PE­LA TERCEIRA VEZ O VO­TO FOI UMA MERA FORMALIDADE

Folha 8 - - DESTAQUE -

Atal co­mo em 2008 e 2012, quem de­ci­diu o re­sul­ta­do das elei­ções de on­tem em An­go­la não foi o po­vo, os elei­to­res, atra­vés do seu vo­to. Quem de­ci­de é o Bu­re­au Po­lí­ti­co do MPLA atra­vés da le­gi­ti­ma­ção ins­ti­tu­ci­o­nal da sua su­cur­sal, a Co­mis­são Na­ci­o­nal Eleitoral. Os mi­lha­res de ob­ser­va­do­res in­ter­na­ci­o­nais às elei­ções em An­go­la con­fir­mam a de­mo­cra­ti­ci­da­de do ac­to. Bem, não fo­ram mi­lha­res, fo­ram cen­te­nas. Cen­te­nas tam­bém se­rá um exa­ge­ro. Fi­que­mos pe­las de­ze­nas. Ou, me­lhor, fo­ram meia dú­zia. Mas meia dú­zia de al­ta qua­li­da­de, to­dos es­co­lhi­dos à me­di­da e por me­di­da e que be­ne­fi­ci­a­ram de to­das as mor­do­mi­as com que o re­gi­me brin­da os seus si­pai­os in­ter­na­ci­o­nais. Pa­ra além de fi­ca­rem nos me­lho­res ho­téis (nin­guém lhes pa­gou pa­ra ir ao país pro­fun­do ou pa­ra in­da­ga­rem so­bre o que se pas­sou do la­do de lá da cor­ti­na… de fer­ro) e co­me­rem do bom e do me­lhor (se não fos­se pa­ra is­so o que é que vi­ri­am cá fa­zer?), es­ti­ve­ram sem­pre – hon­ra lhes se­ja fei­ta – na pri­mei­ra fi­la. E es­ti­ve­ram na pri­mei­ra fi­la pa­ra, di­zem, ver tu­do o que se pas­sa­va. Além dis­so a sua lo­ca­li­za­ção es­tra­té­gi­ca per­mi­tiu que to­dos os vis­sem. Ou se­ja, pa­ra que o pa­trão MPLA re­pa­ras­se que eles es­ta­vam a cum­prir as or­dens re­ce­bi­das. Fo­ram es­per­tos. Pe­lo con­trá­rio, os com­pe­ten­tes na ar­te de ga­nhar elei­ções mes­mo an­tes de elas se re­a­li­za­rem, co­mo foi o ca­so, fi­ca­ram lá atrás. Não fo­ram vis­tos, mas vi­ram tu­do o que se pas­sa­va. E, mais do que is­so, vi­ram bem an­tes das elei­ções. Mui­to an­tes.

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