Os ri­os do ab­sur­do

Jornal de Angola - - SOCIEDADE - Lu­ci­a­no Ro­cha

As agres­sões a Lu­an­da e aos lu­an­den­ses trans­cen­de o ab­sur­do, o ini­ma­gi­ná­vel, por cul­pa de mui­tos dos que têm a in­cum­bên­cia de a pro­te­ger, mas tam­bém de uma cor­ja es­cu­da­da na im­pu­ni­da­de.

Os atro­pe­los ao bom sen­so, à ci­vi­li­da­de, tor­nam­se in­con­tá­veis, são vi­sí­veis de uma pon­ta à ou­tra da ci­da­de. A fa­ci­li­da­de com que se usa a via pú­bli­ca co­mo pro­pri­e­da­de pró­pria já faz par­te dos há­bi­tos de ca­da vez mais gen­ta­lha. Nu­ma ci­da­de, on­de ain­da es­cas­seia água em ca­sa de tan­tas pes­so­as, pas­sou a ser nor­mal vê-la cor­rer li­vre­men­te por ar­té­ri­as e pas­sei­os.

A Rua do 1º Con­gres­so do MPLA, dos exem­plos mais fre­quen­tes, tem vá­ri­as “nas­cen­tes”, o que per­mi­te que ela es­cor­ra por ela, e vi­as ad­ja­cen­tes, pra­ti­ca­men­te to­dos os di­as, co­mo rio au­tên­ti­co, com aflu­en­tes e su­ba­flu­en­tes cri­a­dos pe­los obs­tá­cu­los que en­con­tra, a lem­brar os rá­pi­dos do Kwan­za.

Num des­per­dí­cio que é gar­ga­lha­da de es­cár­nio dos in­frac­to­res na ca­ra do ci­da­dão co­mum. On­tem, ao fim da ma­nhã, uma man­guei­ra (!) saí­da da par­te la­te­ral do edi­fí­cio do CIF des­pe­ja­va água por tu­do o que é sí­tio num in­sul­to aos que não a têm em ca­sa. Até quan­do, Lu­an­da?

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