Pe­que­nos ar­tis­tas A re­la­ção com os ou­tros

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Quan­do fa­lam uns com os ou­tros, os pais não re­sis­tem a com­pa­rar os seus fi­lhos. Se um diz que a fi­lha já sa­be ler e es­cre­ver, há lo­go uma mãe que res­pon­de que o seu fi­lho já diz pa­la­vras em in­glês. Se uma mãe diz que o fi­lho já sa­be na­dar, há lo­go ou­tra que res­pon­de que o seu na­da ma­ri­po­sa! Sem per­ce­be­rem co­mo, os pais en­tram nu­ma com­pe­ti­ção so­bre as ca­pa­ci­da­des já ad­qui­ri­das pe­las su­as cri­an­ças. De tal for­ma que, mui­tas ve­zes, che­gam a cair no ri­dí­cu­lo. Is­to por­que que­rem que os fi­lhos se­jam sem­pre os me­lho­res, mes­mo que se es­te­ja a fa­lar do de­sen­vol­vi­men­to nor­mal de uma cri­an­ça. O que mais não é do que o re­sul­ta­do de uma so­ci­e­da­de com­pe­ti­ti­va que le­va os pais a ve­rem os fi­lhos co­mo tro­féus!

Há de, fac­to, com­pe­tên­ci­as psi­co­ló­gi­cas mo­to­ras e so­ci­ais que as cri­an­ças de de­ter­mi­na­da ida­de de­vem ter, pa­ra se afe­rir do seu de­sen­vol­vi­men­to (ver ou­tro tex­to). Mas, aten­ção, nem tu­do de­ve ser le­va­do à le­tra. Ca­da cri­an­ça tem o seu rit­mo. E se um me­ni­no de qua­tro anos ain­da não co­nhe­ce as le­tras vo­gais não sig­ni­fi­ca que vá le­var mais tem­po a apren­der a ler que ou­tra cri­an­ça que já sa­be di­zer o "a-e-i-o-u" des­de os três anos.

Foi es­sa com­pe­ti­ção ir­ra­ci­o­nal en­tre pro­ge­ni­to­res que ori­gi­nou a in­dig­na­ção da es­pe­ci­a­lis­ta ame­ri­ca­na Ali­cia Bayer, res­pon­sá­vel pe­lo blog "In­fân­cia Má­gi­ca" que pu­bli­cou uma lis­ta de coi­sas que as cri­an­ças de qua­tro anos de­vem sa­ber e que os pais tam­bém de­vem co­nhe­cer. Na sua opi­nião, os fi­lhos de­vem sa­ber que são ama­dos in­con­di­ci­o­nal­men­te; de­vem sen­tir-se se­gu­ros e pro­te­gi­dos; de­vem sa­ber rir, brin­car e dar asas à sua ima­gi­na­ção. Aos qua­tro anos, as cri­an­ças ga­nham au­to­no­mia e in­de­pen­dên­cia fa­ce aos pais. Co­me­çam a dei­xar de pre­ci­sar de aju­da pa­ra to­mar ba­nho (em­bo­ra de­vam ser sem­pre vi­gi­a­dos quan­do es­tão na ba­nhei­ra), pa­ra la­var os den­tes, pa­ra se ves­tir e pa­ra co­mer com to­dos os ta­lhe­res. Cor­rem, sal­tam brin­cam e es­co­lhem os ami­gos. Não há cri­an­ça de qua­tro anos que não gos­te de in­ven­tar his­tó­ri­as, cri­ar per­so­na­gens, in­ven­tar le­tras de can­ções e ri­mas! Os pais de­vem in­cen­ti­var a brin­ca­dei­ra. Ou­tra for­ma efi­caz de es­ti­mu­lar a ima­gi­na­ção é fa­zer da lei­tu­ra uma ro­ti­na. A ima­gi­na­ção das cri­an­ças não tem li­mi­tes e le­va- os tan­tas ve­zes a brin­car com per­so­na­gens ima­gi­ná­ri­as, fa­lan­do so­zi­nhos em voz al­ta, ima­gi­nan­do prín­ci­pes e prin­ce­sas. Mas tam­bém ado­ram brin­ca­dei­ras em que en­car­nam as per­so­na­gens de car­ne e os­so que co­nhe­cem bem: os pais, os avós, as edu­ca­do­ras, o se­nhor do ca­fé, etc. Na ida­de pré- es­co­lar, a cri­an­ça apren­de a con­tar e a co­nhe­cer as pri­mei­ras le­tras. Mui­tos apren­dem a es­cre­ver o no­me e a re­co­nhe­cer vi­su­al­men­te pa­la­vras mais fa­mi­li­a­res e o no­me dos pais e dos ir­mãos.

Ao mes­mo tem­po que vão apren­den­do a ler e a es­cre­ver pa­la­vras, as cri­an­ças de qua­tro anos gos­tam tam­bém de in­ven­tá-las. Di­zem em voz al­ta "pa­la­vras" sem sen­ti­do ne­nhum. Os pais de­vem in­cen­ti­var es­se jo­go, in­ven­tan­do tam­bém al­gum pa­la­vre­a­do. O re­sul­ta­do vai ser uma au­tên­ti­ca ri­so­ta! Ado­ram de­se­nhar e pin­tar. Ris­car fo­lhas, cor­tar jor­nais e re­vis­tas. É im­por­tan­te es­ti­mu­lar es­tas com­pe­tên­ci­as. Aos qua­tro anos, uma cri­an­ça con­se­gue per­fei­ta­men­te fa­zer li­nhas rec­tas, cír­cu­los e até fa­zer de­se­nhos mais "ar­tís­ti­cos". A mãe não de­ve es­can­da­li­zar-se se o fi­lho lhe diz que o bo­ne­co que pa­re­ce uma abó­bo­ra é a ma­mã. De­se­nhar e pin­tar é a for­ma mais di­dá­ti­ca das cri­an­ças to­ma­rem co­nhe­ci­men­to das co­res. Mas tam­bém uma das me­lho­res ma­nei­ras pa­ra da­rem lar­gas à sua ima­gi­na­ção e vo­a­rem. É in­dis­pen­sá­vel que en­tre os seus brin­que­dos te­nham sem­pre fo­lhas bran­cas, lá­pis de cor e de ce­ra. Quem sa­be se não es­tá a cri­ar um Pi­cas­so? Aos qua­tro anos as cri­an­ças gos­tam de brin­car em gru­po. E é nor­mal que dêem pre­fe­rên­cia a cri­an­ças do mes­mo se­xo: os ra­pa­zes pre­fe­rem ou­tros ra­pa­zes pa­ra jo­gar à bo­la, as me­ni­nas pre­fe­rem ou­tras me­ni­nas pa­ra brin­ca­rem com bonecas. Nes­ta ida­de já é pos­sí­vel per­ce­ber se têm per­fil de lí­der e se que­rem ser eles, ou elas, a man­dar nas brin­ca­dei­ras.

A 1 de ja­nei­ro de 1993, a Che­cos­lo­vá­quia deu ori­gem a dois paí­ses: a Re­pú­bli­ca Che­ca e a Es­lo­vá­quia. uma di­vi­são que acon­te­ceu de­pois de se te­rem re­gis­ta­do mui­tos pro­tes­tos e rei­vin­di­ca­ções po­pu­la­res, mas que não deu ori­gem a qual­quer con­fli­to ar­ma­do. Pe­la for­ma pa­cí­fi­ca co­mo de­cor­reu, o pro­ces­so fi­cou co­nhe­ci­do co­mo Se­pa­ra­ção de Ve­lu­do ou Di­vór­cio de Ve­lu­do. A ca­pi­tal che­ca é Pra­ga e a ca­pi­tal es­lo­va­ca é Bra­tis­la­va. uma pe­que­na ci­da­de que fi­ca mais pró­xi­mo de Vi­e­na de áus­tria, do que da sua pró­pria "ir­mã" Pra­ga. Bra­tis­la­va é uma pe­que­na ci­da­de, on­de o rio Da­nú­bio se des­ta­ca pe­la sua imen­sa be­le­za, com um cen­tro his­tó­ri­co bo­ni­to, Vi­e­na é por ex­ce­lên­cia a ca­pi­tal da mú­si­ca clás­si­ca. O cen­tro his­tó­ri­co da ca­pi­tal aus­tría­ca, que em tem­pos foi a ca­pi­tal do rei­na­do dos Habs­bur­gos, bem co­mo o Pa­lá­cio de Schön­brunn, são clas­si­fi­ca­dos pe­las Na­ções Uni­das co­mo Pa­tri­mó­nio da Hu­ma­ni­da­de. A ci­da­de é con­si­de­ra­da um au­tên­ti­co mu­seu a céu aber­to, por is­so se re­co­men­dam lon­gos pas­sei­os a pé. É im­per­dí­vel o Rings­tras­se, que abri­ga im­por­tan­tes edi­fí­ci­os, pra­ças e par­ques, monumentos e mui­tos ca­fés. E os ca­fés são uma tra­di­ção mui­to aus­tría­ca, on­de se pas­sam ho­ras e ho­ras! No Rings­tras­se en­con­tram­se al­guns dos edi­fí­ci­os mais mag­ní­fi­cos da ci­da­de, co­mo o Sta­te Ope­ra, inau­gu­ra­do em 1869 com a ópe­ra Don Gi­o­van­ni, de com os seus edi­fi­ci­os bar­ro­cos em tons pas­tel e ro­sa, a con­vi­dar à des­co­ber­ta. Por ser tão pe­que­na é fá­cil per­cor­rê-la a pé e um dia po­de ser su­fi­ci­en­te pa­ra co­nhe­cer as su­as prin­ci­pais atra­ções se o vi­si­tan­te não for mui­to mi­nu­ci­o­so. A mai­or des­sas atra­ções é o Cas­te­lo de Bra­tis­la­va, que os­ten­ta qua­tro tor­res bran­cas, a lem­brar os cas­te­los de prin­ce­sas da Dis­ney. Lá do al­to, a vis­ta so­bre o Da­nú­bio é mag­ní­fi­ca! O mo­nu­men­to aco­lhe o par­la­men­to es­lo­va­co e a se­de do Mu­seu Na­ci­o­nal. Igual­men­te im­per­dí­vel é a vi­si­ta à Igre­ja de São Mar­ti­nho, uma ca­te­dral cu­ja cons­tru­ção de­cor­reu en­tre os sé­cu­los xIII e xVI e che­gou a ser o lo­cal da co­ro­a­ção dos mo­nar­cas da Hun­gria. Wolf­gang Ama­deus Mo­zart. É na Ópe­ra que são re­cru­ta­dos os mú­si­cos da pres­ti­gi­a­da Or­ques­tra Fi­lar­mó­ni­ca de Vi­e­na. Ou­tros monumentos im­per­dí­veis são o Mu­seu de His­tó­ria da Ar­te, o Mu­seu de His­tó­ria Na­tu­ral, o Par­la­men­to e o Vi­e­na City Hall. Mas se Vi­a­na é co­nhe­ci­da pe­la mú­si­ca clás­si­ca e val­sas, e pe­la his­tó­ria dra­má­ti­ca da im­pe­ra­triz Sis­si (no pa­lá­cio im­pe­ri­al em Hof­burg en­con­tra-se o mu­seu de­di­ca­do a Sis­si), tam­bém é co­nhe­ci­da pe­los seus fa­mo­sos mer­ca­dos de Na­tal. Em fren­te da City Hall or­ga­ni­za-se o mais fa­mo­so de to­dos, com as su­as imen­sas bar­ra­qui­nhas ilu­mi­na­das. No In­ver­no po­de-se pa­ti­nar no ge­lo, no Ve­rão é bom ma­tar o tem­po à som­bra dos imen­sos par­ques vi­e­nen­ses.

Pra­ga é uma ci­da­de re­ple­ta de his­tó­ria. A ca­pi­tal che­ca foi pal­co da ocu­pa­ção na­zi e viu flo­res­ce­rem os gue­tos de ju­deus; da Pri­ma­ve­ra de Pra­ga que le­vou à in­va­são da tro­pas do Pac­to de Var­só­via. Des­de a di­vi­são da Che­cos­lo­vá­quia em dois paí­ses, Pra­ga de­sen­vol­veu-se mais que a "ir­mã" Bra­tis­la­va e é ho­je uma das mais for­tes atra­ções tu­rís­ti­cas da Eu­ro­pa Cen­tral. A Pra­ça da Ci­da­de Ve­lha é o co­ra­ção his­tó­ri­co da ci­da­de, com as su­as imen­sas lo­jas e es­pla­na­das, e on­de con­flu­em to­dos os ca­mi­nhos. Es­tá sem­pre re­ple­ta de gen­te! São mui­tos os monumentos que a ro­dei­am e aco­lhe du­as gran­des atra­ções tu­rís­ti­cas, os ver­da­dei­ros bi- A ca­pi­tal da Hun­gria é uma ci­da­de apai­xo­nan­te. Di­vi­di­da em du­as pe­lo rio Da­nú­bio, atra­ves­sa­da por di­ver­sas pon­tes, de um la­do aco­lhe Bu­da, do ou­tro Pes­te. Pa­ra mui­tos é di­fí­cil ele­ger o la­do mais be­lo da ci­da­de, por­que pa­ra on­de quer que se olhe a vis­ta é des­lum­bran­te. Se­ja pe­la par­te mais his­tó­ri­ca de Bu­da, on­de o Pa­lá­cio Re­al se des­ta­ca no al­to da co­li­na, ou de Pes­te com as ma­ra­vi­lhas ar­qui­te­tó­ni­cas que são os edi­fí­ci­os do Par­la­men­to e da Ba­sí­li­ca de São Es­té­vão. Es­ta ba­sí­li­ca es­tá re­ple­ta de ob­je­tos pre­ci­o­sos, mui­tos de­les em pra­ta e ou­ro. E é da­qui que se ini­cia uma das ave­ni­das mais im­por­tan­tes da ca­pi­tal, co­nhe­ci­da pe­las su­as lhe­tes pos­tais de Pra­ga: a Pon­te Carlos e o Or­loj, o re­ló­gio as­tro­nó­mi­co res­pon­sá­vel por jun­tar mi­lha­res de pes­so­as na pra­ça pa­ra ver "A Ca­mi­nha­da dos Após­to­los" a ca­da mu­dan­ça de ho­ra... mas que du­ra ape­nas um mi­nu­to! A pon­te atra­ves­sa o rio Mol­da­va e é la­de­a­da por 30 fa­bu­lo­sas es­cul­tu­ras. Nu­ma vi­si­ta a Pra­ga é obri­ga­tó­ria uma ida ao bair­ro e ao ce­mi­té­rio ju­deu, on­de se cal­cu­la que es­ta­rão se­pul­ta­das cer­ca de 12 mil pes­so­as. um tes­te­mu­nho his­tó­ri­co que foi li­qui­da­do pe­la ocu­pa­ção na­zi, quan­do os ju­deus fo­ram ex­pul­sos da ci­da­de pa­ra Te­re­zin e de lá pa­ra Aus­chwitz. O es­cri­tor Franz Kaf­ka é o ju­deu mais fa­mo­so de Pra­ga. lo­jas de lu­xo e res­tau­ran­tes. Do la­do de Bu­da, o edi­fí­cio que as­su­me mai­or destaque é o Pa­lá­cio Re­al, um con­jun­to de edi­fí­ci­os do sé­cu­lo XVIII on­de se si­tu­am di­ver­sas atra­ções tu­rís­ti­cas, co­mo a Ga­le­ria Na­ci­o­nal e o Mu­seu da His­tó­ria de Bu­da­pes­te. No meio do Rio Da­nú­bio es­tá a Ilha Mar­ga­ri­ta, uma zo­na ver­de com um gran­de par­que e uma das prin­ci­pais áre­as pa­ra la­zer e prá­ti­ca de desporto. Aqui há um jar­dim ja­po­nês, um jar­dim de es­cul­tu­ras, uma igre­ja do­mi­ni­ca­na, uma tor­re de água de 57 me­tros de al­tu­ra pa­tri­mó­nio da uNESCO, dois ho­téis de lu­xo e um com­ple­xo de pis­ci­nas.

Na Eu­ro­pa Cen­tral, qua­tro ci­da­des or­gu­lham-se da sua his­tó­ria e do mui­to que têm pa­ra con­tar. His­tó­ri­as de im­pe­ra­do­res e im­pe­ra­tri­zes, re­vol­tas po­pu­la­res e in­va­sões mi­li­ta­res. Bem-vin­dos a Vi­e­na, Bu­da­pes­te, Pra­ga e Bra­tis­la­va!

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