Eco­no­mia Re­al

Jornal de Economia & Financas - - Opinião - An­dra­de Am­bró­sio Ges­tor e ana­lis­ta eco­nó­mi­co

AE­co­no­mia Re­al trans­for­ma as ma­té­ri­as-pri­mas e sub­si­diá­ri­as em pro­du­tos aca­ba­dos, pa­ra que pos­sa che­gar ra­pi­da­men­te ao con­su­mi­dor fi­nal. Tra­ta-se de pro­du­tos agro-pe­cuá­ri­os, pes­quei­ros, be­bi­das, ves­tuá­ri­os, mo­bi­liá­ri­os, de trans­por­tes, elec­tro-do­més­ti­cos e equi­pa­men­tos tec­no­ló­gi­cos, ou se­ja, o sec­tor re­al da eco­no­mia tem que ver com os as­pec­tos tan­gí­veis que a pos­te­ri­or se vai re­la­ci­o­nar com o sec­tor mo­ne­tá­rio, es­te atra­vés do qual se tor­nam pos­sí­veis as ac­ções de com­pra e ven­da dos bens ou pro­du­tos. Di­to por ou­tras pa­la­vras, o fei­to pe­la Eco­no­mia Re­al é de se­gui­da e sis­te­ma­ti­ca­men­te tro­ca­do ou ad­qui­ri­do pe­la eco­no­mia mo­ne­tá­ria.

Fa­lar de Eco­no­mia Re­al re­fe­re-se à vi­da eco­nó­mi­ca “in-lo­co”, as in­su­fi­ci­ên­ci­as ou as sa­tis­fa­ções de ín­do­le eco­nó­mi­ca com que as fa­mí­li­as pas­sam no dia a dia,no seio do­més­ti­co, quer no mer­ca­do pa­ra­le­lo, quer no for­mal.

Es­ta re­a­li­da­de,por vá­ri­as ra­zões, nem sem­pre é de­ta­lha­da ca­bal ou pon­tu­al­men­te nos dos­si­ers es­ta­tís­ti­cos ain­da que ofi­ci­ais.

A Eco­no­mia Re­al de­pen­de ou é con­sequên­cia de ou­tros ins­tru­men­tos pre­li­mi­na­res e macroeconómicos, por is­so mes­mo, a con­si­de­ro co­mo o“fru­to da ár­vo­re de uma eco­no­mia”, quan­do se­ri­a­men­te fo­ca­li­za­da pe­las po­lí­ti­cas pú­bli­cas, nor­mal­men­te, pro­pi­cia à eco­no­mia, mais ca­pa­ci­da­de de em­pre­go e di­ver­si­fi­ca­ção de pro­du­tos e ser­vi­ços de qua­li­da­de,sal­va­guar­dan­do, pri­mei­ro, a eco­no­mia de sub­sis­tên­cia e de­pois o cres­ci­men­to do le­que de pro­du­tos ex­por­tá­veis. Os ho­mens do cam­po, os da pe­cuá­ria e da avi­cul­tu­ra, gros­so mo­do, an­dam em quei­xu­mes atrás de quei­xu­mes cla­man­do por um apoio do Es­ta­do. De­fen­dem que es­te sub­ven­ci­o­ne os com­bus­tí­veis, so­bre­tu­do o ga­só­leo, de que ne­ces­si­tam pa­ra pro­du­zir. Se­gun­do avan­çam, os be­cos, as curvas e con­tra­cur­vas na ob­ten­ção de fi­nan­ci­a­men­tos ban­cá­ri­os, com ta­xas me­nos ape­te­cí­veis à mis­tu­ra, é ou­tro cons­tran­gi­men­to com que se de­pa­ram, acres­ci­do ao fac­to de ain­da cons­ti­tuí­rem um “cal­ca­nhar de aquí­les”,a im­por­ta­ção e pro­du­ção in­ter­na e até, às ve­zes, o es­co­a­men­to das se­men­tes, dos fer­ti­li­zan­tes,dos adu­bos, do mi­lho e dos fa­re­los. Es­tes dois úl­ti­mos im­pu­tes são dos que os avi­cul­to­res mais pre­ci­sam.

O Ins­ti­tu­to Na­ci­o­nal de Estatística (INE) fez-nos sa­ber que, em 2017, a su­bi­da acu­mu­la­da dos pre­ços foi de 23,67 por cen­to, re­gis­to mui­to pa­ra lá dos 15,8 que o Go­ver­no ti­nha pre­vis­to e ins­ta­do no OGE; a in­fla­ção acu­mu­la­da de 12 me­ses des­ceu em Maio pa­ra 19,84 por cen­to, de­pois dos 20,22 em Abril do cor­ren­te ano. En­tre­tan­to, a in­fla­ção en­tre Ja­nei­ro e Dezembro de 2018 pre­vis­ta pe­lo Go­ver­no é de 28,7 por cen­to.

Pro­po­si­ta­da­men­te, pus es­tes nú­me­ros pa­ra ape­nas su­bli­nhar o se­guin­te: Nem sem­pre a des­ci­da de pre­ços de al­guns pro­du­tos e ser­vi­ços po­de al­te­rar a mé­dia ge­ral de pre­ços em pe­río­dos ho­mó­lo­gos ou não sig­ni­fi­ca ne­ces­sa­ri­a­men­te su­bi­da do po­der de com­pra das fa­mí­li­as, pe­las se­guin­tes ra­zões: quan­do a de­man­da de que são al­vo es­tes pro­du­tos e ser­vi­ços es­tá em que­da, e são subs­ti­tuí­dos por ou­tros, que em­bo­ra te­nham pre­ços mais al­tos, res­pon­dem me­lhor às ne­ces­si­da­des ou de­se­jos das fa­mí­li­as;quan­do o de­sem­pre­go au­men­ta, em­pur­ran­do pa­ra a cau­da, os ní­veis de con­su­mo so­bre­tu­do des­tes pro­du­tos e ser­vi­ços re­fe­ren­ci­a­dos dos agre­ga­dos; quan­do a ta­xa de em­pre­go no mer­ca­do, não de­cres­ce, o sis­te­ma fis­cal – sem que os sa­lá­ri­os, quer dos fun­ci­o­ná­ri­os pú­bli­cos, quer dos pri­va­dos, co­nhe­çam me­lho­ria-, de­ci­da,por vá­ri­as ra­zões, es­ti­car o va­lor de al­guns im­pos­tos ou ta­xas ou de­ci­da acres­cer o le­que de tri­bu­tos co­lec­tá­veis.

Es­tes ce­ná­ri­os aca­ba­rão por afun­dar ou pe­lo me­nos não me­lho­rar o po­der de com­pra das fa­mí­li­as.

Con­clu­são: as pre­vi­sões, a mé­dia ge­ral de pre­ços e ou­tros re­la­tos macroeconómicos per­cen­tu­ais, às ve­zes, omitem as va­riá­veis re­ais da eco­no­mia, daí que, ho­je por ho­je, aqui, o pa­ca­to ci­da­dão só se in­te­res­sa, com o im­pac­to das po­lí­ti­cas pú­bli­cas, que se quer po­si­ti­vo, e sem tar­dar mais, na sua vi­da, e pon­to fi­nal!

AS PRE­VI­SÕES, A MÉ­DIA GE­RAL DE PRE­ÇOS E OU­TROS RE­LA­TOS MACROECONÓMICOS PER­CEN­TU­AIS, ÀS VE­ZES, OMITEM AS VA­RIÁ­VEIS RE­AIS DA ECO­NO­MIA

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