Em­pre­sas pe­tro­lí­fe­ras anun­ci­am lu­cros

Jornal de Angola - - ECONOMIA -

As com­pa­nhi­as pe­tro­lí­fe­ras in­ter­na­ci­o­nais BP e Royal Dut­ch Shell anun­ci­a­ram, na terça-fei­ra, re­sul­ta­dos po­si­ti­vos no ter­cei­ro trimestre des­te ano, mas pe­di­ram pru­dên­cia de­vi­do aos per­sis­ten­tes pre­ços bai­xos do cru­de no mer­ca­do in­ter­na­ci­o­nal.

O gru­po an­glo-ho­lan­dês Royal Dut­ch Shell vol­tou a apre­sen­tar re­sul­ta­dos po­si­ti­vos com um lu­cro lí­qui­do de 1,4 mil mi­lhões de dó­la­res. No mes­mo pe­río­do do ano pas­sa­do, o gru­po re­gis­tou um pre­juí­zo de 7,4 mil mi­lhões, de­pois de aban­do­nar pro­jec­tos no Alas­ca e Ca­na­dá.

A bri­tâ­ni­ca BP ele­vou os lu­cros pa­ra 1,6 mil mi­lhões de dó­la­res, quan­do no ter­cei­ro trimestre de 2015 fo­ram de 46 mi­lhões de dó­la­res, mas con­si­de­ra que a con­jun­tu­ra ain­da não é fa­vo­rá­vel ao ne­gó­cio, uma vez que os pre­ços do pe­tró­leo con­ti­nu­am bai­xos, ape­sar da re­cu­pe­ra­ção ve­ri­fi­ca­da des­de Fe­ve­rei­ro, pa­ra cer­ca de 50 dó­la­res o bar­ril.

“A BP e a Shell anun­ci­a­ram uma me­lho­ria dos da­dos mas per­sis­tem mui­tos ris­cos no mer­ca­do pe­tro­lí­fe­ro e os pre­ços con­ti­nu­am sob pres­são”, re­su­miu Neil Wil­son, ana­lis­ta da ETX Ca­pi­tal.

O re­cen­te au­men­to dos pre­ços “pa­re­ce pre­cá­rio” e ali­men­ta­do pe­la es­pe­ran­ça de um acor­do de re­du­ção da ofer­ta da OPEP, coi­sa que “ain­da es­tá lon­ge de se con­se­guir”, con­si­de­rou Neil Wil­son. O ana­lis­ta ad­ver­te ain­da que Ni­gé­ria e Lí­bia es­tão a au­men­tar a pro­du­ção.

“Os pre­ços bai­xos do pe­tró­leo con­ti­nu­am a ser um de­sa­fio sig­ni­fi­ca­ti­vo pa­ra a in­dús­tria e as pers­pec­ti­vas se man­têm in­cer­tas”, pre­ve­niu o director-ge­ral da Shell, Ben van Beur­den. O director fi­nan­cei­ro da BP, Bri­an Gil­vary, sau­dou os “pro­gres­sos, a fim de nos adap­tar­mos a um cli­ma di­fí­cil de­vi­do pre­ços e as mar­gens”.

As gran­des com­pa­nhi­as pe­tro­lí­fe­ras fi­ze­ram ajus­ta­men­tos drás­ti­cos nos úl­ti­mos me­ses pa­ra se adap­ta­rem a es­sa con­jun­tu­ra.

O BP anun­ci­ou nes­ta terça-fei­ra que re­du­zi­rá as des­pe­sas de ca­pi­tal pa­ra até 16 mil mi­lhões de dó­la­res em 2016, di­an­te de uma me­ta an­te­ri­or de en­tre 17 e 19 mil mi­lhões de dó­la­res. Pa­ra 2017, pre­vê in­ves­ti­men­tos de en­tre 15 e 17 mil mi­lhões. A Royal Dut­chShell anun­ci­ou que os in­ves­ti­men­tos pa­ra 2017 se­rão de 25 mil mi­lhões de dó­la­res, o ní­vel mí­ni­mo da me­ta inicial de en­tre 25 e 30 mil mi­lhões de dó­la­res.

As fi­nan­ças de am­bas as com­pa­nhi­as me­lho­ra­ram gra­ças a um mai­or con­tro­lo das des­pe­sas, a aqui­si­ções re­cen­tes e a de­pre­ci­a­ções me­nos con­se­quen­tes.

A Shell apoi­ou a es­tra­té­gia em par­te na com­pra de sua ri­val BG por 71 mil mi­lhões de dó­la­res, o que per­mi­tiu au­men­tar a pro­du­ção no ter­cei­ro trimestre. O BP pa­re­ce ter vi­ra­do a pá­gi­na do aci­den­te de 2010 no gol­fo do Mé­xi­co, uma ca­tás­tro­fe que dei­xou mar­cas fi­nan­cei­ras em to­dos os exer­cí­ci­os dos úl­ti­mos anos.

AFP

Com­pa­nhi­as de pe­tró­leo de­cla­ram lu­cros só­li­dos no ter­cei­ro trimestre mas man­têm pru­dên­cia

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