CAF PO­DE FA­LAR POR­TU­GUÊS

RUI CAM­POS É MEM­BRO DO CO­MI­TÉ EXE­CU­TI­VO

Jornal dos Desportos - - PORTADA - MA­TI­AS ADRIANO E AN­TÓ­NIO DE BRI­TO

O an­go­la­no Rui Cos­ta Cam­pos, elei­to pa­ra o Co­mi­té Exe­cu­ti­vo da CAF, con­si­de­ra a sua en­tra­da nes­te ór­gão co­mo uma vi­tó­ria da lu­so­fo­nia. O di­ri­gen­te es­pe­ra cor­res­pon­der à ex­pec­ta­ti­va de qu­em con­fi­ou o seu vo­to em si e pro­me­te fa­zer do por­tu­guês uma das lín­guas de tra­ba­lho na cé­lu­la máxima do fu­te­bol afri­ca­no

A lín­gua por­tu­gue­sa aca­ba por che­gar aos ór­gãos de de­ci­são da Confederação Afri­ca­na de Fu­te­bol pe­la mão do an­go­la­no Rui Cos­ta Cam­pos, elei­to na úl­ti­ma as­sem­bleia ge­ral or­di­ná­ria pa­ra o Co­mi­té Exe­cu­ti­vo des­te ór­gão. Aca­bou por ser uma vi­tó­ria da cren­ça, da de­di­ca­ção e da per­se­ve­ran­ça de um ho­mem de con­vic­ções, que acre­di­tou des­de o pri­mei­ro mo­men­to nas su­as ca­pa­ci­da­des, aca­ban­do, sem me­dir sa­cri­fí­ci­os, por ar­re­pi­ar ca­mi­nhos que fa­ci­li­tas­sem, e co­mo fa­ci­li­ta­ram, a em­prei­ta­da. Em en­tre­vis­ta con­ce­di­da ao Jor­nal dos Des­por­tos, lo­go após a sua che­ga­da de Ad­dis Abe­ba, o tam­bém pre­si­den­te do Re­cre­a­ti­vo do Li­bo­lo, quer o por­tu­guês co­mo uma das lín­guas de tra­ba­lho na cé­lu­la máxima do fu­te­bol afri­ca­no. Es­pe­ra, igual­men­te, tra­ba­lhar em prol da­qui­lo que mo­ti­vou a sua can­di­da­tu­ra, por­que diz ter fé nu­ma CAF com uma no­va ima­gem e com po­lí­ti­cas ino­va­do­ras. Pas­se­mos à lei­tu­ra.

Ofas­ti­di­o­so exer­cí­cio que im­pli­ca uma fa­se de cam­pa­nha elei­to­ral com su­ces­si­vas des­lo­ca­ções do país e vá­ri­os con­tac­tos ex­plo­ra­tó­ri­os aca­ba por ser com­pen­sa­do, com a sua en­tra­da pa­ra o Co­mi­té Exe­cu­ti­vo da Confederação Afri­ca­na de Fu­te­bol. O que se lhe apraz co­men­tar nes­te mo­men­to, que po­de­mos con­si­de­rar ain­da de al­gu­ma eu­fo­ria?

Deixam-me di­zer que foi uma maratona di­fí­cil, mas fa­ci­li­ta­da em par­te por al­gu­ma vi­são es­tra­té­gi­ca de mi­nha par­te. Ti­ve a vi­são de ten­tar che­gar ao Co­mi­té Exe­cu­ti­vo da CAF há seis anos. E há dois anos que te­nho tra­ba­lha­do de­ta­lha­da­men­te no as­sun­to, a ten­tar en­con­trar um ca­mi­nho pa­ra lá che­gar. Ao lon­go des­tes anos fui fa­zen­do tra­ba­lho com pes­so­as que me aju­da­ram. Te­nho uma as­sis­ten­te pa­ra es­ses as­sun­tos nas ins­ti­tui­ções in­ter­na­ci­o­nais e is­so per­mi­tiu aca­len­tar es­pe­ran­ça.

Além da vi­são di­plo­má­ti­ca im­pli­cou tam­bém mui­ta ma­te­má­ti­ca. Hou­ve paí­ses que vo­ta­ram no se­nhor Ah­mad Ah­mad que vo­ta­ram em mim

O pri­mei­ro re­sul­ta­do no­ti­ci­a­do no país foi a der­ro­ta de Is­san Haya­tou na pre­si­dên­cia da CAF. E is­to le­van­tou cá en­tre nós al­gum re­ceio quan­to à pos­si­bi­li­da­de da elei­ção do can­di­da­to an­go­la­no ao Co­mi­té Exe­cu­ti­vo, ten­do a vi­tó­ria si­do uma po­si­ti­va surpresa. Te­ve tam­bém es­te sen­ti­men­to?

É le­gí­ti­mo que se te­nha cri­a­do es­te am­bi­en­te, por­que o con­gres­so co­me­ça e a pri­mei­ra elei­ção é pre­si­den­ci­al. Lo­go, qu­an­do o se­nhor Is­san Haya­tou per­de a elei­ção pre­si­den­ci­al tu­do mu­dou, por­que as fe­de­ra­ções são ten­ta­das a vo­tar nos can­di­da­tos pro­pos­tos por qu­em ga­nhou. Co­mo eu ti­nha si­do pro­pos­to por qu­em per­deu, pos­so afir­mar que aca­bei por ter al­gu­ma sorte pa­ra che­gar à elei­ção.

Qual foi a jo­ga­da es­tra­té­gi­ca en­gen­dra­da pa­ra dar a vol­ta por ci­ma e aca­bar sem­pre elei­to ape­sar da der­ro­ta de qu­em lhe ti­nha pro­pos­to?

Hou­ve um atra­so do con­gres­so nos pon­tos ini­ci­ais, e o al­mo­ço que es­ta­va pre­vis­to pa­ra o fim te­ve de ser fei­to an­tes da elei­ção pre­si­den­ci­al. E por ou­tro, an­tes da elei­ção do Co­mi­té Exe­cu­ti­vo ti­ve­mos uma ho­ra pa­ra ali­nhar es­tra­té­gi­as. Foi is­so que va­leu. E aqui de­vo uma aten­ção especial ao se­nhor Vic­tor Osó­rio, pre­si­den­te da Fe­de­ra­ção Ca­bo-ver­di­a­na de Fu­te­bol, que tra­ba­lhou comigo. Eu não con­se­gui­ria 28 vo­tos. Es­te nú­me­ro ex­pres­sa mai­o­ria ab­so­lu­ta, me­ta­de de 54+1 e es­pe­rá­va­mos que hou­ves­se um ní­vel al­to de abs­ti­nên­cia pa­ra que a mai­o­ria não cres­ces­se. Aca­bei por ter 25 vo­tos. Por­tan­to, aqui fun­ci­o­nou a diplomacia.

Po­de­mos con­si­de­rar a jo­ga­da di­plo­má­ti­ca co­mo ten­do si­do de­ter­mi­nan­te em to­do exer­cí­cio que con­du­ziu à elei­ção?

Além da vi­são di­plo­má­ti­ca im­pli­cou tam­bém mui­ta ma­te­má­ti­ca. Hou­ve paí­ses que vo­ta­ram no se­nhor Ah­mad Ah­mad que vo­ta­ram em mim. A RDC e Zâm­bia, por exem­plo, vo­ta­ram con­tra mim. Qu­em nos trai mais de­pres­sa, às ve­zes, são mes­mo as pes­so­as que es­tão pró­xi­mas de nós. E di­go mais: fui o único can­di­da­to pro­pos­to por Is­san Haya­tou que foi elei­to. To­dos os ou­tros per­de­ram."

Se­ja co­mo for, já ex­pres­sa­va an­tes da as­sem­bleia al­gu­ma con­fi­an­ça. Des­de qu­an­do é que pas­sou a acre­di­tar que era pos­sí­vel ser elei­to?

Co­me­cei a acre­di­tar na vi­tó­ria em Li­bre­vil­le, du­ran­te o CAN'2017. Pu­de cons­ta­tar que a pos­si­bi­li­da­de era mui­to gran­de, mas com a al­te­ra­ção do ali­nha­men­to tu­do com­pli­cou-se. Foi mui­to di­fí­cil, mas sa­be me­lhor e era na­tu­ral que fos­se as­sim. De­pois da der­ro­ta de Is­san Haya­tou as pes­so­as fi­ca­ram re­ce­o­sas, mas tu­do aca­bou bem.

Que des­cri­ção po­de fa­zer àqui­lo que te­rá si­do o con­tri­bu­to pres­ta­do pe­los paí­ses da co­mu­ni­da­de lu­só­fo­na?

Os Palop ti­ve­ram ou jo­ga­ram um pa­pel fun­da­men­tal pa­ra a mi­nha elei­ção. A FAF, atra­vés do pre­si­den­te Ar­tur de Al­mei­da, pres­tou-me um va­li­o­so apoio. Fi­ze­mos to­dos um bom tra­ba­lho. Por is­so, con­si­de­ro es­ta uma vi­tó­ria do co­lec­ti­vo. Não só do Rui Cam­pos, mas de to­dos que se associaram ao pro­jec­to, e que ne­le acre­di­ta­ram.

FRAN­CIS­CO BERNARDO

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