Má si­na dos ben­gue­len­ses

Jornal dos Desportos - - ABERTURA -

Os re­pre­sen­tan­tes ben­gue- len­ses no Girabola de 2017, 1º de Maio de Ben­gue­la e Aca­dé­mi­ca do Lo­bi­to, po­dem ter fei­to on­tem o seu úl­ti­mo jo­go na com­pe­ti­ção, a fa­zer fé na po­si­ção dos di­ri­gen­tes dos dois clu­bes, por ale­ga­das di­fi­cul­da­des fi­nan­cei­ras.

Uma po­si­ção que po­de sus­ci­tar ri­sos, mas que a con­cre­ti­zar-se po­de ter im­pli­ca­ções sé­ri­as no des­fe­cho do mai­or cam­pe­o­na­to do país, da­do que a pró­pria ver­da­de des­por­ti­va cor­re o ris­co de fi­car em cau­sa, na al­tu­ra das con­tas finais.

Pa­ra os dois em­ble­mas ben­gue­len­ses, a si­tu­a­ção não é no­va, por­quan­to têm vi­vi­do nos úl­ti­mos tem­pos si­tu­a­ções con­tur­ba­das, por con­ta da fal­ta de di­nhei­ro nos seus co­fres, al­go que de for­ma ge­ral afec­ta gran­de par­te das agre­mi­a­ções do país, o que le­va a in­vi­a­bi­li­za­rem pro­jec­tos e a cor­ta­rem al­gu­mas mo­da­li­da­des.

O 1º de Maio, par­ti­cu­lar­men­te, ou­sou par­ti­ci­par na com­pe­ti­ção, aquan­do da de­sis­tên­cia do Ben­fi­ca de Lu­an­da, anuin­do a um con­vi­te da Fe­de­ra­ção An­go­la­na de Fu­te­bol. Nin­guém obri­gou a for­ma­ção pro­le­tá­ria a par­ti­ci­par na com­pe­ti­ção. Os di­ri­gen­tes do clu­be de­ve­ri­am ter a vi­são su­fi­ci­en­te pa­ra equa­ci­o­na­rem a sua par­ti­ci­pa­ção em fun­ção da sua si­tu­a­ção fi­nan­cei­ra.

Ti­ves­sem os di­ri­gen­tes dos pro­le­tá­ri­os res­pei­to pe­lo em­ble­ma, te­ri­am ou­tra ati­tu­de, se­me­lhan­te à do Ben­fi­ca ou mes­mo tra­ba­lhar ape­nas na for­ma­ção, até exis­ti­rem fon­tes só­li­das e efec­ti­vas de re­cei­tas pa­ra su­por­tar des­pe­sas do Girabola.

Es­sa pos­tu­ra de uma be­bé acos­sa­da por có­li­cas não abo­na a ima­gem nem a his­tó­ria do 1º de Maio de Ben­gue­la. Foi a pri­mei­ra equi­pa na his­tó­ria do fu­te­bol na­ci­o­nal a dis­pu­tar uma fi­nal afri­ca­na. Foi a pri­mei­ra equi­pa fo­ra de Lu­an­da a con­quis­tar dois cam­pe­o­na­tos. Foi, a par dos dois gran­des de Lu­an­da, prin­ci­pal con­tri­buin­te de jo­ga­do­res pa­ra os Pa­lan­cas Ne­gras.

A de­sis­tên­cia é uma ce­ná­rio tris­te. Ben­gue­la tem con­di­ções pa­ra a prá­ti­ca do fu­te­bol, e não é por aca­so que, por exem­plo, foi o lo­cal es­co­lhi­do pe­la mai­o­ria das equi­pas da pri­mei­ra di­vi­são pa­ra es­tá­gio de pré-épo­ca

A equi­pa tem sem­pre evo­ca­do pro­ble­mas fi­nan­cei­ros ao lon­go dos úl­ti­mos anos, e até che­gou a re­ce­ber aju­da de um di­ri­gen­te de um ou­tro clu­be, o que não é na­da abo­na­tó­ria pa­ra uma agre­mi­a­ção que já es­te­ve no to­po do fu­te­bol na­ci­o­nal, com a con­quis­ta de tí­tu­los do Girabola e par­ti­ci­pa­ção em gran­de pla­no na com­pe­ti­ção afri­ca­na, em que che­gou a ser fi­na­lis­ta nu­ma das pro­vas da CAF.

A de­sis­tên­cia é uma ce­ná­rio tris­te. Ben­gue­la tem con­di­ções pa­ra a prá­ti­ca do fu­te­bol, e não é por aca­so que, por exem­plo, foi o lo­cal es­co­lhi­do pe­la mai­o­ria das equi­pas da pri­mei­ra di­vi­são pa­ra es­tá­gio de pré-épo­ca, na im­pos­si­bi­li­da­de des­tas de se des­lo­ca­rem pa­ra fo­ra do país, co­mo vi­nha acon­te­cen­do até en­tão.

A con­fir­mar-se es­ta de­sis­tên­cia, os cam­pos, bons cam­pos, é bom que se di­ga, vão fi­car às mos­cas, sem se jus­ti­fi­ca­rem, por es­se fac­to, os in­ves­ti­men­tos que ne­les fo­ram fei­tos, por­que a ideia era be­ne­fi­ci­ar sem­pre o de­sen­vol­vi­men­to da mo­da­li­da­de na pro­vín­cia.

Os clu­bes lo­cais pre­ci­sam de apoio, mas es­te de­ve co­me­çar den­tro da pró­pria pro­vín­cia, com adep­tos, só­ci­os, em­pre­sá­ri­os a uni­rem-se pa­ra que os ben­gue­len­ses não fi­quem pri­va­dos de fu­te­bol de pri­mei­ra água.

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