“Qu­e­ro pas­sar a mi­nha ex­pe­ri­ên­cia”

Jornal dos Desportos - - GRANDE ENTREV STA -

As leis de jo­gos nos úl­ti­mos anos es­tão a so­frer vá­ri­as al­te­ra­ções, po­si­ti­vas pa­ra uns, e ne­ga­ti­vas pa­ra ou­tros. Pe­la ex­pe­ri­ên­cia e a con­vi­vên­cia que tem com o fu­te­bol, que ava­li­a­ção faz das mu­dan­ças efec­tu­a­das?

O fu­te­bol é o prin­ci­pal des­por­to no pla­ne­ta, que une e ar­ras­ta mul­ti­dões. É jo­ga­do em to­dos os paí­ses e a ní­veis di­fe­ren­tes. As leis do jo­go são as mes­mas pa­ra to­do o fu­te­bol, pe­lo mun­do fo­ra, des­de as com­pe­ti­ções da Fe­de­ra­ção In­ter­na­ci­o­nal de Fu­te­bol As­so­ci­a­do (FIFA) até o jo­go dis­pu­ta­do por cri­an­ças, nu­ma al­deia. Qu­e­ro aqui afir­mar que o fac­to das mes­mas leis se apli­ca­rem a to­dos os jo­gos, em to­das as con­fe­de­ra­ções, paí­ses, ci­da­des, mu­ni­cí­pi­os, co­mu­nas e al­dei­as por to­do mun­do, cons­ti­tu­em for­ça con­si­de­rá­vel que tem de ser con­si­de­ra­da.

Con­si­de­ra bem - vin­das as al­te­ra­ções fei­tas pe­la In­ter­na­ci­o­nal Bo­ard?

Sem dú­vi­das. É uma opor­tu­ni­da­de que de­ve ser apro­vei­ta­da pa­ra o bem do fu­te­bol, em to­da par­te. Ima­gi­ne­mos um jo­go sem árbitro e sem leis!...

Com es­tas me­di­das, mui­tos te­mem que o fu­te­bol per­ca um pou­co do que é a sua es­sên­cia, que o tor­na a mo­da­li­da­de rai­nha...

O fu­te­bol tem de ter leis, que ga­ran­tem que o jo­go se­ja cor­rec­to, já que a ba­se da be­le­za do jo­go bo­ni­to, é o fac­to de ser jus­to. Tra­ta-se de um ele­men­to es­sen­ci­al do es­pí­ri­to do jo­go. Os me­lho­res jo­gos são aque­les, que o árbitro, ra­ra­men­te é ne­ces­sá­rio, por­que os jo­ga­do­res jo­gam com res­pei­to de uns pe­los ou­tros, pe­la equi­pa de ar­bi­tra­gem e pe­las leis. Lo­go, a in­ter­pre­ta­ção das leis de­ve ser o pão de ca­da dia, não só pa­ra os ins­tru­to­res, di­ri­gen­tes, téc­ni­cos, mas so­bre­tu­do pa­ra os jo­ga­do­res.

No­ta­mos que con­ti­nua a ser uma pes­soa sem­pre ac­tu­a­li­za­da nes­ta área...

Pa­ra quem me vi­si­ta, en­con­tra na mi­nha es­tan­te li­vros que re­tra­tam as re­gras de ar­bi­tra­gem e de fu­te­bol.

Par­ti­lha os co­nhe­ci­men­tos com a no­va ge­ra­ção de ar­bi­tra­gem na­ci­o­nal?

Já con­vi­dei vá­ri­as ve­zes a vi­rem à mi­nha ca­sa, mas nun­ca cá vi­e­ram. O pro­ble­ma é de­les. Co­mo já sa­bem tu­do, dei­xa es­tar, eu fi­co com o que sei pa­ra mim, em­bo­ra eu quei­ra trans­mi­tir aqui­lo que apren­di du­ran­te os anos de ar­bi­tra­gem. Es­tou na ar­bi­tra­gem des­de 1964.

Que con­se­lho tem pa­ra os jo­vens, que abra­ça­ram a ar­bi­tra­gem?

Eu qu­e­ro trans­mi­tir a mi­nha ex­pe­ri­ên­cia acu­mu­la­da, ao lon­go des­ses anos, à no­va ge­ra­ção. In­fe­liz­men­te, nem to­dos os ár­bi­tros mos­tram in­te­res­se em par­ti­lhar co­nhe­ci­men­tos. É uma ques­tão que me preocupa. No­tei em fun­ção das mi­nhas con­sul­tas que há al­gu­mas al­te­ra­ções nas leis de jo­go 2017-2018.

Di­ri­gen­te la­men­ta a fal­ta de in­te­res­se de al­guns ár­bi­tros

mais jo­vens em apren­de­rem

ARÃO MAR­TINS | EDI­ÇÕES NO­VEM­BRO

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