Di­ver­si­fi­car pa­ra so­bre­vi­ver

Jornal de Economia & Financas - - Opinião -

O Mi­nis­té­rio da Ho­te­la­ria e Tu­ris­mo anun­ci­ou, pa­ra bre­ve, a exe­cu­ção do pro­gra­ma ope­ra­ti­vo do sec­tor pa­ra o pe­río­do 20162017, a ní­vel do país, com vis­ta à cap­ta­ção de mais re­cei­tas pa­ra a saí­da da cri­se. E esta me­ta po­de ser atin­gi­da, nu­ma al­tu­ra em que o tu­ris­mo, a par da agri­cul­tu­ra e da ge­o­lo­gia e mi­nas, cons­ta da lis­ta de pri­o­ri­da­des do Executivo. A apro­va­ção do pro­gra­ma ope­ra­ti­vo do tu­ris­mo 2016-2017 é um mo­tor pa­ra o de­sen­vol­vi­men­to do sec­tor. E nes­ta em­prei­ta­da, as agências de viagens jo­gam um pa­pel im­por­tan­te, mas, in­fe­liz­men­te, são das áre­as que en­fren­tam mai­o­res di­fi­cul­da­des com a cri­se.

Com a re­du­ção na venda de bi­lhe­tes, e ha­ven­do ne­ces­si­da­de de ali­ar-se ca­da vez mais da te­o­ria à prá­ti­ca, atra­vés dos ope­ra­do­res eco­nó­mi­cos que sa­bem co­mo ga­nhar di­nhei­ro de di­ver­sas for­mas, as agências de viagens de­vem em­pe­nhar-se em pro­mo­ver o tu­ris­mo in­ter­no pa­ra mu­dar o pro­gra­ma dos ho­téis no sen­ti­do de cri­a­rem ini­ci­a­ti­vas de mo­do a atrair mais vi­si­tan­tes es­tran­gei­ros.

Pre­ci­sa-se de ren­ta­bi­li­za­ção dos lu­ga­res tu­rís­ti­cos, o que pas­sa pe­la or­ga­ni­za­ção de ou­tros ser­vi­ços no do­mí­nio ho­te­lei­ro, in­fra-es­tru­tu­ras, água, elec­tri­ci­da­de, sis­te­mas de te­le­co­mu­ni­ca­ções e de rent-a-car ou de tá­xi, bem co­mo a exis­tên­cia de gui­as tu­rís­ti­cos em que os ope­ra­do­res e os em­pre­sá­ri­os jo­gam um pa­pel cru­ci­al.

As­sim, o pró­prio sec­tor tu­rís­ti­co em An­go­la pre­ci­sa bus­car as me­lho­res prá­ti­cas e ab­sol­ver ex­pe­ri­ên­ci­as po­si­ti­vas de ou­tros paí­ses pa­ra a sua di­ver­si­fi­ca­ção e con­se­quen­te de­sen­vol­vi­men­to na­ci­o­nal, sen­do es­te um dos de­sa­fi­os dos no­vos mem­bros da di­rec­ção da As­so­ci­a­ção das Agências de Viagens e Ope­ra­do­res Tu­rís­ti­cos de An­go­la (AAVOTA) pa­ra o quinqué­nio 2017/2021. Afi­nal é necessário impulsionar os negócios das agências de viagens que, des­de a con­quis­ta da paz efec­ti­va em 2002, e com um con­si­de­rá­vel au­men­to de in­ves­ti­men­tos pri­va­dos no do­mí­nio da ho­te­la­ria e tu­ris­mo, já chegaram, em 2008, a facturar mais de 202 milhões de dólares norte-americanos. E chegaram ain­da a as­se­gu­rar mais de 50 por cen­to das ven­das dos bi­lhe­tes de pas­sa­gem da trans­por­ta­do­ra aé­rea an­go­la­na (Ta­ag).

Ho­je, o ce­ná­rio é de di­fi­cul­da­des. Nos úl­ti­mos me­ses, al­gu­mas agências de viagens têm en­cer­ra­do as por­tas por fal­ta de cli­en­tes e ou­tras dei­xa­ram de emi­tir pa­co­tes tu­rís­ti­cos in­ter­na­ci­o­nais. Há agências que fa­lam em per­da de cli­en­tes na or­dem dos 90 por cen­to, des­de o fim do ano pas­sa­do, pa­ra viagens in­ter­na­ci­o­nais.

A apos­ta no tu­ris­mo in­ter­no em tem­pos di­fí­ceis po­de ser a cha­ve pa­ra a in­ver­são do qua­dro ac­tu­al, mas pa­ra tal é necessário que exis­ta uma po­lí­ti­ca cla­ra vol­ta­da pa­ra o sec­tor. An­go­la tem a ní­vel da na­tu­re­za, sí­ti­os e lo­cais fan­tás­ti­cos fa­bu­lo­sos que se po­de­ri­am de­sen­vol­ver, e, em­bo­ra ha­ja pe­di­dos, mui­tas agências de viagens ain­da têm di­fi­cul­da­des em dis­po­ni­bi­li­zar pa­co­tes tu­rís­ti­cos pa­ra fa­ci­li­tar a che­ga­da a cer­tos lu­ga­res. Apoi­ar o de­sen­vol­vi­men­to e me­lho­ria do tu­ris­mo in­ter­no cons­ti­tu­em, não só um dos prin­ci­pais fo­cos da ac­ção do sec­tor da Ho­te­la­ria e Tu­ris­mo, co­mo tam­bém uma via pa­ra que as agências de viagens re­cu­pe­rem o fô­le­go.

É NECESSÁRIO IMPULSIONAR OS NEGÓCIOS DAS AGÊNCIAS DE VIAGENS QUE JÁ CHEGARAM, EM 2008, A FACTURAR MAIS DE 202 MILHÕES DE DÓLARES NORTE-AMERICANOS

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