O pe­tró­leo em 2017

Jornal de Economia & Financas - - Opinião -

Oa­no de 2016 fi­ca­rá mar­ca­do mor­men­te no que diz res­pei­to ao mer­ca­do do pe­tró­leo, pe­lo acor­do con­se­gui­do pe­la Opep em De­zem­bro úl­ti­mo, pa­ra o con­ge­la­men­to da pro­du­ção, sen­do o pri­mei­ro acor­do vo­lu­mé­tri­co al­can­ça­do pe­la Opep em mais de oi­to anos, pre­ci­sa­men­te des­de 2008, re­du­ção de mais de 1,2 mi­lhões de ba­ris/dia pa­ra os paí­ses mem­bros da or­ga­ni­za­ção e 558 mil bar­ris/dia pa­ra os paí­ses não mem­bros, com o ob­jec­ti­vo de re­du­zir a pro­du­ção de pe­tró­leo pa­ra o tec­to dos 32,5 mi­lhões de bar­ris por dia. Sen­do cer­to que em re­la­ção a es­ta ma­té­ria, qu­a­se não se es­go­tam co­men­tá­ri­os, e tam­bém não acon­te­ce­rá a bre­ve tre­cho, so­bre­tu­do pe­lo ce­ná­rio que se vis­lum­bra, o pos­sí­vel re­e­qui­lí­brio dos pre­ços do pe­tró­leo a cur­to pra­zo, tão de­se­ja­do pe­los paí­ses pro­du­to­res, fun­da­men­tal­men­te aque­les em que as eco­no­mi­as de­pen­dem em gran­de me­di­da des­ta com­mo­dity pa­ra ge­ra­ção de ri­que­za. Por con­se­guin­te, o mês de Ja­nei­ro de 2017 tam­bém fi­ca re­gis­ta­do co­mo aque­le em que en­trou em vi­gor o re­fe­ri­do acor­do.

Ora, tal im­pul­si­nou a re­cu­pe­ra­ção dos pre­ços nos dois úl­ti­mos me­ses de 2016, pa­ra ní­veis su­pe­ri­o­res aos que fo­ram vis­tos ao lon­go de mais de no­ve me­ses an­te­ri­o­res, ten­do atin­gi­do os 50,47 dó­la­res o bar­ril em No­vem­bro e 56,82 na úl­ti­ma sex­ta-fei­ra do ano, is­to em De­zem­bro o pe­tró­leo do ti­po brent e fu­tu­ros, to­da­via, a re­cu­pe­ra­ção da­que­le que tem si­do apon­ta­do por mui­tos ana­lis­tas e aca­dé­mi­cos. Co­mo a mais lon­ga cri­se de pre­ços da his­tó­ria, aon­de a co­ta­ção do pe­tró­leo che­gou aos mó­di­cos 26 dó­la­res por bar­ril, em con­sequên­cia do me­nor cres­ci­men­to da eco­no­mia mundial, agra­va­da ainda pe­la mu­dan­ça de pa­ra­dig­ma do mer­ca­do, com a en­tra­da de no­vos pro­du­to­res e, so­bre­tu­do, dos pro­du­to­res de pe­tró­leo a par­tir do frac­ci­o­na­men­to do xis­to nor­te-ame­ri­ca­no, con­cre­ta­men­te do Irão e dos EUA.

To­da­via, há mui­tas ex­pec­ta­ti­vas em re­la­ção ao com­por­ta­men­to do mer­ca­do do pe­tró­leo em 2017, mas tam­bém há ques­tões co­mo os ob­jec­ti­vos da Opep se­rão al­can­ça­dos? Os pre­ços do pe­tró­leo vão de fac­to re­e­qui­li­brar-se a cur­to pra­zo?

OS MAI­O­RES FUN­DOS DE CA­PI­TAL DE RIS­CO RE­CO­MEN­DAM IN­VES­TI­MEN­TOS NA COM­MO­DITY E OS ANA­LIS­TAS MOS­TRAM-SE, DE UM MO­DO GE­RAL, OPTIMISTAS A SU­BI­DAS NOS PRE­ÇOS DO PE­TRÓ­LEO NOS PRÓ­XI­MOS TEM­POS

Com que ve­lo­ci­da­de re­tor­na­rá os EUA com o seu pe­tró­leo de xis­to? Co­mo se sa­be a pro­du­ção de pe­tró­leo de xis­to nos EUA co­me­ça­rá a se re­cu­pe­rar no II se­mes­tre de 2017. Co­mo se­rá o com­por­ta­men­to dos paí­ses não mem­bros em re­la­ção ao cum­pri­men­to do acor­do, tais com a Rús­sia? Den­tre ou­tras ques­tões, que não se que­rem ca­lar e cer­ta­men­te mui­tos de­se­jam ver res­pon­di­das, e eli­mi­nar por con­se­guin­te es­ta ava­lan­che de in­cer­te­zas, quan­do ainda em me­mó­ria re­cen­te es­tá o ano de 2016, que tem si­do cha­ma­do, ou me­lhor, ape­li­da­do por mui­tos co­mo horrendo.

A co­ta­ção do pe­tró­leo tem es­ta­do pró­xi­ma do pre­ço apon­ta­do co­mo meta pe­la Opep no seu re­la­tó­rio, que é co­lo­car o pre­ço do bar­ril nos 60 dó­la­res, no III e IV tri­mes­tre do ano, res­pec­ti­va­men­te. Ape­sar de al­gum re­cuo no pre­ço da com­mo­dity com­pa­ra­ti­va­men­te ao pe­río­do ho­mó­lo­go de De­zem­bro, re­gis­tan­do uma va­ri­a­ção ne­ga­ti­va de 0,57 dó­la­res, a co­ta­ção do pe­tró­leo brent e fu­tu­ros no dia 20 de Ja­nei­ro foi de 55,46 dó­la­res, quan­do o dia an­te­ri­or, em 19 de Ja­nei­ro es­te­ve a ser co­ta­do em 54,16 dó­la­res, ape­sar des­te re­cuo em re­la­ção aos pre­ços a on­da de op­ti­mis­mo per­sis­te.

Sen­do que os mai­o­res fun­dos de ca­pi­tal de ris­co re­co­men­dam in­ves­ti­men­tos na com­mo­dity e os ana­lis­tas mos­tram-se, de um mo­do ge­ral, optimistas a su­bi­das nos pre­ços do pe­tró­leo nos pró­xi­mos tem­pos, pois de­fen­dem ainda que o mer­ca­do pe­tro­lí­fe­ro po­de ser um por­to se­gu­ro pa­ra os in­ves­ti­do­res pre­o­cu­pa­dos com a di­rec­ção da po­lí­ti­ca do im­pre­vi­sí­vel pre­si­den­te dos EUA, Do­nald Trump.

O im­pac­to nos pre­ços pa­ra os ní­veis pre­ten­di­dos, pe­la Opep em tor­no dos 60, 70 dó­la­res de­pen­dem em gran­de me­di­da de fac­to­res so­be­ja­men­te co­nhe­ci­dos, que se pren­dem com o ex­ces­so de oferta de pe­tró­leo no mer­ca­do, pois é ne­ces­sá­rio pri­mei­ro eli­mi­nar o ex­ce­den­te da ma­té­ria-pri­ma, de mo­do a equi­li­brar a de­man­da, e ou­tro ele­men­to de­ve­ras não me­nos im­por­tan­te, tem a ver com o cum­pri­men­to das par­tes ao acor­do ru­bri­ca­do, sen­do que a or­ga­ni­za­ção afi­na mei­os pa­ra afe­ri­ção da pro­du­ção e res­pei­to das quo­tas dis­tri­buí­das.

VI­GAS DA PURIFICAÇÃO

Nsin­gui Ma­lon­gui Ges­tor e con­sul­tor em Fi­nan­ças Pú­bli­cas

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