Pro­du­ção mu­si­cal ain­da pas­sa pe­lo ex­te­ri­or

Ac­tu­al­men­te é no­tá­vel o es­for­ço de uma ge­ra­ção em­pe­nha­da em fa­zer do mer­ca­do mu­si­cal uma fon­te im­por­tan­te de ren­di­men­to mas a au­sên­cia de pe­lo me­nos uma úni­ca fá­bri­ca de dis­cos tem li­mi­ta­do a cri­a­ti­vi­da­de

Jornal de Economia & Financas - - Primeira Página - Is­ma­el Bo­te­lho

Are­vi­ta­li­za­ção da in­dús­tria dis­co­grá­fi­ca no país cons­ta das prin­ci­pais pri­o­ri­da­des do Es­ta­do angolano pa­ra os pró­xi­mos anos, com o ob­jec­ti­vo de se en­con­trar as me­lho­res vi­as pa­ra po­ten­ci­ar e le­var as instituições afins a res­pon­de­rem às so­li­ci­ta­ções do mer­ca­do, que ac­tu­al­men­te re­gis­ta uma que­bra na pro­du­ção mu­si­cal, que so­fre igual­men­te os efei­tos da cri­se eco­nó­mi­ca ac­tu­al. De acor­do com um dig­nós­ti­co que vem sen­do ela­bo­ra­do, há mais três anos pe­la di­rec­ção da Em­pre­sa Na­ci­o­nal do Dis­co e de Pu­bli­ca­ções (ENDIPU), afec­to ao Mi­nis­té­rio da Cul­tu­ra, es­te sec­tor po­de ge­rar um vo­lu­me de ne­gó­ci­os na or­dem dos qua­tro mi­lhões e 400 mil dó­la­res nor­te-ame­ri­ca­nos por ano, re­sul­tan­te da di­na­mi­za­ção das em­pre­sas es­pe­ci­a­li­za­das em gra­va­ção e dis­tri­bui­ção de mé­dia so­no­ra, quer se­ja em for­ma­to de CD, fi­tas cas­se­te, LP e vi­nil, ou em for­ma­tos de som di­gi­tal co­mo o MP3.

Pri­o­ri­da­des pa­ra 2018

Por exem­plo, de acor­do com o pro­gra­ma de go­ver­na­ção do MPLA pa­ra os pró­xi­mos cin­co anos, exis­tem ac­ções pa­ra o de­sen­vol- vi­men­to da cul­tu­ra, que pas­sa pe­la apos­ta no ta­len­to e na cri­a­ti­vi­da­de dos jo­vens, bem co­mo no seu es­tu­do, clas­si­fi­ca­ção e res­tau­ro dos bens cul­tu­rais, on­de a cri­a­ção de uma in­dús­tria mu­si­cal que ge­re lu­cros pa­ra o país be­ne­fi­ci­a­rá de um for­te in­ves­ti­men­to. Ao ser as­sim, de­fen­dem al­guns pro­du­to­res, a ma­te­ri­a­li­za­ção es­te de­si­de­ra­to, é im­por­tan­te pa­ra o res­sur­gi­men­to da in­dús­tria fo­no­grá­fi­ca an­go­la­na, o que po­de­rá fa­zer com que mui­tos can­to­res não te­nham ne­ces­si­da­de de se des­lo­car ao es­tran­gei­ro pa­ra a gra­va­ção dos seus dis­cos.

Vi­são dos es­pe­ci­a­lis­tas

Ape­sar de mui­tos agen­tes cul­tu­rais, can­to­res e pro­du­to­res mu­si­cais con­si­de­ra­rem que em An­go­la não exis­te uma in­dús­tria da mú­si­ca, são vi­sí­veis os números de ál­buns lan­ça­dos to­dos anos, com ex­cep­ção des­te ano, que re­gis­ta uma for­te bai­xa em ma­té­ria de edi­ção dis­co­grá­fi­ca, em fun­ção da ac­tu­al con­jun­tu­ra eco­nó­mi­ca, con­di­ci­o­na­da pe­la fal­ta de di­vi­sas, por­que mui­tos can­to­res an­go­la­nos, re­cor­rem ao ex­te­ri­or do país. Es­te ano ain­da não fo­ram lan­ça­dos mais de 15 no­vos ál­buns, um nú­me­ro mui­to aquém dos re­sul­ta­dos de 2016.

Cus­to de pro­du­ção

A pro­du­ção in­ter­na ain­da é mui­to de­fi­ci­tá­ria, daí que gran­de par­te dos mú­si­cos en­ten­de que pro­du­zir mú­si­ca em An­go­la ain­da é bas­tan­te one­ro­sa. Ape­sar dos va­lo­res va­ri­a­rem em fun­ção da qua­li­da­de exi­gi­da, os re­ais cus­tos na edi­ção de um dis­co po­dem va­ri­ar de 10, 40, 200 ou mes­mo os 300 mil dó­la­res nor­te-ame­ri­ca­nos. Ac­tu­al­men­te, os pro­du­to­res acre­di­tam em di­as me­lho­res, mas quei­xam-se da fal­ta de cli­en­tes de­vi­do ao fac­tor cri­se. A mai­or par­te dos mú­si­cos ou as­pi­ran­tes re­cla­ma igual­men­te dos pre­ços pra­ti­ca­dos, quer na pro­du­ção dis­co­grá­fi­ca, quer na ven­da de ál­buns, não aju­dam no de­sen­vol­vi­men­to das car­rei­ras ar­tís­ti­cas.

EDIÇÕES NOVEMBRO

Re­vi­ta­li­za­ção da in­dus­tria fo­no­grá­fi­ca na­ci­o­nal po­de ser a so­lu­ção pa­ra me­lho­rar e di­na­mi­zar um dos sec­to­res da Cul­tu­ra mais di­nâ­mi­cos dos úl­ti­mos anos

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Angola

© PressReader. All rights reserved.