1. Mul­ti­pli­ci­da­de e de­sin­te­gra­ção

DA UNI­DA­DE NA OFI­CI­NA DE ES­CRI­TA DE LU­AN­DI­NO VIEIRA

Jornal Cultura - - LETRAS - MÁRIO J. AI­RES DOS REIS, PH.D-UL

con­ser­va em si uni­da­de, quan­do é um to­do com­ple­to, não um frag­men­to; fi- nal­men­te, pos­sui uni­da­de, no sen­ti­do ri­go­ro­so do ter­mo, tu­do aqui­lo cu­jas No âm­bi­to da re­fle­xão on­to­ló­gi­ca, é

par­tes se en­con­tram for­te­men­te vin- sem­pre re­le­van­te dis­cu­tir a ques­tão da

cu­la­das umas às ou­tras, de tal mo­do uni­da­de de um ob­jec­to, se­ja ele qual for,

que a se­pa­ra­ção de uma par­te cor­res- so­bre­tu­do no que con­cer­ne à sua com

pon­de à des­trui­ção de to­do o res­to, tal po­si­ção. Em tra­tan­do-se de obra li­te­rá

co­mo a agre­ga­ção de uma par­te não ria, não é di­fí­cil de­pa­rar-se com juí­zos

so­li­dá­ria de igual mo­do o de­bi­li­ta­ria. de­ve­ras as­som­bro­sos acer­ca da sua

Con­si­de­re-se, nes­ta úl­ti­ma de­fi­ni­ção uni­da­de, ad­qui­rin­do es­te con­cei­to sen

de uni­da­de (don­de avul­ta cla­ra­men­te ti­dos que não se apli­cam a ou­tros ob

a pro­ble­má­ti­ca da co­e­são in­ter­na), a jec­tos. Diz-se, por exem­plo, que a obra x

ques­tão da uni­da­de de uma obra li­te- ou y não pos­sui uni­da­de, ou que a sua

rá­ria, pois, ne­la, é le­va­da em li­nha de uni­da­de é di­mi­nu­ta – juí­zos de va­lor ne

con­ta não só a co­e­rên­cia in­te­li­gí­vel da ga­ti­vo, que par­tem do pres­su­pos­to de

ló­gi­ca cau­sal da his­tó­ria re­pre­sen­ta- que a uni­da­de de uma obra é um atri

da, co­mo a con­sis­tên­cia do gé­ne­ro da bu­to va­li­o­so e con­di­ção si­ne qua non.

obra no seu con­jun­to. Em su­ma, uni- Juí­zos des­te gé­ne­ro po­dem ser va­li­da

da­de nu­mé­ri­ca, in­te­gri­da­de e co­e­são dos, aliás, pe­la sua per­sis­tên­cia ao lon

ou ne­ces­si­da­de (in­te­li­gí­vel e es­ti­lís­ti- go do tem­po, sen­do a for­mu­la­ção mais

A com­ple­xi­da­de do con­cei­to de uni- ca) das três par­tes, são as três no­tas in­flu­en­te pro­ce­den­te de Aris­tó­te­les. da­de de­ve ser abor­da­da de três ân­gu- fun­da­men­tais do con­cei­to de uni­da­de los dis­tin­tos: em pri­mei­ro lu­gar, a uni- da obra literária sin­gu­lar, ocor­ren­do da­de en­ten­di­da co­mo um va­lor nu­mé- ni­ti­da­men­te nos ar­gu­men­tos aris­to­té- ri­co, no sen­ti­do de que o va­lor do nú- li­cos so­bra a uni­da­de de ac­ção. me­ro 1 não es­tá ne­le pró­prio, es­tá, an- A uni­da­de con­fi­gu­ra-se, por is­so, tes, no nú­me­ro 2, 3, 4, etc.; em se­gun­do co­mo uma es­tru­tu­ra es­sen­ci­al do ser lu­gar, con­si­de­ra-se que al­go é uno e das coi­sas, uma ca­te­go­ria, no sen­ti­do

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