Su­dão do Sul e So­má­lia apli­cam pe­na de mor­te

Um re­la­tó­rio da Amnistia In­ter­na­ci­o­nal re­ve­la que ape­nas dois paí­ses afri­ca­nos exe­cu­ta­ram as sen­ten­ças de mor­te

Jornal de Angola - - ÁFRICA - Vic­tor Car­va­lho

Em to­do o con­ti­nen­te africano ape­nas dois paí­ses, o Su­dão do Sul e a So­má­lia, exe­cu­ta­ram pe­nas de mor­te em 2017, o que re­ve­la uma evo­lu­ção fa­ce aos cin­co que es­ta­vam na lis­ta re­fe­ren­te a 2016.

Po­rém, o re­la­tó­rio que a Amnistia In­ter­na­ci­o­nal aca­ba de re­ve­lar em No­va Ior­que re­ve­la pre­o­cu­pa­ções pe­lo fac­to de exis­ti­rem si­nais que apon­tam pa­ra o fac­to do Botswa­na e o Su­dão, nes­te pri­mei­ro ter­ço de 2018, po­de­rem já ter exe­cu­ta­do sen­ten­ças de mor­te.

A Gâm­bia as­si­nou em 2017 um tra­ta­do in­ter­na­ci­o­nal com­pro­me­ten­do-se a não fa­zer mais exe­cu­ções e a en­ca­mi­nhar-se pa­ra a abo­li­ção de­fi­ni­ti­va da pu­ni­ção ca­pi­tal. Por en­quan­to, o Pre­si­den­te do país, Ada­ma Bar­row, ape­nas de­cre­tou uma proi­bi­ção tem­po­rá­ria em Fe­ve­rei­ro des­te ano. O re­la­tó­rio su­bli­nha o fac­to de 20 paí­ses afri­ca­nos te­rem já da­do pas­sos pa­ra re­du­zir e re­jei­tar a pe­na de mor­te em 2018, tor­nam mais for­te o iso­la­men­to dos que con­ti­nu­am a pra­ti­car a pe­na de mor­te.

A Guiné-Co­na­cri foi o vi­gé­si­mo país da Áfri­ca sub­sa­ri­a­na a abo­lir a pe­na de mor­te pa­ra to­dos os cri­mes e o Qué­nia abo­liu a pe­na de mor­te obri­ga­tó­ria pa­ra as­sas­sí­nio.

O Bur­ki­na Fa­so e o Cha­de de­ram igual­men­te pas­sos ao lon­go de 2017 com no­va le­gis­la­ção apro­va­da, ou pro­pos­ta, no sen­ti­do de aca­bar com es­te ti­po de pu­ni­ção.

“O pro­gres­so na Áfri­ca sub­sa­ri­a­na re­for­çou a sua po­si­ção co­mo bas­tião de es­pe­ran­ça pa­ra a abo­li­ção to­tal da pe­na de mor­te. As li­de­ran­ças dos paí­ses nes­ta re­gião re­no­vam a es­pe­ran­ça de que a abo­li­ção des­ta pu­ni­ção cru­el, inu­ma­na e de­gra­dan­te es­tá ao al­can­ce", re­ve­le o re­fe­ri­do re­la­tó­rio.

De su­bli­nhar que es­te re­la­tó­rio não in­clui os paí­ses do nor­te de Áfri­ca, co­mo por exem­plo o Egip­to, on­de a pe­na de mor­te tem si­do de­cre­ta­da e apli­ca­da pa­ra pu­nir ca­sos de ter­ro­ris­mo.

No res­to do mun­do

No res­to do mun­do é de su­bli­nhar o fac­to da Mon­gó­lia ter abo­li­do a pe­na de mor­te pa­ra to­dos os cri­mes, pon­do o to­tal de paí­ses abo­li­ci­o­nis­tas no mun­do em 106. De­pois de a Gu­a­te­ma­la se ter tor­na­do abo­li­ci­o­nis­ta em 2017 pa­ra cri­mes co­muns, o nú­me­ro de paí­ses que abo­li­ram a pe­na de mor­te é ago­ra de 142.

A Chi­na, o Irão, a Ará­bia Sau­di­ta, o Ira­que e o Pa­quis­tão são os cam­peões da apli­ca­ção da pe­na de mor­te em to­do o mun­do, os cin­co paí­ses on­de mais pes­so­as fo­ram exe­cu­ta­das em 2017, ano a que se re­fe­re o re­la­tó­rio. Os nú­me­ros da Chi­na não se co­nhe­cem, já que é in­for­ma­ção con­si­de­ra­da se­cre­ta, mas os au­to­res do re­la­tó­rio acre­di­tam que se­ja da or­dem dos mi­lha­res.

O re­la­tó­rio apu­rou que hou­ve pe­lo me­nos 993 exe­cu­ções em 23 paí­ses no ano pas­sa­do, mar­can­do um de­crés­ci­mo de 4 por cen­to re­la­ti­va­men­te a 2016 (1.023) e de 39 por cen­to em re­la­ção ao ano an­te­ri­or, 2015, quan­do o re­la­tó­rio anu­al da Amnistia In­ter­na­ci­o­nal ve­ri­fi­cou o nú­me­ro de exe­cu­ções mais al­to des­de 1989: 1.634.

O do­cu­men­to re­ve­la ain­da que se re­gis­ta­ram 2.591 sen­ten­ças de mor­te em 53 paí­ses no ano pas­sa­do, uma des­ci­da sig­ni­fi­ca­ti­va re­la­ti­va­men­te ao re­cor­de de 3.117 con­de­na­ções em 2016.

Os nú­me­ros glo­bais de 2017 ex­clu­em as exe­cu­ções na Chi­na, pois é in­for­ma­ção do do­mí­nio de se­gre­do de Es­ta­do. Con­tu­do, es­ti­ma-se que se­jam da or­dem dos mi­lha­res.

DR

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