FAL­TA­RAM GRI­TOS DE GO­LO

NU­LO NO CLÁS­SI­CO EN­TRE 1º DE AGOSTO E PETRO

Jornal dos Desportos - - PORTADA - JOR­GE NE­TO

As du­as mai­o­res equi­pas do país e as mais ti­tu­la­das do Gi­ra­bo­la, com 11 e 15 tí­tu­los, res­pec­ti­va­men­te, de­frau­da­ram to­dos qu­an­tos es­pe­ra­vam por um de­sa­fio à al­tu­ra dos seus re­qui­si­tos.

Oclás­si­co do fu­te­bol na­ci­o­nal não cor­res­pon­deu à ex­pec­ta­ti­va. O 1º de Agosto e o Petro de Lu­an­da, as du­as mai­o­res equi­pas do país e as mais ti­tu­la­das do Gi­ra­bo­la, com 11 e 15 tí­tu­los, res­pec­ti­va­men­te, de­frau­da­ram a to­dos que es­pe­ra­vam por um jo­go à al­tu­ra dos es­ta­tu­tos dos dois conjuntos.

Um jo­go mui­to tác­ti­co, com as du­as equi­pas a jo­ga­rem em fun­ção do er­ro do ad­ver­sá­rio, a par­ti­da de car­taz da jor­na­da va­leu só pe­la emo­ção nas ban­ca­das, e por um ou ou­tro re­cor­te téc­ni­co. O em­pa­te foi o re­sul­ta­do mais jus­to pa­ra os dois cró­ni­cos can­di­da­tos, que vi­ram-se pri­va­dos das pe­ças im­por­tan­tes de ca­da uma das equi­pas.

Os mi­li­ta­res ma­ni­fes­ta­ram mais a in­ten­ção de ven­cer. Quan­do acon­te­ce num jo­go en­tre equi­pas do mes­mo ní­vel, tor­na-se di­fí­cil as­sis­tir a um gran­de es­pec­tá­cu­lo, daí, ex­pli­car-se o fac­to do 75º clás­si­co não sa­tis­fa­zer os an­sei­os dos que es­pe­ram mais, des­tes dois co­los­sos do fu­te­bol na­ci­o­nal.

Sem dois jo­ga­do­res in­flu­en­tes, na ma­no­bra do seu con­jun­to, o mé­dio Job e o de­fe­sa -cen­tral Wil­son, os tri­co­lo­res adop­ta­ram pos­tu­ra mais de­fen­si­va, re­a­gi­am ape­nas aos ata­ques agos­ti­nos, que nes­se ca­pí­tu­lo, fo­ram de­ma­si­a­do per­du­lá­ri­os.

A res­pon­sa­bi­li­da­de do dér­bi te­ve um efei­to ne­ga­ti­vo às du­as equi­pas. Quan­do se es­pe­ra­va por um gran­de es­pec­tá­cu­lo, os jo­ga­do­res acu­sa­vam mui­ta pres­são e ti­ve­ram di­fi­cul­da­des de des­bo­bi­na­rem o seu fu­te­bol. O pri­mei­ro tem­po es­te­ve aquém do es­pe­ra­do, aguar­da­va -se pe­la se­gun­da me­ta­de.

A emo­ção to­mou con­ta dos atle­tas, que per­di­am mui­tas bo­las, er­ra­vam pas­ses, in­clu­si­ve os cur­tos, e acu­mu­la­vam um gran­de nú­me­ro de fal­tas pa­ra os dois la­dos.

O ex­ces­so de ri­gor, nos sis­te­mas tác­ti­cos, con­tri­bui pa­ra que o jo­go não fluís­se co­mo se pre­ten­dia. Os jo­ga­do­res não en­con­tra­vam ca­mi­nhos pa­ra cau­sa­rem pe­ri­go nas ba­li­zas de­fen­di­das por Ne­blú e Ger­son.

Ape­sar, do 1º de Agosto ter­mi­nar o pri­mei­ro tem­po com mais pos­se de bo­la, a si­tu­a­ção não se tra­du­ziu em oca­siões de pe­ri­go pa­ra o úl­ti­mo re­du­to pe­tro­lí­fe­ro, em que Elio co­man­da­va as ope­ra­ções.

No se­gun­do tem­po, Fo­fó tes­tou os re­fle­xos de Ger­son, re­ma­tou de fo­ra da área pa­ra uma gran­de de­fe­sa do guar­da-re­des tri­co­lor, que ne­gou o go­lo ao avan­ça­do mi­li­tar, que se pre­pa­ra­va pa­ra fes­te­jar. Di­ga-se, que o avan­ça­do mi­li­tar, es­te­ve in­con­for­ma­do no jo­go.

De­pois de ter so­fri­do uma con­tra­ri­e­da­de no pri­mei­ro tem­po, com a le­são do avan­ça­do ni­ge­ri­a­no Ra­zaq, que ce­deu o lu­gar ao con­go­lês de­mo­crá­ti­co Jac­ques, no se­gun­do tem­po vol­tou a pas­sar pe­la mes­ma si­tu­a­ção, com a saí­da pre­ma­tu­ra de Fo­fó, subs­ti­tuí­do por Buá.

Do la­do dos tri­co­lo­res, o re­vés foi a ex­pul­são do téc­ni­co Be­to Bi­an­chi, ale­ga­da­men­te por cons­tan­tes re­cla­ma­ções com re­la­ção à equi­pa de ar­bi­tra­gem. No lan­ce a se­guir, a sua equi­pa qua­se so­freu o pri­mei­ro go­lo, nu­ma jo­ga­da rá­pi­da do ata­que mi­li­tar, em que Ibu­kun re­ma­tou pa­ra de­fe­sa de Ger­son. Foi a se­gun­da ex­pul­são do his­pa­no -bra­si­lei­ro em dér­bi dos dér­bis.

O 1º de Agosto pa­re­cia es­tar mui­to mais in­te­res­sa­do em ga­nhar o jo­go. Ata­cou mais. Re­ma­tou mais e ar­ris­cou mais, so­bre­tu­do, no se­gun­do tem­po. Os mi­li­ta­res pro­cu­ra­ram sem­pre des­fa­zer o nu­lo no mar­ca­dor e com is­so, ga­nhar o jo­go, an­te à pos­tu­ra de con­ten­ção dos tri­co­lo­res.

O em­pa­te nu­lo, aca­bou por pe­na­li­zar mais o 1º de Agosto, pe­lo flu­xo de opor­tu­ni­da­des que ti­ve­ram ao lon­go dos 90 mi­nu­tos, par­ti­da em que o ex­tre­mo Ge­ral­do se des­ta­cou do la­do dos mi­li­ta­res, e o guar­da-re­des Ger­son foi a muralha do la­do opos­to.

Quan­do se es­pe­ra­va por um gran­de es­pec­tá­cu­lo, os jo­ga­do­res acu­sa­ram mui­ta pres­são e ti­ve­ram di­fi­cul­da­des de des­bo­bi­na­rem o seu fu­te­bol. O pri­mei­ro tem­po es­te­ve aquém do es­pe­ra­do, aguar­da­va-se pe­la se­gun­da me­ta­de

A au­sên­cia do ca­pi­tão Da­ni Mas­sun­gu­na não se fez sen­tir, pois, Bo­bó e Yi­sa sou­be­ram anu­lar os avan­ça­dos pe­tro­lí­fe­ros, Man­gu­xi e Ti­a­go Azu­lão. Con­tu­do, os ru­bro - ne­gros de­vem ter res­sen­ti­do da au­sên­cia do mé­dio Mon­go, que fa­lhou o jo­go por le­são.

O api­to do ár­bi­tro Ro­dri­gues Alei­xo, con­tes­ta­do pe­las du­as equi­pas, se­lou o nu­lo em mais um clás­si­co, au­men­tou o nú­me­ro de em­pa­tes en­tre os dois mai­o­res em­ble­mas na­ci­o­nais, ago­ra em nú­me­ro 21, man­têm-se às 31 vi­tó­ri­as dos pe­tro­lí­fe­ros con­tra as 23 dos ru­bro - ne­gros.

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