Bre­xit só avan­ça com vo­to dos de­pu­ta­dos

Jornal de Angola - - MUNDO -

Os juí­zes do Tri­bu­nal Su­pe­ri­or de Lon­dres de­cre­ta­ram on­tem que a saí­da da Grã-Bre­ta­nha da União Eu­ro­peia, co­nhe­ci­da por “Bre­xit”, só po­de avan­çar de­pois de vo­ta­da no Par­la­men­to, o que sig­ni­fi­ca que a pri­mei­ra-mi­nis­tra The­re­sa May não po­de ac­ti­var o artigo 50.º do Tra­ta­do de Lis­boa, que dá iní­cio ao pe­río­do de dois anos de ne­go­ci­a­ções pa­ra sair da UE, sem an­tes con­sul­tar os de­pu­ta­dos.

A de­ci­são dos juí­zes do Tri­bu­nal é pas­sí­vel de re­cur­so pa­ra o Supremo Tri­bu­nal Bri­tâ­ni­co, o que sig­ni­fi­ca que es­te pro­ces­so po­de ar­ras­tar-se ain­da por mais tem­po.

A pri­mei­ra-mi­nis­tra bi­tâ­ni­ca The­re­sa May pro­me­te­ra ac­ci­o­nar o artigo 50.º até Mar­ço de 2017 e o Go­ver­no bri­tâ­ni­co já anun­ci­ou que vai re­cor­rer da de­ci­são.

Os juí­zes do Tri­bu­nal Su­pe­ri­or de Lon­dres não acei­ta­ram o ar­gu­men­to do Go­ver­no so­bre a inu­ti­li­da­de de uma vo­ta­ção par­la­men­tar, após ana­li­sa­rem as quei­xas que ar­gu­men­ta­vam que, se o Rei­no Uni­do ade­riu à União Eu­ro­peia por de­ci­são do Par­la­men­to, só o mes­mo Par­la­men­to po­de de­ci­dir so­bre a saí­da.

Um gru­po de ci­da­dãos in­ter­pu­se­ra um pro­ces­so pa­ra for­çar o Go­ver­no a con­sul­tar os de­pu­ta­dos an­tes de ac­ti­var o artigo 50 do Tra­ta­do de Lis­boa. Os juí­zes do Tri­bu­nal Su­pe­ri­or de Lon­dres ou­vi­ram os quei­xo­sos no dia 13 de Ou­tu­bro, du­as se­ma­nas após a pri­mei­ra-mi­nis­tra ter anun­ci­a­do que pre­ten­de ac­ti­var o artigo 50 do Tra­ta­do de Lis­boa até ao fi­nal de Mar­ço de 2017. Es­te artigo é o úni­co me­ca­nis­mo le­gal exis­ten­te nos tra­ta­dos-ba­se do blo­co eu­ro­peu que pre­vê a saí­da de um Es­ta­do-mem­bro, mas al­guns dos seus cri­a­do­res di­zem que é va­go.

O Go­ver­no bri­tâ­ni­co diz que não pre­ci­sa de ou­vir nin­guém pa­ra in­vo­car o artigo 50º, que dá aos res­pon­sá­veis pe­las ne­go­ci­a­ções um pra­zo má­xi­mo de dois anos pa­ra con­cluir a saí­da for­mal do blo­co re­gi­o­nal eu­ro­peu.

The­re­sa May ar­gu­men­ta que exis­te uma con­ven­ção cons­ti­tu­ci­o­nal em vi­gor que per­mi­te ao Go­ver­no usar an­ti­gos po­de­res de prer­ro­ga­ti­va re­al pa­ra re­ti­rar o Rei­no Uni­do de tra­ta­dos in­ter­na­ci­o­nais, e que o re­sul­ta­do do re­fe­ren­do re­a­li­za­do em 23 de Ju­nho, no qual 52 por cen­to dos bri­tâ­ni­cos que fo­ram às ur­nas vo­ta­ram a fa­vor da saí­da de Bru­xe­las, “é a úni­ca luz ver­de ne­ces­sá­ria pa­ra avan­çar com o Bre­xit”.

Os quei­xo­sos, li­de­ra­dos pe­la ges­to­ra de in­ves­ti­men­tos Gi­na Mil­ler, ar­gu­men­tam que os di­rei­tos ga­ran­ti­dos pe­la Lei das Co­mu­ni­da­des Eu­ro­pei­as de 1972 não po­dem ser anu­la­dos sem a apro­va­ção de­cla­ra­da de uma mai­o­ria dos mem­bros do Par­la­men­to bri­tâ­ni­co.

Vá­ri­os de­pu­ta­dos bri­tâ­ni­cos tam­bém de­fen­dem que de­vem ser ou­vi­dos an­tes da pri­mei­ra-mi­nis­tra ac­ti­var o artigo 50.º, di­zen­do que o Go­ver­no não tem qual­quer man­da­to pa­ra de­ci­dir os ter­mos do Bre­xit por si só. Es­ta exi­gên­cia, afir­ma The­re­sa May, “cor­res­pon­de a uma sub­ver­são da de­mo­cra­cia”.

AFP

Pri­mei­ra-mi­nis­tra bri­tâ­ni­ca vai re­cor­rer da de­ci­são anun­ci­a­da on­tem pe­la Jus­ti­ça

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