“Know-how” lo­cal em ple­na pron­ti­dão

Ope­ra­ci­o­na­li­za­ção das re­fi­na­ri­as exi­ge em re­gra mão-de-obra es­pe­ci­a­li­za­da e um mí­ni­mo de 50 téc­ni­cos em­pre­ga­dos

Jornal de Economia & Financas - - Destaque - Isa­que Lourenço

Ao­pe­ra­ci­o­na­li­za­ção de uma re­fi­na­ria é as­se­gu­ra­da em mé­dia por um mí­ni­mo de 50 tra­ba­lha­do­res. Aten­den­do a na­tu­re­za das ope­ra­ções pe­tro­lí­fe­ras e da pró­pria in­dús­tria de ca­pi­tal in­ten­si­vo, a es­pe­ci­a­li­za­ção é dos cri­té­ri­os mais exi­gi­dos aos que ne­la ac­tu­am.

O economista e também empresário nes­se ra­mo Ar­nal­do Lago de Carvalho diz que a economia da refinação, nos dias de ho­je, não se faz com a ga­so­li­na e o ga­só­leo, mas com os produtos mais le­ves, para uti­li­za­ções quí­mi­cas, far­ma­cêu­ti­cas, per­fu­ma­ria ou ou­tras.

“São es­tes produtos que em lar­ga me­di­da fi­nan­ci­am a refinação e lhe con­fe­rem sus­ten­ta­bi­li­da­de. Ca­so con­trá­rio, es­ta­ría­mos a ad­mi­tir que as re­fi­na­ri­as de que se fa­la para An­go­la não in­clu­em ne­nhu­ma so­fis­ti­ca­ção para a pro­du­ção de produtos de es­pe­ci­a­li­da­de, lo­go se­ri­am de vi­a­bi­li­da­de ques­ti­o­ná­vel”, dis­se.

O em­pre­saá­rio do petróleo lem­bra também ser im­por­tan­te ter-se em li­nha de con­ta que ao co­lo­car-se 200 mil bar­ris/dia na re­fi­na­ria, An­go­la per­de­ria per­to de 10 milhões de dó­la­res/ dia de ex­por­ta­ções, o que sig­ni­fi­ca que a re­fi­na­ria te­ria de ge­rar no mí­ni­mo es­se valor de re­tor­no, con­si­de­ran­do um valor acres­cen­ta­do de ze­ro.

Para ele, a ven­da dos produtos ob­ti­dos na refinação, de­du­zi­da dos custos de pro­du­ção e reembolso dos ca­pi­tais in­ves­ti­dos, não con­se­gue fa­zê-lo.

To­da­via, o JE con­ver­sou com dois jo­vens qua­dros an­go­la­nos que ac­tu­am a mais de 10 anos na in­dús­tria da ex­plo­ra­ção pe­tro­lí­fe­ro e cu­ja vo­ca­bu­lá­rio “ups­tre­am” e “downs­tre­am” são o seu dia-a-dia.

Sér­gio La­dis­lau ex­pli­ca que “Ups­tre­am” refere-se à ac­ti­vi­da­de de pros­pec­ção. E em­bo­ra se­ja pos­te­ri­or ao da refinação, ele lem­bra que An­go­la tem po­ten­ci­al para pro­du­zir petróleo em níveis satisfatórios, bas­tan­do que ha­jam os ne­ces­sá­ri­os in­ves­ti­men­tos.

Já Er­nes­to Miguel, ele também téc­ni­co de ope­ra­ções de son­da pe­tro­lí­fe­ra, lem­bra que no “downs­tre­am” é a fa­se logística, ou se­ja, o trans­por­te dos produtos da re­fi­na­ria até aos lo­cais de con­su­mo. Re­su­me-se no trans­por­te, dis­tri­bui­ção e co­mer­ci­a­li­za­ção dos de­ri­va­dos do petróleo.

Sér­gio La­dis­lau

Es­pe­ci­a­lis­ta em per­fu­ra­ção

AN­GO­LA TEM PO­TEN­CI­AL PARA PRO­DU­ZIR PETRÓLEO EM NÍVEIS SATISFATÓRIOS

Er­nes­to Miguel

Téc­ni­co de son­da “Downs­tre­am”

O “DOWNS­TRE­AM” É A FA­SE LOGÍSTICA, DO TRANS­POR­TE DA RE­FI­NA­RIA ATÉ AOS LO­CAIS DE CON­SU­MO

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