Défice or­ça­men­tal di­mi­nui in­ves­ti­men­tos em Áfri­ca

Es­pe­ci­a­lis­ta em petróleo e gás Fre­de­ri­co Bap­tis­ta acon­se­lha os paí­ses afri­ca­nos a po­ten­ci­a­rem os fun­dos pa­ra que pos­sam ga­ran­tir mai­or cres­ci­men­to e atin­gir o de­sen­vol­vi­men­to sus­ten­tá­vel em lar­ga es­ca­la

Jornal de Economia & Financas - - Primeira Página - Ma­teus Ca­vum­bo

Os 14 paí­ses afri­ca­nos ador­me­ce­ram no petróleo e ho­je não têm ca­pa­ci­da­de fi­nan­cei­ra pa­ra in­ves­tir. O es­pe­ci­a­lis­ta em ges­tão de hi­dro­car­bo­ne­tos Fre­de­ri­co Bap­tis­ta apon­ta co­mo ra­zão a fal­ta de me­lhor po­lí­ti­ca na ra­ci­o­na­li­za­ção e uso do erá­rio pú­bli­co.

Os 14 paí­ses pro­du­to­res de petróleo a ní­vel de Áfri­ca não con­se­gui­ram trans­for­mar os ren­di­men­tos pro­ve­ni­en­tes do cru­de em de­sen­vol­vi­men­to, pe­lo con­trá­rio, re­gis­tam dé­fi­ces or­ça­men­tais bas­tan­te al­tos.

O défice es­ti­ma­do pa­ra An­go­la, o se­gun­do mai­or pro­du­tor de petróleo no con­ti­nen­te é de 2,9 por cen­to, sen­do o quin­to con­se­cu­ti­vo, de­pois dos 5,3 do Pro­du­to In­ter­no Bru­to no OGE 2017, de 7 por cen­to em 2016, 3,3 em 2015 e 6,6 em 2014, quan­do co­me­ça­ram a re­gis­tar-se que­das nas re­cei­tas pe­tro­lí­fe­ras.

A Ni­gé­ria, o mai­or pro­du­tor de petróleo de Áfri­ca, en­fren­ta al­guns de­sa­fi­os, in­cluin­do in­ter­rup­ções no for­ne­ci­men­to de energia e in­se­gu­ran­ça em al­gu­mas par­tes do país.

Os es­for­ços de mo­bi­li­za­ção de re­cei­tas são in­su­fi­ci­en­tes e as ta­xas de im­pos­to ao va­lor acres­cen­ta­do, de 5,0 por cen­to, são das mais bai­xas do mun­do e, de um mo­do ge­ral, a ges­tão das re­cei­tas de­ve­ria ser efec­tu­a­da de for­ma mais efi­ci­en­te, con­for­me ava­li­ou o Ban­co Afri­ca­no de De­sen­vol­vi­men­to (BA D), no seu re­cen­te re­la­tó­rio sobre “pers­pec­ti­vas eco­nó­mi­cas de Áfri­ca pa­ra 2018”.

A Ni­gé­ria tem um défice or­ça­men­tal de 4,8 por cen­to e a re­cu­pe­ra­ção do preço e da pro­du­ção de petróleo aju­da­rá a im­pul­si­o­nar o cres­ci­men­to e es­pa­ço fis­cal pa­ra im­por­tan­tes re­for­mas es­tru­tu­rais por par­te do Go­ver­no, a fim de di­ver­si­fi­car a economia lo­cal.

Já a Áfri­ca do Sul, ou­tra economia pu­jan­te do con­ti­nen­te, que já ti­nha um sal­do or­ça­men­tal con­so­li­da­do de­te­ri­o­rou-se pa­ra um va­lor es­ti­ma­do de 4,3 por cen­to, em 2017, após 3,3, em 2016, re­sul­tan­te de que­bras nas re­cei­tas.

A dí­vi­da pú­bli­ca au­men­tou pa­ra um va­lor es­ti­ma­do de 54,2 por cen­to do PIB, em 2017, após 50,7 em 2016, mas per­ma­ne­ce sus­ten­tá­vel. En­tre­tan­to, o défice ocor­re quan­do os gas­tos ou des­pe­sas su­pe­ram os ga­nhos ou re­cei­tas.

Nes­se ca­so, fal­ta di­nhei­ro pa­ra a re­cei­ta igua­lar à des­pe­sa, e o or­ça­men­to é cha­ma­do “de­fi­ci­tá­rio”. Se­gun­do Key­nes, o défice or­ça­men­tá­rio é um me­ca­nis­mo an­ti­cí­cli­co de equi­lí­brio eco­nó­mi­co em po­lí­ti­ca eco­nó­mi­ca. Em pe­río­dos de de­pres­são eco- nó­mi­ca, é ne­ces­sá­rio cri­ar um défice sis­te­má­ti­co no or­ça­men­to pa­ra es­ti­mu­lar a economia, e au­men­tar a ta­xa tri­bu­tá­ria em pe­río­dos de pros­pe­ri­da­de pa­ra se acu­mu­lar pou­pan­ça.

O défice or­ça­men­tá­rio po­de ser pro­vo­ca­do pe­los gas­tos ex­ces­si­vos do Es­ta­do, quer nas áre­as so­ci­ais, quer na ad­mi­nis­tra­ção pú­bli­ca.

Con­tex­to afri­ca­no

Co­men­tan­do sobre as ra­zões dos dé­fi­ces or­ça­men­tais em Áfri­ca, o es­pe­ci­a­lis­ta em Re­la­ções In­ter­na­ci­o­nais, Di­rei­to, Ges­tão de Petróleo e Gás, Fre­de­ri­co Bap­tis­ta con­si­de­rou que eles sur­gem por fal­ta de me­lhor po­lí­ti­ca na ra­ci­o­na­li­za­ção e uso do erá­rio pú­bli­co.

Exem­pli­fi­cou que os Emi­ra­tos Ára­bes Unidos têm es­ta­do a utilizar o di­nhei­ro do petróleo pa­ra im­pul­si­o­nar os ou­tros seg­men­tos económicos, in­cluin­do o tu­ris­mo, daí que os paí­ses do con­tin­te de­vi­am in­ten­si­fi­car a Nova Par­ce­ria pa­ra o De­sen­vol­vi­men­to de Áfri­ca (NEPAD).

Pa­ra Fre­de­ri­co Bap­tis­ta, a ges­tão afri­ca­na de­ve ter uma li­nha ori­en­ta­do­ra ba­se­a­da em pri­mei­ro lu­gar por ho­nes­ti­da­de (on­de os ti­tu­la­res de car­gos pú­bli­cos de­vi­am res­pei­tar a coi­sa pú­bli­ca, se­gun­do, a pres­ta­ção de con­tas (em Áfri­ca par­ti­cu­lar­men­te An­go­la usa-se o erá­rio pú­bli­co e não se pres­ta con­tas a nin­guém) em ter­cei­ro lu­gar, o com­pli­an­ce, que tem a ver com o cum­pri­men­to das nor­mas da boa ges­tão.

Quanto aos pro­du­to­res de petróleo afri­ca­no, afir­mou que a No­ru­e­ga e Alas­ca cri­a­ram um fun­do que aju­da na sus­ten­ta­bi­li­da­de das eco­no­mi­as atra­vés do re­ma­nes­cen­te do petróleo.

Adi­an­tou que, à se­me­lhan­ça do Fun­do So­be­ra­no de An­go­la, o da No­ru­e­ga, co­me­çou com apro­xi­ma­da­men­te 50 mi­lhões de dó­la­res, ho­je vol­vi­dos 10 anos, já atin­giu um tri­lião de dó­la­res por via de in­ves­ti­men­tos.

DR

O défice es­ti­ma­do pa­ra An­go­la que é o se­gun­do mai­or pro­du­tor de petróleo no con­ti­nen­te é de cer­ca de 2,9 por cen­to

AUGUSTINHO NARCISO | EDI­ÇÕES NO­VEM­BRO

Es­pe­ci­a­lis­ta Fre­de­ri­co Bap­tis­ta

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