Go­ver­na­dor do BNA res­pon­deu ter ha­vi­do trans­pa­rên­cia no pro­ces­so

Jornal de Economia & Financas - - Primeira Página -

Tu­do in­di­ca que mui­ta água ain­da vai cor­rer por de­bai­xo da ponte so­bre o Ca­so BESA. De­pois dos pro­nun­ci­a­men­tos de Ál­va­ro So­bri­nho, sur­giu um co­mu­ni­ca­do a des­men­tir o ban­cá­rio e uma con­fir­ma­ção de Jo­sé Mas­sa­no que diz ter ha­vi­do trans­pa­rên­cia no pro­ces­so.

Afa­lên­cia do BESA é um as­sun­to que lhe in­co­mo­da e cria al­gum transtorno, en­fim, é um as­sun­to que lhe tira o so­no?

Ago­ra não, mas já me ti­rou. O As­sun­to BESA é um as­sun­to que se es­pa­lhou, te­ve um efei­to bu­me­ran­gue a ní­vel mun­di­al e ti­ve que con­vi­ver com is­so du­ran­te seis anos. Por is­so, ti­rou-me o so­no por al­gu­mas horas. En­tre­tan­to, não fez com que eu bai­xas­se os bra­ços.

Por que ra­zão o BESA fa­liu?

Em mi­nha opi­nião, o BESA fa­liu por de­ci­são po­lí­ti­ca. E eu te­nho dú­vi­das que o BESA fa­liu.

Por que tem dú­vi­das que o BESA fa­liu?

Por­que o BESA exis­te com um ou­tro no­me. Ban­co Eco­nó­mi­co. Se fo­res pa­ra os re­gis­tos co­mer­ci­ais vai ver que o BESA exis­te, mas com ou­tro no­me. Do pon­to de vis­ta prá­ti­co e for­mal não ou­ve ne­nhum or­ga­nis­mo in­de­pen­den­te, quer se­ja pú­bli­co ou pri­va­do, nem au­di­to­res na­ci­o­nais tão pou­co in­ter­na­ci­o­nais, pois em 2011, tí­ve­mos uma au­di­to­ria in­ter­na­ci­o­nal fei­ta pe­lo Ban­co Cen­tral Eu­ro­peu e ne­nhum viu a fa­lên­cia do BESA. Por­tan­to, es­ta nar­ra­ti­va da fa­lên­cia do BESA, nas­ce dos pró­pri­os ac­ci­o­nis­tas do ban­co.

Quan­do saiu do BESA em 2013 quais eram os lu­cros do Ban­co?

Era um ban­co que nun­ca apre­sen­tou pre­juí­zos. Des­de o iní­cio das su­as ac­ti­vi­da­des a 24 de Ja­nei­ro de 2002 até a mi­nha saí­da era um ban­co que só apre­sen­ta­va re­sul­ta­dos po­si­ti­vos. Em 2010 foi o ban­co que con­se­guiu ul­tra­pas­sar pe­la pri­mei­ra vez a bar­rei­ra dos 400 mi­lhões de dó­la­res, co­mo re­sul­ta­dos lí­qui­dos dos ac­ti­vos de fun­do. E quan­do eu saí era o mai­or do mer­ca­do em ter­mos de ac­ti­vos, pois ti­nha mais de 10 mil mi­lhões de ac­ti­vos de fun­dos. E em ter­mos de fun­dos era mai­or que o BES Por­tu­gal e ti­nha mais de um mi­lhão de dó­la­res e 34 agên­ci­as. A in­for­ma­ção que se pas­sou era que o BESA es­ta­va fa­li­do.

Co­mo é que um ac­ci­o­nis­ta vai de­cla­rar a fa­lên­cia do seu pró­prio Ban­co, que faz ne­gó­ci­os e lucro?

Por is­so é que eu dis­se que is­so não faz sen­ti­do. É uma de­ci­são po­lí­ti­ca. E is­so não faz exac­ta­men­te sen­ti­do, só fa­zen­do sen­ti­do se atra­vés dos ac­ci­o­nis­tas mai­o­ri­tá­ri­os hou­ver uma con­cer­ta­ção, quer do pon­to de vis­ta po­lí­ti­co quer dos in­te­res­ses dos ac­ci­o­nis­tas. Não me pa­re­ce que hou­ve so­li­ci­ta­ção de uma fonte in­de­pen­den­te, que não se­ja aque­la as­sem­bleia ge­ral do BESA em Ou­tu­bro de 2013, de­pois de eu sair em Ju­nho de 2013 e que de­pois foi re­to­ma­da em No­vem­bro de 2013, não há mais na­da que en­con­tre, nem as re­ser­vas que o ban­co te­ve em 2011, 2012 da KMG in­di­ca­vam que o ban­co ti­nha um rá­cio de sol­va­bi­li­da­de que não cum­priu com as re­gras do Ban­co Cen­tral no ca­so o BNA.

Mas quan­do fa­la nu­ma de­ci­são po­lí­ti­ca, acha que a fa­lên­cia do

O FUN­DO DE FO­MEN­TO EM­PRE­SA­RI­AL DE 1,5 MIL MI­LHÕES DE DÓ­LA­RES TI­NHA SI­DO FI­NAN­CI­A­DO PE­LO BESA

ban­co foi de­cre­ta­da por de­ci­são po­lí­ti­ca de quem, em con­cre­to?

Es­ta é a mi­nha per­cep­ção. E os meus fac­tos são es­tes. Eu fui con­tac­ta­do, em 2012, pe­lo pre­si­den­te do BES, aliás is­so é pú­bli­co e pe­la co­mis­são de inqué­ri­to par­la­men­tar, que te­ve lu­gar em Por­tu­gal, o dou­tor Ri­car­do Salgado e por dois ac­ci­o­nis­tas an­go­la­nos.

Quem são? Eram ac­ci­o­nis­tas do ban­co?

O Dou­tor Le­o­pol­di­no Nas­ci­men­to e en­ge­nhei­ro Ma­nu­el Vicente, na al­tu­ra mi­nis­tro de Es­ta­do pa­ra Economia. Não sei se eram ac­ci­o­nis­tas. O ge­ne­ral Le­o­pol­di­no era atra­vés das So­ci­e­da­des Port­mill e Ge­ni por­que era ac­ci­o­nis­ta da Ge­ni. O en­ge­nhei­ro Ma­nu­el Vicente não sei. Vi­nha co­mo Mi­nis­tro de Es­ta­do e re­pre­sen­ta­va o Pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca. E foi di­to ao dou­tor Ri­car­do Salgado pa­ra me afastar da pre­si­dên­cia do ban­co.

Que ra­zão foi apon­ta­da?

O ban­co ti­nha uma es­tru­tu­ra ac­ci­o­nis­ta que ti­nha mem­bros do Go­ver­no. Na as­sem­bleia-gral es­ti­ve­ram pre­sen­tes a re­pre­sen­tar a Port­mill, o Mi­nis­tro de Es­ta­do e chefe da ca­sa Mi­li­tar, os ge­ne­rais Ko­pe­li­pa, Le­o­pol­di­no do Nas­ci­men­to e o pre­si­den­te do Con­se­lho de Administração, o en­ge­nhei­ro Pau­lo Cas­so­ma, na al­tu­ra pre­si­den­te da As­sem­bleia Na­ci­o­nal. O ou­tro fac­to, que me le­va a es­ta ques­tão de en­vol­vi­men­to de pes­so­as li­ga­das ao po­der. O Es­ta­do pas­sa uma ga­ran­tia so­be­ra­na de 5,7 mil mi­lhões de kwanzas. Se re­pa­rar no preâm­bu­lo des­ta ga­ran­tia os em­prés­ti­mos do BESA são jus­ti­fi­ca­dos por cré­di­tos que são da­dos pa­ra apoio à economia.

Mas a ga­ran­tia so­be­ra­na era pa­ra co­brir os cré­di­tos que o BESA não con­se­guia ex­pli­car que eram cré­di­tos do mes­mo va­lor.

Es­ta in­for­ma­ção veio da As­sem­bleia. Sa­be que 5,7 bi­liões de dó­la­res nu­ma car­tei­ra de cré­di­to, que tem 6 mi­lhões de dó­la­res que é a car­tei­ra de cré­di­to do ban­co. É pra­ti­ca­men­te im­pos­sí­vel. É absurdo. Es­ta­va a fa­lar da ga­ran­tia so­be­ra­na...

Pa­ra o BESA o ris­co que se apon­tou foi o ris­co de cré­di­to?

Não foi is­so. O ris­co que se apon­tou foi o ris­co de li­qui­dez. E nós tí­nha­mos um pla­no de re­cu­pe­ra­ção de li­qui­dez no pe­río­do en­tre 2012 e 2017 ti­nha si­do aprovado pe­lo BNA e que não ti­nha si­do cum­pri­do. O ris­co de li­qui­dez do Ban­co não foi cau­sa­do pe­los cli­en­tes tão pou­co pe­la ges­tão mas pe­lo fac­to de o Es­ta­do não ter cum­pri­do com cer­ca de 800 mi­lhões de dó­la­res. Sa­be que o ban­co que mais su­por­tou o Es­ta­do de An­go­la foi o Besa. Por­tan­to, o fun­do de fo­men­to em­pre­sa­ri­al do Es­ta­do de 1, 5 mil mi­lhões de dó­la­res ti­nha si­do fi­nan­ci­a­do pe­lo BESA. Os cha­ma­dos cré­di­tos por assinatura. O Ban­co é que avan­çou com o di­nhei­ro. Ti­nha uma re­la­ção mui­to boa com Es­ta­do. Du­ran­te cin­co, seis, se­te anos o Es­ta­do cum­priu sem­pre com as su­as obrigações, quan­do os im­por­ta­do­res recebiam a sua mer­ca­do­ria, pa­ga­vam. E ge­ral­men­te era o Es­ta­do que era o cli­en­te. Quan­do o Es­ta­do de­ci­diu não pa­gar, dei­xou ao ban­co as car­tas as­si­na­das. A in­for­ma­ção que pas­sou é que o ban­co ti­nha uma car­tei­ra de cli­en­tes da qual ti­nha per­di­do o controlo, na or­dem dos 5, 7 mil mi­lhões de dó­la­res.

Es­ta car­tei­ra de cré­di­to exis­tia ou não?

Ain­da bem que to­ca nis­so. É obrigatório em ter­mos na­ci­o­nais, que um ban­co consolidado in­ter­na­ci­o­nal­men­te man­de os 30 mai­o­res devedores do ban­co e em ter­mos de car­tei­ra de cli­en­te es­tes devedores re­pre­sen­ta­va cer­ca de 80 por cen­to da car­tei­ra de cré­di­to do BESA.

E quem são es­tes 30 mai­o­res devedores do Ban­co?

Não vou anun­ciá-los aqui, mas eram man­dos pe­las au­to­ri­da­des. pe­lo Es­ta­do.

DR

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