DE MAU­RO DE BRI­TO

Jornal Cultura - - NAVEGAÇÕES -

Tudo co­me­ça com um pas­so, a gran­de ca­mi­nha­da da vi­da, o gran­de sal­to para os céus, os so­nhos, a magia com que con­vi­ve­mos e ama­mos, são ou­tras formas de mo­vi­men­to, de na­ve­gar, de sen­tir a pre­sen­ça no ou­tro. Passos de Magia ao Sol para en­to­ar uma se­re­na­ta, uma can­cão, uma re­vi­si­ta­ção aos es­pa­ços, lu­ga­res e me­mó­ri­as, por ou­tro la­do, alar­gar o tem­po pas­sa­do, os pen­sa­men­tos, en­can­tar a sau­da­de de tudo e de to­dos, do que foi mas ain­da é, do que tem al­ma e que ain­da res­pi­ra, pois tudo va­le qu­an­do ain­da é ca­paz de nos to­car e co­mo­ver. Mo­ra­mos em lu­ga­res, ca­sas, em co­ra­ções e me­mó­ri­as, vi­a­jan­tes que to­dos so­mos, par­ti­mos com his­tó­ri­as nas mãos, com os sa­bo­res nos bei­ços, com a ca­sa nos ras­cu­nhos de his­tó­ri­as à vol­ta da fo­guei­ra, mas a ca­sa de que vos fa­lo ago­ra cha­ma-se sau­da­de, com bri­lho e fres­cu­ra, como um po­ço com agua para ali­men­tar a al­ma, ela é como uma er­va que mes­mo após uma chu­va miú­da, cres­ce si­len­ci­o­sa e amo­ro­sa­men­te e en­saia os seus passos no chão aro­ma­ti­za­do pe­los in ini­tos se­res. A sau­da­de é mai­or ca­sa em que al­guém po­de ha­bi­tar ou mo­rar, mas al­to ai, não é com ur­gên­cia que so­bre ela de­ve­mos ca­mi­nhar, são ne­ces­sá­ri­os passos má­gi­cos de quem não co­nhe­ce o tem­po, de quem não diz adeus, de quem se­gu­ra pela mão o amor uni­ver­sal, es­sa lei de apren­di­za­gem e apli­ca­ção diária.

Nem sem­pre tudo é o que pa­re­ce ser, ou é o que é, po­de­mos ser en­ga­na­dos ou nos dei­xar en­ga­nar, mas ai te­mos um pa­pel im­por­tan­te, ape­nas nós é que po­de­mos per­mi­ti-lo, por aca­so al­guém nos atrai a pen­sar nas nu­vens, a sa­bo­re­ar a noi­te de lu­ar, a es­cu­tar o ven­to aca­ri­ci­ar as er­vas e o chão? Com um pou­co de tem­po e magia tudo po­de mu­dar con­for­me o nos­so con­tex­to, con­for­me tra­ta­mos o nos­so pas­sa­do, po­de des­fa­zer-se em va­po­res com aro­mas dos mais di­ver­sos gos­tos, vi­são, lou­cu­ra ou dis­po­si­ção, por­que para pen­sar fo­ra do nor­mal, bas­ta ape­nas dei­xar de se con­for­mar, dei­xar ma­ra­vi­lhar-se, dei­xar cair-se na fan­ta­sia da vi­da e das re­la­ções que nos li­gam, es­se é o verdadeiro exer­cí­cio.

Nem os lu­ga­res, nem coi­sas nem as pes­so­as o são ixa­men­te pai­sa­gens imó­veis: olhar, ver, ob­ser­var, con­tem­plar, ana­li­sar, tudo is­to faz par­te do pen­sa­men­to. Quan­to mais sa­be­mos, mais não sa­be­mos, mais in­com­ple­tos e in­qui­e­tos ica­mos, es­se re­sul­ta­do não nos po­de as­sus­tar, pe­lo con­trá­rio de­ve­mos nos ale­grar, pois mais nos ali­men­ta­mos, mais co­mu­ni­ca­mos, mais ex­pan­di­mos, mais gra­vi­ta­mos, es­te é o exer­cí­cio que su­gi­ro a fa­zer, com Passos de magia ao Sol, não um, nem dois, ou três, não os passos, não pe­las es­tra­das, pas­sei­os, mon­ta­nhas, pela sa­va­na ou pe­las pon­tes que nos li­gam, ou em ár­vo­res para dai fru­tas ar­ran­car, mas sim­ples­men­te passos, on­tem, ho­je, ama­nha, sem­pre que hou­ver luz, sem­pre que acor­da­mos para um no­vo dia. Re­no­var com os abra­ços, o amor, a ami­za­de, o gos­to pe­los de­ta­lhes sim­ples da vi­da, a cor dos di­as, a ge­o­gra ia dos lu­ga­res, o chei­ro da chu­va qu­an­do che­ga, a cons­ci­ên­cia de ser e es­tar; sem­pre que aqui es­ti­ver­mos de cor­po ou de al­ma, pois os lu­ga­res não tem do­no, não tem marca. É tudo magia.

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