O Por­tu­gal pós-Ca­va­co

Africa21 - - Press Release -

Ho­je ar­gui­do num pro­ces­so-cri­me, no qu­al já so­freu dez me­ses de pri­são pre­ven­ti­va e ao fim de 28 me­ses ain­da não há acu­sa­ção, Só­cra­tes só pa­re­ce ter si­do apre­ci­a­do por CS nu­ma coi­sa: «Na de­fi­ni­ção e exe­cu­ção das po­lí­ti­cas eco­nó­mi­cas e so­ci­ais não se dei­xou cap­tar pe­lo PCP (Par­ti­do Co­mu­nis­ta) ou BE (Blo­co de Es­quer­da)». Po­rém, tam­bém es­te re­la­ti­vo elo­gio, tra­rá água no bi­co, vi­san­do cri­ti­car o atu­al pri­mei­ro-mi­nis­tro, António Cos­ta, e o seu go­ver­no – que é um go­ver­no PS, vi­a­bi­li­za­do à es­quer­da pe­lo BE e pe­lo PCP, sem pre­juí­zo das mui­tas di­fe­ren­ças en­tre eles. Mas o fac­to é que es­te Go­ver­no – que Pas­sos Co­e­lho te­ve o des­pu­dor de con­si­de­rar «ile­gí­ti­mo e frau­du­len­to» – não te­ve pa­ra o país os (pe­la di­rei­ta, in­cluin­do CS) re­sul­ta­dos de­sas­tro­sos, pe­lo con­trá­rio. As­sim, os pre­con­cei­tos e obs­tá­cu­los ex­ter­nos fo­ram ul­tra­pas­sa­dos, e a «ex­pe­ri­ên­cia por­tu­gue­sa» es­tá ho­je a ser ci­ta­da lá fo­ra de for­ma mui­to po­si­ti­va, até por se­to­res con­ser­va­do­res, e es­tu­da­da, pe­los so­ci­ais-de­mo­cra­tas, pa­ra pos­sí­vel adap­ta­ção. E, cá den­tro, re­pos­tos di­rei­tos dos ci­da­dãos, sa­lá­ri­os dos tra­ba­lha­do­res, to­ma­das bo­as me­di­das em vá­ri­os se­to­res, etc., o dé­fi­ce não só não au­men­tou co­mo foi o mais bai­xo dos 42 anos de de­mo­cra­cia (2,1%), o de­sem­pre­go tem di­mi­nuí­do, o cres­ci­men­to (re­vis­to em al­ta) e as ex­por­ta­ções têm au­men­ta­do, a con­fi­an­ça atin­giu o má­xi­mo des­de mar­ço de 2000, etc. E, es­sen­ci­al, há um cli­ma des­cris­pa­do, aber­to, pa­ra o que mui­to con­tri­bui o Pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca, Mar­ce­lo Re­be­lo de Sou­sa – cli­ma em ab­so­lu­to contraste com o dos som­bri­os tem­pos de Ca­va­co e Co­e­lho. Nem tu­do, cla­ro, es­tá bem, e mui­to me­nos é um mar de ro­sas; po­rém, o mí­ni­mo de vi­são e isen­ção obri­ga a re­co­nhe­cer que o país es­tá fla­gran­te­men­te me­lhor. E se­ria bom que em to­dos os paí­ses da nos­sa lín­gua co­mum hou­ves­se tam­bém per­fei­ta cons­ci­ên­cia dis­so.

O mí­ni­mo de vi­são e isen­ção obri­ga a re­co­nhe­cer que o país es­tá fla­gran­te­men­te me­lhor

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