Huí­la vende atle Atle­tas for­ma­dos ter­mi­nam a car­rei­ra na ca­te­go­ria de

Jornal dos Desportos - - MODALIDADES - GAUDÊNCIO HAMELAY | NO LUBANGO

Uma bo­la. Um de­se­jo. Um so­nho. In­gre­di­en­tes de um des­por­tis­ta de su­ces­so. Na Huí­la, o espaço que se­pa­ra o de­se­jo do so­nho é ba­fe­ja­do pe­la frus­tra­ção. Frus­tra­ção por ver o so­nho a des­fa­le­cer de man­si­nho, de­pois de mui­tos anos de prá­ti­ca de an­de­bol. Uma re­a­li­da­de que se es­pa­lha em ca­da uma das ca­sas de Lubango. Um jo­vem ou uma jo­vem es­tá sem chão. Per­deu uma vi­da. Uma vi­da sem sus­ten­ta­ção.

Até a bo­la, um tra­po de pa­no, per­deu o va­lor de uti­li­da­de. As al­mas es­tão des­pro­vi­das de so­nhos al­tos. Os ac­ti­vos for­ma­dos ao lon­go de uma ge­ra­ção es­tão, ago­ra, à mer­cê de clu­bes in­te­res­sa­dos. Sa­la­ti­el Domingos, co­or­de­na­dor téc­ni­co da As­so­ci­a­ção Pro­vin­ci­al de An­de­bol da Huí­la, as­se­gu­ra que es­tão a ce­der jo­vens atle­tas por fal­ta de clu­bes da ca­te­go­ria sé­ni­or. O con­vi­te é di­ri­gi­do aos clu­bes de Lu­an­da e de Ben­gue­la, os dois prin­ci­pais pó­los de de­sen­vol­vi­men­to do país.

"A Huí­la é a ter­cei­ra po­tên­cia, de­pois de Lu­an­da e de Ben­gue­la. Os nos­sos atle­tas es­tão à al­tu­ra das en­co­men­das pa­ra ac­tu­a­rem nou­tros clu­bes na­ci­o­nais. Te­mos po­ten­ci­al e não de­ve­mos na­da a ou­tras pro­vín­ci­as", ga­ba-se Sa­la­ti­el.

O res­pon­sá­vel as­so­ci­a­ti­vo jus­ti­fi­cou que a de­ci­são foi to­ma­da pa­ra que os atle­tas te­nham a car­rei­ra des­por­ti­va mais pro­lon­ga­da. Pa­ra evi­tar a si­tu­a­ção, Sa­la­ti­el Domingos ape­la às ins­ti­tui­ções do Es­ta­do a pro­mo­ver o an­de­bol em to­dos os pon­tos do país e "não só em Lu­an­da e em Ben­gue­la".

A As­so­ci­a­ção Pro­vin­ci­al de An­de­bol da Hui­la es­tá mer­gu­lha­da em di­fi­cul­da­des. A si­tu­a­ção des­gas­ta a ca­da dia a es­pe­ran­ça de sonhar. No gri­to de Ze­ca Fum­be­lo, pre­si­den­te da As­so­ci­a­ção Pro­vin­ci­al da Hui­la de An­de­bol, ecoa a dor: "Não que­ro fa­lar o que vi­ve­mos pa­ra não ma­go­ar; não que­ro di­zer tu­do o que pas­sa­mos, se­não, va­mos ul­tra­pas­sar o que es­tá na nos­sa men­te". É ver­da­de. Uma men­te so­fri­da que se re­cu­sa es­tar em si­lên­cio. As di­fi­cul­da­des "são imen­sas".

Pe­ran­te as contrariedades, as mãos e as men­tes tam­bém se re­cu­sam a es­ta­rem em re­pou­so. O amor, que se mo­ve no ín­ti­mo, fe­chou os olhos às di­fi­cul­da­des e abriu-as pa­ra de­vol­ver a ale­gria aos co­ra­ções de mui­tas cri­an­ças, ado­les­cen­tes e jo­vens. É as­sim que, à vol­ta da úni­ca bo­la da As­so­ci­a­ção, es­tão os ros­tos ino­cen­tes e so­nha­do­res. Ze­ca Fum­be­lo con­fir­ma em tom de­ses­pe­ra­do: "Tra­ba­lha­mos com o ma­te­ri­al usa­do e fa­ze­mos tu­do o que es­ti­ver ao nos­so al­can­ce pa­ra fa­zer o an­de­bol na Hui­la".

O sa­cri­fí­cio de mo­ver as cri­an­ças e os ado­les­cen­tes tem al­to pre­ço. Sem re­cur­sos pró­pri­os, so­cor­re-se dos "bol­sos dos di­ri­gen­tes da ins­ti­tui­ção". O an­de­bol pra­ti­ca-se com bo­la. Na Hui­la, "a aqui­si­ção do es­fé­ri­co é one­ro­sa". Por es­sa ra­zão, a As­so­ci­a­ção "tem ape­nas uma e úni­ca bo­la".

"Os nos­sos clu­bes, às ve­zes, não têm ca­pa­ci­da­de fi­nan­cei­ra pa­ra com­prar bo­las, pois, são mui­to ca­ras", re­ve­la Ze­ca Fum­be­lo.

Po­bre­za to­tal. As equi­pas hui­la­nas es­tão sem di­nhei­ro pa­ra res­pon­de­rem às exi­gên­ci­as. As par­ti­ci­pa­ções das agre­mi­a­ções lo­cais nas com­pe­ti­ções na­ci­o­nais têm su­por­te em Ze­ca Fum­be­lo e mais qua­tro mem­bros da As­so­ci­a­ção. A tí­tu­lo de exem­plo, é a equi­pa de an­de­bol da Hui­la que es­te­ve pre­sen­te nos Jo­gos Es­co­la­res Re­gi­o­nais dis­pu­ta­dos no Na­mi­be. O gru­po não se fez re­pre­sen­tar com bo­la da Di­rec­ção da Edu­ca­ção.

"Nós, As­so­ci­a­ção, ti­ve­mos de fa­zer das tri­pas o co­ra­ção pa­ra for­mar­mos a equi­pa que par­ti­ci­pou no Zo­nal Es­co­lar Sul. É um sa­cri­fí­cio que fi­ze­mos pa­ra man­ter ac­ti­vo o an­de­bol na Hui­la", de­sa­ba­fou Ze­ca Fum­be­lo.

O di­ri­gen­te re­ve­lou tam­bém que a As­so­ci­a­ção lo­cal as­su­me a ins­cri­ção de atle­tas dos clu­bes na Fe­de­ra­ção An­go­la­na de An­de­bol. Tu­do "pa­ra a mo­da­li­da­de não mor­rer, pois, co­nhe­ce­mos as di­fi­cul­da­des dos nos­sos clu­bes".

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