Acor­do cor­ta pro­du­ção e ele­va pre­ços

Quo­ta de ca­da Es­ta­do mem­bro de­ve ser de­fi­ni­da no pró­xi­mo mês de No­vem­bro

Jornal de Angola - - ECONOMIA -

Os pre­ços do pe­tró­leo fe­cha­ram em al­ta de mais de cin­co por cen­to na quar­ta-fei­ra, após ser no­ti­ci­a­do que a Or­ga­ni­za­ção dos Paí­ses Ex­por­ta­do­res de Pe­tró­leo (OPEP) al­can­çou um acor­do pa­ra re­du­zir a sua pro­du­ção.

O acor­do pre­vê um cor­te na pro­du­ção pa­ra uma fai­xa de en­tre 32,5 mi­lhões e 33 mi­lhões de bar­ris de pe­tró­leo por dia (bpd), di­an­te da ac­tu­al pro­du­ção de 33,24 mi­lhões de bpd, no­ti­ci­ou a agên­cia Reu­ters.

“A OPEP to­mou uma de­ci­são ex­cep­ci­o­nal ho­je (quar­ta-fei­ra) e, após dois anos e meio, a or­ga­ni­za­ção al­can­çou con­sen­so pa­ra ge­rir o mer­ca­do”, dis­se o mi­nis­tro do Pe­tró­leo ira­ni­a­no, Bi­jan Zan­ga­neh.

O cor­te na pro­du­ção é o pri­mei­ro do gé­ne­ro des­de 2008. A quan­ti­da­de que ca­da país vai pro­du­zir de­ve ser de­ci­di­da na pró­xi­ma reu­nião for­mal da OPEP, mar­ca­da pa­ra o mês de No­vem­bro, e o con­vi­te pa­ra uni­fi­car os cor­tes de­ve ser es­ten­di­do aos paí­ses fo­ra do gru­po, co­mo a Rús­sia.

A reu­nião in­for­mal da OPEP de­cor­reu em Ar­gel, na quar­ta-fei­ra, com o ob­jec­ti­vo de con­ter o ex­ces­so de ofer­ta no mer­ca­do glo­bal, que tem le­va­do a uma acen­tu­a­da que­da de pre­ços ja­mais vis­ta, des­de me­a­dos de 2014. Os pre­ços do pe­tró­leo caí­ram, de­vi­do a uma ofer­ta mui­to ele­va­da, re­sul­tan­te do “bo­om” de hi­dro­car­bo­ne­tos de xis­to ame­ri­ca­no e da es­tra­té­gia da OPEP de man­ter a sua pro­du­ção, pa­ra não per­der fa­ti­as de mer­ca­do.

O mi­nis­tro de Ener­gia do Ca­tar, Moha­med Sa­leh al-Sa­da, dis­se que a reu­nião de Ar­gel foi mui­to longa, mas his­tó­ri­ca, afir­man­do que o ní­vel de re­du­ção por país se­rá de­fi­ni­do an­tes da pró­xi­ma reu­nião do car­tel, pre­vis­ta pa­ra 30 de No­vem­bro. O re­pre­sen­tan­te do Ca­tar afir­mou ain­da que a reu­nião se de­sen­vol­veu “em uma at­mos­fe­ra mui­to po­si­ti­va que re­flec­te a for­te co­e­rên­cia na OPEP”, a fim de im­pul­si­o­nar os pre­ços que caí­ram mais de 50 por cen­to des­de me­a­dos de 2014.

“Foi ines­pe­ra­do, com cer­te­za. Nin­guém que eu co­nhe­ço pre­viu is­to. O mer­ca­do não pa­re­ce es­tar po­si­ci­o­na­do pa­ra is­so e os fun­da­men­tos dos EUA já es­tão mais aper­ta­dos do que nós es­pe­rá­va­mos e de­ve fi­car mais aper­ta­do”, dis­se, à Reu­ters, Scott Shel­ton, cor­re­tor do sec­tor de ener­gia e es­pe­ci­a­lis­ta em ma­té­ri­as-pri­mas da ICAP, em Durham, na Ca­ro­li­na do Nor­te. As du­as fon­tes da OPEP dis­se­ram à Reu­ters que, quan­do as me­tas de pro­du­ção fo­rem atin­gi­das, a or­ga­ni­za­ção vai pro­cu­rar a co­o­pe­ra­ção de pro­du­to­res de fo­ra do gru­po.

Pre­ço do bar­ril

O pe­tró­leo brent, ne­go­ci­a­do em Lon­dres e re­fe­rên­cia pa­ra o mer­ca­do an­go­la­no, fe­chou em al­ta de 5,92 por cen­to, a 48,69 dó­la­res o bar­ril, en­quan­to o WTI, ne­go­ci­a­do nos Es­ta­dos Uni­dos, su­biu 5,33, en­cer­ran­do a 47,05 o bar­ril.

No iní­cio des­te ano, o pre­ço do bar­ril de pe­tró­leo atin­giu mí­ni­mos em qua­se 12 anos, sen­do ne­go­ci­a­do abai­xo de 30 dó­la­res.

A ma­té­ria-pri­ma en­cer­rou o ano de 2015 com uma que­da acu­mu­la­da de 35 por cen­to e ini­ci­ou no de­cur­so des­te ano abai­xo, no meio de pre­o­cu­pa­ções com o cres­ci­men­to da Chi­na, com a cri­se di­plo­má­ti­ca en­tre o Irão e a Ará­bia Sau­di­ta e com o au­men­to do stock de de­ri­va­dos dos Es­ta­dos Uni­dos.

Mui­tos ope­ra­do­res dis­se­ram es­tar im­pres­si­o­na­dos por a OPEP ter con­se­gui­do che­gar a um acor­do, en­quan­to ou­tros di­zem que qu­e­rem es­pe­rar pe­los de­ta­lhes. “Es­se é o pri­mei­ro acor­do da Oor­ga­ni­za­ção de Paí­ses Ex­por­ta­do­res de Pe­tró­leo em oi­to anos” e is­to pro­va que o car­tel “ain­da é re­le­van­te, mes­mo na era do xis­to”, dis­se Phil Flynn, ana­lis­ta sé­ni­or de ener­gia da Pri­ce Fu­tu­res Group, que con­clui que “es­se é o fim de uma guer­ra de pro­du­ção e a OPEP de­cla­ra vi­tó­ria.”

As eco­no­mi­as do Irão e da Ará­bia Sau­di­ta de­pen­dem for­te­men­te da ex­por­ta­ção do pe­tró­leo, mas, num ce­ná­rio pós-san­ções, o Irão es­tá a so­frer me­nos pres­são dos pre­ços do pe­tró­leo que caí­ram pe­la me­ta­de e po­de ex­pan­dir a sua eco­no­mia em qua­se qua­tro por cen­to es­te ano, de acor­do com o Fun­do Mo­ne­tá­rio In­ter­na­ci­o­nal (FMI).

Já a Ará­bia Sau­di­ta en­fren­ta o se­gun­do ano de dé­fi­ce no or­ça­men­to, após um rom­bo re­cor­de de 98 mil mi­lhões de dó­la­res, uma eco­no­mia es­tag­na­da que es­tá a ser for­ça­da a cor­tar o sa­lá­rio de fun­ci­o­ná­ri­os do Es­ta­do.

AFP

An­go­la que vem de­fen­den­do há dois anos o cor­te na pro­du­ção es­te­ve pre­sen­te na reu­nião da OPEP atra­vés do seu mi­nis­tro dos Pe­tró­le­os

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