da di­rei­ta lo­cal. Em vi­si­ta à Ar­gé­lia, an­ti­ga co­ló­nia fran­ce­sa em Áfri­ca, Ma­cron qua­li­fi­cou a co­lo­ni­za­ção de «cri­me con­tra a hu­ma­ni­da­de» e de «au­tên­ti­ca barbárie», nu­ma en­tre­vis­ta ao ca­nal de TV Echo­rouk News, di­fun­di­da a 14 de fe­ve­rei­ro úl­ti­mo. «A co­lo­ni­za­ção faz par­te da his­tó­ria fran­ce­sa. Faz par­te des­se pas­sa­do que de­ve­mos olhar de fren­te e pe­lo qu­al de­ve­mos tam­bém apre­sen­tar as nos­sas des­cul­pas àque­les que fo­ram ví­ti­mas dos nos­sos atos», afir­mou. A re­a­ção da di­rei­ta foi vi­ru­len­ta. Num co­mí­cio em Com­pièg­ne, o can­di­da­to da Li­ga dos Re­pu­bli­ca­nos (LR), Fran­çois Fil­lon, em bai­xa nas pes­qui­sas por cau­sa das acu­sa­ções de ne­po­tis­mo que re­ca­em so­bre ele, con­si­de­rou as afir­ma­ções de Ma­cron «in­dig­nas de um can­di­da­to à Pre­si­dên­cia da Re­pú­bli­ca». Acres­cen­tou ele: «Há tem­pos, o se­nhor Ma­cron via as­pe­tos po­si­ti­vos na co­lo­ni­za­ção. Is­so quer di­zer que ele não tem co­lu­na ver­te­bral. Ele ape­nas afir­ma o que os seus ou­vin­tes que­rem es­cu­tar». Com efei­to, em ou­tu­bro, em ar­ti­go es­cri­to no jor­nal Le Point, o an­ti­go mi­nis­tro da Eco­no­mia es­cre­veu que du­ran­te a co­lo­ni­za­ção da Ar­gé­lia «hou­ve tor­tu­ra, mas tam­bém a emer­gên­cia de um Es­ta­do, ri­que­za, clas­se mé­dia. Hou­ve ele­men­tos de ci­vi­li­za­ção e ele­men­tos de barbárie». O an­ti­go pri­mei­ro-mi­nis­tro Je­an-Pi­er­re Raf­fa­rin, igual­men­te da Li­ga dos Re­pu­bli­ca­nos, tam­bém ata­cou Em­ma­nu­el Ma­cron: «Pôr os fran­ce­ses uns con­tra os ou­tros, res­sus­ci­tar a his­tó­ria pa­ra di­vi­dir, pa­ra re­mo­bi­li­zar – eis os ob­je­ti­vos por de­trás de tu­do is­so. Não é dig­no de um che­fe de Es­ta­do re­me­xer em ci­ca­tri­zes já de si do­lo­ro­sas». A Fren­te Na­ci­o­nal (FN), de ex­tre­ma-di­rei­ta, in­sur­giu-se igual­men­te con­tra as de­cla­ra­ções do can­di­da­to in­de­pen­den­te so­ci­a­lis­ta. «Não sa­tis­fei­to em pre­gar a des­ca­rac­te­ri­za­ção e a dis­so­lu­ção na­ci­o­nal na gran­de ge­leia mun­di­a­lis­ta, Ma­cron ain­da di­mi­nui a ima­gem da Fran­ça no es­tran­gei­ro. E quer ele ser pre­si­den­te?», re­a­giu Da­vid Ra­ch­li­ne, di­re­tor de cam­pa­nha de Ma­ri­ne Le Pen.

Em­ma­nu­el Ma­cron, can­di­da­to às pre­si­den­ci­ais fran­ce­sas

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