Ame­ri­ca­na Jes­si­ca Long faz his­tó­ria na na­ta­ção

Jornal de Angola - - DESPORTO -

O qua­dro se re­pe­te des­de Ate­nas'2004, quan­do ti­nha 12 anos: Jes­si­ca Long, de tou­ca e sem as pró­te­ses, pu­la na pis­ci­na co­mo fa­vo­ri­ta. Ho­je, aos 24 anos, tem 22 me­da­lhas. É a se­gun­da mai­or me­da­lhis­ta pa­ra­lím­pi­ca dos Es­ta­dos Uni­dos.

O de­sem­pe­nho no Rio'2016 é abai­xo do que ela es­pe­ra­va - su­biu ao pódio “ape­nas” cin­co ve­zes e, na quin­ta-fei­ra, não foi à fi­nal dos 50m li­vres. Mas na­da ti­ra o bri­lho de­la. E na­da, ab­so­lu­ta­men­te na­da, a dei­xa tão fe­liz quan­to ser­vir de mo­de­lo pa­ra cri­an­ças. Elas, as cri­an­ças, a ado­ram. Jes­si­ca é uma ce­le­bri­da­de.

Fa­lar so­bre cri­an­ças en­che o co­ra­ção de Jes­si­ca. Ela, na ver­da­de, nas­ceu na Si­bé­ria, Rús­sia, com o no­me de Ta­ti­a­na Ole­gov­na Ki­ril­lo­va. Ti­nha he­mi­me­lia fi­bu­lar (má for­ma­ção dos mem­bros in­fe­ri­o­res) e foi dei­xa­da num or­fa­na­to aos 13 me­ses. Uma fa­mí­lia ame­ri­ca­na a adop­tou seis me­ses de­pois. Du­ran­te os Jo­gos Pa­ra­lím­pi­cos de Lon­dres'2012, Na­talya e Oleg Valtyshev de­ram en­tre­vis­ta à im­pren­sa rus­sa di­zen­do que Jes­si­ca, a mo­ça que vi­ram na TV, era a fi­lha que eles de­ram pa­ra adop­ção. A na­da­do­ra foi até a Rús­sia. En­con­trou os pais bi­o­ló­gi­cos. A his­tó­ria en­trou num do­cu­men­tá­rio so­bre a vi­da de­la.

A vi­da de Jes­si­ca mu­dou com­ple­ta­men­te na in­fân­cia, lo­go que che­gou aos Es­ta­dos Uni­dos. Pas­sou por 24 ci­rur­gi­as até a am­pu­ta­ção com­ple­ta das du­as per­nas, abai­xo da al­tu­ra dos jo­e­lhos. Pas­sou a usar pró­te­ses, a ver o mun­do de ou­tro ân­gu­lo.

Aos 10 anos, a mãe no­tou o quan­to ela gos­ta­va de na­dar e de­ci­diu le­vá­la pa­ra um clu­be. Dois anos de­pois, a pe­que­na Jes­si­ca foi a Ate­nas’2004 co­mo a mais jo­vem da de­le­ga­ção ame­ri­ca­na. A me­ni­na de 12 anos vol­tou com três me­da­lhas de ou­ro.

Jes­si­ca che­gou à Rio com 17 me­da­lhas (12 ou­ros, três pra­tas e dois bron­zes). Le­vou três pra­tas e dois bron­zes. Ain­da vai dis­pu­tar os 200m li­vre e a es­ta­fe­ta 4X100 mis­to. A ce­na que sem­pre se re­pe­te: a na­da­do­ra sai da água, pe­ga as pró­te­ses, ti­ra a tou­ca e sol­ta os ca­be­los lou­ros e com­pri­dos. Sor­ri pa­ra to­dos, con­ta com sim­pa­tia o quan­to se sen­te pri­vi­le­gi­a­da de fa­zer o que ama.

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