“A pro­du­ção lo­cal de de­ri­va­dos te­rá con­sequên­cia no pre­ço de ven­da”

O pre­ço dos re­fi­na­dos de petróleo re­flec­te ain­da o que se gas­ta na im­por­ta­ção pe­lo que a apos­ta do Go­ver­no é a pro­du­ção in­ter­na e eli­mi­na­ção das so­bre­ta­xas

Jornal de Economia & Financas - - Primeira Página -

Cons­truir re­fi­na­ri­as em An­go­la ou continuar a im­por­tar. Qual a va­riá­vel que mais se ade­qua a economia an­go­la­na no cur­to, mé­dio e lon­go pra­zo?

Esta ques­tão é de res­to o te­ma de fun­do na aná­li­se que o ju­ris­ta e do­cen­te uni­ver­si­tá­rio Benja Satula res­pon­deu ao ques­ti­o­na­men­to do JE.

Para ele, a me­lhor va­riá­vel para o bem-es­tar dos an­go­la­nos e para a economia das famílias, que são na re­a­li­da­de elas que mo­vi­men­tam e dão vi­da à economia de um país, in­cluin­do as pe­que­nas e mé­di­as empresas e os for­ne­ce­do­res de bens e ser­vi­ços di­ver­sos, é a cons­tru­ção de re­fi­na­ri­as com di­ver­sos intervenientes e “is­to a meu ver era para on­tem e co­mo on­tem não hou­ve, ur­ge que as­sim se­ja no mais cur­to es­pa­ço de tempo pos­sí­vel”.

No que diz respeito ao impacto di­rec­to na vi­da dos ci­da­dão vai ter a con­cre­ti­za­ção do pro­gra­ma de cons­tru­ção de re­fi­na­ri­as que o Go­ver­no le­va a ca­bo, Benja Satula diz que a con­cre­ti­za­ção des­tes projectos tra­rão para as famílias e a economia an­go­la­na uma re­du­ção subs­tan­ci­al dos custos dos bens e ser­vi­ços e is­so po­de im­pli­car um mai­or con­su­mo de bens e ser­vi­ços, além de ge­rar em­pre­gos di­rec­tos e in­di­rec­tos, tra­rá po­si­ti­vas ex­ter­na­li­da­des nas ne­ces­si­da­des pú­bli­cas, o que é a to­dos os níveis po­si­ti­vo.

Se in­cor­to­ná­vel ou não, pre­ven­do-se um ce­ná­rio de re­du­ção de preços nos combustíveis, além da di­mi­nui­ção das di­vi­sas gas­tas em im­por­ta­ção, o do­cen­te e também in­ves­ti­ga­dor do Cen­tro de Es­tu­dos e In­ves­ti­ga­ção Ci­en­tí­fi­ca (CEIC) da Uni­ver­si­da­de Ca­tó­li­ca de An­go­la acre­di­ta que com ho­nes­ti­da­de dos intervenientes e um mai­or ri­gor da en­ti­da­de re­gu­la­do­ra do sec­tor, a pro­du­ção lo­cal de de­ri­va­dos do petróleo te­rá con­sequên­cia di­rec­ta no pre­ço de ven­da ao consumidor.

Para ele, fi­ca­rá sa­na­da a es­cas­sez de ofer­ta e deverá ain­da ser equi­li­bra­do o mercado. Além do mais, Benja Satula acre­di­ta que o sur­gi­men­to de re­fi­na­ri­as lo­cais vai re­du­zir a ne­ces­si­da­de de pa­ga­men­tos ao es­tran­gei­ro, pou­pan­do, co­mo dis­se, di­vi­sas e mais do que is­so po­de­rá ain­da ser uma excelente fon­te de cap­ta­ção de di­vi­sas, is­so se as en­ti­da­des que fo­rem ex­plo­rar as re­fi­na­ri­as im­pri­mi­rem ne­la qua­li­da­de ne­ces­sá­ria para abas­te­cer os paí­ses vi­zi­nhos e não só.

“Por­tan­to, é qu­an­to a mim, uma ati­tu­de es­pe­ra­da e ou­sa­da que em te­se tem mais ga­nhos do que pre­juí­zo, aliás, é o que acontece de res­to com os paí­ses pro­du­to­res de petróleo nou­tras la­ti­tu­des do Glo­bo”, dis­se.

Sub­sí­di­os

Os sub­sí­di­os aos combustíveis, tal co­mo são con­ce­di­dos na economia an­go­la­na, não são sus­ten­tá­veis no tempo. Esta é de res­to a vi­são do Mi­nis­té­rio das Fi­nan­ças, que num tex­to de es­cla­re­ci­men­to pu­bli­ca­do na sua pá­gi­na de in­ter­net abor­da so­bre a ques­tão con­si­de­ra­da cru­ci­al no qua­dro da jus­ti­ça dis­tri­bu­ti­va da ri­que­za na­ci­o­nal.

De a cor­do com o Min­fin, os sub­sí­di­os pre­ju­di­cam as ver­da­dei­ras po­lí­ti­cas dis­tri­bu­ti­vas, por be­ne­fi­ci­a­rem mais aque­les que me­nos pre­ci­sam em de­tri­men­to da­que­les que mais pre­ci­sam. Em ou­tros ter­mos, eles be­ne­fi­ci­am mais quem tem viatura pri­va­da do que aque­le que pre­ci­sa de trans­por­te pú­bli­co, que seria também útil para o primeiro.

“A po­lí­ti­ca de sub­sí­di­os se tem revelado, por­tan­to, ser um ins­tru­men­to de po­lí­ti­ca eco­nó­mi­ca im­por­tan­te. En­ten­der a im­por­tân­cia dos sub­sí­di­os na economia per­mi­te com­pre­en­der que mui­tos de­les têm um ca­rác­ter pro­vi­só­rio, para um pe­río­do, e não po­dem trans­for­mar-se in­de­fi­ni­da­men­te num mo­do de fi­nan­ci­a­men­to, por cau­sa dos limites que a pró­pria economia im­põe”.

Com is­so abre-se um hi­po­té­ti­co ce­ná­rio de des­ci­das dos preços dos de­ri­va­dos, dei­xan­do de ha­ver a com­po­nen­te im­por­ta­ção com mai­or peso na balança fi­nal.

Ga­so­li­na e ga­só­leo

Des­de 2016 que os preços da ga­so­li­na e do ga­só­leo dei­xa­ram de ser sub­ven­ci­o­na­dos, pas­san­do ao re­gi­me de preços li­vres.

A me­di­da per­mi­tiu, cer­ta­men­te, ao Exe­cu­ti­vo dei­xar de in­ves­tir so­mas ele­va­das com sub­sí­dio aos preços.

En­tre 2013 e 2015, o Es­ta­do apli­ca­va so­mas de 3,5 e 1,8 mil milhões de dó­la­res para a sub­ven­ção aos combustíveis.

Ape­sar de do­lo­ro­so, no iní­cio, a de­ci­são de re­ti­ra­da da sub­ven­ção é ain­da ti­da até ago­ra co­mo acer­ta­da, pois os va­lo­res an­tes ca­na­li­za­dos para es­se fim pas­sam a es­tar dis­po­nív­beis para aten­der ou­tros com­pro­mis­sos, so­bre­tu­do com a es­ta­bi­li­da­de so­ci­al das famílias.

No OGE 2018, a ru­bri­ca “Sub­ven­ção ao pre­ço e ta­ri­fas de bens e ser­vi­ços pú­bli­cos” apa­re­ce com uma quo­ta de 3,26 por cenr­to, re­pre­sen­tan­do o valor de 187.2 mil milhões de kwan­zas.

Preços não so­bem este ano

Os preços dos combustíveis, so­bre­tu­do a ga­so­li­na e o ga­só­leo, não de­vem so­frer al­te­ra­ções este ano, em prin­cí­pio.

Re­cen­te­men­te, o mi­nis­tro das Fi­nan­ças, Ar­cher Man­guei­ra, dei­xou cla­ro a in­ten­ção do Exe­cu­ti­vo em não al­te­rar o qua­dro que se ob­ser­va nes­te mo­men­to, por con­si­de­rar não exis­ti­rem ra­zões de fun­do para que tal si­tu­a­ção ocor­res­se.

A ME­LHOR VA­RIÁ­VEL PARA A ECONOMIA E FAMÍLIAS É A CONS­TRU­ÇÃO DE RE­FI­NA­RI­AS COM DI­VER­SOS INTERVENIENTES

CONTREIRAS PIPA | EDIÇÕES NO­VEM­BRO

No tempo que se pre­vê ope­ra­ci­o­na­li­zar a en­tra­da das re­fi­na­ri­as uma das con­sequên­ci­as se­rá a baixa dos preços

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