LED ZEP­PE­LIN

ALMANAQUE DO ROCK - EDIÇÃO DE COLECIONADOR - - Terceira Era -

Se fos­se pos­sí­vel re­su­mir a

tra­je­tó­ria de uma das mais im­por­tan­tes ban­das do sé­cu­lo 20, ela se pa­re­ce­ria com a de um trem des­go­ver­na­do. Mas nun­ca o des­con­tro­le fez tão bem à his­tó­ria do rock and roll co­mo no ca­so do Led Zep­pe­lin. O gru­po nas­ceu em 1968, quan­do os Yardbirds ha­vi­am pra­ti­ca­men­te se dis­sol­vi­do e so­bra­ra ape­nas o gui­tar­ris­ta Jimmy Pa­ge. Con­vic­to de que po­de­ria re­er­guer o gru­po, ao la­do do em­pre­sá­rio Pe­ter Grant saiu à ca­ça de par­cei­ros. O pri­mei­ro foi o bai­xis­ta John Paul Jo­nes que, co­mo ele, era mú­si­co de es­tú­dio e com o qual já ha­via tra­ba­lha­do em vá­ri­os dis­cos de ou­tros ar­tis­tas. De­pois, Ro­bert Plant, um vo­ca­lis­ta ur­ran­te que ele vi­ra em um show, que por sua vez in­cluiu no pa­co­te seu ex-com­pa­nhei­ro da Band of Joy, o ba­te­ris­ta John “Bon­zo” Bo­nham. Se­ri­am o New Yardbirds e até fi­ze­ram uma tur­nê com es­se no­me. Mas des­de o pri­mei­ro en­saio ro­la­ra uma quí­mi­ca di­fe­ren­te que na­da ti­nha a ver co­mo o “old Yardbirds”. De­pois de uma tur­nê pe­los EUA, Pe­ter Grant con­se­guiu as­si­nar com a Atlan­tic Re­cords e ini­ci­a­ram a gra­va­ção de um ál­bum, que sai­ria em 1969 já com um no­vo no­me: Led Zep­pe­lin. Nas­cia a len­da.

O en­vol­vi­men­to

de Pa­ge com o

ocul­tis­mo – pa­ra

seus crí­ti­cos,

sa­ta­nis­mo –

sem­pre ge­rou

mui­ta po­lê­mi­ca.

Dis­cí­pu­lo de­cla­ra­do

dos en­si­na­men­tos

do bru­xo Aleis­ter

Cro­wley, de qu­em

com­prou to­das as

re­lí­qui­as pos­sí­veis

(in­cluin­do uma

man­são), aca­bou

sen­do acu­sa­do de

ter cau­sa­do o fim

da ban­da atrain­do

to­das as tra­gé­di­as

EM NO­ME DO SOM

A crí­ti­ca, de ca­ra, não viu mui­ta pers­pec­ti­va no ba­ru­lho hip­no­ti­zan­te que o gru­po pro­du­zia e lo­go sur­gi­ri­am acu­sa­ções de “pou­ca ori­gi­na­li­da­de” nos riffs de Pa­ge, ins­pi­ra­dos em clás­si­cos do blu­es, mas to­ca­dos de uma ma­nei­ra úni­ca. O ca­so mais gri­tan­te de apro­pri­a­ção in­de­vi­da se­ria jus­ta­men­te a fai­xa mais sim­bó­li­ca do “no­vo” som que o Zep­pe­lin cri­a­ra: Da­zed and Con­fu­sed. A música na ver­da­de ha­via si­do cri­a­da por Ja­ke Hol­mes, em 1967, mas Pa­ge “es­que­ceu-

se” de dar cré­di­to ao ca­ra. O pró­prio Hol­mes re­co­nhe­ceu, de­pois de ga­nhar o pro­ces­so, há pou­cos anos, que o gui­tar­ris­ta a tor­nou mui­to me­lhor do que era. Mes­mo as­sim, iro­ni­ca­men­te, o su­ces­so já ba­tia à por­ta do Zep. A música mais pesada que até en­tão ha­via si­do pro­du­zi­da hip­no­ti­za­va pla­tei­as que iam cres­cen­do na mes­ma pro­por­ção que as ven­das do ál­bum. Re­cor­des após re­cor­des co­me­ça­ram a cair e, em me­nos de um ano, já eram su­pers­tars.

O se­gun­do ál­bum, lan­ça­do ain­da em 1969, con­so­li­da­ria de vez o es­ti­lo pe­sa­do do Zep­pe­lin. Gra­va­do em es­tú­di­os di­fe­ren­tes du­ran­te a tur­nê da ban­da, re­pe­te a fór­mu­la do pri­mei­ro, mas com um es­ti­lo ain­da mais bru­tal e di­re­to. Há qu­em di­ga que es­se ál­bum lan­çou as ba­ses do he­avy me­tal, além de ter se tor­na­do um fenô­me­no de ven­das: em seis me­ses atin­giu a mar­ca de mais de cin­co mi­lhões de có­pi­as ven­di­das. O fa­to é que em me­nos de um ano Pa­ge, Plant, Jo­nes e Bo­nham ha­vi­am mu­da­do o rock pa­ra sem­pre.

ÊXTASE E AGO­NIA

Mas era só o co­me­ço, o que vi­ria de­pois de 1970 é o que co­lo­ca o Zep­pe­lin co­mo a ban­da mais sim­bó­li­ca da ter­cei­ra gran­de era do rock. Eles fo­ram os res­pon­sá­veis por trans­for­mar os shows de rock em even­tos úni­cos, lo­tan­do es­tá­di­os e su­pe­ran­do to­dos os re­cor­des de pú­bli­co. Mu­si­cal­men­te, po­rém, ain­da que­ri­am pro­var que eram ca­pa­zes de mui­to mais. Quan­do Led Zep­pe­lin III che­gou às lo­jas, em 1970, mui­tos fãs do la­do mais pe­sa­do dos ro­quei­ros es­tra­nha­ram. Re­che­a­do de can­ções bem tra­ba­lha­das, es­pe­ci­al­men­te na par­te me­ló­di­ca, o dis­co re­pre­sen­tou um pas­so à fren­te e a pro­va de que eram mais do que qua­tro ca­be­lu­dos ba­ru­lhen­tos. Ape­sar de não ter ti­do o mes­mo im­pac­to dos an­te­ri­o­res, man­te­ve o Zep­pe­lin na li­nha de fren­te. E, em 1971, eles fi­nal­men­te de­fi­ni­ri­am o som da dé­ca­da de 70, o hard rock e o he­avy me­tal. Em IV, vão do rock mais bá­si­co e cru de Rock and Roll e Black Dog, até ao cli­ma mís­ti­co de ba­la­das folk, pas­san­do pe­la clás­si­ca Stairway To He­a­ven, a música mais co­nhe­ci­da do gru­po. Mas a cri­a­ti­vi­da­de do quar­te­to de chum­bo pa­re­cia ines­go­tá­vel. Em 1973, pro­du­zi­ram Hou­ses Of The Holy, com uma ver­sa­ti­li­da­de mu­si­cal as­sus­ta­do­ra. De­pois de um hi­a­to de dois anos, em 1975, sai Phy­si­cal Graf­fi­ti, ál­bum du­plo que mui­tos fãs cul­tu­am co­mo o au­ge cri­a­ti­vo do Zep. Foi o pri­mei­ro dis­co de­les pe­lo se­lo de pro­pri­e­da­de da ban­da, o Swan Song, e, pa­ra mui­tos, o úl­ti­mo gran­de tra­ba­lho do Led.

No ano se­guin­te, re­tor­na­ram com Pre­sen­ce, um ál­bum mais vir­tu­o­so e um tan­to su­bes­ti­ma­do. Mas, em 1977, em meio a uma tur­nê pe­los EUA, Plant re­ce­beu a no­tí­cia que seu fi­lho Ka­rac, en­tão com cin­co anos de ida­de, ha­via mor­ri­do após uma in­fec­ção vi­ral. Era o iní­cio do fim tam­bém do Led Zep­pe­lin. Plant de­sa­pa­re­ceu por um ano e quan­do vol­tou não era mais o mes­mo. A ban­da não era mais a mes­ma. O rock mu­da­ra com a re­vo­lu­ção punk/new wa­ve. Nes­se cli­ma

– e com pro­du­ção de Jo­nes, uma vez que Pa­ge es­ta­va do­mi­na­do pe­la he­roí­na e era in­ca­paz de fa­zer qual­quer coi­sa além de ape­nas to­car seu ins­tru­men­to – gra­va­ram In Th­rough the Out Do­or, com uma iné­di­ta e de­cep­ci­o­nan­te ten­ta­ti­va de fa­zer um rock mais co­mer­ci­al. Mas o pi­or es­ta­va por vir: em 25 de se­tem­bro de 1980, John Bo­nham foi en­con­tra­do mor­to, afo­ga­do em seu pró­prio vô­mi­to após mais uma be­be­dei­ra. Em 4 de de­zem­bro da­que­le ano era anun­ci­a­do o fim ofi­ci­al da ban­da. O res­to é len­da.

com su­as prá­ti­cas

de ma­gia ne­gra.

Es­tra­nha­men­te,

Pa­ge nun­ca ne­gou

na­da. Quan­do

per­gun­tam a

res­pei­to, cos­tu­ma

sim­ples­men­te sor­rir

mis­te­ri­o­sa­men­te.

Con­si­de­ra­do

um dos pi­la­res da

música do Zep­pe­lin,

John Bo­nham era

co­nhe­ci­do pe­la sua

ani­ma­li­da­de den­tro

e fo­ra dos pal­cos.

Seu so­lo de ba­te­ria

(sem ba­que­tas)

em Moby Dick

re­me­tia a ri­tu­ais

pri­mi­ti­vos. Mas nos

bas­ti­do­res, Bon­zo se

com­por­ta­va co­mo

um furacão ca­paz

de des­truir tu­do

e to­dos, in­clu­si­ve

a si mes­mo,

co­mo aca­bou

acon­te­cen­do.

Nas­ci­do de um

mi­la­gro­so tra­ba­lho

de par­to de 26

ho­ras e salvo

de uma se­gui­da

pa­ra­da car­día­ca por

uma en­fer­mei­ra

que de­ci­diu

cha­mar ou­tro

mé­di­co, por­que o

res­pon­sá­vel na­que­la

ho­ra es­ta­va bê­ba­do,

Bon­zo tal­vez

pen­sas­se que era

imor­tal. E, de cer­ta

for­ma é...

EMER­SON, LAKE & PALMER

No fim dos anos 60, o te­cla­dis­ta Keith Emer­son con­vo­cou os ami­gos Greg Lake e Carl Palmer pa­ra for­ma­rem um power trio ba­se­a­do em te­cla­dos. A idéia deu tão cer­to que, em pou­co tem­po, o trio se apre­sen­tou em um fes­ti­val com um re­per­tó­rio ba­se­a­do em música eru­di­ta mi­xa­da a re­pre­sen­ta­ções cê­ni­cas, que in­cluíam gon­gos, ti­ros de ca­nhão, pra­tos em cha­mas e ou­tras es­tri­po­li­as. Lo­go, o ELP so­li­di­fi­cou-se co­mo um dos mais im­por­tan­tes no­mes do rock pro­gres­si­vo, che­gan­do a ri­va­li­zar com o Yes. A até en­tão for­ma­ção inu­si­ta­da de ór­gão, bai­xo e ba­te­ria, sem gui­tar­ras, tam­bém abriu ca­mi­nhos pa­ra ou­tros gru­pos mais ex­pe­ri­men­tais. A me­lhor fa­se da ban­da foi en­tre 1973 e 1974, com os ál­buns Tri­logy e Brain Sa­lad Sur­gery, nos quais con­se­gui­ram uma evo­lu­ção iné­di­ta na fu­são de ele­men­tos ele­trô­ni­cos e rock. Nas tur­nês, sem­pre em es­tá­di­os lo­ta­dos, os shows do ELP eram even­tos nos quais música e vi­su­al se fun­di­am em efei­tos de raio la­ser e pa­re­des de cai­xas acús­ti­cas em vo­lu­mes ab­sur­da­men­te ele­va­dos. No en­tan­to, as pre­ten­sões in­di­vi­du­ais aca­ba­ram se so­bre­pon­do à ideia de con­jun­to e o ELP foi se dis­per­san­do aos pou­cos até aca­bar de vez em 1980. Qu­a­se dez anos de­pois, o rock eru­di­to do trio vol­tou à ati­va e, des­de en­tão, vai e vol­ta pa­ra agra­dar fãs, mas sem apre­sen­tar na­da no­vo com a qua­li­da­de de an­tes.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Tri­logy (1972)

• Brain Sa­lad Sur­gery (1973)

FACES

Quan­do Ste­ve Mar­ri­ot dei­xou o Small Faces, em 1969, fe­chou um ca­pí­tu­lo da his­tó­ria do rock, mas dei­xou es­pa­ço pa­ra se ini­ci­ar ou­tro igual­men­te ri­co e in­flu­en­te. Os in­te­gran­tes re­ma­nes­cen­tes op­ta­ram por subs­ti­tuir Mar­ri­ot por dois ca­ras até en­tão pou­co co­nhe­ci­dos: o vo­ca­lis­ta Rod Stewart e o gui­tar­ris­ta Ron Wo­od, além de mu­dar o no­me do gru­po pa­ra Faces. Ah, cla­ro, ado­ta­ram e po­pu­la­ri­za­ram o cor­te de ca­be­lo “pig­ma­leão” e vi­ve­ram co­mo pou­cos o es­ti­lo se­xo, dro­gas e rock'n'roll.

Em ter­mos mu­si­cais, a con­tri­bui­ção do Faces vai além de re­ve­lar a voz rou­ca e mar­can­te de Rod e a gui­tar­ra de Ron. Fo­ram qua­tro ál­buns, pon­tu­a­dos por um es­ti­lo que mi­xa­va o “bo­o­gie” (um rock mais ba­lan­ça­do ca­rac­te­rís­ti­co dos anos 60 e 70), o blu­es e o hard rock, pon­tu­a­do por ba­la­das qu­a­se folk. In­fluên­cia cla­ra pa­ra ban­das co­mo Guns N'Ro­ses e Black Crowes. No en­tan­to, após as saí­das de Rod e Ron, a ban­da che­gou ao fim em 1975.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• First Step (1970)

• A Nod Is as Go­od as a Wink...to a Blind Hor­se (1971)

NA­ZA­RETH

Mais (e mui­to) co­nhe­ci­do pe­la re­gra­va­ção da ba­la­da Lo­ve Hurts, es­cri­ta ori­gi­nal­men­te pe­lo Everly Brothers nos anos 60, su­ces­so ab­so­lu­to nos anos 70, o Na­za­reth é uma ban­da es­co­ce­sa for­ma­da em 1968, res­pon­sá­vel por al­guns dos dis­cos mais pe­sa­dos da ter­cei­ra era do rock. Co­man­da­do pe­lo vo­cal ras­ga­do de Dan McCaf­ferty, a ban­da es­tou­rou na In­gla­ter­ra em 1973, com o ál­bum Ra­za­ma­naz, um de seus mai­o­res clás­si­cos, com pro­du­ção de Ro­ger Glo­ver (De­ep Pur­ple). Na sequên­cia fi­ze­ram ou­tros dois dis­cos ain­da mais pe­sa­dos, Loud'N'Proud e Ram­pant. Mas foi em 1975, com Hair of the Dog, que in­cluía Lo­ve Hurts e a fai­xa-título, mais tar­de re­gra­va­da pe­lo Guns N'Ro­ses, que che­ga­ram ao au­ge da car­rei­ra.

De­pois de dois ál­buns mais co­mer­ci­ais re­to­ma­ram ao som pe­sa­do em mais dois clás­si­cos: Ex­pect No Mercy (1977) e No Me­an City (1978). En­tre­tan­to, de­pois dis­so, cons­tan­tes mu­dan­ças na for­ma­ção e uma di­re­ção mais co­mer­ci­al es­fri­a­ram o in­te­res­se pe­lo gru­po, que nun­ca aca­bou ofi­ci­al­men­te, in­clu­si­ve, fa­zen­do tra­ba­lhos mais atu­ais, co­mo os elo­gi­a­dos The Newz (2008) e Big Dogz (2011).

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Ra­za­ma­naz (1972)

• Loud N'Proud (1974)

• Hair Of The Dog (1975)

• Ex­pect No Mercy (1978)

ALI­CE COOPER

Des­de 1960, Vin­cent Fur­ni­er vi­nha mon­tan­do ban­das pa­ra to­car seu rock and roll, mas a coi­sa não en­gre­na­va. Fo­ram ne­ces­sá­ri­os no­ve lon­gos anos pa­ra ele reu­nir Mi­ke Bru­ce e Glen Bu­xon (gui­tar­ras), Den­nis Du­naway (bai­xo) e Ne­al Smith (ba­te­ria), ba­ti­zar a ban­da de Ali­ce Cooper, gra­var Pret­ti­es for You e di­zer a si mes­mo: “Ago­ra vai!”. Mas não foi. O ál­bum não em­pla­cou. Aí, o pro­du­tor Bob Ez­rin che­gou em Vin­cent e lhe deu a ideia de fa­zer al­gu­mas per­for­man­ces di­a­bó­li­cas no pal­co. E foi as­sim que, apoi­a­dos por riffs crus e pe­sa­dos, sur­gi­ram os efei­tos de hor­ror, as co­bras, as gui­lho­ti­nas, as ca­dei­ras elé­tri­cas e a far­tu­ra de san­gue fal­so nos shows da Ali­ce Cooper, que tam­bém fez bons ál­buns, co­mo Lo­ve It To De­ath (71), Scho­ol's

Out, de 72, e Bil­li­on Dol­lar Ba­bi­es, de 73. Con­tu­do, Vin­cent não con­se­guiu li­dar com as dro­gas e qu­a­se pôs tu­do a per­der. A ban­da o aban­do­nou e ele de­ci­diu sair em car­rei­ra so­lo. Em meio a in­ter­na­ções e cri­ses de cri­a­ti­vi­da­de, Cooper lan­çou bons e pés­si­mos ál­buns, mas man­te­ve in­tac­ta a fa­ma de rei do “shock rock”, e ho­je é re­ve­ren­ci­a­do co­mo len­da viva.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Easy Ac­ti­on (1970)

• Lo­ve It To De­ath (1971)

• Kil­lers (1971)

• Scho­ol's Out (1972)

ELTON JOHN

Em­bo­ra ro­quei­ros ra­di­cais tor­çam o na­riz pa­ra su­as can­ções ro­mân­ti­cas, não se po­de ne­gar sua im­por­tân­cia no cir­co do rock'n'roll se­ten­tis­ta, es­pe­ci­al­men­te por su­as ati­tu­des ex­tra­va­gan­tes, que sem­pre se con­fun­di­ram com sua ar­te. Ex­cên­tri­co é o ad­je­ti­vo que me­lhor se en­cai­xa pa­ra de­fi­nir o bri­tâ­ni­co Re­gi­nald Dwight, seu no­me ver­da­dei­ro, trei­na­do em pi­a­no clássico mas que co­me­çou to­can­do R&B com a ban­da Blu­e­so­logy no iní­cio dos anos 60. Seu pri­mei­ro ál­bum so­lo, Empty Sky, já com a pre­sen­ça de Ber­nie Tau­pin, o le­tris­ta que vi­ria a ser seu par­cei­ro pe­lo res­to da car­rei­ra, foi lan­ça­do em 1969. Mas se­ria com o se­gun­do ál­bum, Elton John, de 1970, que al­can­ça­ria o re­co­nhe­ci­men­to e se tor­na­ria su­ces­so no mun­do to­do. De­pois de lan­çar ál­buns que mes­cla­vam rock, ba­la­das, R&B, en­tre as mais di­ver­sas in­fluên­ci­as, nos anos 80, Elton rom­peu por um tem­po sua par­ce­ria com Tau­pin e mu­dou sua so­no­ri­da­de, ca­da vez mais vol­ta­da pa­ra ba­la­das e o pop co­mer­ci­al. Pro­ble­mas com dro­gas che­ga­ram a aba­lar sua car­rei­ra, bem co­mo seu tim­bre de voz. Mas seu no­me es­tá pa­ra sem­pre gra­va­do en­tre os gran­des do rock e do pop.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Elton John (1970)

• Don't Sho­ot Me I'm Only the Pi­a­no Player (1973)

• Go­odbye Yel­low Brick Ro­ad (1973)

GRAND FUNK RAIL­RO­AD

Com o no­me ins­pi­ra­do em uma li­nha fer­ro­viá­ria, o Grand Funk Rail­ro­ad é uma das gran­des re­fe­rên­ci­as do rock pe­sa­do dos anos 70, cons­tan­te­men­te ci­ta­do co­mo um dos pre­cur­so­res do he­avy me­tal, ao la­do de Led Zep­pe­lin e Black Sab­bath. E com al­gu­ma ra­zão, uma vez que o ál­bum de es­treia, On Ti­me, de 1969, já mos­tra­va um som dos mais pe­sa­dos. Mas o que mais im­pres­si­o­na­va era a ca­pa­ci­da­de do power trio for­ma­do por Mark Far­ner (voz e gui­tar­ra), Don Brewer (ba­te­ria) e Mel Scha­cher (bai­xo) lan­çar dis­cos um atrás do ou­tro. Além do ci­ta­do de­bu­te, en­tre 1969 e 71 fo­ram qua­tro LPs de es­tú­dio e um ao vivo, nos quais a pau­lei­ra do­mi­na, com des­ta­que pa­ra a ba­te­ria de Don Brewer, que se tor­na­ria re­fe­rên­cia pa­ra o gê­ne­ro. Des­sa fa­se, o des­ta­que é Granf Funk, de 1970, um dos dis­cos mais pe­sa­dos já gra­va­dos, en­quan­to Clo­ser To Ho­me re­pre­sen­tou o ama­du­re­ci­men­to mu­si­cal, ex­pan­din­do os ho­ri­zon­tes do gru­po, mas

sem dei­xar de la­do o pe­so. Em 1972, de­pois de uu­mau­ma bri­ga com seu em­pre­sá­rio emm­pre­sá­rio e a in­clu­são do te­cla­dis­ta Craig Frost, pas­sa­ram pas­sa­ra­pas­sa­ram a usar ape­nas Grand Funk, sem o Rail­ro­ad (que vol­ta­ria dois anos de­pois, daí cer­ta con­fu­são com o re­al no­me do gru­po). No ano se­guin­te lan­ça­ram We're An Ame­ri­can Band, ál­bum que re­pre­sen­ta o au­ge cri­a­ti­vo do gru­po.

Em 1976, após o lan­ça­men­to de

Go­od Sin­gin' Go­od Playin', de no­vo com o Rail­ro­ad no no­me e pro­du­ção de Frank Zappa, Far­ner de­ci­diu ten­tar car­rei­ra so­lo e a ban­da nau­fra­gou. No iní­cio dos anos 80 fi­ze­ram um bre­ve re­tor­no, com o bom Grand Funk Li­ves, po­rém, os tem­pos eram ou­tros e não re­pe­ti­ram o su­ces­so.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• On Ti­me (1969)

• Grand Funk (1970)

• We're An Ame­ri­can Band (1973)

JETH­RO TULL

Um fenô­me­no. Pri­mei­ro, pe­la mis­tu­ra fi­nís­si­ma e bem exe­cu­ta­da de hard rock, folk, blu­es e jazz com letras den­sas e sur­re­ais, além de uma das “co­zi­nhas” mais co­e­sas do rock. A so­no­ri­da­de úni­ca do Jeth­ro Tull, li­de­ra­da pe­lo doi­dão flau­tis­ta­vo­ca­lis­ta-com­po­si­tor Ian An­der­son – mar­ca re­gis­tra­da da ban­da, com sua tra­di­ci­o­nal po­se de fa­zer o qua­tro (pé no jo­e­lho) ao to­car sua flau­ta, con­quis­tou uma le­gião de fãs e sem­pre sur­pre­en­de a qu­em não o co­nhe­ce. A ban­da foi for­ma­da em 1967, na In­gla­ter­ra e o no­me é uma re­fe­rên­cia a um in­ven­tor do sé­cu­lo 18. De­pois do pri­mei­ro ál­bum, This Was, de 1968, quan­do ain­da eram um gru­po de blu­es, con­se­gui­ram a pro­e­za de fa­zer, in­fa­li­vel­men­te, um dis­co por ano até 1980. Mas foi com Aqua­lung (1971) que a ban­da con­se­guiu re­co­nhe­ci­men­to e so­li­di­fi­cou sua fu­são de rock e folk, com riffs mar­can­tes em fai­xas co­mo Hymn 43, My God, Cross-eyed Mary e Aqua­lung. No ano se­guin­te vol­ta­ram a sur­pre­en­der com Thick As a Brick (1972), que já en­tra­va no ter­ri­tó­rio do rock pro­gres­si­vo, mas ain­da com um jei­tão folk rock. Foi o au­ge do Jeth­ro, que se­guiu al­ter­nan­do en­tre ál­buns con­cei­tu­ais e pou­co con­ven­ci­o­nais com ou­tros mais “nor­mais”. No en­tan­to, após de­ze­nas de mu­dan­ças na for­ma­ção, trans­for­mou-se na ban­da de Ian An­der­son, mes­mo com es­se fa­zen­do dis­cos so­los pa­ra­le­los.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Aqua­lung (1971)

• Thick As a Brick (1972)

LOU RE­ED

Após dei­xar o Vel­vet Un­der­ground em 1972, Lou Re­ed ini­ci­ou uma das mais só­li­das e po­lê­mi­cas car­rei­ras so­lo da his­tó­ria do rock. Seu pri­mei­ro ál­bum so­lo, po­rém, pas­sou ba­ti­do, dan­do a im­pres­são de que co­me­te­ra um er­ro ao dei­xar o gru­po. No en­tan­to, ain­da no mes­mo ano, com uma for­ci­nha de seu ami­go Da­vid Bowie e do gui­tar­ris­ta Mick Ron­son, lan­çou

Trans­for­mer, um clássico, com al­gu­mas de su­as obras-pri­mas co­mo Walk On The Wild Si­de, Sa­tel­li­te Of Lo­ve, Vi­ci­ous e I'm So Free. Com cré­di­to, em 1973, co­man­dou a pro­du­ção e Ber­lin, um dis­co am­bi­ci­o­so e um mer­gu­lho no la­do mais obs­cu­ro da vi­da. Pou­co com­pre­en­di­do na épo­ca, tor­nou-se um es­tan­dar­te pa­ra o rock gó­ti­co que se­quer nas­ce­ra. No ano se­guin­te, com o du­plo ao vivo, Rock'n'roll Ani­mal, mos­trou seu la­do mais ro­quei­ro. Em 1975, uma pro­vo­ca­ção: ou­tro du­plo, cha­ma­do Me­tal Ma­chi­ne Mu­sic, no qual sim­ples­men­te cons­truiu ca­ma­das e ca­ma­das de ba­ru­lho com gui­tar­ras dis­tor­ci­das, efei­tos de fe­ed­back e over­dubs so­bre­pos­tos. Uma an­te­ci­pa­ção con­cei­tu­al de ele­men­tos do punk e do noisy rock Mas es­se seu la­do in­con­for­mis­ta e re­vo­lu­ci­o­ná­rio se­ria ate­nu­a­do nos ál­buns se­guin­tes e sua cri­a­ti­vi­da­de blo­que­a­da pe­lo abu­so de dro­gas. Le­va­ria ain­da al­guns anos até que con­se­guis­se vol­tar a fa­zer um no­vo gran­de tra­ba­lho: New York, já em 1989.

Em 2011, sur­pre­en­deu com uma inu­si­ta­da par­ce­ria com o Me­tal­li­ca, que re­sul­tou no ál­bum Lulu, que di­vi­de opi­niões quan­to à qua­li­da­de. Mas, pa­ra tris­te­za dos fãs, a pi­or sur­pre­sa se­ria em ou­tu­bro de 2013: Lou per­deu uma ba­ta­lha contra seu fí­ga­do e par­tiu, dei­xan­do o la­do mal­di­to do rock mais po­bre. Des­can­se em paz!

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Trans­for­mer (1972) • Ber­lin (1973)

• New York (1989)

BACHMAN-TUR­NER OVERDRIVE

Um dos no­mes má­xi­mos do rock “es­tra­dei­ro” se­ten­tão, o B.T.O. te­ve iní­cio em 1973, no Ca­na­dá, pe­los ir­mãos Randy (gui­tar­ra so­lo, vo­cais – ex-Gu­ess Who), Robbie (ba­te­ria) e Tim Bachman (gui­tar­ra ba­se) e pe­lo bai­xis­ta e vo­ca­lis­ta C.F. Tur­ner – “Overdrive” era uma po­pu­lar re­vis­ta ca­na­den­se de ca­mi­nho­nei­ros (al­gu­ma dú­vi­da quan­to à pe­ga­da “on the ro­ad” dos ca­ras?). Com seu roc­kão bá­si­co e mar­can­te, en­tre os mai­o­res su­ces­sos do B.T.O. es­tão Ta­kin' Ca­re of Bu­si­ness, Let it Ri­de e Roll On Down the Highway. A ban­da ter­mi­nou em 1977, reu­niu-se du­ran­te os anos 80, mas aca­bou no­va­men­te. Randy

Bachman e os de­mais in­te­gran­tes se­guem com car­rei­ras se­pa­ra­das fa­zen­do tur­nês.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Bachman-Tur­ner Overdrive (1973)

• II (1973)

• Not Fra­gi­le (1974)

JEFF BECK

Ape­sar de ter si­do um no­me pre­sen­te no rock'n'roll des­de a me­ta­de dos anos 60, a car­rei­ra so­lo de Jeff Beck atin­giu o pi­co da cri­a­ti­vi­da­de nos anos 70 e foi uma das mais for­tes in­fluên­ci­as pa­ra tu­do que acon­te­ceu na ter­cei­ra era do rock. Seu pri­mei­ro ál­bum so­lo, após sair dos Yardbirds, lan­ça­do em 1968, é um dos mar­cos do he­avy me­tal, com­pa­ra­do, in­clu­si­ve à es­treia do Led Zep­pe­lin. Não por aca­so, John Paul Jo­nes e Jimmy Pa­ge têm par­ti­ci­pa­ção em Truth, além de Keith Mo­on e Ron Wo­od. No en­tan­to, ape­sar de ser tão bom quan­to Pa­ge ou Eric Clap­ton, Beck pa­re­ce nun­ca ter acer­ta­do uma boa fór­mu­la, e mes­mo sem­pre mui­to elo­gi­a­do, per­ma­ne­ceu um ní­vel abai­xo em re­la­ção ao re­co­nhe­ci­men­to de pú­bli­co e mí­dia. Em seus ál­buns con­tou sem­pre com par­ti­ci­pa­ções mais do que es­pe­ci­ais. En­tre os tra­ba­lhos mais in­flu­en­tes que fez, des­ta­que pa­ra o ins­tru­men­tal Blow by Blow, de 1975, com pi­ta­das de funk e blu­es. Após Wi­red, de 76, pra­ti­ca­men­te uma con­ti­nu­a­ção do dis­co an­te­ri­or, en­trou em uma fa­se me­nos pro­du­ti­va, com uma mé­dia de um ál­bum a ca­da qua­tro anos. Mas des­de a dé­ca­da de 90 pas­sou a tra­ba­lhar mais, es­pe­ci­al­men­te após o re­la­ti­vo su­ces­so de Gui­tar Shop (1989).

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Truth (1968)

• Blow By Blow (1975)

KING CRIMSON

O cha­ma­do rock in­dus­tri­al de ban­das co­mo Ni­ne In­ch Nails e To­ol de­ve mui­to ao Crimson e seu ex­pe­ri­men­ta­lis­mo sem fron­tei­ras, as­sim co­mo o rock pro­gres­si­vo em ge­ral. O gru­po for­mou-se em 1969, na In­gla­ter­ra, sob a li­de­ran­ça de Ro­bert Fripp, de fa­to o úni­co in­te­gran­te que so­bre­vi­veu a to­das as for­ma­ções. O ál­bum de es­treia, In the Court of the Crimson King, foi um dos mais elo­gi­a­dos de 1969, ano em que fi­ze­ram sua pri­mei­ra apa­ri­ção pú­bli­ca em um fes­ti­val no Hy­de Park, em Lon­dres, que reu­niu mais de 600 mil pes­so­as (os Sto­nes es­ta­vam no li­ne up). Mas com o dis­co bom­ban­do, dois mem­bros re­sol­ve­ram aban­do­nar o bar­co ini­ci­an­do a in­ter­mi­ná­vel mu­ta­ção do gru­po. Is­so, en­tre­tan­to, não im­pe­di­ria de Fripp co­man­dar a ela­bo­ra­ção de uma das mais con­sis­ten­tes e ino­va­do­ras obras do rock. Até 1974, o Crimson lan­ça­ria na­da me­nos do que oi­to ál­buns, nos quais é pos­sí­vel en­con­trar a ca­da no­va au­di­ção al­go que pas­sou de­sa­per­ce­bi­do. Mas um avi­so: nem tu­do é aces­sí­vel em pri­mei­ra

mão, pa­ra en­ten­dê-los, é pre­ci­so en­trar na cor­te do rei Crimson de­sar­ma­do de qual­quer ideia mu­si­cal pre­con­ce­bi­da.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• In the Court of the Crimson King (1969)

• Larks' Ton­gues in As­pic (1973)

• Star­less and Bi­ble Black (1974)

LYNYRD SKYNYRD

O Skynyrd é cer­ta­men­te uma das mai­o­res ban­das da his­tó­ria do rock and roll – em to­dos os sen­ti­dos. Su­ces­so­res dos Allman Brothers na re­a­le­za do southern rock, a ban­da de Jack­son­vil­le, Fló­ri­da, ti­nha em sua for­ma­ção se­te in­te­gran­tes, sen­do três gui­tar­ris­tas – marcando uma das so­no­ri­da­des mais vi­go­ro­sas do rock se­ten­tis­ta, pre­sen­te em

clás­si­cos co­mo Swe­et Ho­me Ala­ba­ma, Wor­kin' for MCA, Gim­me Th­ree Steps e a len­dá­ria Free Bird. Li­de­ra­dos pe­la voz de Ron­nie Van Zant, o Skynyrd re­gis­trou seu le­ga­do en­tre 1973 e 1977, pe­río­do en­cer­ra­do quan­do mor­re­ram, de uma só vez, Van Zant, o gui­tar­ris­ta Ste­ve Gai­nes, sua ir­mã Cas­sie (bac­king vo­cal) e dois mem­bros da equi­pe em um acidente de avião. In­fe­liz­men­te, não ti­ve­ram tem­po de pro­mo­ver Stre­et Su­vi­vors, o quin­to ábum do gru­po, que ha­vi­am aca­ba­do de gra­var. No fi­nal dos anos 80, após uma es­pé­cie de “reu­nião” pa­ra uma tur­nê tri­bu­to, re­gis­tra­da em Southern by the Gra­ce of God, de 87, re­to­ma­ram a car­rei­ra em 1991 com um ál­bum que le­va o no­me do gru­po, com Johnny Van Zant (ir­mão de Ron­nie) as­su­min­do os vo­cais e com vá­ri­as for­ma­ções di­fe­ren­tes. O Skynyrd se­gue em ati­vi­da­de até ho­je, in­clu­si­ve, com pas­sa­gens pe­lo Bra­sil.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Pro­noun­ced Leh-Nerd Skin-Ner (1973)

• Se­cond Hel­ping (1974)

• Nuthin' Fancy (1975)

• Stre­et Sur­vi­vors (1977)

PE­TER FRAMP­TON

Um mo­le­que que, com se­te anos, to­ca­va ban­jo e, com 10, for­mou uma ban­da no co­lé­gio com Da­vid Bowie não po­de­ria ter um des­ti­no co­mum. Aos 19 anos, Pe­ter Framp­ton en­trou pa­ra o Hum­ble Pie, com qu­em gra­vou cin­co ál­buns an­tes de se­guir car­rei­ra so­lo. De­pois de três dis­cos de es­tú­dio sem qual­quer re­per­cus­são, em 1976, Framp­ton sur­pre­en­deu até mes­mo seus pro­du­to­res com um ál­bum du­plo ao vivo que se tor­na­ria um dos mais ven­di­dos da dé­ca­da. Pa­ra im­pul­si­o­nar as ven­das, três sin­gles das fai­xas mais exe­cu­ta­das de Framp­ton Co­mes Ali­ve to­ma­ram de as­sal­to as FMs dos EUA, são elas: Show Me The Way, Do You Fe­el Li­ke We Do e Baby, I Lo­ve Your Way. Seu es­ti­lo que mis­tu­ra­va rock clássico e pop ro­mân­ti­co, com exe­cu­ções pri­mo­ro­sas (Framp­ton sem­pre foi um óti­mo gui­tar­ris­ta) ins­pi­ra­ria fu­tu­ros íco­nes do cha­ma­do “rock de are­na”, co­mo Jon Bon Jo­vi. Ape­sar de ter lan­ça­do ou­tros bons dis­cos, co­mo Bre­a­king All The Ru­les, de 1981, e con­se­gui­do um ou ou­tro hit, na­da se com­pa­ra ao su­ces­so que fez na me­ta­de da dé­ca­da de 70.

Ál­bum es­sen­ci­al

• Framp­ton Co­mes Ali­ve (1976)

ROD STEWART

Na pri­mei­ra me­ta­de da dé­ca­da de 70, en­quan­to era vo­ca­lis­ta do Faces, Stewart

sus­ten­tou uma car­rei­ra so­lo ppa­ra­le­la. pa­ra­le­la. E de­ve ter ti­do mui­tos mo­men­tos de dú­vi­da, pois em am­bas as fren­tesf fren­tes te­ve êxi­to. O su­ces­s­su­ces­so su­ces­so sem o Faces co­me­çou em 1971, com o ál­bum Every Pic­tu­re Tells a His­tory,y His­tory, de lon­ge o mais ins­pi­ra­do de sua car­rei­ra. Des­se dis­co, o hit Mag­gie May ain­da faz par­te de seu re­per­tó­rio. Mas se­ria em 1975, de­pois que o Faces ti­nha re­al­men­te che­ga­do ao fim, que ele al­can­ça­ria o sta­tus de su­pers­tar com Atlan­tic Cros­sing e o me­gahit Sai­ling. In­fe­liz­men­te, pre­fe­riu re­pe­tir a fór­mu­la em to­dos os dis­cos sub­se­quen­tes, tor­nan­do-se um bom ven­de­dor, mas sem na­da de no­vo pa­ra mos­trar.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Every Pic­tu­re Tells a His­tory (1971)

• Atlan­tic Cros­sing (1976)

BLACK OAK ARKANSAS

Um dos pi­o­nei­ros e me­lho­res gru­pos do cha­ma­do southern rock, o BOA tam­bém al­can­çou bas­tan­te po­pu­la­ri­da­de che­gan­do a co­lo­car dez ál­buns e 30 sin­gles en­tre os mais ven­di­dos nos EUA, no pe­río­do de 1971 a 1976. Con­tri­buiu mui­to pa­ra es­se êxi­to as cons­tan­tes tur­nês e apre­sen­ta­ções in­cen­diá­ri­as, co­man­da­das pe­lo front­man Ja­mes “Big Jim Dandy” Man­grum.

A his­tó­ria do gru­po co­me­ça em me­a­dos dos anos 60, na ci­da­de de Black Oak, es­ta­do do Arkansas. Em 1969, mu­dam-se pa­ra New Or­le­ans e ba­ti­zam o gru­po co­mo Know­body El­se. Com três gui­tar­ris­tas (Ricky “Ri­co­chet” Rey­nolds, Stan­ley “Go­o­ber” Knight e Har­vey “Bur­ley” Jett), Man­grum, mais o bai­xis­ta Pat Daugherty e o ba­te­ris­ta Way­ne Evans, che­ga­ram a gra­var um ál­bum, mas sem qual­quer re­tor­no. As­sim, de­ci­dem mu­dar a di­re­ção mu­si­cal e ado­tam o no­vo no­me em homenagem à ci­da­de na­tal. Em 1971, con­se­guem um con­tra­to e lan­çam mais um ál­bum au­toin­ti­tu­la­do e co­me­çam a fa­zer fa­ma com as his­tó­ri­cas per­for­man­ces de Man­grum. Uma pro­va de que eram re­al­men­te bons no pal­co é o ál­bum Raun­ch `N' Roll Li­ve, de 1973, que se­ria o me­lhor mo­men­to do BOA em vi­nil. Em 1980, a ban­da se des­man­te­lou, mas vol­tou a se reu­nir em 1999.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Black Oak Arkansas (1971) • Raun­ch ‘N’ Roll Li­ve (1973) • High on the Hog (1973)

SUPERTRAMP

Ima­gi­ne um mi­li­o­ná­rio suíço ofe­re­cen­do apoio fi­nan­cei­ro pa­ra a ban­da dos seus so­nhos. Foi o que o ex­cên­tri­co Stan­ley Au­gust Mi­e­se­ga­es fez com uma ban­da cha­ma­da The Joint. Mas não deu cer­to. No en­tan­to, o ca­ra sen­tiu que o pi­a­nis­ta e te­cla­dis­ta Rick Da­vi­es ti­nha talento e lhe propôs ini­ci­ar um no­vo pro­je­to. Nas­cia as­sim o Supertramp, em 1969. Os de­mais in­te­gran­tes fo­ram es­ca­la­dos após aten­de­rem a um anún­cio no ho­je ex­tin­to jor­nal mu­si­cal in­glês Me­lody Ma­ker. Com o su­por­te fi­nan­cei­ro do suíço, o Supertramp lan­çou dois ál­buns, mas em re­sul­ta­do al­gum. Mi­e­se­ga­es de­sis­tiu. Sem o di­nhei­ro o gru­po qu­a­se aca­bou, mas Da­vi­es e o gui­tar­ris­ta/ vo­ca­lis­ta Ro­ger Hodg­son bus­ca­ram ou­tros par­cei­ros (o bai­xis­ta Dou­gie Thom­son, o ba­te­ris­ta Bob Si­e­ben­berg e o sa­xo­fo­nis­ta John Hel­liwel) e re­for­ma­ram tu­do. E deu cer­to: des­de o ter­cei­ro ál­bum, Cri­me of the Cen­tury (74) até o acla­ma­do Bre­ak­fast in Ame­ri­ca (79), o rock pro­gres­si­vo do Tramp ga­nhou um es­ti­lo pró­prio que con­quis­tou um pú­bli­co fi­el. Ou­tros destaques des­sa pri­mei­ra fa­se do gru­po são Cri­sis? What Cri­sis? (75) e Even in the Qui­e­test Mo­ments (77). Fa­mous Last Words..., de 1982, mar­cou a saí­da de Ro­ger Hodg­son, que se­guiu car­rei­ra so­lo. Na sequên­cia, a ban­da ain­da lan­çou o

bem-su­ce­di­do Brother Whe­re You Bound (84), mas de­pois não con­se­guiu re­cap­tu­rar a cri­a­ti­vi­da­de dos tem­pos an­ti­gos e aca­bou em 1988. Do­ze anos de­pois, Rick da­vi­es re­for­mou o gru­po, que se­gue fa­zen­do shows com for­ma­ções di­fe­ren­tes e sem lan­çar na­da no­vo.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Cri­me Of the Cen­tury (1974)

• Bre­ak­fast in Ame­ri­ca (1979)

GENESIS

Po­de-se di­zer que exis­ti­ram dois Genesis: o pri­mei­ro era uma ban­da do mais pu­ro rock pro­gres­si­vo, com a mar­ca do ex­cên­tri­co e per­for­má­ti­co Pe­ter Ga­bri­el; o ou­tro um gru­po de rock pop que se tor­nou uma ver­da­dei­ra fá­bri­ca de hits nas dé­ca­das de 80 e 90, sob a ba­tu­ta de Phil Col­lins. O pri­mei­ro Genesis, uma das ban­das mais ori­gi­nais da his­tó­ria do rock, nas­ceu em 1965 com os en­tão ado­les­cen­tes Pe­ter Ga­bri­el (voz), Tony Banks (te­cla­dos), Mi­cha­el Ruther­ford (gui­tar­ra) e Anthony Phil­lips (gui­tar­ra). Dois anos de­pois eles lan­ça­ram um pri­mei­ro sin­gle com um som pop, mui­to dis­tan­te do que fa­ri­am a se­guir. Em 1970, após um ál­bum com es­sa pe­ga­da co­mer­ci­al, co­me­çam a mu­dar os ru­mos e, em 1971, já com o gui­tar­ris­ta Ste­ve Hac­kett (no lu­gar de Phil­lips) e o ba­te­ris­ta Phil Col­lins (que subs­ti­tuiu John Mayhew), lan­ça­ram o pri­mei­ro ál­bum com o es­ti­lo que de­sen­vol­ve­ri­am du­ran­te os pró­xi­mos anos, dan­do uma con­tri­bui­ção se­mi­nal pa­ra o rock pro­gres­si­vo. Es­pe­ci­al­men­te Pe­ter Ga­bri­el, com su­as fan­ta­si­as bi­zar­ras e en­ce­na­ções, trans­for­ma­ria ca­da show do Genesis em um es­pe­tá­cu­lo úni­co e ines­pe­ra­do. Mu­si­cal­men­te, nes­se pe­río­do atin­gi­ram o au­ge em 1974 com o du­plo The Lamb Li­es Down on Bro­adway, um ál­bum con­cei­tu­al que con­ta as aven­tu­ras e des­ven­tu­ras de um imi­gran­te por­to­ri­que­nho em No­va York. No en­tan­to, lo­go após a tur­nê de lan­ça­men­to, o cli­ma en­tre Ga­bri­el e os de­mais in­te­gran­tes pe­sou e o can­tor re­sol­veu sair. Até che­ga­ram a pro­cu­rar um subs­ti­tu­to, mas Phil Col­lins aca­bou as­su­min­do o pos­to. Co­mo quar­te­to, lan­ça­ram mais dois ál­buns ain­da com a pe­ga­da pro­gres­si­va, mas Hac­kett tam­bém re­sol­veu sair, dei­xan­do o ca­mi­nho li­vre pa­ra Phil Col­lins ex­plo­rar su­as idei­as e le­var a ban­da ao su­ces­so que não con­se­gui­ra e não bus­ca­ra. O pri­mei­ro hit foi Fol­low You, Fol­low Me, do ál­bum And Then The­re We­re Th­ree, de 1978. Mas o mai­or se­ria In­vi­si­ble Tou­ch, de 86. De­pois de We Can't Dan­ce, lan­ça­do em 1991, Phil Col­lins as­su­miu de­fi­ni­ti­va­men­te sua car­rei­ra so­lo e Banks e Ruther­ford têm man­ti­do o gru­po em ati­vi­da­de, mas sem a re­le­vân­cia do pas­sa­do.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Fox­trot (1972)

• Sel­ling En­gland by the Pound (1973)

• The Lamb Li­es Down on Bro­adway (1974)

MONTROSE

An­tes de o Van Ha­len exis­tir era o Montrose — não por aca­so quan­do Da­vid Lee Roth aban­do­nou seu gru­po, Sammy Ha­gar, pri­mei­ro vo­ca­lis­ta do Montrose foi con­vi­da­do a subs­ti­tuí-lo. O tim­bre de voz é idên­ti­co e sua ban­da fa­zia um som até mais pe­sa­do que o VH. Ha­gar, po­rém, pre­fe­riu se­guir a car­rei­ra so­lo e saiu da ban­da em 1974 (em 1985 en­trou pa­ra o Van Ha­len). Foi subs­ti­tuí­do por Bob Ja­mes, que fi­ca­ria até o fim do gru­po, em 1978. To­dos os cin­co ál­buns do Montrose ain­da se man­têm atu­a­lís­si­mos em ter­mos de hard rock. Aliás, tem mui­ta ban­da de he­avy me­tal que gos­ta­ria de con­tar com os riffs e a téc­ni­ca do gui­tar­ris­ta Ron­nie Montrose, não ti­ves­se o mú­si­co fa­le­ci­do em mar­ço de 2012 após uma lon­ga e in­gló­ria lu­ta contra o cân­cer.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Montrose (1973)

• Pa­per Mo­ney (1974)

SCORPIONS

O Scorpions fi­cou po­pu­lar nos anos 80 e 90 com ba­la­das co­mo Wind of Chan­ge e Still Lo­ving You e o hi­no Rock You Li­ke a Hur­ri­ca­ne. Mas a ban­da ale­mã de­to­nou seu me­lhor rock na dé­ca­da an­te­ri­or. Fun­da­do em 1969, pas­sou por di­ver­sas mu­dan­ças e, após um fra­co dis­co de es­treia, Lo­ne­so­me Crow (1972), es­ta­bi­li­zou-se por al­guns anos com Ru­dolf Schen­ker (voz e gui­tar­ra), Uli John Roth (gui­tar­ra), Karl-Heinz Foll­mer (gui­tar­ra), Lothar Heim­berg (bai­xo) e Wolf­gang Dzi­ony (ba­te­ria). Se­gui­ram-se en­tão qua­tro ál­buns, um mais pe­sa­do e con­sis­ten­te que o ou­tro: Fly to the Rain­bow (74), In Tran­ce (75), Vir­gin Kil­ler (76) e Ta­ken by For­ce (1977). Após es­sa fa­se, Roth saiu do gru­po e Mi­cha­el Schenc­ker (que par­ti­ci­pou do pri­mei­ro ál­bum), ir­mão de Ru­dolf, re­tor­nou após ser des­pe­di­do do UFO, por seus ex­ces­sos com a be­bi­da. Mais tar­de da­ria seu lu­gar a Matthi­as Jabs, pe­lo mes­mo mo­ti­vo. Mas as mu­dan­ças tam­bém me­xe­ram com o som do Scorpions, que fi­cou mais en­cor­pa­do de um la­do, po­rém, me­nos agres­si­vo. Mes­mo as­sim, Lo­ve­dri­ve, de 1979, man­tém a ban­da co­mo uma das mais pe­sa­das da dé­ca­da. Os tra­ba­lhos se­guin­tes, Blac­kout e Lo­ve at First Sting, con­sa­gra­ram os Scorpions no ce­ná­rio do rock de are­na. Cu­ri­o­sa­men­te, em 2011, fi­ze­ram uma tur­nê mun­di­al de des­pe­di­da, mas lo­go após anun­ci­a­ram um no­vo ál­bum, Co­me­back (2011), pre­ce­di­do por Re­turn to Fo­re­ver (2015).

Ál­buns es­sen­ci­ais

• In Tran­ce (1975)

• Vir­gin Kil­ler (1976)

• Ta­ken By For­ce (1978)

DR. FEELGOOD

O Dr. Feelgood foi a ban­da mais mar­can­te do cha­ma­do “pub rock” ti­pi­ca­men­te in­glês nos anos 70 – som que,

em meio à pa­ra­fer­ná­lia e me­ga­lo­ma­nia do rock pro­gres­si­vo, vol­ta­va ao rock bá­si­co e di­re­to, to­ca­do em ba­res (daí o no­me) e que es­tá na gê­ne­se do punk in­glês. For­ma­do em 1971, o Dr. Feelgood, co­mo mui­tos dos ex­po­en­tes do pub rock, era fa­mo­so por su­as enér­gi­cas apre­sen­ta­ções ao vivo, na­da mais jus­to pe­la pro­pos­ta da ban­da e do som. Ape­sar da po­pu­la­ri­da­de ca­sei­ra, só che­ga­ram ao pri­mei­ro ál­bum em 1975, com o ma­ra­vi­lho­sa­men­te sim­ples, cru e di­re­to Down By The Jetty. No en­tan­to, quan­do o punk ex­plo­diu na Eu­ro­pa, por vol­ta de 76/77, o gru­po aca­bou ofus­ca­do e o nú­cleo ori­gi­nal, for­ma­do pe­lo vo­ca­lis­ta Lee Bril­le­aux, o gui­tar­ris­ta Wil­ko Johnson, o bai­xis­ta John Sparks e o ba­te­ris­ta Fi­gu­re Mar­tin, se des­fez. Nas dé­ca­das se­guin­tes, Bril­le­aux man­te­ve o Dr. Feelgood em ati­vi­da­de com di­ver­sas for­ma­ções di­fe­ren­tes. Em 1994, po­rém, o lí­der per­deu sua ba­ta­lha contra o cân­cer e fa­le­ceu.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• • Down By The Jetty (1975) Mal­prac­ti­ce (1975)

ROXY MU­SIC

Uma mis­tu­ra de mo­da, pop art, ci­ne­ma e uma ins­pi­ra­ção vin­da do Vel­vet Un­der­ground. Is­so é uma par­te do que foi o Roxy Mu­sic, ban­da da ce­na gla­mun­der­ground mais acla­ma­das pe­la in­fluên­cia que exer­ceu sob ou­tros ar­tis­tas do que con­sa­gra­da pe­lo pú­bli­co. Cri­a­do em 1971, na pri­mei­ra fa­se o gru­po foi mar­ca­do pe­la dis­pu­ta in­ter­na en­tre Bryan Fer­ry e Bri­an Eno. En­quan­to o pri­mei­ro pu­xa­va pa­ra um la­do mais art rock e pop, o se­gun­do pen­dia pa­ra o ines­pe­ra­do pa­ra a ino­va­ção an­ti­co­mer­ci­al. As­sim, nos dois pri­mei­ros ál­buns, nos quais Eno te­ve mai­or par­ti­ci­pa­ção, o homô­ni­mo de 1972 e For your ple­a­su­re de 1973, re­pre­sen­tam a era mais obs­cu­ra do gru­po e a mais in­flu­en­te. Quan­do Eno saiu, Ed­die Job­son to­mou seu lu­gar e aos pou­cos fo­ram se des­pin­do do ex­pe­ri­men­ta­lis­mo ini­ci­al. Mes­mo as­sim, se­gui­ram fa­zen­do gran­des ál­buns co­mo Coun­try Li­fe, de 1974, que cau­sou es­cân­da­lo com du­as mo­de­los te­ens só de cal­ci­nhas na ca­pa. Após o qu­a­se pop, qu­a­se rock Si­ren, de 1975, O gru­po pa­ra­li­sa­ria as ati­vi­da­des e re­tor­na­ria ape­nas em 1979, já co­mo “a ban­da de Bryan Fer­ry” e um som com in­fluên­ci­as

soul, pop e dis­co. Em 1984, após um ál­bum de enor­me su­ces­so ( Ava­lon, to­tal­me­en­te to­tal­men­te pop) o Roxy aca­bou de vez.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Roxy Mu­sic (1972)

• For Your Ple­a­su­re (1973)

• Coun­try Li­fe (1974)

T. REX

O que co­me­çou nos anos 60 co­mo uma du­pla de hip­pi­es for­ma­da sob o no­me de Ty­ran­no­sau­rus Rex, que to­ca­va can­ções acús­ti­cas com sa­bor folk per­me­a­das por re­fe­rên­ci­as à mi­to­lo­gia de Tol­ki­en e ho­me­na­gens a Ge­ne Vin­cent e Ed­die Co­ch­ran, vi­ria a se tor­nar um dos mai­o­res (se­não o mai­or) no­mes do glam rock in­glês na dé­ca­da se­guin­te. Ao la­do do per­cus­si­o­nis­ta Ste­ve “Pe­re­grin” To­ok, Marc Bo­lan, gui­tar­ris­ta e vo­ca­lis­ta, pra­ti­ca­men­te de­fi­niu uma era a par­tir do ál­bum T. Rex, de 1970 – em­bo­ra nes­se dis­co ape­nas en­sai­as­sem a ver­da­dei­ra mu­dan­ça. Su­as can­ções ti­nham tan­to um ape­lo qu­a­se pop quan­to re­fe­rên­ci­as ex­plí­ci­tas ao mais pu­ro rock de raiz, dos anos 50 – tu­do is­so ali­a­do à ex­tra­va­gân­cia no pal­co, mui­tas plu­mas, pa­e­tês e vo­cais afe­mi­na­dos. O se­gun­do ál­bum, Elec­tric War­ri­or, de 1971, quan­do re­al­men­te dei­xa de la­do as can­ções es­qui­si­tas da fa­se an­te­ri­or, é con­si­de­ra­do o es­to­pim da ex­plo­são glam que to­mou con­ta da In­gla­ter­ra na pri­mei­ra me­ta­de dos anos 70 e in­flu­en­ci­ou to­da uma ge­ra­ção de no­vas ban­das. The Sli­der, lan­ça­do no ano se­guin­te, con­sa­grou de vez o gru­po ao con­se­guir su­ces­so tam­bém nos EUA. In­fe­liz­men­te, tu­do ter­mi­nou em 1977, pou­co de­pois do lan­ça­men­to de Dandy in the Un­derworld, de­vi­do à mor­te de Bo­lan em um trá­gi­co acidente de automóvel. Seu le­ga­do, po­rém, con­ti­nua im­pres­cin­dí­vel e ini­gua­lá­vel.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Elec­tric War­ri­or (1971)

• The Sli­der (1972)

• Dandy in the Un­derworld (1977)

RAIN­BOW

Em 1975 as coi­sas não iam bem no De­ep Pur­ple e o gui­tar­ris­ta Rit­chie Black­mo­re aban­do­nou o gru­po em bus­ca de no­vos ho­ri­zon­tes. Na épo­ca, o ex-bai­xis­ta do Pur­ple, Ro­ger Glo­ver, era pro­du­tor de uma ban­da cha­ma­da Elf, do vo­ca­lis­ta Ron­nie Ja­mes Dio. En­tão Black­mo­re con­vi­dou o gru­po pa­ra for­mar o Rain­bow (me­nos o gui­tar­ris­ta Da­vid Feins­tein). O pro­je­to ren­deu o ál­bum Rit­chie Black­mo­re's Rain­bow, que foi bem re­ce­bi­do mas que não agra­dou nem ao gui­tar­ris­ta nem ao vo­ca­lis­ta, que sen­ti­ram ser pos­sí­vel fa­zer al­go mais subs­tan­ci­al. En­tão con­vi­da­ram o bai­xis­ta Jimmy Bain, o te­cla­dis­ta Tony Ca­rey e o ba­te­ris­ta Cozy Powell. Com es­sa for­ma­ção gra­va­ram o acla­ma­do Ri­sing, lan­ça­do em 1976 e con­si­de­ra­do um dos me­lho­res dis­cos da­que­la dé­ca­da. No en­tan­to, mes­mo após lan­çar mais dois ál­buns con­sis­ten­tes, On Sta­ge (1976) e Long Li­ve Rock'n'Roll (1977), Dio e Black­mo­re eram dois egos mui­to in­fla­dos pa­ra es­ta­rem em uma só ban­da. Em 79, o can­tor saiu pa­ra ser vo­ca­lis­ta do Black Sab­bath. De­pois dis­so, o gru­po ado­tou um som mais épi­co e me­nos pau­lei­ra. Fo­ram mais qua­tro ál­buns, to­dos com for­ma­ções di­fe­ren­tes, mas ape­nas pa­ra fãs mais fiéis.

Ál­bum es­sen­ci­al

• Ri­sing (1976)

SUZY QUA­TRO

A pri­mei­ra “ri­ot gr­r­rl” do rock, Suzy Qua­tro tam­bém foi res­pon­sá­vel por um dos me­lho­res dis­cos de glam rock da dé­ca­da, jus­ta­men­te o de es­treia Can The Can (1973). Na épo­ca, o uni­ver­so ro­quei­ro era bem ma­chis­ta e pouquís­si­mas ga­ro­tas se aven­tu­ra­vam nos pal­cos. Ah, sim, to­ca­va con­tra­bai­xo e com­pu­nha tam­bém. Na ca­pa do ci­ta­do dis­co, Suzy Qua­tro apa­re­ce à fren­te de três su­jei­tos mal en­ca­ra­dos (um de­les en­tor­nan­do

uma gar­ra­fa de cer­ve­ja) pa­ra dei­xar cla­ro que ela não era uma ga­ro­ti­nha dó­cil e an­da­va em más com­pa­nhi­as. O des­ta­que do ál­bum é a clás­si­ca 48 Crash que se­ria hit até nas rá­di­os bra­si­lei­ras anos de­pois, em ple­na di­ta­du­ra mi­li­tar. Após a boa es­treia, po­rém, Suzy não con­se­guiu re­pe­tir a ma­gia nos ál­buns se­guin­tes e, a par­tir de 1977, as­su­miu uma so­no­ri­da­de mais co­mer­ci­al. Com cer­te­za uma das gran­des in­fluên­ci­as pa­ra as Ru­naways e to­das as ro­quei­ras que vi­ri­am nas dé­ca­das se­guin­tes.

Ál­bum es­sen­ci­al

• Can The Can (1973)

SLADE

Na ado­les­cên­cia, o vo­ca­lis­ta e gui­tar­ris­ta Noddy No­lan cos­tu­ma­va ir a shows com seu ami­go Ro­bert Plant. Am­bos so­nha­vam um dia ser co­mo os ca­ras que vi­am no pal­co. E con­se­gui­ram. Só que Plant al­çou vo­os mui­to al­tos, en­quan­to Ned che­gou a ex­pe­ri­men­tar o es­tre­la­to, mas nun­ca foi tão gran­de quan­to o ca­ma­ra­da. Mas tem lá su­as his­tó­ri­as pa­ra con­tar. Jun­to com Dave Hill (gui­tar­ra), Jimmy Lea (bai­xo) e Don Powel (ba­te­ria) fun­dou o Am­bro­se Slade, lá no fi­nal dos anos 60, gru­po com o qual che­gou a lan­çar um dis­co, que não vi­rou na­da. Mas cha­ma­ram a aten­ção do ex­bai­xis­ta do Ani­mals, Chas Chan­dlers, que se tor­na­ra em­pre­sá­rio e su­ge­riu que en­cur­tas­sem o no­me e as­su­mis­sem um fi­gu­ri­no es­ti­lo ski­nhe­ad. O pri­mei­ro ál­bum com a no­va di­re­ção sai­ria em 1970. Play It Loud não tem mui­to do que vi­ria a ser o Slade, não só em re­la­ção ao vi­su­al, co­mo mu­si­cal­men­te. É um dis­co “sé­rio”. De­pois de um ál­bum ao vivo, mui­to bem re­ce­bi­do, a sequên­cia se­ria da­da com Slayed?, de 1972, no qual ado­tam um vi­su­al glam e abu­sam do bom hu­mor, uma do­se for­te de iro­nia e até uma gra­fia pró­pria pa­ra su­as com­po­si­ções, com er­ros gra­ma­ti­cais pro­po­si­tais, co­mo Ma­ma We­er All Cra­zee Now e Gud­buy T'Ja­ne. O êxi­to se­ria sa­cra­men­ta­do com a co­le­tâ­nea Sla­dest, lan­ça­da pou­co de­pois, es­pe­ci­al­men­te pe­la pre­sen­ça da clás­si­ca Cum On Fe­el The Noi­ze. En­tão, em 1974 se mu­dam pa­ra a ter­ra do Tio Sam pa­ra ten­tar en­fim “fa­zer a Amé­ri­ca”, mas pa­ra is­so tor­nam sua música mais su­a­ve. Até

fi­ca­ram mais po­pu­la­res, mas em ter­mos de rock'n'roll es­cor­re­ga­ram. No en­tan­to, vol­ta­ri­am com for­ça to­tal na dé­ca­da de 80, lan­çan­do pe­lo me­nos qua­tro ál­buns só­li­dos, im­pul­si­o­na­dos pe­lo su­ces­so do Qui­et Ri­ot que re­gra­vou Cum On Fe­el The Noi­ze, e re­vi­veu o hit. Aca­ba­ram an­tes do fi­nal da dé­ca­da, mas o le­ga­do fi­cou. En­tre

os gru­pos in­flu­en­ci­a­dos por eles es­tá o AC/DC. Pre­ci­sa fa­lar al­go mais?

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Sla­dest (1973)

• Slayed? (1973)

• Wha­te­ver Hap­pe­ned To Slade (1977) • We'll Bring the Hou­se Down (1981)

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