Rús­sia con­fir­ma lan­ça­men­to do sa­té­li­te no pró­xi­mo mês

Téc­ni­cos rus­sos e an­go­la­nos es­tão a ul­ti­mar os pre­pa­ra­ti­vos pa­ra a co­lo­ca­ção em ór­bi­ta do pri­mei­ro sa­té­li­te an­go­la­no de co­mu­ni­ca­ções

Jornal de Angola - - PARTADA - Cân­di­do Bes­sa e Ma­nu­e­la Go­mes

O vi­ce-pri­mei­ro-mi­nis­tro da Federação Rus­sa, Yu­ri Trut­nev, con­fir­mou on­tem em Luanda que o pri­mei­ro sa­té­li­te an­go­la­no se­rá co­lo­ca­do em ór­bi­ta no pró­xi­mo mês de De­zem­bro. Yu­ri Trut­nev, que foi on­tem re­ce­bi­do em au­di­ên­cia pe­lo Pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca, João Lou­ren­ço, no Pa­lá­cio Pre­si­den­ci­al da Ci­da­de Al­ta, dis­se que téc­ni­cos an­go­la­nos e rus­sos es­tão a ul­ti­mar os pre­pa­ra­ti­vos pa­ra o lan­ça­men­to do An­go­sat-1. Com um tem­po de vi­da útil de 15 anos, o sa­té­li­te vai ga­ran­tir o de­sen­vol­vi­men­to ci­en­tí­fi­co e tec­no­ló­gi­co e ge­rar re­cei­tas pa­ra o país.

Téc­ni­cos rus­sos e an­go­la­nos es­tão a ul­ti­mar os pre­pa­ra­ti­vos pa­ra o lan­ça­men­to, no pró­xi­mo mês em ór­bi­ta, do sa­té­li­te an­go­la­no (An­go­Sat-1), cons­truí­do na Rús­sia pa­ra o Go­ver­no an­go­la­no. A con­fir­ma­ção foi fei­ta on­tem pe­lo vi­ce-pri­mei­ro-mi­nis­tro da Federação Rus­sa, Yu­ri Trut­nev, à saí­da da au­di­ên­cia com o Pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca, João Lou­ren­ço, no Pa­lá­cio Pre­si­den­ci­al da Ci­da­de Al­ta.

Yu­ri Trut­nev, que es­tá em Angola pa­ra re­for­çar a co­o­pe­ra­ção bi­la­te­ral, afir­mou que o lan­ça­men­to do pri­mei­ro sa­té­li­te an­go­la­no re­pre­sen­ta um ga­nho pa­ra os dois estados. O con­tra­to do An­go­Sat 1, o pri­mei­ro sa­té­li­te de co­mu­ni­ca­ções de Angola, foi as­si­na­do pe­las par­tes rus­sa e an­go­la­na em 2009, mas a cons­tru­ção ini­ci­ou no fi­nal de 2012.

Com um tem­po de vi­da útil de 15 anos, o An­goSat1 tor­na Angola no quar­to país afri­ca­no a en­trar pa­ra a in­dús­tria es­pa­ci­al, de­pois da Áfri­ca do Sul, Ni­gé­ria e Egip­to. Além de trans­fe­rir a tec­no­lo­gia es­pa­ci­al, o sa­té­li­te vai ga­ran­tir o de­sen­vol­vi­men­to ci­en­tí­fi­co e tec­no­ló­gi­co, além de ge­rar re­cei­tas, cri­a­ção de in­fra-es­tru­tu­ras, em­pre­go di­rec­to e in­di­rec­to.

Em Ju­lho, co­me­ça­ram a ser ven­di­dos os ser­vi­ços do An­go­Sat 1, de­pois dos tes­tes ini­ci­ais fei­tos a par­tir do cos­mó­dro­mo Bai­ko­nur, no Ca­za­quis­tão. Pe­lo me­nos 80 por cen­to dos ser­vi­ços do sa­té­li­te vão ser ven­di­dos a em­pre­sas em Angola e nou­tros paí­ses.

Os res­tan­tes 20 por cen­to são re­ser­va­dos pa­ra ques­tões es­tra­té­gi­cas do Es­ta­do. As pri­o­ri­da­des são as áre­as so­ci­ais, co­mo edu­ca­ção e saú­de, além do fo­men­to ao em­pre­go, com o em­pre­en­de­do­ris­mo de ba­se tec­no­ló­gi­ca.

O si­nal do An­go­sat 1 vai pro­pi­ci­ar ou­tros ne­gó­ci­os pa­ra o país, por ter uma ca­pa­ci­da­de de co­ber­tu­ra des­de a Áfri­ca do Sul à Itá­lia. Com os pa­ga­men­tos em ter­ri­tó­rio na­ci­o­nal efec­tu­a­dos em kwan­zas, o Exe­cu­ti­vo ga­ran­te es­ta­rem cri­a­das as con­di­ções pa­ra que os ser­vi­ços dis­po­ni­bi­li­za­dos pos­sam ser ven­di­dos até pa­ra os paí­ses on­de che­gar o si­nal do An­go­sat 1.

Com a en­tra­da em ór­bi­ta do pri­mei­ro sa­té­li­te, os ser­vi­ços das ope­ra­do­ras vão po­der che­gar às zo­nas on­de não há si­nal. A ex­pan­são do si­nal das tec­no­lo­gi­as de in­for­ma­ção e co­mu­ni­ca­ção pro­pi­cia mais ne­gó­ci­os pa­ra o país por ter uma ca­pa­ci­da­de de ilu­mi­na­ção da Áfri­ca do Sul à Itá­lia.

Com um cus­to ava­li­a­do de 320 mi­lhões de dó­la­res, o sa­té­li­te an­go­la­no vai pos­suir um cen­tro pri­má­rio de con­tro­lo e mis­são em Angola e ou­tro se­cun­dá­rio na Rús­sia. Em Angola, o cen­tro de con­tro­lo e mis­são es­tá lo­ca­li­za­do na co­mu­na da Fun­da, mu­ni­cí­pio de Ca­cu­a­co, nor­te de Luanda.

Além do An­go­Sat, o país tem um ou­tro pro­jec­to no sec­tor das te­le­co­mu­ni­ca­ções. Tra­ta-se do ca­bo sub­ma­ri­no de fi­bra óp­ti­ca, que vai li­gar Luanda ao Es­ta­do do Ce­a­rá, no Bra­sil, com ob­jec­ti­vo de con­tri­buir pa­ra a me­lho­ria e a re­du­ção de cus­tos no aces­so aos ser­vi­ços das te­le­co­mu­ni­ca­ções no país. O pro­jec­to en­tra em fun­ci­o­na­men­to em Ju­lho do pró­xi­mo ano e Angola pas­sa a ser o pri­mei­ro país a li­gar a Áfri­ca e a Amé­ri­ca do Sul atra­vés do Oce­a­no Atlân­ti­co.

Elo­gi­os a Angola

Além das ques­tões li­ga­das ao sa­té­li­te, a au­di­ên­cia foi tam­bém do­mi­na­da por as­sun­tos po­lí­ti­cos e as trocas co­mer­ci­ais en­tre os dois paí­ses. Os sec­to­res téc­ni­co e mi­li­tar, agri­cul­tu­ra, mi­nas e te­le­co­mu­ni­ca­ções es­ti­ve­ram en­tre os desta­ques da con­ver­sa.

Yu­ri Trut­nev, que dei­xou on­tem a ca­pi­tal an­go­la­na com des­ti­no à Áfri­ca do Sul, elo­gi­ou o pa­pel de Angola nas or­ga­ni­za­ções in­ter­na­ci­o­nais e des­ta­cou o tra­ba­lho pa­ra a es­ta­bi­li­da­de po­lí­ti­ca na re­gião cen­tral e aus­tral de Áfri­ca.

“A Federação Rus­sa va­lo­ri­za mui­to a co­o­pe­ra­ção en­tre os nos­sos dois paí­ses e es­ta­mos tam­bém gra­to ao Go­ver­no de Angola pe­la po­si­ção que ocu­pa jun­ta­men­te com a Rús­sia nas or­ga­ni­za­ções in­ter­na­ci­o­nais”, dis­se o vi­ce­pri­mei­ro mi­nis­tro rus­so.

Angola e Rús­sia de­sen­vol­vem re­la­ções de co­o­pe­ra­ção nos sec­to­res da De­fe­sa e Se­gu­ran­ça, Trans­por­tes, Edu­ca­ção, Ge­o­lo­gia e Mi­nas, Pes­cas, Pe­tró­le­os e Gás, Te­le­co­mu­ni­ca­ções, Ener­gia e Águas.

Quan­to às trocas co­mer­ci­ais en­tre os dois paí­ses, o vi­ce-pri­mei­ro mi­nis­tro, Yu­ri Trut­nev, afir­mou que su­bi­ram du­as ve­zes e meia no pe­río­do 2016/2017, sem con­tu­do avan­çar nú­me­ros.

Yu­ri Trut­nev elo­gi­ou o pa­pel de Angola nas or­ga­ni­za­ções in­ter­na­ci­o­nais e des­ta­cou o tra­ba­lho pa­ra a es­ta­bi­li­da­de po­lí­ti­ca na re­gião cen­tral e aus­tral de Áfri­ca

FRAN­CIS­CO BER­NAR­DO | EDIÇÕES NO­VEM­BRO

Vi­ce-pri­mei­ro-mi­nis­tro rus­so afir­mou ao Che­fe de Es­ta­do a dis­po­ni­bi­li­da­de das em­pre­sas e au­to­ri­da­des do seu país con­ti­nu­a­rem a apos­tar em Angola

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Angola

© PressReader. All rights reserved.