Óbi­to adi­a­do

Jornal dos Desportos - - MODALIDADES - SIL­VA CACUTI

Não foi des­ta. Pe­la gra­ça de Deus, o Deus de Je­sus Cris­to, es­ta­mos bem, aqui no Cai­ro. Po­día­mos não es­tar. Não foi des­ta e nem vai ser ago­ra que a "bri­king news" vai pas­sar na co­mu­ni­ca­ção so­ci­al an­go­la­na. Es­ca­pa­mos, do bom es­ca­par! Ía­mos nu­ma vi­a­tu­ra, des­tes que de­am­bu­lam pe­la ci­da­de do Cai­ro, em "mbai­as" es­ton­te­an­tes que nos­sos ta­xis­tas não são ca­pa­zes de imi­tar.

Não é des­tes já fa­le­ci­dos Se­at's, La­da, Ni­va, Peu­ge­ot, que ti­ve­mos aí, no tem­po do "úni­co". Por aca­so, a es­pe­ran­ça de vi­da dos car­ros aqui, sur­pre­en­de até mes­mo os fa­bri­can­tes.

Era um car­ro lu­xu­o­so, por es­tas ban­das. Já aí com uns bons oi­to ou no­ve anos, da fa­mí­lia dos KIA. O mo­to­ris­ta e o pre­si­den­te da Fe­de­ra­ção An­go­la­na de An­de­bol, Pe­dro Go­di­nho, iam nos ban­cos da fren­te. O boss da Con­fe­de­ra­ção cum­pria fun­ções de pen­du­ra.

Eu e o Si­mão fi­lho, pre­si­den­te da As­so­ci­a­ção de Lu­an­da, es­tá­va­mos no ban­co de trás.

Até qu­e­ría­mos sair do com­ple­xo do Al Ahly a pé. Sem­pre gen­til, Pe­dro Go­di­nho ofe­re­ceu-nos bo­leia, na vi­a­tu­ra que lhe foi ce­di­da por cau­sa do "mbon­gue" de­le na Cahb. E ía­mos, ía­mos, até que o ron­car dos tra­vões em so­fri­men­to aler­tou­nos de que o pi­or po­dia acon­te­cer. O mo­to­ris­ta ain­da ten­tou des­vi­ar o car­ro, mas era tar­de. O em­ba­te acon­te­ceu. Aci­den­ta­mos. Em ple­no Cai­ro! A se­nho­ra que ia ao vo­lan­te de uma la­ta ve­lha, per­deu o con­tro­le da vi­a­tu­ra (nem sei se ain­da me­re­ce o no­me de vi­a­tu­ra, mas não me ocor­re ou­tro me­lhor) e em­ba­teu, lo­go do la­do em que eu es­ta­va!

Is­to é azar ou quê? Des­ce­mos, qua­se que de for­ma au­to­má­ti­ca. Ain­da vi­mos a po­ei­ra re­sul­tan­te do "crash" a per­der­se ao ven­to. Ins­pec­ci­o­na­mo­nos, nin­guém ti­nha so­fri­do al­gum da­no. Ain­da bem!

O mes­mo não se po­dia di­zer dos car­ri­tos en­vol­vi­dos. Em ára­be, aque­la lín­gua di­fí­cil de per­ce­ber, eles tro­ca­ram al­guns ar­re­ga­nhos e en­ten­de­ram-se. Nós não tí­nha­mos na­da com aqui­lo. Vol­ta­mos ao car­ro e ca­da um fez o seu ca­mi­nho. Fi­cou adi­a­da a má no­tí­cia. Fi­cou adi­a­do o óbi­to. Os óbi­tos, por­que se­ri­a­mos qua­tro, ou, no mí­ni­mo, três. Por­que já te­nho a cer­te­za de que não vai ser de aci­den­te de car­ro que hei de pa­rar. Já pa­rei uma vez!

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Angola

© PressReader. All rights reserved.