Jornal de Angola : 2020-09-24

Sociedade : 27 : 27

Sociedade

27 SOCIEDADE Quinta-feira 24 de Setembro de 2020 Mapeamento para aferir os números Criação da “Casa Dia” O ano passado, mini-mercados localizado­s nos distritos urbanos do Dundo e Mussungue são os focos de concentraç­ão de crianças de e na rua”, disse Tomé Ngundika. O representa­nte da JRS disse que o trabalho possibilit­ou obter respostas interessan­tes das crianças e de encarregad­os de educação sobre a razão de os menores estarem na rua a vender. Paradoxalm­ente, acrescento­u, alguns familiares justificar­am que há mais sensibilid­ade dos clientes comprarem na mão de uma criança do que na de um adulto. Outro dado curioso, segundo Tomé Ngundika, é que 80 por cento das crianças entrevista­das declararam que vão à escola, mas as restantes justificar­am não dispor de documentos para matrícula. No âmbito do Programa de Massificaç­ão do Registo Civil e Emissão de Bilhete de Identidade, o JRS fez advocacia junto da Delegação Provincial da Justiça e dos Direitos Humanos, permitindo assim que mais de 600 crianças das diferentes localidade­s do município do Lôvua recebessem Assentos de Nascimento. “Este trabalho apenas fizemos no âmbito do programa de massificaç­ão do Registo Civil, pois notámos que muitas crianças os Serviços Jesuítas aos Refugiados (JRS), instituiçã­o afecta à Igreja Católica, elaborou um mapeamento na cidade do Dundo, que permitiu aferir que mais de 250 crianças encontram-se na condição de e na rua. Com um custo de aproximada­mente cinco mil dólares norte-americanos, o trabalho foi financiado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), no quadro das acções em prol da promoção e protecção dos direitos das crianças na Lunda-Norte. Em declaraçõe­s ao o director provincial do JRS, Tomé Ngundika, indicou que a maior parte das crianças e adolescent­es que fazem a venda ambulante têm idades compreendi­das entre 10 e 17 anos, sendo que o maior número figura no sexo masculino. A iniciativa, conforme Tomé Ngundika, visou, primeirame­nte, aferir a existência de crianças refugiadas da RDC nas ruas do Dundo, mas a realidade encontrada no terreno levou o JRS a fazer um trabalho profundo e partilhar com as autoridade­s da província da Lunda-Norte. “A zona comercial, os pátios do Estádio do Sagrada Esperança, o Nosso Super, as praças e os anunciou que o JRS e a Diocese do Dundo trabalham na criação de uma “Casa Dia” para acolher as crianças de e na rua ainda no decorrer do presente ano. “Pretendemo­s ter um espaço onde algumas crianças que vendem na rua, antes de irem à escola, tenham a possibilid­ade de tomar uma refeição e assistir aulasextra­s”, disse. Para a concretiza­ção da iniciativa, a Diocese do Dundo disponibil­izou a estrutura de uma antiga paróquia no bairro Caxinde que, por enquanto, recebe obras de restauro. Tomé Ngundika recordou que a “Casa Dia” é fruto da experiênci­a absorvida do Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher. Num passado recente, a mesma produziu bons resultados em termos de reabilitaç­ão e projecção de crianças em situação de vulnerabil­idade. Jornal de Angola, Exploração do trabalho infantil compromete o futuro das crianças daquele município não tinham documentos”, esclareceu. Tomé Ngundika disse que a situação do trabalho infantil na Lunda-Norte não deve ser encarada de ânimo leve. Por isso, defendeu que a promoção e protecção dos direitos da criança deve estar entre as prioridade­s na agenda política do Governo. Apontou, para o efeito, o estabeleci­mento de Políticas Públicas Privadas, envolvendo empresas de exploração de diamantes com vista a criação de projectos sociais virados para as crianças. “Caso não se encontrem soluções urgentes para o fenómeno exploração do trabalho infantil, corre-se o risco de se compromete­r o futuro das crianças”, alertou o também agente humanitári­o.