Dis­tri­bui­ção da renda

Jornal de Economia & Financas - - Opinião - Jo­sé Ro­dri­gues Alen­te­jo di­rec­tor da Câ­ma­ra de Co­mér­cio e In­dús­tria

OS SIS­TE­MAS DE ENSINO, EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO TÉCNICOPROFISSIONAL, REPRESENTAM OS VEÍCULOS PRIVILEGIADOS PA­RA COMBATER A POBREZA, E CONSEQUENTEMENTE MELHORAR OS NÍVEIS DE DIS­TRI­BUI­ÇÃO DO REN­DI­MEN­TO NA­CI­O­NAL

Os re­sul­ta­dos do re­cen­se­a­men­to ge­ral da po­pu­la­ção de 2014 de­mons­tra­ram uma que­bra de cer­ca de 1.250 de dólares no PIB por ha­bi­tan­te, co­lo­can­do-se de no­vo a questão se o país po­der ser ou não ser con­si­de­ra­do de renda mé­dia con­for­me as es­ta­tís­ti­cas in­ter­na­ci­o­nais. O Fun­do Mo­ne­tá­rio In­ter­na­ci­o­nal tem si­do, de al­gum mo­do, crí­ti­co re­la­ti­va­men­te as opor­tu­ni­da­des que o país tem per­di­do em con­ver­ter as opor­tu­ni­da­des de cres­ci­men­to pa­ra melhorar os in­di­ca­do­res de de­sen­vol­vi­men­to, con­for­me dis­cu­ti­do no re­la­tó­rio “An­go­la Te­mas Se­lec­ci­o­na­dos, Re­la­tó­rio n° 14/275P, de Se­tem­bro de 2014”.

Ve­ri­fi­cam-se al­gu­mas pre­o­cu­pa­ções re­la­ti­va­men­te ao pro­ble­ma da equi­da­de na re­par­ti­ção do ren­di­men­to na­ci­o­nal, e al­gu­ma con­cen­tra­ção da ri­que­za nu­ma fai­xa mui­to pe­que­na da po­pu­la­ção. Na pers­pec­ti­va da CCIA, a prin­ci­pal cau­sa do pro­ble­ma si­tua-se na má qua­li­da­de dos sis­te­mas de ensino e formação téc­ni­co-pro­fis­si­o­nal, pois a mai­o­ria dos es­tu­dan­tes após a sua formação, en­fren­ta o mer­ca­do de tra­ba­lho e não só, sem as com­pe­tên­ci­as ade­qua­das pa­ra ob­ter um bom em­pre­go ou en­vol­ve­rem-se em ac­ti­vi­da­des em­pre­sa­ri­ais (em­pre­en­do­ris­mo). O pró­prio sec­tor em­pre­sa­ri­al, de um mo­do ge­ral, la­men­ta a fal­ta gri­tan­te de qua­dros qua­li­fi­ca­dos no mer­ca­do de tra­ba­lho. Exis­te um con­sen­so ge­ne­ra­li­za­do a ní­vel da Or­ga­ni­za­ção Mun­di­al do Tra­ba­lho (OIT), Ban­co Mun­di­al e ou­tras or­ga­ni­za­ções in­ter­na­ci­o­nais, de que o ensino e a educação, de­vem ser os veículos pre­vi­le­gi­a­dos pa­ra combater a pobreza e as as­si­me­tri­as na dis­tri­bui­ção do ren­di­men­to.

Co­mo re­fe­ri­do an­te­ri­or­men­te, os sis­te­mas de ensino, educação e formação téc­ni­co-pro­fis­si­o­nal, representam os veículos pre­vi­le­gi­a­dos pa­ra combater a pobreza, e consequentemente melhorar os níveis de dis­tri­bui­ção do ren­di­men­to na­ci­o­nal. Bas­ta pa­ra o efei­to com­pa­rar os ren­di­men­tos de tra­ba­lho ob­ti­dos pe­la for­ça de tra­ba­lho ex­pa­tri­a­da que exis­te em An­go­la, com os ren­di­men­tos au­fe­ri­dos pe­la mai­o­ria dos an­go­la­nos e po­de-se con­cluir que as di­fe­ren­ças re­sul­tam na di­fe­ren­ça dos níveis de com­pe­tên­ci­as ad­qui­ri­das pe­los di­fe­ren­tes sis­te­mas de ensino e educação. Por ou­tro la­do, de­ve­rá ser atra­vés de um ensino de me­lhor qua­li­da­de e mai­or ri­gor que os va­lo­res éti­cos e mo­rais de­ve­rão ser trans­mi­ti­dos pa­ra uma formação in­te­gral e me­lho­ria da qua­li­da­de dos qua­dros for­ma­dos.

A me­lho­ria dos sa­lá­ri­os só é sus­ten­tá­vel se efec­tu­a­da com ba­se no au­men­to da pro­du­ti­vi­da­de e efi­ci­ên­cia, sen­do ne­ces­sá­ri­os mai­o­res in­ves­ti­men­tos na educação, saú­de e in­fra-es­tru­tu­ras bá­si­cas co­mo factores que po­dem li­mi­tar a efi­ci­ên­cia e o au­men­to da pro­du­ti­vi­da­de na ad­mi­nis­tra­ção pú­bli­ca e tam­bém no sec­tor pri­va­do.

De­ve­rá exis­tir uma apos­ta mais for­te no sec­tor pri­va­do co­mo fon­te ge­ra­do­ra de em­pre­gos e ren­di­men­tos pa­ra a eco­no­mia, prin­ci­pal­men­te fo­ca­da no de­sen­vol­vi­men­to das pe­que­nas e mé­di­as em­pre­sas. A CCIA tem ex­pe­ri­ên­cia e par­cei­ros in­ter­na­ci­o­nais in­te­res­sa­dos em pres­tar mai­o­res apoi­os as ins­ti­tui­ções go­ver­na­men­tais que li­dam com o sec­tor pri­va­do, im­ple­men­tar pro­gra­mas sé­ri­os e alar­ga­dos de em­pre­en­de­do­ris­mo, formação téc­ni­co pro­fis­si­o­nal nas áre­as de ges­tão fi­nan­cei­ra, ges­tão in­dus­tri­al, co­mér­cio in­ter­na­ci­o­nal, con­ta­bi­li­da­de, fi­nan­ças em­pre­sa­ri­ais, etc.

A des­cen­tra­li­za­ção da eco­no­mia e dis­per­são ge­o­grá­fi­ca dos in­ves­ti­men­tos, atra­vés de in­cen­ti­vos fis­cais em zo­nas ge­o­grá­fi­cas con­si­de­ra­das não pri­vi­le­gi­a­das, co­mo a mai­o­ria das re­giões no in­te­ri­or do país.

Os pro­gra­mas di­ri­gi­dos de dis­per­são do in­ves­ti­men­to pri­va­do po­dem con­tri­buir pa­ra combater as as­si­me­tri­as actuais do de­sen­vol­vi­men­to só­ci­o­e­co­nó­mi­co em mui­tas re­giões do in­te­ri­or, des­con­ges­ti­o­nan­do, as­sim, os gran­des cen­tros po­pu­la­ci­o­nais no li­to­ral do país.

a) De­sen­vol­vi­men­to lo­cal Ex­pan­são e me­lho­ria das in­fra-es­tru­tu­ras nas zo­nas do in­te­ri­or que con­tri­bu­am pa­ra atrair mai­o­res níveis de in­ves­ti­men­to pri­va­do no in­te­ri­or do País.

b) In­fra-es­tru­tu­ras de ba­se e de­sen­vol­vi­men­to sus­ten­tá­vel

In­ves­ti­men­to pú­bli­co nas in­fra-es­tru­tu­ras de ba­se pa­ra alar­gar o aces­so aos sec­to­res da saú­de, educação, ener­gia, água, sa­ne­a­men­to e trans­por­te. Por sua vez, es­tas se­ri­am um fac­tor de atrac­ção do in­ves­ti­men­to pri­va­do.

ARQUIVO JE

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