Ino­va­ções no fu­te­bol

Jornal dos Desportos - - ABERTURA -

Dos com­boi­os à le­nha evo­lui-se pa­ra ou­tros a mo­tor e rá­pi­dos, dos apa­re­lhos ana­ló­gi­cos deu-se o pu­lo pa­ra os di­gi­tais, da ve­lha má­qui­na de Gu­tem­berg pa­ra o com­pu­ta­dor de Bill Ga­tes. Tu­do se inova à me­di­da do avan­ço tem­po­ral. No des­por­to su­ce­de o mes­mo.

Des­de a exis­tên­cia da ra­ça hu­ma­na que é sa­bi­do que a vi­da é um exer­cí­cio di­nâ­mi­co, por via dis­so, alheio ao co­mo­dis­mo. O ho­mem es­tá, à par­ti­da, con­de­na­do a con­ce­ber, de­sen­vol­ver e ino­var. Não é sem ra­zão que cons­ta­ta­mos ho­je que qua­se to­das as des­co­ber­tas dos úl­ti­mos dois sé­cu­los têm vin­do a ser re­vo­lu­ci­o­na­das.

Dos com­boi­os à le­nha evo­lui­se pa­ra ou­tros a mo­tor e rá­pi­dos, dos apa­re­lhos ana­ló­gi­cos deu-se o pu­lo pa­ra os di­gi­tais, da ve­lha má­qui­na de Gu­tem­berg pa­ra o com­pu­ta­dor de Bill Ga­tes. Tu­do se inova à me­di­da do avan­ço tem­po­ral. No des­por­to su­ce­de o mes­mo. Evo­lu­em as re­gras de jo­go, ele­va-se o nú­me­ro de par­ti­ci­pan­tes em com­pe­ti­ções e, às ve­zes, mu­dam-se as es­ta­ções das pro­vas.

Cla­ro es­tá, que al­gu­mas cri­a­ções mui­tas ve­zes não co­lhem con­sen­so, nou­tras podem não vin­gar. To­me­mos co­mo exem­plo o pro­pa­la­do "go­lo de ou­ro", ou se pre­fe­ri­rem mor­te sú­bi­ta, que con­sis­tia no fim do jo­go nos tem­pos adi­ci­o­nais, sem­pre que uma das equi­pas con­cre­ti­zas­se o go­lo da vi­tó­ria. Vi­go­rou mui­to pou­co tem­po, por­que não co­lheu con­sen­so no mun­do do fu­te­bol.

Com a saí­da de Is­san Haya­tou e en­tra­da de Ha­med Sa­lan Ha­med na Con­fe­de­ra­ção Afri­ca­na de fu­te­bol, mo­vi­men­tam-se pe­dras pa­ra a in­tro­du­ção de ino­va­ções que ve­nham mar­car a pre­sen­ça de uma no­va li­de­ran­ça de­pois dos 30 anos de Tes­se­ma e 29 ou­tros do ci­da­dão ca­ma­ro­nês. O Cam­pe­o­na­to Afri­ca­no das Na­ções, que, cu­ri­o­sa­men­te, com­ple­ta em 2017, 60 anos de vi­gên­cia, pas­sa a ter ou­tro fi­gu­ri­no.

À par­ti­da, o tor­neio vai evo­luir de 16 pa­ra 24 equi­pas. Se ca­lhar, não há aqui qual­quer exa­ge­ro. Es­tá-se ape­nas pe­ran­te uma ac­ção de obe­di­ên­cia a um pro­ces­so de evo­lu­ção na­tu­ral. Pois, ten­do a pro­va se dis­pu­ta­do com ape­nas três equi­pas na sua pri­mei­ra edi­ção, em 1957, no Su­dão, pas­san­do de­pois pa­ra oi­to, 12 e se­gui­da­men­te pa­ra 16 é pa­ci­fi­co que vá pa­ra 24 equi­pas.

Aliás, foi o mes­mo per­cur­so cum­pri­do pe­lo pró­prio cam­pe­o­na­to mun­di­al, que co­me­çou com ape­nas 13 paí­ses, que se ins­cre­ve­ram de for­ma di­rec­ta à pro­va se­de­a­da pe­lo Uru­guai, em 1930. Mas não sa­tis­fei­tos com es­te pas­so, Ha­med Sa­lan Ha­med e seus pa­res, avan­çam igual­men­te a pos­si­bi­li­da­de de mu­dar a pro­va afri­ca­na dos me­ses de Ja­nei­ro e Fe­ve­rei­ro, pe­río­do em que tem lu­gar, pa­ra os me­ses de Ju­nho e Ju­lho.

Is­to vai im­pli­car ne­ces­sa­ri­a­men­te a re­vi­são do ca­len­dá­rio do nos­so cam­pe­o­na­to, adap­tá­lo, co­mo sem­pre foi de­fen­di­do, à re­a­li­da­de de ou­tros paí­ses afri­ca­nos. A con­ti­nu­ar a ser dis­pu­ta­do no pe­río­do em que é fei­to, es­ta­ria su­jei­to a in­ter­rup­ção no mês de Maio pa­ra a con­cen­tra­ção e pre­pa­ra­ção da Se­lec­ção Na­ci­o­nal (em ca­so de es­tar apu­ra­da), e nos me­ses de Ju­nho e Ju­lho pa­ra com­pe­ti­ção. O pe­río­do do CAN de­ve coin­ci­dir com o de­fe­so. Mas a FAF tem a úl­ti­ma pa­la­vra...

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