“O OGE pre­ci­sa me­lho­rar a qua­li­da­de de pre­vi­são das re­cei­tas”.

Eco­no­mis­ta su­ge­re a atri­bui­ção de mai­or do­ta­ção ao sec­tor em­pre­sa­ri­al pú­bli­co com o in­tui­to úni­co e ex­clu­si­vo de vi­a­bi­li­zar os in­ves­ti­men­tos em re­fi­na­ri­as e pe­troquí­mi­cas

Jornal de Economia & Financas - - Primeira Página - AN­TÓ­NIO ESTOTE

Oque de­ve ser al­te­ra­da na pro­pos­ta do OGE pa­ra 2018 a ser apro­va­da até ao dia 15 de Fe­ve­rei­ro?

Qual­quer aná­li­se da pro­pos­ta do Or­ça­men­to Ge­ral do Es­ta­do pa­ra 2018 es­ta­rá en­vi­e­sa­da se os pres­su­pos­tos não re­flec­ti­rem a subs­tân­cia da re­a­li­da­de eco­nó­mi­ca na­ci­o­nal. Des­ta for­ma, de­ver-se-á ana­li­sar a qua­li­da­de dos pres­su­pos­tos da pro­pos­ta do OGE 2018, uma vez que es­tes de­fi­nem a sua re­si­li­ên­cia. É aqui que de­ver-se-á efec­tu­ar as pri­mei­ras al­te­ra­ções, a tí­tu­lo de exem­plo, me­lho­rar a qua­li­da­de de pre­vi­são das re­cei­tas, qu­er atra­vés da ac­tu­a­li­za­ção da pro­du­ção pe­tro­lí­fe­ra pa­ra uma mé­dia diá­ria pa­ra 1.673.000 bar­ris de pe­tró­leo quo­ta au­to­ri­za­da pe­la OPEP, con­tra­ri­a­men­te aos 1.698.000 bar­ris de pe­tró­leo da pro­pos­ta, qu­er pe­la co­mu­ni­ca­ção e ac­tu­a­li­za­ção da ta­xa de câm­bio de re­fe­rên­cia or­ça­men­tal.

Que pro­gra­mas acha que não de­vi­am cons­tar na ac­tu­al pro­pos­ta or­ça­men­tal sub­me­ti­da pe­lo Go­ver­no à As­sem­bleia Na­ci­o­nal?

Na ge­ne­ra­li­da­de, os seis pro­gra­mas es­tra­té­gi­cos cons­tan­tes na pro­pos­ta de OGE 2018 es­tão de acor­do com os prin­ci­pais de­sa­fi­os da si­tu­a­ção eco­nó­mi­co-so­ci­al na­ci­o­nal, pois não se tra­ta de re­ti­rar ou adi­ci­o­nar pro­gra­mas. To­da­via, os pro­ga­mas pe­cam nas ac­ções pro­pos­tas, ou se­ja, sal­vo opi­nião con­trá­ria, é meu en­ten­di­men­to que as ac­ções são mui­tas ve­zes iso­la­das, so­bre­pos­tas e não são com­ple­ta­men­te exaus­ti­vas (não co­brem to­dos de­sa­fi­os que os pro­gra­mas pre­ten­dem re­sol­ver). A tí­tu­lo de exem­plo, au­men­tar a com­pe­ti­ti­vi­da­de e pro­du­ti­vi­da­de na­ci­o­nal, ele­van­do os cus­tos de pro­du­ção na­ci­o­nal, atra­vés da re­du­ção dos sub­sí­di­os a pre­ços nos sec­to­res de ener­gia, água e trans­por­tes (fer­ro­viá­rio, ma­rí­ti­mo e ter­res­tre) e ao mes­mo tem­po re­ver as ta­xas adu­a­nei­ras que in­ci­dem so­bre um con­jun­to de bens de pri­mei­ra ne­ces­si­da­de, que cor­res­pon­de­ram 7 dos 10 pro­du­tos mais im­por­ta­dos, con­for­me o Con­se­lho Na­ci­o­nal de Car­re­ga­do­res.

Acha que as ru­bri­cas da con­ti­nui­da­de de op­ti­mi­za­ção das sub­ven­ções ao pre­ço dos com­bus­tí­veis, da ener­gia, água e trans­por­te co­lec­ti­vo ur­ba­no de­vem se man­ter?

Cer­ta­men­te a sub­ven­ção a pre­ços man­ter-se-á di­rec­ta ou in­di­rec­ta­men­te, uma vez que os pre­ços dos ser­vi­ços e pro­du­tos sub­ven­ci­o­na­dos re­tro-ali­men­tam-se, ou se­ja, o Es­ta­do bre­ve­men­te de­pa­rar-se-á com uma es­co­lha “tra­de­off” en­tre au­men­tar os pre­ços des­tes bens e ser­vi­ços e, por con­se­guin­te, re­du­zir o po­der de com­pra das po­pu­la­ções ou con­sen­tir mais sub­ven­ção.

Ao ve­ri­fi­car a pro­pos­ta, há sec­to­res que se jus­ti­fi­cam a afec­ta­ção de avul­ta­das so­mas?

A atri­bui­ção de do­ta­ções or­ça­men­tais é uma si­tu­a­ção con­jun­tu­ral e, por con­se­guin­te, anu­al­men­te os dis­tin­tos gru­pos de in­te­res­ses ten­ta­rão a in­flu­en­ci­ar mais ou me­nos do­ta­ções pa­ra es­te ou aque­le sec­tor. Não po­de­mos esquecer que ape­nas 30 por cen­to do OGE 2018 es­tão dis­po­ní­veis, uma vez que 70 são des­pe­sas alo­ca­das ao ser­vi­ço da dí­vi­da e às re­mu­ne­ra­ções, 53 e 17, res­pec­ti­va­men­te. Do pon­to de vis­ta es­tru­tu­ral e de efi­ci­ên­cia de ca­pi­tal, no âm­bi­to do Pro­gra­ma de Cons­tru­ção e Re­a­bi­li­ta­ção de In­fra-Es­tru­tu­ras e de Re­for­ço da Di­ver­si­fi­ca­ção e de Au­men­to da Pro­du­ção, sou de opi­nião que de­ver-se-ia atri­buir mai­or do­ta­ção ao sec­tor em­pre­sa­ri­al pú­bli­co com in­tui­to úni­co e ex­clu­si­vo de vi­a­bi­li­zar os in­ves­ti­men­tos em re­fi­na­ri­as e pe­troquí­mi­cas, pa­ra a op­ti­mi­za­ção da in­te­gra­ção da agri­cul­tu­ra e da in­dús­tria, ou se­ja, es­tes in­ves­ti­men­tos no mé­dio pra­zo dis­po­ni­bi­li­za­rão os in­su­mos, es­sen­ci­al­men­te ener­gé­ti­cos, su­fi­ci­en­tes pa­ra aten­der às ne­ces­si­da­des da in­dús­tria a ju­san­te, no­me­a­da­men­te, a pro­du­ção de plás­ti­cos, fi­bras, bor­ra­chas, fer­ti­li­zan­tes, in­sec­ti­ci­das, den­tre ou­tros, o que per­mi­ti­ra re­du­zir as im­por­ta­ções e au­men­tar as ex­por­ta­ções.

Que pro­vín­ci­as, além das que já co­nhe­ce, têm ne­ces­sa­ri­a­men­te de ser acres­ci­das mais ver­bas?

O OGE é re­fle­xo das es­tra­té­gi­as e po­lí­ti­cas do Exe­cu­ti­vo, na­tu­ral­men­te, as do­ta­ções por pro­vín­cia de­pen­de­rá­das­mes­mas.Po­re­xem­plo, se o cri­té­rio foi o de­sen­vol­vi­men­to in­dus­tri­al, tu­rís­ti­co e po­pu­la­ci­o­nal, a do­ta­ção não me pa­re­ce de­sar­ti­cu­la­da. To­da­via, se o cri­té­rio foi o de­sen­vol­vi­men­to fer­ro­viá­rio, ro­do­viá­rio, pre­ven­ção da de­pres­são so­ci­al e eco­nó­mi­ca, a do­ta­ção pro­pos­ta no OGE 2018 es­tá de­sar­ti­cu­la­da, sen­do que, de­ver-se-ia pri­o­ri­zar o Nor­te, Sul e o Les­te do país.

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