Mais cré­di­tos pro­ve­ni­en­tes da China

Abrahão Gour­gel dis­cur­sou on­tem na aber­tu­ra da con­fe­rên­cia so­bre co­o­pe­ra­ção eco­nó­mi­ca em Ma­cau

Jornal de Angola - - PARTADA -

A exe­cu­ção do pro­gra­ma de di­ver­si­fi­ca­ção da eco­no­mia re­quer mais apoio da China, quer no âm­bi­to bi­la­te­ral, quer no âm­bi­to mul­ti­la­te­ral, afir­mou on­tem o mi­nis­tro da Eco­no­mia, Abraão Gour­gel, quan­do dis­cur­sa­va na aber­tu­ra da 5ª Con­fe­rên­cia Mi­nis­te­ri­al do Fó­rum pa­ra Co­o­pe­ra­ção Eco­nó­mi­ca e Co­mer­ci­al en­tre a China e os Países de Lín­gua Por­tu­gue­sa, tam­bém co­nhe­ci­do co­mo Fó­rum Ma­cau. A China vai con­ce­der a An­go­la e a ou­tros qua­tro países afri­ca­nos de lín­gua por­tu­gue­sa e Ti­mor-Leste em­prés­ti­mos com con­di­ções es­pe­ci­ais num va­lor não in­fe­ri­or a dois mil mi­lhões de yu­ans. Es­tes cré­di­tos des­ti­nam-se a re­for­çar a cons­tru­ção de in­fra-es­tru­tu­ras.

A exe­cu­ção do pro­gra­ma de di­ver­si­fi­ca­ção da eco­no­mia, no país, re­quer mais apoio da China, quer no âm­bi­to bi­la­te­ral, quer no âm­bi­to mul­ti­la­te­ral atra­vés do Fó­rum de Ma­cau, afir­mou on­tem o mi­nis­tro da Eco­no­mia.

Abrahão Gour­gel dis­se que An­go­la ma­ni­fes­ta o seu apre­ço pe­la cons­tru­ção do Fó­rum Ma­cau, uma pla­ta­for­ma que es­tá a per­mi­tir con­so­li­dar as re­la­ções de lon­ga da­ta en­tre a China e os po­vos fa­lan­tes do Por­tu­guês. O mi­nis­tro, que dis­cur­sa­va na aber­tu­ra da 5ª Con­fe­rên­cia Mi­nis­te­ri­al do Fó­rum pa­ra Co­o­pe­ra­ção Eco­nó­mi­ca e Co­mer­ci­al en­tre a China e os Países de Lín­gua Por­tu­gue­sa, lem­brou que An­go­la de­sen­vol­ve des­de 2002 uma co­o­pe­ra­ção es­tra­té­gi­ca com a China, em to­dos os sec­to­res da ac­ti­vi­da­de.

O Go­ver­no chi­nês vai dis­po­ni­bi­li­zar em­prés­ti­mos con­ces­si­o­nais no va­lor não in­fe­ri­or a dois mil mi­lhões de yu­ans aos países de lín­gua por­tu­gue­sa, no qua­dro de 18 no­vas me­di­das apre­sen­ta­das on­tem pe­lo pri­mei­ro-mi­nis­tro da China, Li Keqi­ang. Os va­lo­res des­ti­nam-se a pro­mo­ver a co­ne­xão in­dus­tri­al e a co­o­pe­ra­ção da ca­pa­ci­da­de pro­du­ti­va, bem co­mo re­for­çar a co­o­pe­ra­ção na área da cons­tru­ção de in­fra-es­tru­tu­ras com os países de lín­gua por­tu­gue­sa. A China vai for­ne­cer ain­da aos países de lín­gua por­tu­gue­sa um do­na­ti­vo de dois mil mi­lhões de yu­ans, pa­ra apoi­ar pro­jec­tos na agri­cul­tu­ra, fa­ci­li­ta­ção do co­mér­cio e in­ves­ti­men­to, prevenção e com­ba­te à ma­lá­ria e pes­qui­sa da me­di­ci­na na­tu­ral.

Ou­tra medida anun­ci­a­da pe­lo Go­ver­no chi­nês é isen­tar os países de lín­gua por­tu­gue­sa do fó­rum, com dí­vi­das já ven­ci­das pro­ve­ni­en­tes de em­prés­ti­mos sem ju­ros, no va­lor de 500 mi­lhões de yu­ans.

Num en­con­tro de apro­xi­ma­da­men­te 40 mi­nu­tos, com a vi­ce-mi­nis­tra do Co­mér­cio da China, Gao Yan, Abrahão Gour­gel de­fen­deu a ne­ces­si­da­de de An­go­la e a China en­cur­ta­rem o tem­po pa­ra im­ple­men­tar os vá­ri­os acor­dos de co­o­pe­ra­ção já ru­bri­ca­dos. O go­ver­nan­te dis­se que é im­pe­ri­o­so fi­na­li­zar o acor­do de pro­tec­ção re­cí­pro­ca de in­ves­ti­men­tos en­tre os dois países, uma vez que es­tá na fa­se de­ci­si­va da sua dis­cus­são. Em fun­ção da con­jun­tu­ra eco­nó­mi­ca dos dois países, Abrahão Gour­gel sa­li­en­tou que An­go­la e a China ne­ces­si­tam de au­men­tar a pre­sen­ça do sec­tor pri­va­do nas su­as eco­no­mi­as, pois, a eco­no­mia chi­ne­sa pre­ci­sa cres­cer ao rit­mo que es­ta­va a cres­cer até aqui e An­go­la ne­ces­si­ta alar­gar os seus in­ves­ti­men­tos fo­ra do sec­tor pe­tro­lí­fe­ro.

O mi­nis­tro apro­vei­tou o en­con­tro pa­ra re­a­fir­mar os ga­nhos des­ta par­ce­ria com a China, re­for­ça­da a par­tir do mo­men­to em que o país asiá­ti­co de­ci­diu apoi­ar o pro­ces­so de re­cons­tru­ção das in­fra-es­tru­tu­ras, daí ter con­si­de­ra­do o gi­gan­te asiá­ti­co um par­cei­ro exem­plar, ao apoi­ar pro­jec­tos nos sec­to­res eco­nó­mi­cos, co­mo agri­cul­tu­ra, cons­tru­ção ci­vil, trans­por­tes, pes­cas, te­le­co­mu­ni­ca­ções, ener­gia, fi­nan­ças, en­tre ou­tros.

Gao Yan dis­se que, em Áfri­ca, An­go­la é um par­cei­ro im­por­tan­te pa­ra a eco­no­mia chi­ne­sa, ra­zão pe­la qual, em 2010, os dois es­ta­dos es­ta­be­le­ce­ram um acor­do de par­ce­ria e em 2015 es­ta­be­le­ce­ram um me­ca­nis­mo de ori­en­ta­ção das par­ce­ri­as en­tre as du­as par­tes.

Equi­pa mul­ti-sec­to­ri­al

Abrahão Gour­gel en­ca­be­ça a de­le­ga­ção an­go­la­na ao Fó­rum de Ma­cau. Além do mi­nis­tro da Eco­no­mia, in­te­gram a de­le­ga­ção an­go­la­na a se­cre­ta­ria de Es­ta­do pa­ra Co­o­pe­ra­ção, Ân­ge­la Bra­gan­ça, o em­bai­xa­dor de An­go­la na Re­pú­bli­ca Po­pu­lar da China, Gar­cia Bi­res, o di­rec­tor do Mi­nis­té­rio das Re­la­ções Ex­te­ri­o­res pa­ra a Ásia e Oceâ­nia, Sa­mu­el da Cu­nha, o ad­mi­nis­tra­dor da Api­ex, Car­los Pa­dre, e o di­rec­tor-ge­ral da UTIP (Uni­da­de Téc­ni­ca pa­ra o In­ves­ti­men­to Pri­va­do), Nor­ber­to Gar­cia.

Além da par­ti­ci­pa­ção no fó­rum, que vi­sa fortalecer as re­la­ções de co­o­pe­ra­ção eco­nó­mi­ca, po­lí­ti­ca e cul­tu­ral en­tre a China e os países da CPLP, a agenda do mi­nis­tro da Eco­no­mia re­ser­va en­con­tros bi­la­te­rais com ho­mó­lo­gos dos países mem­bros do fó­rum. Cin­co pri­mei­ros-mi­nis­tros par­ti­ci­pa­ram na aber­tu­ra do fó­rum. Além do pri­mei­ro­mi­nis­tro da China, Li Keqi­ang, es­ti­ve­ram Jo­sé Ulis­ses Cor­reia e Sil­va, de Ca­bo Ver­de, Ba­ci­ro Djá, da Gui­né-Bis­sau, Car­los Agos­ti­nho do Ro­sá­rio, de Mo­çam­bi­que, e An­tó­nio Cos­ta, de Por­tu­gal.

A Con­fe­rên­cia Mi­nis­te­ri­al do Fó­rum Ma­cau foi an­te­ce­di­da de um en­con­tro de al­tos fun­ci­o­ná­ri­os, que tra­ba­lha­ram na ela­bo­ra­ção de um pla­no de ca­ção 2017-2019 e no me­mo­ran­do de en­ten­di­men­to so­bre a pro­mo­ção da co­o­pe­ra­ção da ca­pa­ci­da­de pro­du­ti­va do fó­rum pa­ra a co­o­pe­ra­ção eco­nó­mi­ca e co­mer­ci­al en­tre a China e os países da CPLP.

VIGAS DA PURIFICAÇÃO

Mi­nis­tro Abrahão Gour­gel apon­tou os vá­ri­os ga­nhos da co­o­pe­ra­ção com o gi­gan­te asiá­ti­co

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