Re­gis­to elei­to­ral nun­ca foi da com­pe­tên­cia da CNE

Jornal de Angola - - POLÍTICA - ADELINA INÁ­CIO S|

Os par­ti­dos da oposição UNITA, CA­SA-CE e o Blo­co De­mo­crá­ti­co con­tes­tam o re­gis­to elei­to­ral, que es­tá a car­go do Mi­nis­té­rio da Ad­mi­nis­tra­ção do Ter­ri­tó­rio (MAT) e de­fen­dem que tal ta­re­fa é com­pe­tên­cia da Co­mis­são Na­ci­o­nal Elei­to­ral. Es­ses par­ti­dos con­tes­tam uma de­ci­são que de­cor­re da pró­pria lei apro­va­da pe­la As­sem­bleia Na­ci­o­nal, a lei 18/15, de 15 de Ju­nho. A Lei do Re­gis­to Elei­to­ral Ofi­ci­o­so atri­bui ao Mi­nis­té­rio da Ad­mi­nis­tra­ção do Ter­ri­tó­rio a com­pe­tên­cia de pre­pa­rar to­do o pro­ces­so elei­to­ral e à Co­mis­são Na­ci­o­nal Elei­to­ral a com­pe­tên­cia de su­per­vi­si­o­nar o pro­ces­so. Es­te ór­gão tem so­men­te a mis­são de su­per­vi­si­o­nar e re­ce­ber os re­la­tó­ri­os pe­rió­di­cos en­tre­gues pe­lo MAT. O re­gis­to elei­to­ral é da com­pe­tên­cia do MAT por­que en­glo­ba ele­men­tos que são da res­pon­sa­bi­li­da­de do Exe­cu­ti­vo. Os par­ti­dos que têm a mis­são de fis­ca­li­zar es­que­cem-se que um dos ele­men­tos im­por­tan­tes pa­ra a re­a­li­za­ção do re­gis­to ofi­ci­o­so é a atri­bui­ção do Bi­lhe­te de Iden­ti­da­de, que não é ta­re­fa da Co­mis­são Na­ci­o­nal Elei­to­ral, mas sim do Exe­cu­ti­vo.

O que pas­sa­rá a ser co­lo­ca­do à dis­po­si­ção da CNE é ape­nas o fi­chei­ro dos ci­da­dãos que têm mais de 18 anos e que nos ter­mos da Cons­ti­tui­ção e da Lei es­tão em con­di­ções de vo­tar. A Co­mis­são Na­ci­o­nal Elei­to­ral, en­quan­to ór­gão de na­tu­re­za co­le­gi­al e ten­do em con­ta as su­as atri­bui­ções e com­pe­tên­ci­as, não po­de usur­par com­pe­tên­ci­as que não se en­qua­dram no seu âm­bi­to. Ape­sar des­ta contestação os par­ti­dos na oposição têm cons­ci­ên­cia da im­por­tân­cia do pro­ces­so de ac­tu­a­li­za­ção do re­gis­to pa­ra a re­a­li­za­ção das elei­ções ge­rais do pró­xi­mo ano. Sa­bem que se não for as­sim só têm a per­der. O pro­ces­so de ac­tu­a­li­za­ção do re­gis­to não po­de pa­rar, por­que es­te ou aque­le par­ti­do dis­cor­da do que es­tá es­ta­be­le­ci­do na Lei. Agin­do des­ta for­ma, os par­ti­dos na oposição es­tão a vi­o­lar o que es­tá es­ta­be­le­ci­do na Lei, que é de cum­pri­men­to obri­ga­tó­rio.

As com­pe­tên­ci­as do Mi­nis­té­rio da Ad­mi­nis­tra­ção do Ter­ri­tó­rio e da Co­mis­são Na­ci­o­nal Elei­to­ral po­dem ser en­con­tra­das na Lei do Re­gis­to Elei­to­ral, no Re­gu­la­men­to do Re­gis­to Elei­to­ral, no Pla­no Estratégico de Exe­cu­ção do Re­gis­to Elei­to­ral e na di­rec­ti­va so­bre a su­per­vi­são do re­gis­to elei­to­ral, es­te úl­ti­mo apro­va­do pe­la Co­mis­são Na­ci­o­nal Elei­to­ral.

A Lei es­tá apro­va­da e mes­mo que es­ses par­ti­dos na oposição não se re­ve­jam ne­la, de­vem lem­brar-se de que a As­sem­bleia Na­ci­o­nal atri­buiu a ca­da ór­gão (CNE e ao MAT ) as su­as com­pe­tên­ci­as. A Co­mis­são Na­ci­o­nal Elei­to­ral nun­ca te­ve a com­pe­tên­cia de exe­cu­tar o re­gis­to elei­to­ral.

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