Pre­vi­são da re­to­ma do cres­ci­men­to com au­men­to da des­pe­sa do Es­ta­do

Jornal de Angola - - PARTADA -

A eco­no­mia an­go­la­na cres­ce a um rit­mo anu­al de 3,00 por cen­to em 2017, de­vi­do ao au­men­to da des­pe­sa pú­bli­ca e pri­va­da, o que de­ve­rá acon­te­cer à me­di­da em que os pre­ços do bar­ril ten­dem a au­men­tar, prevê a “Economist In­tel­li­gen­ce Unit” (EIU).

A uni­da­de de pes­qui­sa da “The Economist” adi­an­ta no seu mais re­cen­te re­la­tó­rio so­bre Angola, pu­bli­ca­do es­ta se­ma­na, que, no pe­río­do de 2016 a 2020, a eco­no­mia de­ve­rá cres­cer a uma ta­xa mé­dia de 2,5 por cen­to, que com­pa­ra com a de 4,7 re­gis­ta­da en­tre 2011 e 2015.

A EIU re­vê em bai­xa a ex­pec­ta­ti­va de cres­ci­men­to eco­nó­mi­co des­te ano, es­ti­man­do-a em 0,6 por cen­to, com o sector pe­tro­lí­fe­ro, a ex­pan­dir em 0,8, con­tra uma pre­vi­são ini­ci­al de 4,8, por os pre­ços do bar­ril con­ti­nu­a­rem em bai­xa nos mer­ca­dos in­ter­na­ci­o­nais co­mo a fra­ca pro­du­ção na­ci­o­nal, que não de­ve­rá ex­ce­der 1,79 mi­lhões de bar­ris por dia.

Os nú­me­ros avan­ça­dos pe­la EIU es­tão par­ci­al­men­te ali­nha­dos aos pro­du­zi­dos pe­lo Exe­cu­ti­vo, pa­ra a re­vi­são do Or­ça­men­to Ge­ral do Es­ta­do, que é de­fi­ni­ti­va­men­te apro­va­da a 16 de Se­tem­bro pe­la As­sem­bleia Na­ci­o­nal.

A pro­pos­ta de Lei de Re­vi­são do Or­ça­men­to Ge­ral do Es­ta­do (OGE) 2016, já apro­va­da na ge­ne­ra­li­da­de em me­a­dos de Agos­to, es­tá ba­se­a­da no bar­ril de pe­tró­leo a 40,9 dó­la­res, con­tra os 45 do do­cu­men­to ini­ci­al.

O no­vo ce­ná­rio ma­cro­e­co­nó­mi­co pre­vis­to pe­lo Exe­cu­ti­vo re­vê em bai­xa a pre­vi­são de cres­ci­men­to da eco­no­mia de 3,3 (OGE 2016) pa­ra 1,1 por cen­to (OGE 2016 re­vis­to) e con­tem­pla um dé­fi­ce or­ça­men­tal de 6,8 por cen­to do pro­du­to in­ter­no bru­to con­tra um de 5,5 no OGE 2016.

A ta­xa de cres­ci­men­to re­al do PIB pre­vis­ta pa­ra 2016, no no­vo do­cu­men­to, tem por ba­se um cres­ci­men­to do sector pe­tro­lí­fe­ro em 0,8 por cen­to, a mes­ma da EIU e do sector não pe­tro­lí­fe­ro em 1,2, am­bos em ter­mos ho­mó­lo­gos.

O de­sem­pe­nho do sector não pe­tro­lí­fe­ro nes­te ce­ná­rio é jus­ti­fi­ca­do pe­la me­lho­ria es­pe­ra­da nos sec­to­res da agri­cul­tu­ra (de 5,2 pa­ra 6,7 por cen­to), cons­tru­ção (de 2,2 pa­ra 3,2), in­dús­tria trans­for­ma­do­ra (de 11 pa­ra -3,9) e ser­vi­ços mer­can­tis (de -1,5 pa­ra 0,00).

A pro­du­ção pe­tro­lí­fe­ra de­ve­rá si­tu­ar-se em 654,6 mi­lhões de bar­ris no cômp­to do ano, nú­me­ro que cor­res­pon­de a uma pro­du­ção mé­dia diá­ria de 1,793 mi­lhões de bar­ris. Este nú­me­ro in­clui a pro­du­ção do gás na­tu­ral li­que­fei­to, que po­de­rá al­can­çar uma mé­dia diá­ria de 54.145 bar­ris equi­va­len­tes de pe­tró­leo, in­fe­ri­or à mé­dia diá­ria de 60 mil equi­va­len­tes, ini­ci­al­men­te pre­vis­ta.

O Go­ver­no de Angola pro­mo­ve um pro­gra­ma de di­ver­si­ficação da eco­no­mia que vi­sa a re­du­ção da de­pen­dên­cia do pe­tró­leo, in­ten­si­fi­can­do in­ves­ti­men­tos nos sec­to­res da agri­cul­tu­ra, in­dús­tria e tu­ris­mo.

A par dis­so, des­de 2012, o Mi­nis­té­rio das Fi­nan­ças le­va a ca­bo um pro­gra­ma de re­for­ma fis­cal que tem co­mo ob­jec­ti­vo o alar­ga­men­to da ba­se tri­bu­tá­ria e a di­ver­si­ficação das fon­tes de re­cei­tas.

Pa­ra este ano, a Ad­mi­nis­tra­ção Ge­ral Tri­bu­tá­ria prevê uma ar­re­ca­da­ção de 1,5 tri­liões de kwan­zas em re­cei­tas não pe­tro­lí­fe­ras.

A Di­rec­ção da Ho­te­la­ria e Tu­ris­mo quer co­la­bo­rar com as ad­mi­nis­tra­ções mu­ni­ci­pais e co­mu­nais do Ben­go pa­ra ins­ti­tuir a co­bran­ça de ta­xas so­bre a frequên­cia dos lo­cais tu­rís­ti­cos, anun­ci­ou quar­ta­fei­ra o di­rec­tor da­que­les ser­vi­ços.

Manuel Fernando no­tou, em con­fe­rên­cia de im­pren­sa, que o tu­ris­mo mais pra­ti­ca­do no Ben­go é o de praia e sol, o qual ge­ra re­sul­ta­dos ir­ri­só­ri­os no côm­pu­to da ar­re­ca­da­ção de re­cei­tas pa­ra os co­fres do Es­ta­do.

No qua­dro do pro­jec­to, o Go­ver­no da Pro­vín­cia do Ben­go cons­truir um cen­tro tu­rís­ti­co na lo­ca­li­da­de de Ca­ge Ma­zum­bo (Nam­bu­an­gon­go), pa­ra hon­rar os he­róis da lu­ta de li­ber­ta­ção na­ci­o­nal, re­ve­lou o di­rec­tor.

Ou­tro pro­jec­to em car­tei­ra pa­ra in­cen­ti­var o tu­ris­mo na pro­vín­cia do Ben­go, afir­mou, con­sis­te na cri­a­ção de agên­ci­as tu­rís­ti­cas - a pro­vín­cia não dis­põe de ne­nhu­ma -, o que re­quer par­ce­ri­as com o sector pri­va­do.

Manuel Fernando avan­çou que, na sen­da da ele­va­ção das re­cei­tas do tu­ris­mo, es­tá em fa­se de con­clu­são a ela­bo­ra­ção de um ro­tei­ro e es­tá pre­vis­ta a di­vul­ga­ção dos lo­cais tu­rís­ti­cos nos mei­os de co­mu­ni­ca­ção so­ci­al e a ges­tão e for­ma­ção dos in­ter­ve­ni­en­tes do sector ho­te­lei­ro.

O Ben­go tem re­gis­ta­das 107 uni­da­des - en­tre as quais con­tam­se ho­téis, pen­sões, hos­pe­da­ri­as, res­tau­ran­tes e si­mi­la­res e al­de­a­men­tos tu­rís­ti­cos - e pro­jec­ta a sua ca­ta­lo­ga­ção pa­ra in­cen­ti­var os em­pre­sá­ri­os a in­ves­ti­rem na re­gião com atrac­ti­vos na­tu­rais

Manuel Fernando dis­se que, no pri­mei­ro se­mes­tre, a Di­rec­ção Pro­vin­ci­al do Co­mér­cio, Ho­te­la­ria e Tu­ris­mo ar­re­ca­dou um mi­lhão de kwan­zas com o li­cen­ci­a­men­to de ope­ra­do­res.

Eco­tu­ris­mo

O eco­tu­ris­mo é o se­gun­do mais pra­ti­ca­do na­que­la pro­vín­cia, ca­rac­te­ri­za­do por ac­ti­vi­da­des re­li­gi­o­sas e vi­si­tas fa­mi­li­a­res que atin­gem as lo­ca­li­da­des mais recôn­di­tas de ca­da mu­ni­cí­pio on­de es­te­ja um lo­cal tu­rís­ti­co.

O di­rec­tor­de Ho­te­la­ria e Tu­ris­mo con­si­de­rou que al­gu­mas áre­as tu­rís­ti­cas não ofe­re­cem con­di­ções, so­bre­tu­do vi­as de aces­so, te­le­co­mu­ni­ca­ções, ener­gia e água, su­bli­nhan­do que em bre­ve to­dos es­tes as­pec­tos se­rão re­sol­vi­dos.A pro­vín­cia é fre­quen­ta­da por mais de três mil tu­ris­tas por mês, os quais pro­cu­ram as prai­as das lo­ca­li­da­des do Pan­gui­la, Am­briz, Bar­ra do Dan­de e os mu­ni­cí­pi­os com lo­cais tu­rís­ti­cos.

Em Agos­to, o gru­po de ca­pi­tais an­go­la­nos JRK In­ves­ti­men­tos anun­ci­ou o de­cur­so da cons­tru­ção de um re­sort com 40 quar­tos no Pan­gui­la e gas­tos par­ci­ais de 12,5 mi­lhões de dó­la­res (mais de dois mil mi­lhões de kwan­zas).

O pre­si­den­te do JRK In­ves­ti­men­tos afir­mou que o re­sort já es­tá er­gui­do e in­cor­po­ra ain­da três vi­ven­das T4, res­tau­ran­te/bar, pis­ci­na, pa­da­ria e fá­bri­ca de ge­lo, fal­tan­do ape­nas al­guns de­ta­lhes pa­ra a sua inau­gu­ra­ção, este ano.

PAU­LI­NO DAMIÃO

Po­lí­ti­cas em exe­cu­ção no país pro­vo­cam ex­pec­ta­ti­vas ani­ma­do­ras à eco­no­mia na­ci­o­nal

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