Atri­bui­ção de no­me aos bair­ros e ru­as já tem re­gras

Jornal de Angola - - SOCIEDADE - CÉ­SAR ESTEVES |

As pes­so­as vão dei­xar de dar no­me, a seu bel-pra­zer, às po­vo­a­ções, al­dei­as, bair­ros, ru­as, pra­ças, ave­ni­das e ou­tros lu­ga­res, co­mo até aqui, co­mo re­sul­ta­do da en­tra­da em vi­gor da Lei de Ba­ses da Toponímia, pu­bli­ca­da no dia 12 des­te mês, no “Diá­rio da Re­pú­bli­ca”, que vem im­por re­gras e pro­ce­di­men­tos pa­ra atri­bui­ção de no­mes aos lu­ga­res.

Co­nhe­ci­da tam­bém co­mo Lei 14/16, o di­plo­ma le­gal de­ter­mi­na que, do­ra­van­te, a atri­bui­ção de no­mes aos lu­ga­res pas­sa a ser da com­pe­tên­cia das ad­mi­nis­tra­ções das pro­vín­ci­as, de­pois de ou­vi­do o Con­se­lho de Aus­cul­ta­ção da Co­mu­ni­da­de, sob pro­pos­ta do ór­gão com­pe­ten­te da Ad­mi­nis­tra­ção Lo­cal.

De igual mo­do, a atri­bui­ção dos no­mes às pro­vín­ci­as, mu­ni­cí­pi­os, co­mu­nas e dis­tri­tos ur­ba­nos vai pas­sar a ser da res­pon­sa­bi­li­da­de da As­sem­bleia Na­ci­o­nal. Qu­an­to à atri­bui­ção de no­me às ci­da­des e vi­las, a lei es­ta­be­le­ce que a com­pe­tên­cia é do Ti­tu­lar do Po­der Exe­cu­ti­vo.

Em con­for­mi­da­de com es­ta lei, po­dem apre­sen­tar pro­pos­tas de no­mes pa­ra os lu­ga­res as pes­so­as in­di­vi­du­ais ou co­lec­ti­vas, as co­mis­sões de mo­ra­do­res, as di­fe­ren­tes or­ga­ni­za­ções exis­ten­tes na co­mu­ni­da­de e os ór­gãos com­pe­ten­tes da Ad­mi­nis­tra­ção Co­mu­nal, da Ad­mi­nis­tra­ção do Dis­tri­to Ur­ba­no, da Ad­mi­nis­tra­ção Mu­ni­ci­pal, do Go­ver­no Pro­vin­ci­al e da Au­tar­quia Lo­cal. As pro­pos­tas dos ci­da­dãos, de acor­do com a lei, de­vem ser apre­sen­ta­das jun­to dos ór­gãos da Ad­mi­nis­tra­ção Lo­cal ou dos ór­gãos au­tár­qui­cos da área do lo­cal a que se pro­põe o no­me do lu­gar.

Du­ran­te o pro­ces­so de apre­ci­a­ção e de emis­são de pa­re­ce­res so­bre os no­mes dos lu­ga­res, es­cla­re­ce a lei, o Con­se­lho de Aus­cul­ta­ção da Co­mu­ni­da­de pode, achan­do con­ve­ni­en­te, aus­cul­tar os mu­ní­ci­pes atra­vés da par­ti­ci­pa­ção nas co­mis­sões de mo­ra­do­res.

A Lei de Ba­ses da Toponímia avan­ça que os no­mes de lu­ga­res já exis­ten­tes até à da­ta da sua en­tra­da em vi­gor vão man­ter-se, des­de que o seu uso e-ou uti­li­za­ção não se­ja eti­ca­men­te in­cor­rec­to nem ofen­da a mo­ral pú­bli­ca.

De acor­do com a lei, ou­tros mo­ti­vos que po­dem le­var à al­te­ra­ção do no­me de um lu­gar têm a ver com a ques­tão de re­con­ver­são ur­ba­nís­ti­ca e a exis­tên­cia de to­pó­ni­mos con­si­de­ra­dos ino­por­tu­nos, iguais ou se­me­lhan­tes, com re­fle­xos ne­ga­ti­vos nos ser­vi­ços pú­bli­cos.

Acei­ta­ção na co­mu­ni­da­de

Os to­pó­ni­mos não ofi­ci­ais po­dem ser ob­jec­to de apre­ci­a­ção e con­fir­ma­ção pe­los ór­gãos com­pe­ten­tes, des­de que te­nham acei­ta­ção no seio da co­mu­ni­da­de e res­pei­tem as re­gras e prin­cí­pi­os es­ta­be­le­ci­dos por es­sa lei e avan­ça, igual­men­te, que não são con­fir­ma­dos os to­pó­ni­mos ac­tu­ais não ofi­ci­ais que ofen­dam a mo­ral pú­bli­ca ou se re­por­tem a per­so­na­li­da­des sem qual­quer re­le­vân­cia his­tó­ri­ca ou no­mes des­pro­vi­dos de qual­quer sig­ni­fi­ca­do pa­ra a His­tó­ria e cul­tu­ra an­go­la­na. Se­gun­do a Lei de Ba­ses da Toponímia, cons­ti­tu­em ele­men­tos ele­gí­veis pa­ra toponímia fi­gu­ras ou ins­ti­tui­ções cu­ja im­por­tân­cia se­ja re­co­nhe­ci­da lo­cal, na­ci­o­nal ou in­ter­na­ci­o­nal­men­te, fac­tos com re­le­vân­cia na área da pro­vín­cia, mu­ni­cí­pio, co­mu­na, dis­tri­to ur­ba­no, ci­da­de, vi­la, bair­ro al­deia ou po­vo­a­ções.

Os as­pec­tos lo­cais, em obe­di­ên­cia aos cos­tu­mes e an­ces­tra­li­da­de dos sí­ti­os e lu­ga­res da res­pec­ti­va im­plan­ta­ção, da­tas com sig­ni­fi­ca­do his­tó­ri­co lo­cal, na­ci­o­nal ou in­ter­na­ci­o­nal e no­me de paí­ses, ci­da­des ou ou­tros lo­cais na­ci­o­nais ou es­tran­gei­ros que, por mo­ti­vos im­por­tan­tes, se en­con­trem li­ga­dos à vi­da do lo­cal on­de é im­ple­men­tan­do o to­pó­ni­mo fa­zem igual­men­te par­te da lis­ta dos re­qui­si­tos pa­ra que se­jam con­si­de­ra­dos.

Pes­so­as vi­vas

A Lei de Ba­ses da Toponímia re­co­nhe­ce que é proi­bi­da a atri­bui­ção de no­mes de pes­so­as vi­vas aos lu­ga­res, sal­vo em ca­sos ex­tra­or­di­ná­ri­os em que se re­co­nhe­ça que, por mo­ti­vos ex­cep­ci­o­nais, es­te ti­po de ho­me­na­gem e re­co­nhe­ci­men­to de­va ser pres­ta­do em vi­da. Os no­mes das pes­so­as, es­cla­re­ce, não po­dem ser atri­buí­dos an­tes de de­cor­ri­do um ano a con­tar da da­ta do fa­le­ci­men­to, sal­vo em ca­sos con­si­de­ra­dos ex­cep­ci­o­nais, ou­vi­da a fa­mí­lia. Pa­ra dar no­me aos lu­ga­res, de­cre­ta o di­plo­ma, de­ve-se ter em con­ta, en­tre ou­tros ele­men­tos, os to­pó­ni­mos po­pu­la­res e tra­di­ci­o­nais, per­so­na­li­da­des do mundo das ar­tes, le­tras e cul­tu­ra, da vi­da po­lí­ti­ca, aca­dé­mi­ca, ci­en­tí­fi­ca, re­li­gi­o­sa, des­por­ti­va, da­tas e fac­tos me­mo­rá­veis de di­men­são his­tó­ri­ca, po­lí­ti­ca e cul­tu­ral, bem co­mo os no­mes de he­róis da lu­ta de re­sis­tên­cia an­ti­co­lo­ni­al e da lu­ta de li­ber­ta­ção na­ci­o­nal, le­gal­men­te re­co­nhe­ci­dos.

As vi­as pú­bli­cas sem de­no­mi­na­ção, con­ti­nua a lei, vão re­ce­ber um có­di­go nu­mé­ri­co ou al­fa­nu­mé­ri­co, en­quan­to aguar­dam pe­la atri­bui­ção dos no­mes. Após a apro­va­ção dos to­pó­ni­mos de­vem ser afi­xa­dos edi­tais em lo­cais pú­bli­cos de gran­de afluên­cia e pro­mo­vi­da a pu­bli­ci­da­de de anún­ci­os nos ór­gãos de co­mu­ni­ca­ção so­ci­al.

O pro­ces­so de co­lo­ca­ção das pla­cas to­po­ní­mi­cas vai per­mi­tir, se­gun­do o le­gis­la­dor, que se atri­bua o nú­me­ro de po­lí­cia em fun­ção dos vãos (dis­tân­cia en­tre dois apoi­os con­se­cu­ti­vos de uma es­tru­tu­ra) de por­tas, por­tões ou can­ce­las le­gais, que con­fi­nem com a via pú­bli­ca e que dêem aces­so a pré­di­os ur­ba­nos ou res­pec­ti­vos lo­gra­dou­ros (es­pa­ços pú­bli­cos re­co­nhe­ci­dos ofi­ci­al­men­te pe­la ad­mi­nis­tra­ção de ca­da mu­ni­cí­pio). A lei ex­pli­ca que com­pe­te à Ad­mi­nis­tra­ção Lo­cal do Es­ta­do, a atri­bui­ção dos nú­me­ros de po­lí­cia, pe­lo fac­to de a nu­me­ra­ção de po­lí­cia ser ob­jec­to de re­gu­la­men­ta­ção pró­pria.

VIGAS DA PURIFICAÇÃO

Se­gun­do a no­va lei os no­mes de fi­gu­ras his­tó­ri­cas po­dem ser atri­buí­dos a ru­as e ou­tros lu­ga­res

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Angola

© PressReader. All rights reserved.