Eco­no­mia an­go­la­na ofe­re­ce bo­as pers­pec­ti­vas

Pro­jec­ções da ins­ti­tui­ção afir­mam que o país ini­cia pro­ces­so de re­cu­pe­ra­ção no pró­xi­mo ano

Jornal de Angola - - ECONOMIA - ARMANDO ES­TRE­LA |

As úl­ti­mas pro­jec­ções de eco­no­mis­tas do Fun­do Mo­ne­tá­rio In­ter­na­ci­o­nal (FMI) re­ve­lam que Angola de­ve re­gis­tar em cin­co anos um ní­vel de cres­ci­men­to de um ter­ço da mé­dia do pe­río­do 19982007, quan­do cres­ceu a 10,3 por cen­to ao ano.

O FMI re­viu em for­te bai­xa a pre­vi­são de cres­ci­men­to do país, que aguar­da ago­ra por uma es­tag­na­ção es­te ano e por uma ex­pan­são de 1,5 por cen­to em 2017.

O re­la­tó­rio World Eco­no­mic Ou­tlo­ok (Pers­pec­ti­vas Eco­nó­mi­cas Mun­di­ais), di­vul­ga­do na ter­ça-fei­ra em Washing­ton, re­vê em for­te bai­xa as pre­vi­sões de cres­ci­men­to, pois, no mês de Maio apon­ta­va pa­ra um cres­ci­men­to de 2,5 por cen­to em 2016 e pa­ra uma li­gei­ra ace­le­ra­ção pa­ra 2,7 por cen­to no pró­xi­mo ano.

“Angola es­tá, co­mo a Ni­gé­ria e a Áfri­ca do Sul, a adap­tar-se à for­te que­da nas re­cei­tas das ex­por­ta­ções de pe­tró­leo. Não de­ve­rá cres­cer es­te ano e vai ter um dé­bil cres­ci­men­to no pró­xi­mo ano”, lê-se no re­la­tó­rio.

A actualização das pre­vi­sões de cres­ci­men­to sur­ge me­nos de um mês de­pois de a Eco­no­mist In­tel­li­gen­ce Unit ter re­vis­to tam­bém em bai­xa as pre­vi­sões de cres­ci­men­to de Angola pa­ra es­te ano, an­te­ci­pan­do uma ex­pan­são de ape­nas 0,6 por cen­to, cerca de me­ta­de da es­ti­ma­ti­va ofi­ci­al an­go­la­na. Em Agos­to, Angola re­viu em bai­xa a sua pre­vi­são de cres­ci­men­to pa­ra 2016 pe­la se­gun­da vez, em pou­co mais de um mês, de 3,3 por cen­to pa­ra 1,1 por cen­to, nu­ma al­tu­ra em que já ti­nha re­vis­to em Ju­lho pa­ra 1,3 por cen­to.

No re­la­tó­rio so­bre Angola, en­vi­a­do há du­as se­ma­nas aos in­ves­ti­do­res, a Eco­no­mist In­tel­li­gen­ce Unit an­te­ci­pa que nos pró­xi­mos anos des­ta dé­ca­da o país po­de ace­le­rar o cres­ci­men­to eco­nó­mi­co pa­ra 3,5 por cen­to em 2018, di­an­te de um no­vo abran­da­men­to de 2,5 por cen­to, em 2020. De­vi­do à que­bra das re­cei­tas com a ex­por­ta­ção do pe­tró­leo no pri­mei­ro se­mes­tre, o Exe­cu­ti­vo apre­sen­tou ao Par­la­men­to uma pro­pos­ta de re­vi­são do Or­ça­men­to Ge­ral do Es­ta­do (OGE) de 2016, cor­tan­do a pre­vi­são do pre­ço mé­dio do bar­ril de pe­tró­leo ex­por­ta­do es­te ano, de 45 pa­ra 41 dó­la­res.

Com is­to, nos cál­cu­los do Exe­cu­ti­vo, o cres­ci­men­to da eco­no­mia des­ce dos 3,3 por cen­to ini­ci­ais, fa­ce a 2015, pa­ra 1,1 por cen­to, e a in­fla­ção de­ri­va­da da cri­se cam­bi­al de­ve dis­pa­rar de 11 pa­ra 38,5 por cen­to.

Cres­ci­men­to mun­di­al

A eco­no­mia mun­di­al de­ve cres­cer es­te ano ao rit­mo mais bai­xo des­de 2009, quan­do es­te­ve em re­ces­são, fru­to do mau de­sem­pe­nho da eco­no­mia nor­te-ame­ri­ca­na e da in­cer­te­za cri­a­da na Eu­ro­pa e no Rei­no Uni­do com o Bre­xit, re­fe­re o Fun­do Mo­ne­tá­rio In­ter­na­ci­o­nal.

O FMI es­tá pre­o­cu­pa­do com a cres­cen­te va­ga de po­pu­lis­mo e o cres­ci­men­to das po­lí­ti­cas na­ci­o­na­lis­tas. Os nú­me­ros pou­co mu­dam, os aler­tas tam­bém não, mas a in­ten­si­da­de es­tá a au­men­tar. Nas Pers­pec­ti­vas Eco­nó­mi­cas Mun­di­ais que o FMI deu a co­nhe­cer na ter­ça­fei­ra, as pre­vi­sões pa­ra a eco­no­mia mun­di­al são as mes­mas da­das a co­nhe­cer nas in­di­ca­ções in­ter­ca­la­res de Ju­lho, mas li­gei­ra­men­te pi­o­res, em uma dé­ci­ma, às de Abril, na re­vi­são mais alar­ga­da fei­ta até en­tão.

A eco­no­mia mun­di­al de­ve cres­cer 3,1 por cen­to es­te ano e ace­le­rar pa­ra os 3,4 por cen­to no pró­xi­mo ano. O eco­no­mis­ta do FMI, Mau­ri­ce Obst­feld, com­pa­ran­do com as in­di­ca­ções de há um ano, re­cor­dou que os ris­cos pa­re­cem mi­ti­ga­dos, pois o cres­ci­men­to da Chi­na con­ti­nua ele­va­do, a re­cu­pe­ra­ção pa­re­ce es­tar a ga­nhar for­ça nos de­mais paí­ses e os pre­ços das ma­té­ri­as-pri­mas re­cu­pe­ra­ram, tal co­mo di­mi­nuiu a vo­la­ti­li­da­de nos mer­ca­dos.

Po­rém, Mau­ri­ce Obst­feld re­fe­re que, olhan­do bem de per­to, há ra­zões pa­ra pre­o­cu­pa­ção, já que boa par­te dos ris­cos po­de ser atri­buí­da a po­lí­ti­cas in­ter­nas dos paí­ses e aos efei­tos nas res­tan­tes eco­no­mi­as, es­pe­ci­al­men­te quan­do se fa­la de eco­no­mi­as avan­ça­das, que o FMI co­lo­ca ago­ra a cres­cer me­nos 0,2 por cen­to do PIB (Pro­du­to In­ter­no Bru­to), fa­ce ao que pre­via em Ju­lho. O FMI diz que o Bre­xit tor­na in­cer­to o fu­tu­ro das re­la­ções co­mer­ci­ais e fi­nan­cei­ras com os res­tan­tes 27 paí­ses da União Eu­ro­peia, cri­an­do tam­bém in­cer­te­zas po­lí­ti­cas e eco­nó­mi­cas que ame­a­çam en­fra­que­cer o in­ves­ti­men­to e a con­tra­ta­ção ao lon­go da Eu­ro­pa. O Fun­do vai mais lon­ge e, além de cor­tar em 0,1 por cen­to e 1,1 por cen­to o cres­ci­men­to do Rei­no Uni­do, em 2016 e 2017, con­clui que só da­qui a vá­ri­os anos se­rá pos­sí­vel per­ce­ber co­mo se­rão as re­la­ções co­mer­ci­ais en­tre o Rei­no Uni­do e a União Eu­ro­peia.

Ris­co po­lí­ti­co

Não é ape­nas o con­tex­to es­tri­ta­men­te eco­nó­mi­co que pre­o­cu­pa o Fun­do na sua ava­li­a­ção so­bre o Bre­xit, mas o im­pac­to da vo­ta­ção pa­ra ou­tros paí­ses da União Eu­ro­peia que ex­tra­po­la e faz com que ha­ja ho­je uma pres­são cres­cen­te a ní­vel glo­bal pa­ra que os paí­ses adop­tem pos­tu­ras po­pu­lis­tas e po­lí­ti­cas mais na­ci­o­na­lis­tas.

“O vo­to pe­lo Bre­xit e a cam­pa­nha pre­si­den­ci­al em cur­so nos Es­ta­dos Uni­dos têm evi­den­ci­a­do uma fra­gi­li­za­ção no con­sen­so em tor­no dos be­ne­fí­ci­os da in­te­gra­ção eco­nó­mi­ca trans­fron­tei­ri­ça. As pre­o­cu­pa­ções à vol­ta do im­pac­to da com­pe­ti­ção ex­ter­na no em­pre­go e nos sa­lá­ri­os num con­tex­to de fraco cres­ci­men­to es­tão a fa­zer cres­cer o ape­lo das abor­da­gens pro­tec­ci­o­nis­tas, com po­ten­ci­ais ra­mi­fi­ca­ções pa­ra os flu­xos de co­mér­ci­os glo­bais e in­te­gra­ção de for­ma mais glo­bal”, es­cre­ve o FMI.

AFP

Al­tos fun­ci­o­ná­ri­os do FMI du­ran­te os en­con­tros re­a­li­za­dos no prin­cí­pio da se­ma­na em Washing­ton

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