Uma par­te da his­tó­ria

Jornal de Economia & Financas - - Opinião - Gas­par Mi­co­lo edi­tor do Jor­nal de Eco­no­mia & Fi­nan­ças

An­go­la in­tro­du­ziu a dis­ci­pli­na de empreendedorismo no cur­rí­cu­lo do ensino se­cun­dá­rio há pou­cos anos, mas a pa­la­vra em­pre­en­de­dor já vem fa­zen­do par­te do nos­so dia-a-dia há mui­to mais tem­po. Des­de a dé­ca­da de 1990, que já se ten­ta do­mi­nar as com­pe­tên­ci­as do empreendedorismo, so­bre­tu­do com a aber­tu­ra pa­ra eco­no­mia de mer­ca­do. Fo­ram no­tá­veis as ini­ci­a­ti­vas do en­tão Mi­nis­té­rio da Ad­mi­nis­tra­ção Pú­bli­ca, Em­pre­go e Se­gu­ran­ça So­ci­al (MAPESS), que em 1994, apro­vou dois pro­gra­mas ine­ren­tes à pro­mo­ção do empreendedorismo, no­me­a­da­men­te, a Ini­ci­a­ti­vas Lo­cais de em­pre­go e Apoio à Cri­a­ção da Pe­que­na Em­pre­sa Fa­mi­li­ar, no âm­bi­to dos quais ha­via in­cen­ti­vos fi­nan­cei­ros, apoi­os téc­ni­cos pa­ra a cri­a­ção de ne­gó­cio.

As me­di­das não ti­ve­ram su­ces­so de­vi­do ao pro­fun­do grau de des­trui­ção em que o país se en­con­tra­va ao ní­vel das in­fra-es­tru­tu­ras e do te­ci­do em­pre­sa­ri­al e às li­mi­ta­ções do sec­tor fi­nan­cei­ro e ban­cá­rio, qua­dro que vi­ria a mu­dar em 2002, com o fim do con­fli­to ar­ma­do.

A his­tó­ria re­za ain­da que, em Ou­tu­bro de 2005, dois fun­ci­o­ná­ri­os do Ins­ti­tu­to Na­ci­o­nal de In­ves­ti­ga­ção e De­sen­vol­vi­men­to da Edu­ca­ção (INIDE), do Mi­nis­té­rio da Edu­ca­ção par­ti­ci­pa­ram em Kam­pa­la (Ugan­da) num ate­li­er da ONUDI pa­ra vá­ri­os paí­ses afri­ca­nos com a fi­na­li­da­de de par­ti­lhar e tro­car ex­pe­ri­ên­ci­as so­bre empreendedorismo na edu­ca­ção.

Em se­gui­da, o Mi­nis­té­rio da Edu­ca­ção ini­ci­ou con­sul­tas in­ter­nas so­bre es­te as­sun­to com a ONUDI, PNUD e a Che­vron e ou­tros par­cei­ros in­te­res­sa­dos, e de­ci­diu em 2008 de­sen­vol­ver o Pro­gra­ma de Empreendedorismo pa­ra o Ensino Se­cun­dá­rio a fim de es­ti­mu­lar en­tre os jo­vens uma ati­tu­de po­si­ti­va com re­la­ção ao empreendedorismo.

Ac­tu­al­men­te, já na ter­cei­ra fa­se de im­ple­men­ta­ção do pro­gra­ma, de 2010 a 2014, vá­ri­as es­co­las do Ensino Se­cun­dá­rio do 1º e 2º Ci­clos ge­rais, do Ensino Téc­ni­co Pro­fis­si­o­nal e de For­ma­ção de Pro­fes­so­res nas pro­vín­ci­as de Ben­gue­la, Ca­bin­da, Cu­ne­ne, Huí­la, Hu­am­bo, Lu­an­da, Lu­an­da Nor­te, Ma­lan­ge e Uí­ge lec­ci­o­nam es­ta dis­ci­pli­na. Em­bo­ra ain­da se­ja ce­do pa­ra ava­li­ar o im­pac­to des­te pro­gra­ma, é uma ini­ci­a­ti­va a qual se de­se­ja to­do su­ces­so por­que há ne­ces­si­da­de de se pro­mo­ver a cul­tu­ra em­pre­en­de­do­ra des­de ce­do; pois mui­tos jo­vens vêem na es­co­la o pon­to de par­ti­da pa­ra a re­a­li­za­ção dos seus so­nhos e se­rá mui­to bom co­lher já aí as li­ções bá­si­cas do empreendedorismo; des­de que se­ja uma cul­tu­ra em­pre­en­de­do­ra que es­ti­mu­le os jo­vens a pen­sa­rem em so­lu­ções pa­ra o fu­tu­ro, a cri­a­rem o que ain­da não foi in­ven­ta­do.

Em­pre­en­der en­vol­ve tam­bém a apli­ca­ção da apren­di­za­gem da ma­te­má­ti­ca, lei­tu­ra, es­cri­ta e co­mu­ni­ca­ção de for­ma mo­ti­va­do­ra. E o ensino do empreendedorismo deve procurar tirar vantagens das aplicações de ou­tras disciplinas e pro­mo­ver mais assuntos relacionados com os problemas do dia-a-dia.

O empreendedorismo é o prin­ci­pal fac­tor que pro­mo­ve o de­sen­vol­vi­men­to eco­nó­mi­co e so­ci­al de um país, pe­lo que, a im­por­tân­cia que se dá aos em­pre­en­de­do­res co­mo con­du­to­res da eco­no­mia de mer­ca­do é jus­ti­fi­cá­vel. Co­mo em qual­quer país em de­sen­vol­vi­men­to, em An­go­la o empreendedorismo tem me­re­ci­do uma aten­ção por par­te de to­da so­ci­e­da­de, fru­to dis­to é a clas­si­fi­ca­ção que ocu­pou no GEM2008, po­si­ci­o­nan­do-se no pri­mei­ro lu­gar das eco­no­mi­as ori­en­ta­das pe­lo fac­tor de pro­du­ção.

Um con­cei­to ago­ra mais di­fun­di­do na mí­dia, es­co­las e até cur­sos es­pe­cí­fi­cos, o empreendedorismo em An­go­la co­me­ça a ga­nhar al­gu­ma no­to­ri­e­da­de. E co­mo se dis­se an­tes, es­ta re­a­li­da­de é bas­tan­te acei­tá­vel e jus­ti­fi­cá­vel pa­ra o nos­so país, cu­jo de­sen­vol­vi­men­to eco­nó­mi­co e so­ci­al pas­sa­rá cer­ta­men­te pe­los em­pre­en­de­do­res na­ci­o­nais. Es­tes vão cri­ar no­vas em­pre­sas em­pre­en­de­do­ras ba­se­a­das em al­go de novo, im­pon­do pa­drões de com­pe­ti­ção so­bre ou­tras já es­ta­be­le­ci­das for­çan­do-as a me­lho­rar pro­ces­sos e pro­du­tos e a se­rem mais efi­ci­en­tes, efi­ca­zes e fle­xí­veis na adop­ção de no­vas tec­no­lo­gi­as e mé­to­dos.

É o ca­so da Jo­bar­tis, que veio di­na­mi­zar o sec­tor de re­cru­ta­men­to on­li­ne. Es­ta em­pre­sa ini­ci­an­te já en­con­trou em­pre­sas bas­tan­tes só­li­das na área de re­cru­ta­men­to e se­lec­ção de pes­so­al mas que não ex­plo­ra­vam efi­caz­men­te a In­ter­net, co­mo for­ma de apro­vei­tar e adop­tar as vantagens das no­vas tec­no­lo­gi­as.

O ENSINO DO EMPREENDEDORISMO DEVE PROCURAR TIRAR VANTAGENS DAS APLICAÇÕES DE OU­TRAS DISCIPLINAS E PRO­MO­VER MAIS ASSUNTOS RELACIONADOS COM OS PROBLEMAS DO DIA-A-DIA

CONTREIRAS PIPA | EDIÇÕES NOVEMBRO

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