Pro­tes­to con­tra a mu­lher?

Jornal dos Desportos - - MODALIDADES - SIL­VA CACUTI

Não vou pos­tar, aqui, um "aca­ba de me ma­tar", por­que além de não me re­ver, não me ocor­re o que ia co­lo­car na fo­to, pa­ra um pro­tes­to con­tra a mu­lher, es­te Ser/ori­gem. Aliás, mui­tas ve­zes o post "aca­ba de me ma­tar" , dei­xa em mi­nha opi­nião, o cor­po do nos­so pro­tes­to mui­to dis­si­mu­la­do, di­fí­cil de in­ter­pre­tar. Con­tu­do, é de con­sen­so que o "aca­ba de me ma­tar" é um mo­vi­men­to de pro­tes­to, mui­to cri­a­ti­vo, nas­ci­do das zo­nas su­bur­ba­nas da nos­sa ca­pi­tal.

Em ple­no Dia In­ter­na­ci­o­nal da Mu­lher, quan­do bem se po­dia pro­du­zir uma en­ci­clo­pé­dia so­bre co­mo as so­ci­e­da­des (os ho­mens em par­ti­cu­lar) pen­sam "mu­lher", atra­vés de men­sa­gens e ac­tos em prol da da­ta, eis, que sur­giu um pro­tes­to, si­len­ci­o­so, mas gros­sei­ro, con­tra a mu­lher.

A men­sa­gem fi­cou dis­si­mu­la­da, e ga­nhou a dig­ni­da­de de um "aca­ba de me ma­tar". Es­tá di­fí­cil en­ten­der. Não con­si­go fa­cil­men­te com­pre­en­der as mo­ti­va­ções que le­va­ram o Pe­tro de Lu­an­da aban­do­nar a ho­me­na­gem à mu­lher, pro­mo­vi­da pe­la As­so­ci­a­ção Pro­vin­ci­al de Andebol de Lu­an­da, ao re­a­li­zar o tor­neio de andebol fe­mi­ni­no (Mar­ço Mu­lher) em par­ce­ria com a As­so­ci­a­ção An­go­la­na Mu­lher e Des­por­to (Amud). A equi­pa do Ca­te­tão jo­gou o tor­neio, mas dei­xou pa­ra as ca­len­das gre­gas to­das as ho­me­na­gens fei­tas na ce­ri­mó­nia de en­cer­ra­men­to. Não es­tá cla­ro, se a in­ten­ção era par­tir pa­ra o pro­tes­to. Se sim, con­tra quem? Em dia de ho­me­na­gens múl­ti­plas à mu­lher, as­sus­ta-nos a ideia de que tal pro­tes­to te­nha co­mo al­vo a fi­gu­ra da mu­lher. Po­dia ser con­tra os or­ga­ni­za­do­res da ho­me­na­gem, mas tam­bém tor­na-se in­com­pre­en­sí­vel, na me­di­da em que os clu­bes par­ti­ci­pan­tes fo­ram no­ti­fi­ca­dos atem­pa­da­men­te acer­ca do pro­gra­ma de en­cer­ra­men­to. Quan­do cha­ma­ram a equi­pa tri­co­lor, ter­cei­ra clas­si­fi­ca­da, pa­ra re­ce­ber o di­plo­ma de mé­ri­to atri­buí­do pe­la or­ga­ni­za­ção, fêz-se si­lên­cio. Nem se­quer um adep­to fi­cou in­cum­bi­do de re­pre­sen­tar a equi­pa. A equi­pa do Pe­tro não foi a úni­ca que aban­do­nou o re­cin­to da ho­me­na­gem. As atle­tas pre­ci­sa­vam de des­can­sar. Os di­ri­gen­tes, cu­ja ta­re­fa não os obri­gou a es­for­ços fí­si­cos, de­vi­am dei­xar al­guém a re­pre­sen­tar o clu­be, co­mo fez a Ma­ri­nha de Gu­er­ra. A si­tu­a­ção"ca­dei­ra va­zia", à mo­da de de­pu­ta­dos de­sen­ten­di­dos, dei­xou du­as pers­pec­ti­vas. Uma, a de al­gu­ma de­sor­ga­ni­za­ção, e ou­tra, a de sa­bo­ta­gem a ho­me­na­gem à mu­lher. Es­tou mais in­cli­na­do a ad­mi­tir a pri­mei­ra.

SAN­TOS PE­DRO

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