Ura­gan dis­pa­ra con­tra “Apo­ló”

O con­sen­so na fa­mí­lia de judo na­ci­o­nal es­tá lon­ge de ser re­a­li­da­de. De­pois de ape­lar à união da fa­mí­lia, no dia da to­ma­da de pos­se, o pre­si­den­te da Fe­de­ra­ção An­go­la­na de Judo, Paulo Nzin­ga, é acu­sa­do pe­los agen­tes des­por­ti­vos co­mo o fo­men­ta­dor da di­vi­são,

Jornal dos Desportos - - MODALIDADES - FRANCISCO CAR­VA­LHO

Em de­fe­sa da hon­ra, da dig­ni­da­de do judo e no uso de di­rei­to à res­pos­ta, o res­pon­sá­vel da Es­co­la de Judo Ura­gan, Ca­e­ta­no Domingos, acu­sa a di­rec­ção de Paulo Nzin­ga de fo­men­ta­do­ra "do mal que en­fer­ma o judo na­ci­o­nal". O Mes­tre Ca­e­ta­no sus­ten­ta que a fal­ta de con­di­ções de tra­ba­lho da se­lec­ção na­ci­o­nal é uma res­pon­sa­bi­li­da­de da Fe­de­ra­ção e não da Es­co­la Ura­gan. As pés­si­mas con­di­ções em que tra­ba­lhou a se­lec­ção na­ci­o­nal se de­veu à fal­ta de "visão es­tra­té­gi­ca" da di­rec­ção.

"Em ne­nhum mo­men­to, a di­rec­ção de Paulo Nzin­ga con­tac­tou a Es­co­la Ura­gan pa­ra a ce­dên­cia do nos­so es­pa­ço à se­lec­ção na­ci­o­nal. Nun­ca fe­cha­mos a por­ta a ne­nhu­ma ins­ti­tui­ção que so­li­ci­te aos nos­sos prés­ti­mos, mui­to mais a Fe­de­ra­ção, a quem te­mos obe­di­ên­cia", dis­se.

Ca­e­ta­no Domingos rei­te­rou que "Paulo Nzin­ga es­tá can­sa­do e a sua li­de­ran­ça já não res­pon­de aos de­sa­fi­os do judo, de­pois de mui­tos anos a pro­mo­vê-lo".

O res­pon­sá­vel es­cla­re­ceu que a ce­dên­cia do gi­ná­sio da es­co­la Njin­ga Mban­di ocor­reu "de­pois de uma so­li­ci­ta­ção da Es­co­la Ura­gan fei­ta à di­rec­ção da­que­la ins­ti­tui­ção es­co­lar e não atra­vés da Ca­sa Ci­vil da Presidência da Re­pú­bli­ca, con­for­me de­cla­rou Paulo Nzin­ga".

"Apre­sen­tá­mos a so­li­ci­ta­ção à di­rec­ção da Es­co­la pa­ra ex­plo­rar o gi­ná­sio no âm­bi­to da ex­pan­são do des­por­to es­co­lar. Pre­ten­de­mos que o judo tam­bém cons­te das mo­da­li­da­des do des­por­to es­co­lar pe­lo nú­me­ro de alu­nos pra­ti­can­tes. Nun­ca usá­mos as du­as ins­ti­tui­ções do Es­ta­do (Ca­sa Ci­vil do PR e Mi­nis­té­rio da Edu­ca­ção) pa­ra be­ne­fi­ci­ar do es­pa­ço. Te­mos aqui a có­pia que com­pro­va a so­li­ci­ta­ção", es­cla­re­ceu Ca­e­ta­no Domingos.

Ca­e­ta­no Domingos sus­ten­tou que "Paulo Nzin­ga dei­xou de usar o gi­ná­sio da es­co­la Njin­ga Mban­di há mais de 16 anos, quan­do era ape­nas um pro­mo­tor e não pre­si­den­te da Fe­de­ra­ção".

"Paulo Nzin­ga te­ve um de­sen­ten­di­men­to com o director ad­jun­to da­que­la ins­ti­tui­ção es­co­lar e foi-lhe fe­cha­do às por­tas por in­gra­ti­dão e fal­ta de um acor­do es­cri­to. Des­de en­tão, nun­ca ma­ni­fes­tou a in­ten­ção de res­ga­tar o es­pa­ço nem se apro­xi­mar da di­rec­ção es­co­lar", ex­pli­cou.

O res­pon­sá­vel da Es­co­la Ura­gan afir­mou que "Paulo Nzin­ga não foi hu­mil­de e não con­tac­tou a Ura­gan pa­ra se in­for­mar so­bre o uso do es­pa­ço".

"Não es­pe­ra­va de­le a in­ver­da­de, pois não tem pro­vas pa­ra com­pro­var as acu­sa­ções fei­ta con­tra a mim. Não te­nho em mi­nha pos­se e não re­ce­bi ne­nhum do­cu­men­to do Mi­nis­té­rio da Edu­ca­ção que per­mi­ta à se­lec­ção na­ci­o­nal de judo o uso do gi­ná­sio da Es­co­la Njin­ga Mban­di. Is­so é uma mentira", dis­se.

Pa­ra o bem da mo­da­li­da­de, Ca­e­ta­no Domingos ape­la ao Mi­nis­té­rio da Ju­ven­tu­de e Des­por­tos (Min­jud) a mo­ni­to­rar o des­por­to e pro­mo­ver as va­lên­ci­as. As re­cla­ma­ções dos agen­tes des­por­ti­vos de­vem ter res­pal­do do Min­jud por ser uma mo­da­li­da­de com gran­de pro­gres­são em Áfri­ca.

"O judo po­de ser o des­por­to mais me­da­lha­do do país, mas es­tá a fal­tar a or­ga­ni­za­ção. O lí­der da Fe­de­ra­ção é o mai­or de­ses­ta­bi­li­za­dor quer ad­mi­nis­tra­ti­vo quer téc­ni­co e é o pro­mo­tor de con­fli­tos", dis­se.

No seu pri­mei­ro man­da­to, Paulo Nzin­ga tra­vou uma "ba­ta­lha" con­tra o pre­si­den­te ces­san­te por cau­sa de "equi­pa­men­tos ce­di­dos pe­la Fe­de­ra­ção ja­po­ne­sa". Agen­tes do des­por­to de­fen­dem que se lhos fos­se ce­di­do, te­ria da­do um ou­tro des­ti­no pa­ra be­ne­fí­cio pró­prio.

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