FRELIMO E MPLA, RENAMO E UNITA

Folha 8 - - DESTAQUE -

Oex- che­fe dos ne­go­ci­a­do­res da Renamo no Acor­do Ge­ral de Paz de 1992, Raul Do­min­gos, dis­se que Mo­çam­bi­que con­ti­nu­a­rá a pas­sar por ci­clos de vi­o­lên­cia mi­li­tar, ca­so per­sis­ta a manipulação dos re­sul­ta­dos elei­to­rais. Em An­go­la é di­fe­ren­te. Ao con­trá­rio da Renamo, que con­ti­nua a ter al­gu­ma for­ça mi­li­tar, a UNITA li­mi­ta-se a co­mer o que o MPLA lhe dá. “Não te­nho dú­vi­das de que a fal­ta de trans­pa­rên­cia dos pro­ces­sos elei­to­rais, a manipulação dos re­sul­ta­dos, é a prin­ci­pal cau­sa da ins­ta­bi­li­da­de po­lí­ti­ca e mi­li­tar”, afir­mou Raul Do­min­gos. Por cá, a manipulação elei­to­ral con­ti­nua a ser uma ins­ti­tui­ção na­ci­o­nal por for­ça do MPLA, e nin­guém fa­la da ins­ta­bi­li­da­de mi­li­tar. E não fa­la por­que as For­ças Ar­ma­das não são de An­go­la mas, ape­nas e só, do go­ver­no… do MPLA. Raul Do­min­gos, ex­pul­so da Renamo (Re­sis­tên­cia Na­ci­o­nal Mo­çam­bi­ca­na) em 2000 após di­ver­gên­ci­as com o lí­der do par­ti­do, Afon­so Dh­la­ka­ma, co­men­ta­va o en­con­tro de do­min­go en­tre o Pre­si­den­te mo­çam­bi­ca­no, Fi­li­pe Nyu­si, e o pre­si­den­te do prin­ci­pal par­ti­do da opo­si­ção. Des­cre­ven­do a reu­nião en­tre os dois lí­de­res co­mo “sur­pre­sa agra­dá­vel” no ca­mi­nho pa­ra uma paz du­ra­dou­ra em Mo­çam­bi­que, Raul Do­min­gos con­si­de­rou, con­tu­do, que se­rá ne­ces­sá­rio re­mo­ver a raiz da ins­ta­bi­li­da­de em Mo­çam­bi­que. “As elei­ções em Mo­çam­bi­que fo­ram sem­pre ma­ni­pu­la­das pe­la Frelimo que nun­ca ga­nhou os es­cru­tí­ni­os, ape­sar de o con­trá­rio nun­ca ter si­do pro­va­do”, de­fen­deu Raul Do­min­gos, re­fe­rin­do-se à Fren­te de Li­ber­ta­ção de Mo­çam­bi­que, par­ti­do no po­der (tal co­mo o MPLA), des­de a in­de­pen­dên­cia do país em 1975. A partidarização do Es­ta­do pe­la Frelimo (tal co­mo o MPLA), pros­se­guiu, e o re­cur­so às For­ças de De­fe- sa e Se­gu­ran­ça (FDS) pa­ra a pro­mo­ção da in­to­le­rân­cia po­lí­ti­ca são tam­bém as prin­ci­pais cau­sas da vi­o­lên­cia po­li­ti­ca e mi­li­tar no país. “Nes­se sen­ti­do, o Go­ver­no e a Renamo de­vem re­sol­ver as re­fe­ri­das ma­té­ri­as até ao fi­nal do ano, por for­ma a que de­pois das elei­ções au­tár­qui­cas de 2018 e ge­rais de 2019 o país não vol­te a res­va­lar pa­ra a vi­o­lên­cia”, acres­cen­tou Raul Do­min­gos. Na qua­li­da­de de um dos qua­dros mais im­por­tan­tes da Renamo, Raul Do­min­gos che­fi­ou a de­le­ga­ção do mo­vi­men­to nas ne­go­ci­a­ções que le­va­ram à as­si­na­tu­ra do Acor­do Ge­ral de Paz com o Go­ver­no da Frelimo, em 1992. Nas pri­mei­ras elei­ções ge­rais e mul­ti­par­ti­dá­ri­as em Mo­çam­bi­que, em 1994, Raul Do­min­gos che­fi­ou a ban­ca­da da Renamo até ser ex­pul­so do par­ti­do em 2000, na sequên­cia de di­ver­gên­ci­as com Afon­so Dh­la­ka­ma, no con­tex­to da re­cu­sa do par­ti­do em re­co­nhe­cer a der­ro­ta nas elei­ções ge­rais de 1999. O Pre­si­den­te mo­çam­bi­ca­no e o lí­der da Renamo en­con­tra­ram-se, em reu­nião não anun­ci­a­da an­tes, na ser­ra da Go­ron­go­sa, cen­tro de Mo­çam­bi­que, dan­do im­pul­so às ne­go­ci­a­ções pa­ra a res­tau­ra­ção da es­ta­bi­li­da­de po­lí­ti­ca. Ape­sar do Acor­do Ge­ral de Paz de 1992, Mo­çam­bi­que tem co­nhe­ci­do sur­tos de vi­o­lên­cia po­li­ti­ca e mi­li­tar des­po­le­ta­dos pe­la re­cu­sa da Renamo em re­co­nhe­cer a vi­tó­ria da Frelimo nas elei­ções.

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