Re­fi­nar as so­lu­ções

Jornal de Economia & Financas - - Opinião -

O ne­gó­cio do petróleo é ca­ro e ao mes­mo tempo com­ple­xo. Tan­to pe­la so­fis­ti­ca­ção da mão-de-obra e dos re­cur­sos tec­no­ló­gi­cos de que faz re­cur­so, qu­an­to pe­lo impacto que ge­ra na economia dos paí­ses que re­ser­vam, no seu sub­so­lo ou pro­fun­de­zas ma­ri­nhas o re­cur­so em abun­dân­cia.

Mas não bas­ta só ter petróleo para ex­plo­rar. É pre­ci­so ter con­di­ções in­ter­nas para re­fi­nar e ex­trair o má­xi­mo de van­ta­gens des­se re­cur­so ener­gé­ti­co, nos dias de ho­je ain­da o mais re­qui­si­ta­do.

Se­gun­do da­dos da Eva­lu­a­te Energy, exis­tem re­fi­na­ri­as de petróleo ope­ran­do em 177 paí­ses, que to­ta­li­zam uma ca­pa­ci­da­de de des­ti­la­ção ins­ta­la­da de pou­co mais de 93 milhões de bar­ris por dia (93000 Mbpd). Dos 177 paí­ses, ob­ser­va-se que os 20 mai­o­res re­fi­na­do­res pos­su­em próximo 75 % da ca­pa­ci­da­de total ins­ta­la­da, en­quan­to o top 10 pos­sui 60 % de toda a ca­pa­ci­da­de mun­di­al de re­fi­no. Es­ta­dos Uni­dos (EUA) e China de­têm um ter­ço da ca­pa­ci­da­de mun­di­al de re­fi­no de petróleo, com os nor­te ame­ri­ca­nos li­de­ran­do o ran­king. Bra­sil figura co­mo o 8º mai­or par­que de re­fi­no do mun­do qu­an­do o as­sun­to é ca­pa­ci­da­de ins­ta­la­da.

Em Mar­ço de 2017, An­go­la en­co­men­dou um es­tu­do de vi­a­bi­li­da­de eco­nó­mi­ca so­bre a pos­si­bi­li­da­de de pro­ce­der à refinação de petróleo em ra­ma ex­traí­do no país num re­fi­na­ria es­tran­gei­ra, de acor­do com um des­pa­cho do mi­nis­tro dos Pe­tró­le­os. Mas não tar­dou, e após as elei­ções, foi re­to­ma­da a pos­si­bi­li­da­de de cons­tru­ção de no­vas re­fi­na­ri­as em An­go­la.

Este pro­ces­so ori­en­ta­do pe­lo Pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca abriu um con­cur­so que nos pri­mei­ros me­ses re­ce­beu 20 propostas e a pos­te­ri­or che­gou as 60. O mé­ri­to nes­se pro­ces­so to­do está também no fac­to de per­to de 20 des­tas propostas se­rem de­ti­das por in­ves­ti­do­res an­go­la­nos, que ve­jam na cons­tru­ção de re­fi­na­ri­as uma opor­tu­ni­da­de para que além de re­fi­nar-se o nos­so petróleo in­ter­na­men­te, lan­çar-se mão ao pro­ces­so de me­lho­ria do de­sem­pe­nho dos an­go­la­nos nes­sa in­dús­tria que pede for­te “know-how” para se ope­rar e não pou­cos re­cur­sos fi­nan­cei­ros.

As opi­niões são di­ver­gen­tes. Para uns re­fi­nar lá fo­ra é, nes­te mo­men­to, a me­lhor op­ção. Ou­tros as­sim não en­tem e con­ver­gem na vi­são do Exe­cu­ti­vo an­go­la­no de que está na ho­ra de di­mi­nuir-se ou pôr-se ter­mo às im­por­ta­ções que che­gam a le­var avul­ta­das so­mas em di­vi­sas, mo­e­da es­tas que, aliás, já es­tão es­cas­sas face ao ac­tu­al pre­ço das com­mo­di­tie nos mer­ca­dos in­ter­na­ci­o­nais e de que ori­gi­nou a en­tra­da de me­nos di­vi­sas.

Co­mo se sa­be, a So­nan­gol e o Mi­nis­té­rio dos Pe­tró­le­os acor­da­ram que 10 de fe­ve­rei­ro era o pra­zo li­mi­te para que as propostas apre­sen­ta­das fos­sem me­lho­ras. Oxa­lá que das 17 propostas angolanas ao me­nos uma se­ja con­si­de­ra­da atractiva ao pon­to de per­mi­tir que os na­ci­o­nais entrem de­ci­si­va­men­te nes­se mo­men­to no­vo da nos­sa in­dús­tria de petróleo. Pe­lo sim ou pe­lo não, o mais im­por­tan­te se­rá mes­mo a trans­pa­rên­cia do pro­ces­so e uma mai­or cla­re­za dos cri­té­ri­os que mo­ti­va­ram a es­co­lha des­ta ou da­que­la pro­pos­ta. Também está vis­ta que a ope­ra­ção vai mo­bi­li­zar, qui­ça, sin­di­ca­tos ban­cá­ri­os. O me­lhor e mais im­por­tan­te des­se ce­ná­rio é mes­mo o fac­to de que os an­go­la­nos po­de­rão re­fi­nar o nos­so petróleo in­ter­na­men­te.

QUE DAS 17 PROPOSTAS ANGOLANAS AO ME­NOS UMA SE­JA CON­SI­DE­RA­DA ATRACTIVA AO PON­TO DE PER­MI­TIR QUE OS NA­CI­O­NAIS ENTREM NES­SE MO­MEN­TO DA NOS­SA IN­DÚS­TRIA

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