MEI­AS-FI­NAIS “AR­RAN­CAM” AMANHÃ

O pe­di­do de de­mis­são do ex-trei­na­dor da equi­pa sé­ni­or mas­cu­li­na de bas­que­te­bol do In­ter­clu­be, Ma­nu­el Sou­sa "Ne­cas", não atra­pa­lha os pla­nos da equi­pa na rec­ta fi­nal do Unitel Basket 2017-2018. As pa­la­vras são do vi­ce-pre­si­den­te pa­ra o bas­que­te­bol, Mi­guel

Jornal dos Desportos - - PORTADA - JUSCELINO DA SIL­VA

Quais fo­ram as ra­zões que le­va­ram o trei­na­dor Ma­nu­el Sou­sa "Ne­cas" a pe­dir a de­mis­são? Hou­ve in­ter­fe­rên­cia no seu tra­ba­lho?

Não creio que se­ja por in­ter­fe­rên­cia. De­mos as con­di­ções de tra­ba­lho ao trei­na­dor e nun­ca in­ter­fe­ri­mos no seu tra­ba­lho. Sim­ples­men­te, o trei­na­dor apre­sen­tou uma car­ta a di­zer que o seu ci­clo no clu­be ti­nha ter­mi­na­do na ges­tão dos des­ti­nos da equi­pa téc­ni­ca e não só, mes­mo a ní­vel do clu­be, na ge­ne­ra­li­da­de. Não ti­ve­mos ou­tra al­ter­na­ti­va, se­não ar­ran­jar ou­tra equi­pa téc­ni­ca. O trei­na­dor Hél­der Do­min­gos vai fi­car no des­ti­no da equi­pa até o fi­nal da épo­ca. O cam­pe­o­na­to es­tá no fim e não po­día­mos fa­zer gran­des al­te­ra­ções. Ain­da as­sim, apro­vei­ta­mos a pre­sen­ça do pro­fes­sor Al­ber­to Ba­bo pa­ra in­te­grar a equi­pa téc­ni­ca, da­da à sua ex­pe­ri­ên­cia. Es­tá des­car­ta­do o re­gres­so do pro­fes­sor Al­ber­to Ba­bo no co­man­do prin­ci­pal da equi­pa?

Não te­mos qual­quer hi­pó­te­se do pro­fes­sor Ba­bo re­gres­sar à equi­pa prin­ci­pal, quer ago­ra quer de­pois. O trei­na­dor é mais útil co­mo di­rec­tor téc­ni­co e co­or­de­na­dor de to­do o bas­que­te­bol do In­ter­clu­be, do que trei­na­dor prin­ci­pal da nos­sa equi­pa. Com es­ta saí­da, o trei­na­dor Ne­cas rom­pe na to­ta­li­da­de o seu vín­cu­lo com o clu­be ou a di­rec­ção pon­de­ra co­lo­cá-lo na ou­tra área, ten­do em con­ta o lon­go tempo li­ga­do à agre­mi­a­ção?

Gos­ta­ría­mos de tê-lo no clu­be. Já es­te­ve na equi­pa prin­ci­pal, du­as ou três ve­zes, e nou­tros es­ca­lões do nos­so clu­be. Foi cam­peão afri­ca­no com a nos­sa equi­pa fe­mi­ni­na. Tem es­ta­do com a nos­sa equi­pa de jú­ni­or. In­fe­liz­men­te, no seu pe­di­do, pe­de a des­vin­cu­la­ção to­tal do clu­be. Só ele sa­be as ra­zões que lhe le­va­ram a to­mar es­sa de­ci­são. En­quan­to ges­to­res, não ti­ve­mos ou­tra so­lu­ção a não ser aten­der ao seu pe­di­do. As ra­zões só ele co­nhe­ce. A di­rec­ção não sus­pei­ta de al­gu­ma coi­sa?

No­ta­mos algumas im­pre­ci­sões na car­ta que nos foi re­me­ti­da, em­bo­ra mui­to va­ga­men­te nos te­nha

da­do in­di­ca­do­res de algumas coi­sas que lhe dei­xa­vam in­tran­qui­lo en­quan­to trei­na­dor da nos­sa equi­pa. Pre­fe­ri­mos ape­gar-nos aos as­pec­tos po­si­ti­vos. Saiu do clu­be por­que quis. Só te­mos de res­pei­tar a sua de­ci­são. Os or­de­na­dos e os pré­mi­os de jo­gos do trei­na­dor es­tão to­dos em dia?

Sim, es­tão to­dos em dia. Te­mos ape­nas um pré­mio de jo­go por pa­gar e o sa­lá­rio do mês cor­ren­te. Fe­liz­men­te, não te­mos dí­vi­das de sa­lá­ri­os com nin­guém. Que im­pli­ca­ções tem a saí­da de Ma­nu­el Sou­sa nos ob­jec­ti­vos do In­ter­clu­be nes­sa rec­ta fi­nal do cam­pe­o­na­to?

Os nos­sos ob­jec­ti­vos con­ti­nu­am in­tac­tos. Te­mos um pro­jec­to. Os pro­jec­tos são di­ri­gi­dos por qual­quer pes­soa, tan­to po­dia ser o pro­fes­sor Ne­cas, Ba­bo e, ago­ra, Hél­der Do­min­gos. A pos­tu­ra de ca­da trei­na­dor é que le­va o pro­jec­to a bom por­to ou não. Is­so só po­de­mos afe­rir no fi­nal do cam­pe­o­na­to. Qu­al é o or­ça­men­to do bas­que­te­bol? Os nos­sos or­ça­men­tos são os ra­zoá­veis pos­sí­veis. Pro­cu­ra­mos não ex­ce­der mui­to os sa­lá­ri­os e, fun­da­men­tal­men­te, as lu­vas. Por is­so, po­de­mos con­si­de­rá-los ra­zoá­veis. É ver­da­de que não pa­ga­mos mui­to em re­la­ção aos três pri­mei­ros clu­bes do país, mas pa­ga­mos me­lhor do que os que vem atrás de nós. O In­ter­clu­be tem os sa­lá­ri­os mais es­tá­veis do mer­ca­do?

Pen­so que sim. Não en­tra­mos em eu­fo­ria. O In­ter­clu­be, mes­mo a con­tra­tar jo­ga­do­res es­tran­gei­ros, não en­tra em eu­fo­ri­as. Pa­ga­mos sem­pre de acor­do com os

nos­sos or­ça­men­tos. Não va­mos à con­quis­ta de tí­tu­los a qual­quer pre­ço. En­ten­de­mos que, pa­ra alem do bas­que­te­bol, te­mos ou­tras mo­da­li­da­des. O pou­co re­cur­so à nos­sa dis­po­si­ção tem de ser ge­ri­do de cons­ci­ên­cia den­tro das re­gras e nor­mas e em res­pei­to sem­pre dos li­mi­tes da nos­sa pró­pria pu­bli­ci­da­de. Não gos­ta­ría­mos de ver o atle­ta tra­ba­lhar, che­gar no fi­nal do mês e não re­ce­ber o seu or­de­na­do; ou che­gar no fi­nal da épo­ca e o clu­be de­ver-lhe dez me­ses de atra­so por não ti­ver a ca­pa­ci­da­de fi­nan­cei­ra. O In­ter­clu­be não pro­me­te o que não po­de pa­gar. Qu­al é a si­tu­a­ção ac­tu­al do in­ter­na­ci­o­nal an­go­la­no Fi­del Ca­bi­ta?

O atle­ta ale­gou que es­te­ve le­si­o­na­do, foi sub­me­ti­do a al­guns exa­mes e foi a Áfri­ca do Sul, on­de foi ope­ra­do. Vol­tou ao país, fez a re­cu­pe­ra­ção e re­a­li­zou al­guns jo­gos. Foi con­vo­ca­do pa­ra a se­lec­ção na­ci­o­nal e afas­ta­do na úl­ti­ma tri­a­gem. Apre­sen­tou-se ao clu­be e in­vo­cou que es­ta­va do­en­te até ago­ra. Por­tan­to, es­tá em fim de con­tra­to. Em Ju­nho, ter­mi­na o con­tra­to e não va­mos re­no­var. Na con­ver­sa man­ti­da com o atle­ta, mos­trou-se in­dis­po­ní­vel pa­ra con­ti­nu­ar na nos­sa agre­mi­a­ção. Nes­se mo­men­to, te­mos um com­pro­mis­so mo­ral de ir até ao fi­nal do cam­pe­o­na­to. Va­mos pa­gar to­dos os seus sa­lá­ri­os e de­se­jar boa sor­te na car­rei­ra do

Fi­del Ca­bi­ta. Além de Fi­del Ca­bi­ta, vai ha­ver ou­tras saí­das de atle­tas do plan­tel?

Va­mos man­tê-los. A maioria dos con­tra­tos ter­mi­nam em 2019 e ou­tros em 2020. Por is­so, não te­mos ne­nhum jo­ga­dor, que in­te­res­sa ao clu­be, com o con­tra­to até o fi­nal da pre­sen­te épo­ca. O trei­na­dor Car­los Di­niz fez du­ras crí­ti­cas ao re­cin­to do In­ter­clu­be, em re­la­ção à qua­li­da­de do pa­vi­lhão dos Bom­bei­ros por cau­sa das ca­be­cei­ras da ta­be­la que li­mi­tam os jo­ga­do­res no pon­to de vis­ta do trei­na­dor. O que tem a di­zer?

Ca­da pes­soa tem o di­rei­to de di­zer o que lhe vem à cabeça e na al­ma. O pro­fes­sor Car­los Di­niz não é um es­pe­ci­a­lis­ta nem tem a com­pe­tên­cia de ava­li­ar se o cam­po tem ou não requisitos apro­pri­a­dos pa­ra a prá­ti­ca de bas­que­te­bol. No ca­so dos cam­pos ofi­ci­ais sob a égi­de da Fe­de­ra­ção An­go­la­na de Bas­que­te­bol (FAB), com­pe­te a es­sa ins­ti­tui­ção di­zer quais são os cam­pos ha­bi­li­ta­dos pa­ra a prá­ti­ca de des­por­to no iní­cio de ca­da épo­ca. E tem mais. Se a Fe­de­ra­ção qui­ser ser ri­go­ro­sa em ter­mos de ava­li­a­ções de cam­pos, só va­mos ter dois cam­pos pa­ra a prá­ti­ca de bas­que­te­bol: os pa­vi­lhões do Ki­lam­ba e a Ci­da­de­la Des­por­ti­va. O pa­vi­lhão do Rio Se­co (Vic­to­ri­no Cu­nha) não ofe­re­ce as con­di­ções pa­ra a prá­ti­ca de bas­que­te­bol. Car­los Di­niz é um mau per­de­dor. Es­ta épo­ca, ga­nhá­mos três ve­zes ao ASA no Are­na do Ki­lam­ba.

Vi­ce-pre­si­den­te enal­te­ce qua­li­da­des do ex-trei­na­dor

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