Go­ver­nan­ce em An­go­la

Jornal de Economia & Financas - - Opinião - Jo­a­ni An­dré Si­mão Eco­no­mis­ta e Exe­cu­ti­ve Co­a­ch

Aex­pres­são “Go­ver­nan­ce” sur­giu a par­tir das re­fle­xões con­du­zi­das pe­lo Ban­co Mun­di­al, ten­do em vis­ta o apro­fun­dar de co­nhe­ci­men­tos que ga­ran­tem um es­ta­do efi­ci­en­te. Fo­ram as ins­ti­tui­ções de Bret­ton Wo­ods (Ban­co Mun­di­al e Fun­do Mo­ne­tá­rio In­ter­na­ci­o­nal) que a pu­se­ram na mo­da e foi re­for­ça­da após os es­cân­da­los que en­vol­ve­ram as gran­des em­pre­sas ame­ri­ca­nas, co­mo a En­ron, WordCom, Arthur An­der­sen, Xe­rox, Merck, Bris­tol-Myers Squibb, Ty­co, Par­ma­lat e a Pe­tro­brás.

Des­ta for­ma, po­de-se afir­mar que Go­ver­nan­ce é a bus­ca por con­ci­li­a­ção en­tre os in­te­res­ses dos sta­kehol­ders e dos sha­rehol­ders, atra­vés de es­tra­té­gi­as e de­ci­sões em que am­bos se­jam be­ne­fi­ci­a­dos. A ga­ran­tia des­tes in­te­res­ses é di­ta­da atra­vés de me­ca­nis­mos vol­ta­dos pa­ra a ob­ten­ção do me­lhor de­sem­pe­nho fi­nan­cei­ro pos­sí­vel que as­sen­ta em qua­tro (4) pi­la­res:

1. Fair­ness (Sen­so de jus­ti­ça): Equi­da­de no tra­ta­men­to dos ac­ci­o­nis­tas, res­pei­to ao di­rei­to dos ac­ci­o­nis­tas mi­no­ri­tá­ri­os por par­ti­ci­pa­ção equi­pa­ra­da aos mai­o­ri­tá­ri­os e pre­sen­ça ac­ti­va nas as­sem­blei­as;

2. Dis­clo­su­re (Trans­pa­rên­cia): Nas in­for­ma­ções fi­nan­cei­ras prin­ci­pal­men­te as de mai­or re­le­vân­cia e que tem um gran­de im­pac­to nos ne­gó­ci­os em que en­vol­vem re­sul­ta­dos, opor­tu­ni­da­des e ris­cos;

3. Ac­coun­ta­bi­lity (Res­pon­sa­bi­li­za­ção): Pres­ta­ção de con­tas de mo­do res­pon­sá­vel prin­ci­pal­men­te as me­lho­res prá­ti­cas de con­ta­bi­li­da­de e au­di­to­ria;

4. Com­pli­an­ce (Con­for­mi­da­de le­gal): Com as nor­mas e legislação vi­gen­te tan­to na­ci­o­nal co­mo in­ter­na­ci­o­nal aten­den­do as bo­as prá­ti­cas.

No en­tan­to, as ins­ti­tui­ções de­vem adop­tar es­tes pi­la­res de bo­as prá­ti­cas, e os pro­ce­di­men­tos de­vem es­tar ali­nha­dos à me­lho­ria con­tí­nua as que não adop­ta­rem te­rão sé­ri­as di­fi­cul­da­des em per­ma­ne­cer no mer­ca­do.

Sen­do as­sim, as em­pre­sas que se en­con­tram a ope­rar no so­lo an­go­la­no, quer se­jam pú­bli­cas, quer pri­va­das, es­tão su­jei­tas a es­tes pi­la­res de Go­ver­nan­ce.

Por es­ta via, o Es­ta­do an­go­la­no em fun­ção das en­ti­da­des re­gu­la­do­ras do mer­ca­do, cri­ou vá­ri­as leis, nor­mas, instrutivos e guia de ori­en­ta­ção pa­ra fa­ze­rem fa­ce à go­ver­nan­ce, con­for­me es­pe­lha o re­gu­la­dor do sis­te­ma fi­nan­cei­ro an­go­la­no, Ban­co Na­ci­o­nal de An­go­la (BNA) atra­vés do avi­so nº 1/2013, que obri­ga as ins­ti­tui­ções fi­nan­cei­ras ban­cá­ri­as a im­ple­men­tar a go­ver­nan­ce nas su­as es­tru­tu­ras.

O re­gu­la­dor da ac­ti­vi­da­de se­gu­ra­do­ra, a Agên­cia An­go­la­na de Re­gu­la­ção e Su­per­vi­são de Se­gu­ros (ARSEG), atra­vés do De­cre­to Pre­si­den­ci­al nº 141/13, e o re­gu­la­dor do sis­te­ma mo­bi­liá­rio, Comissão do Mer­ca­do de Ca­pi­tais (CMC), atra­vés do guia ano­ta­do de bo­as prá­ti­cas, que apre­sen­ta as bo­as prá­ti­cas pa­ra a di­vul­ga­ção da in­for­ma­ção aos investidores atra­vés do prin­cí­pio Com­ply or Ex­plain, que quer di­zer se não cum­priu-se com as bo­as prá­ti­cas de­ve-se ex­pli­car o porquê do não cum­pri­men­to.

As ac­ções des­tas são com­ple­men­ta­das pe­lo dis­cur­so do Se­nhor Pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca de An­go­la, João Ma­nu­el Gon­çal­ves Lou­ren­ço, no ac­to da sua investidura no dia 28 de Se­tem­bro de 2017, em que “Nin­guém é su­fi­ci­en­te­men­te ri­co que não pos­sa ser pu­ni­do, nin­guém é po­bre de­mais que não pos­sa ser pro­te­gi­do”.

Pa­la­vras co­mo es­sas le­vam–nos a re­fle­xão que es­ta­re­mos a ca­mi­nhar pa­ra um no­vo paradigma de go­ver­nan­ce, aon­de as ins­ti­tui­ções são responsabilizadas pe­lo

AS INS­TI­TUI­ÇÕES SÃO RESPONSABILIZADAS PE­LO NÃO CUM­PRI­MEN­TO DAS LEIS, NOR­MAS, INSTRUTIVOS, GUIAS DE ORI­EN­TA­ÇÃO ESTABELECIDOS PE­LOS REGULADORES NA QUAL OS GES­TO­RES QUER PÚ­BLI­COS, QUER PRI­VA­DOS ES­TA­RÃO CA­DA VEZ MAIS COMPROMETIDOS COM AS OBRI­GA­ÇÕES.

não cum­pri­men­to das leis, nor­mas, instrutivos, guias de ori­en­ta­ção estabelecidos pe­los reguladores na qual os ges­to­res quer pú­bli­cos, quer pri­va­dos es­ta­rão ca­da vez mais comprometidos com as obri­ga­ções que lhes são in­cum­bi­das, e dis­pos­tos a cumprir com ze­lo e de­di­ca­ção aos de­sa­fi­os pos­tos à sua dis­po­si­ção.

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