A VI­TÓ­RIA DA FRAUDE ELEITORAL

Folha 8 - - AQUI ESCREVO EU! - WILLIAM TONET kui­bao@hot­mail.com

Omeu sen­ti­men­to é de tris­te­za e in­dig­na­ção, de­pois de ou­vir Jú­lia Fer­rei­ra, por­ta voz da CNE e os co­mis­sá­ri­os elei­to­rais em po­si­ções di­a­me­tral­men­te opos­tas. É uma ver­go­nha. Foi e con­ti­nu­a­rá a ser com quem tem as­sen­te os pés na di­ta­du­ra, pe­se ter ins­ti­tuí­do o mul­ti­par­ti­da­ris­mo, mas sem os con­tor­nos da de­mo­cra­cia. En­fim... Gos­ta­ria de fe­li­ci­tar os ci­da­dãos elei­to­res de to­dos os po­vos que com­põe o mo­sai­co An­go­la, pe­la for­ma or­dei­ra e cí­vi­ca co­mo vo­ta­ram. In­fe­liz­men­te não pos­so di­zer o mes­mo de quem é apon­ta­do co­mo ven­ce­dor, não por bir­ra ou ca­pri­cho, mas por im­pe­di­men­to le­gal. Os ar­ti­gos DE 124.º á 130.º da Lei 36/11, im­pe­lem-me a ser es­cra­vo da lei, in­de­pen­den­te­men­te das pai­xões ide­o­ló­gi­cas e, mais ain­da, por ter si­do ela­bo­ra­da e apro­va­da pe­lo MPLA. An­tó­nio de Oli­vei­ra Sa­la­zar, o fas­cis­ta e co­lo­ni­a­lis­ta por­tu­guês, quan­do fa­zia uma lei, cum­pria-a. Adolph Hi­tler tam­bém!! Por­que se­rá que nem Agos­ti­nho Ne­to, nem Edu­ar­do dos San­tos, con­se­guem cum­prir as su­as pró­pri­as leis e a Cons­ti­tui­ção?? Vol­te­mos à Lei 36/11 e aos ar­ti­gos aci­ma evo­ca­dos. E o que di­zem (por es­tar em por­tu­guês, pois a Cons­ti­tui­ção do MPLA ex­clui as lín­guas an­go­la­nas) pa­re­ce de sim­ples com­pre­en­são: Os re­sul­ta­dos pro­vi­só­ri­os e de­fi­ni­ti­vos são ba­se­a­dos nos re­sul­ta­dos, não das ac­tas-sín­te­se, mas fun­da­men­tal­men­te os en­vi­a­dos pe­las CPE (Co­mis­sões Pro­vin­ci­ais Elei­to­rais). Is­so foi res­pei­ta­do? Não! Os co­mis­sá­ri­os to­dos, sem ex­clu­são, par­ti­ci­pa­ram na re­cep­ção e na cer­ti­fi­ca­ção des­ses da­dos pro­vin­ci­ais? Não! Não se tra­ta de sa­ber da mon­ta­gem das me­sas de con­ta­gem, no Cen­tro de Es­cru­tí­nio da CNE, mas da va­li­da­ção des­se ac­to por to­dos co­mis­sá­ri­os, pa­ra afas­tar o es­pec­tro da fraude. Se o MPLA ga­nhou, por­que ra­zão quer in­crus­tar a sus­pei­ção nes­sa vi­tó­ria? Quem ga­nha não mo­bi­li­za to­da a mí­dia pa­ra pas­sar só uma ver­são dos fac­tos. O que mais me pre­o­cu­pa é o sen­ti­men­to que vai gal­gan­do os car­rei­ros, os mus­se­ques, as san­za­las, as bwa­las de que o vo­to não va­le na­da. É co­mo se al­guém fos­se apo­lo­gis­ta de o re­gi­me, ou for­ças nes­te, pre­fe­ris­se a de­po­si­ção de ba­las nas ur­nas, ao in­vés de um pa­pel cu­nha­do com X no par­ti­do da sua op­ção. Aliás a apo­lo­gia guer­rei­ra da TPA e TV Zim­bo na vés­pe­ra e no dia de re­fle­xão (22.08) apre­sen­tan­do pro­gra­mas so­bre os con­fron­tos de 1992, on­de se exi­be os as­sas­si­na­dos e os al­ve­ja­dos, bem co­mo em 2002 com a pro­jec­ção de co­mo de­cor­reu a mor­te de Jo­nas Sa­vim­bi exi­bin­do o seu cor­po co­mo tro­féu, é de um sa­dis­mo de­mo­nía­co quan­do não se en­tre­ga o ca­dá­ver à fa­mí­lia pa­ra um en­ter­ro con­dig­no à boa ma­nei­ra an­go­la­na e afri­ca­na. Tu­do foi dan­tes­co. Tu­do te­ve lai­vos cri­mi­no­sos e hou­ves­se um tri­bu­nal eleitoral in­de­pen­den­te e im­par­ci­al, uma con­de­na­ção se­ria o nor­mal. Igual­men­te ou­tro ac­to de quem es­tá de­ses­pe­ra­do, pois se o MPLA ti­nha con­vic­ção de uma ale­ga­da vi­tó­ria, por­que a man­chou com a bai­xa­ria de, no co­mí­cio de en­cer­ra­men­to da UNITA, ter fre­ta­do uma avi­o­ne­ta com di­nhei­ro pú­bli­co, pa­ra lan­çar pan­fle­tos ata­can­do gros­sei­ra­men­te a CASA-CE, pa­ra que os mi­li­tan­tes da UNITA, pen­sas­sem es­tar a co­li­ga­ção a pro­vo­car ou­tro par­ti­do da opo­si­ção, pa­ra no fi­nal do ab­jec­to pan­fle­to ape­lar, ao vo­to no 4 e João Lou­ren­ço. In­crí­vel con­vic­ção de vi­tó­ria. Quem tem cer­te­za de ga­nhar não pre­ci­sa de jo­gos de sar­je­ta. In­fe­liz­men­te não saí­mos pe­la via pa­cí­fi­ca des­sa ór­bi­ta As­sim os an­go­la­nos, mais uma vez, as­sis­tem a mais do mes­mo. Po­dem es­gri­mir-se to­dos ar­gu­men­tos, mas a ver­da­de é ter-se plan­ta­do mais uma se­men­te de re­vol­ta, de ódio, quan­do a ale­gria e a trans­pa­re­cia de­ve­ri­am ser a can­ção da de­mo­cra­cia em pe­río­do de elei­ções. Que no seio do MPLA se le­van­te a ma­gis­tra­tu­ra do bem, pa­ra não se acen­der a pól­vo­ra que to­dos nós co­nhe­ce­mos as con­sequên­ci­as. Po­de­ria ape­lar a Jo­sé Edu­ar­do dos San­tos, in­fe­liz­men­te ele pre­fe­re re­ti­rar-se co­mo di­ta­dor e sen­te-se bem nes­tas ves­tes. Mar­co­li­no Mo­co era uma es­pe­ran­ça mas ati­rou a to­a­lha ao chão, man­chan­do a gran­de par­te da cre­di­bi­li­da­de con­quis­ta­da, jun­to da so­ci­e­da­de ci­vil. Res­ta Isa­ac dos An­jos, mas pa­ra des­gra­ça dos mi­li­tan­tes e não só ain­da não tem ba­se in­ter­na ca­paz de pro­vo­car a re­vo­lu­ção in­ter­na pa­ra a de­mo­cra­ti­za­ção do MPLA. Oxa­lá o fu­tu­ro não ve­nha com ba­se em to­das es­sas fe­ri­das, ar­ro­gân­ci­as e fal­ta de hu­mil­da­de, pe­na­li­zar o MPLA com a sua ex­tin­ção. De­fi­ni­ti­va­men­te pa­ra mim, acei­tar a im­po­si­ção da vi­tó­ria, des­ta ale­ga­da vi­tó­ria do MPLA é um im­pe­ra­ti­vo (não se­rei eu a ati­rar a pri­mei­ra pe­dra da re­vo­lu­ção po­pu­lar), uma vez fal­tar nas li­de­ran­ças da opo­si­ção, al­guém dis­pos­to a gal­gar as ru­as em no­me da de­fe­sa e da ver­da­de do vo­to po­pu­lar. Fi­nal­men­te, das ac­tas-sín­te­se e ac­tas elei­to­rais con­sul­ta­das cons­ta­tei uma di­fe­ren­ça abis­mal, com o anun­ci­a­do pe­la por­ta-voz da CNE. Se­ria bom pa­ra a hi­gi­e­ne in­te­lec­tu­al do ven­ce­dor e cre­di­bi­li­da­de da Co­mis­são Na­ci­o­nal Eleitoral que es­ta apre­sen­tas­se as ac­tas, com ba­se no que diz a lei 36/11, em res­pei­to aos ar­ti­gos 124.º a 130.º, pa­ra afas­ta­rem-se to­das as sus­pei­ções e a vi­tó­ria ser co­ro­a­da de ver­da­dei­ra.

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