Po­lí­ti­ca lin­guís­ti­ca vs pla­ne­a­men­to lin­guís­ti­co

Jornal Cultura - - ECO DE ANGOLA -

lin­guís­ti­ca, num Es­ta­do, é olhar pa­ra dois seg­men­tos que se com­ple­men­tam pa­ra que as evi­dên­ci­as lin­guís­ti­cas se so­li­di iquem, no­me­a­da­men­te Po­lí­ti­ca Lin­guís­ti­ca e Pla­ni ica­ção Lin­guís­ti­ca. A pri­mei­ra re­fe­re-se à es­co­lha de me­di­das uni­ver­sais e a se­gun­da tem a ver com a apli­ca­ção des­tas me­di­das.

De acor­do com Cal­vet (2002, p 145), uma po­lí­ti­ca lin­guís­ti­ca é « um con­jun­to de es­co­lhas cons­ci­en­tes re­fe­ren­tes às re­la­ções en­tre lín­gua(s) e vi­da so­ci­al e pla­ne­a­men­to lin­guís­ti­co é a im­ple­men­ta­ção prá­ti­ca da re­fe­ri­da po­lí­ti­ca lin­guís­ti­ca, em su­ma, a sua pas­sa­gem ao ac­to». Es­ta pla­ni ica­ção re­fe­ri­da por Cal­vet abran­ge todos os ní­veis so­ci­ais. Os gru­pos me­no­res con ina­dos em fa­mí­li­as, co­mu­ni­da­des ou qual­quer or­ga­nis­mo tam­bém po­dem adop­tar a sua po­lí­ti­ca lin­guís­ti­ca. Por es­ta ra­zão, te­mos as lín­guas ex­clu­si­vas de tra­ba­lho em con­fe­rên­ci­as in­ter­na­ci­o­nais e nal­gu­mas or­ga­ni­za­ções de ca­rác­ter in­ter­na­ci­o­nal. Ape­sar des­ta li­ber­da­de, quan­do se tra­ta de adopção de me­ca­nis­mos pa­ra se es­ta­be­le­cer re­la­ções en­tre lín­gua e vi­da so­ci­al, ca­be ao Es­ta­do pla­ni icar e pôr em prá­ti­ca as li­nhas mes­tras. Nes­te ca­so, a ac­ção do poder po­lí­ti­co é an­te­ci­pa­da por um es­tu­do vi­a­bi­li­za­do pe­los aca­dé­mi­cos.

« Em seus la­bo­ra­tó­ri­os, os lin­guis­tas ana­li­sam as si­tu­a­ções e as lín­guas, des­cre­vem-nas, cons­tro­em hi­pó­te­ses so­bre o futuro das si­tu­a­ções, pro­po­si­ções pa­ra re­gu­lar os pro­ble­mas; de­pois os po­lí­ti­cos es­tu­dam as hi­pó­te­ses e as pro­po­si­ções, fa­zem es­co­lhas, apli­cam-nas» (Cal­vet, 2002, p. 147).

En­tre­tan­to, a ideia de que as Lín­guas Na­ci­o­nais Afri­ca­nas tra­ri­am tri­ba­lis­mo não pas­sa de uma ide­o­lo­gia ba­se­a­da na “des­va­lo­ri­za­ção per­pé­tua” de tu­do que é lo­cal pe­lo pró­prio afri­ca­no. A lín­gua, em si, é fru­to de ex­pe­ri­ên­cia, de ac­ção so­ci­al e cul­tu­ral. Não tra­ria di­vi­são, por­que ca­da in­di­ví­duo, no seu lu­gar de per­ten­ça, iden­ti icar- se- ia na sua cul­tu­ra. Pa­ra que is­to se tor­ne pos­sí­vel, é pre­ci­so que a cri­an­ça, des­de o en­si­no pri­má­rio, apren­da a lín­gua em que se ex­pres­sa no seu meio, per­mi­tin­do e apro­fun­dan­do a sua in­te­gra­ção cul­tu­ral.

Co­mo se ou­ve di­zer, não há de­sen­vol­vi­men­to num país sem que se per­mi­ta o fun­ci­o­na­men­to e a va­lo­ri­za­ção da tra­di­ção. A tra­di­ção po­ten­cia o de­sen­vol­vi­men­to de qual­quer co­mu­ni­da­de. Um po­vo pa­ra que con­si­ga pro­jec­tar o futuro e de­sen­vol­ver-se pre­ci­sa de olhar pa­ra o seu pas­sa­do. E pa­ra se con­ser­var a tra­di­ção, é pre­ci­so co­nhe­cer a lín­gua, que é o ele­men­to bá­si­co pa­ra a sua efec­ti­va­ção. Es­ta vi­são si­tua- nos na ideia de que a lín­gua de co­lo­ni­za­ção é uma ja­ne­la pa­ra o mun­do, mas a sua lín­gua é o que o ca­rac­te­ri­za no seu lu­gar de per­ten­ça.

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Angola

© PressReader. All rights reserved.