SEX PIS­TOLS

ALMANAQUE DO ROCK - EDIÇÃO DE COLECIONADOR - - Quarta Era -

Des­de 1972 o gui­tar­ris­ta Ste­ve

Jo­nes e o ba­te­ris­ta Paul Co­ok ten­ta­vam for­mar uma ban­da e, dois anos de­pois, jun­ta­men­te com o bai­xis­ta Glenn Ma­tlock e o gui­tar­ris­ta Wally Nigh­tin­ga­le, fun­da­ram o The Swan­kers. Àque­la al­tu­ra, Jo­nes tra­ba­lha­va na Let It Rock, uma bou­ti­que que ven­dia as cri­a­ções da es­ti­lis­ta Vi­vi­en­ne Westwo­od e ar­ti­gos de sa­do­ma­so­quis­mo, que de­pois mu­da­ria de no­me pa­ra Se­di­ti­o­nai­res e, lo­go em se­gui­da, Sex. O do­no da lo­ja era Mal­com McLa­ren, que ha­via em­pre­sa­ri­a­do al­gu­mas ban­das de rock. No ano se­guin­te, McLa­ren foi pa­ra os EUA, on­de ten­tou dar uma so­bre­vi­da ao New York Dolls, que es­ta­va afun­dan­do. Fra­cas­sou, mas viu o su­fi­ci­en­te pa­ra vol­tar pa­ra a In­gla­ter­ra com no­vas idei­as que usa­ria pa­ra pro­mo­ver a ban­da de seu jo­vem em­pre­ga­do Ste­ve Jo­nes.

A pri­mei­ra pro­vi­dên­cia foi des­pe­dir Nigh­tin­ga­le e en­con­trar um vo­ca­lis­ta com o ca­ris­ma que McLa­ren vi­su­a­li­za­va pa­ra ser o ho­mem de fren­te. As­sim, John Ly­don, um ca­ra es­qui­si­to que de vez em quan­do apa­re­cia na lo­ja de McLa­ren com uma ca­mi­se­ta cus­to­mi­za­da com a fra­se “Eu odeio o Pink Floyd” aca­bou sen­do con­vi­da­do. Em­bo­ra não sou­bes­se can­tar, ti­nha ati­tu­de de so­bra. Lo­go es­ta­va en­sai­an­do com o gru­po que já se cha­ma­va Sex Pis­tols. E me­lhor: fa­zen­do letras que de­to­na­vam a tu­do e a to­dos com sar­cas­mo e iro­nia na me­di­da cer­ta, sem pa­pas na lín­gua. Em no­vem­bro de 1975, o gru­po co­me­çou a se apre­sen­tar ao vivo. A es­treia foi no St. Mar­tin's Col­le­ge of Art and De­sign, em

6 de no­vem­bro, abrin­do pa­ra o des­co­nhe­ci­do Ba­zo­o­ka Joe. Nes­sa épo­ca, Ly­don co­me­çou a usar o ape­li­do Johnny Rot­ten.

Após o fim do

gru­po, Sid Vi­ci­ous

se afun­dou ain­da

mais nu­ma re­la­ção

pa­ra­noi­ca com sua

na­mo­ra­da jun­kie

Nancy Spu­gen.

Se­ria acu­sa­do de

as­sas­si­ná-la e pou­co

de­pois é en­con­tra­do

mor­to, ví­ti­ma de

uma over­do­se de

he­roí­na. Rot­ten

vol­tou a ser John

Ly­don e fun­dou o

PIL, ban­da pi­o­nei­ra

na so­no­ri­da­de pós-

punk. Jo­nes e Co­ok

fun­da­ram o The

ANAR­CHY IN THE UK

Sem du­vi­da, o ano do Sex Pis­tols foi 1976. De­pois de de­ze­nas de apre­sen­ta­ções, em ju­lho

Pro­fes­si­o­nals, sem

gra­va­ram uma de­mo ta­pe e lo­go apa­re­ce­ram nos prin­ci­pais jor­nais es­pe­ci­a­li­za­dos em música e em al­guns pro­gra­mas de TV. Em ou­tu­bro as­si­na­ram con­tra­to com a EMI e lo­go a se­guir gra­vam o hi­no Anar­chy In The UK, lan­ça­do no fi­nal de no­vem­bro. Os ver­sos ini­ci­ais da música pra­ti­ca­men­te re­su­mi­am o que era o Sex Pis­tols e to­da a ge­ra­ção punk: I am an an­ti­ch­rist / I am an anar­chist / Don't know what I want / But I know how to get it (Eu sou o an­ti­cris­to / Eu sou um anar­quis­ta / Não sei o que que­ro / Mas sei co­mo con­se­gui-lo). Era um pe­que­no tre­mor anun­ci­an­do o ter­re­mo­to que es­ta­va por vir.

Cu­ri­o­sa­men­te, não foi um dis­co nem um show que tor­nou o Sex Pis­tols co­nhe­ci­do na­ci­o­nal­men­te, mas uma en­tre­vis­ta ao vivo em um talk show te­le­vi­si­vo, co­man­da­do pe­lo apre­sen­ta­dor Bill Grundy, na qual o en­tre­vis­ta­dor da­va a im­pres­são de não sa­ber o que fa­zer com aque­las pes­so­as es­tra­nhas. En­tão, Ste­ve Jo­nes se ir­ri­tou e co­me­çou a fa­lar pa­la­vrões atrás de pa­la­vrões. O com­por­ta­men­to cho­cou a po­pu­la­ção que ain­da não sabia o que se pas­sa­va no un­der­ground. Um pra­to cheio pa­ra os ta­bloi­des sen­sa­ci­o­na­lis­tas que co­me­ça­ram a se­guir a ban­da e os punks em bus­ca de mais es­cân­da­los e fotos cho­can­tes. Pronto, era a pu­bli­ci­da­de que McLa­ren tan­to de­se­ja­va. Mas a EMI se as­sus­tou e rein­ci­diu o con­tra­to. Lo­go a se­guir, as­si­na­ram com a A&M, po­rém, me­nos de três me­ses de­pois, a em­pre­sa pre­fe­riu pa­gar as 75 mil li­bras de mul­ta e se li­vrar do “pro­ble­ma”. Nes­se meio tem­po, Glenn Ma­tlock foi subs­ti­tuí­do por Sid Vi­ci­ous e Jo­nes jus­ti­fi­cou a tro­ca di­zen­do que o an­ti­go bai­xis­ta “gos­ta­va de Be­a­tles”. Mas a ver­da­de é que não foi lá mui­to bom ne­gó­cio. Pri­mei­ro por­que Ma­tlock era um ex­ce­len­te bai­xis­ta e Vi­ci­ous mal sabia to­car. E o pi­or: Sid era um vi­ci­a­do em he­roí­na e ti­nha um ímã pa­ra en­cren­cas. Mas, de iní­cio, ren­deu boa pu­bli­ci­da­de e tor­nou a ima­gem da ban­da ain­da mais punk.

INI­MI­GOS PÚ­BLI­COS

O pro­ble­ma com a A&M foi o sin­gle God Sa­ve The Que­en, que ata­ca­va di­re­ta­men­te a rai­nha em ple­no ju­bi­leu de pra­ta (25 anos). A úni­ca gra­va­do­ra que te­ve co­ra­gem de apos­tar ne­les foi a Vir­gin. O sin­gle caiu co­mo uma bom­ba, sen­do lan­ça­do pou­co an­tes das co­me­mo­ra­ções do ju­bi­leu. Ven­deu co­mo água, mas tam­bém des­per­tou a ira dos de­fen­so­res da mo­nar­quia e abriu uma gu­er­ra contra o gru­po. Em meio a to­da con­tro­vér­sia, lan­ça­ram vá­ri­os ou­tros sin­gles que se­gui­ram cau­san­do po­lê­mi­cas e ar­re­ba­nhan­do um nú­me­ro ca­da vez mai­or de se­gui­do­res, bem co­mo in­flu­en­ci­an­do o sur­gi­men­to de cen­te­nas de gru­pos pe­lo país to­do. Era o rei­na­do do ca­os.

Em ou­tu­bro de 77, che­gou às lo­jas Ne­ver Mind The Bol­locks... He­re's The Sex Pis­tols, o aguar­da­do ál­bum de es­treia, que aca­ba­ria sen­do o úni­co. Em 12 fai­xas o Pis­tols re­su­miu a fúria e ódio de to­da uma ge­ra­ção. Pau­lei­ra sem con­ces­sões, sem es­pa­ço pa­ra res­pi­rar. Mas o cli­ma nos bas­ti­do­res não ia bem. Pa­ra pi­o­rar, McLa­ren pa­re­cia es­tar sa­tis­fei­to com a gra­na e se dis­tan­ci­ou. De­pois de uma caó­ti­ca tur­nê pe­los EUA, com da­tas can­ce­la­das, bri­gas in­ter­nas e com o pú­bli­co, o fim do gru­po foi anun­ci­a­do no dia 17 de ja­nei­ro. No mes­mo ano, McLa­ren jun­tou tre­chos des­co­ne­xos de al­gu­mas fil­ma­gens e mon­tou The Gre­at Rock'n'Roll Swin­dle, um filme no qual con­ta sua ver­são da his­to­ria e que ren­deu um ál­bum du­plo co­mo tri­lha so­no­ra, ain­da mais “ca­ta­da” do que as fil­ma­gens. Fim.

Após as­si­na­rem com a A&M che­ga­ram a gra­var um sin­gle com a po­lê­mi­ca God Sa­ve The Que­en, que aca­bou não sen­do lan­ça­do, tor­nan­do-se item de co­le­ci­o­na­do­res, já que al­gu­mas có­pi­as fo­ram pren­sa­das mas não en­vi­a­das às lo­jas.

Jo­nes e Co­ok es­ti­ve­ram no Bra­sil após a de­sas­tro­sa tur­nê ame­ri­ca­na e gra­va­ram uma música com Ronald Biggs, o fa­mo­so as­sal­tan­te in­glês que

con­se­guiu asi­lo no país após se ca­sar e ter um fi­lho bra­si­lei­ro. O no­me da can­ção era No One Is In­no­cent e fez par­te da tri­lha de The Gre­at Rock'n'Roll Swin­dle.

Em 1996, a for­ma­ção ori­gi­nal se reu­niu pa­ra uma tur­nê mun­di­al e, em 2000, lan­ça­ram o do­cu­men­tá­rio The Filth and The Fury, no qual ex­põem a sua ver­são da his­tó­ria, re­ba­ten­do boa par­te do que McLa­ren con­tou em seu filme.

o mes­mo êxi­to,

ape­sar de fa­ze­rem

um som de óti­ma

qua­li­da­de. Ma­tlock,

por sua vez, fun­dou

o Ri­ch Kids, um dos

pri­mei­ros gru­pos

de pop punk da

In­gla­ter­ra.

Ste­ve Jo­nes era

se­mi­a­nal­fa­be­to

e um la­drão

es­pe­ci­a­li­za­do

em rou­bar

equi­pa­men­tos

mu­si­cais.

Pra­ti­ca­men­te to­da a

apa­re­lha­gem do Sex

Pis­tols até 1975 foi

sur­ru­pi­a­da por ele.

Em 1976, o DJ

Ro­ger Scott, da

Ca­pi­tol Ra­dio,

afir­mou que o

sin­gle

Anar­chy In The

UK não te­ria si­do

gra­va­do pe­la ban­da

e sim por mú­si­cos

de es­tú­dio. McLa­ren

li­gou ime­di­a­ta­men­te

e o des­men­tiu. No

en­tan­to, o epi­só­dio

lan­çou os bo­a­tos

de que não eram

eles que to­ca­vam

nos dis­cos, o que se

tor­na­ria um man­tra

pa­ra os ini­mi­gos

do gru­po e sem­pre

ne­ga­do por to­dos os

en­vol­vi­dos.

BUZZ­COCKS

Fun­da­do em 1976, em Man­ches­ter, pe­los ami­gos Pe­te Shel­ley (gui­tar­ris­ta) e Howard De­vo­to (vo­ca­lis­ta), o Buzz­cocks é uma das ban­das mais in­flu­en­tes e ori­gi­nais da pri­mei­ra on­da punk. A for­ma­ção ori­gi­nal con­ta­va ain­da com Ste­ve Dig­gle no bai­xo e John Maher na ba­te­ria. No iní­cio de 77 lan­ça­ram o sin­gle Spi­ral Scrat­ch, com qua­tro fai­xas, con­si­de­ra­do o pri­mei­ro vi­nil punk fei­to 100% no es­que­ma “do it your­self”, abrin­do um ca­mi­nho até en­tão inex­plo­ra­do. Um pou­co an­tes ha­vi­am gra­va­do vá­ri­as fai­xas que aca­ba­ri­am sen­do pi­ra­te­a­das em um LP cha­ma­do Ti­mes Up, com uma so­no­ri­da­de mui­to pró­xi­ma do que vi­ria a ser o hard­co­re. O ál­bum ofi­ci­al de es­treia é o se­mi­nal Another Mu­sic in a Dif­fe­rent Kit­chen (1978). Se no iní­cio o Buzz­cocks se apro­xi­ma­va do hard­co­re, aos pou­cos foi tor­nan­do seu ba­ru­lho em al­go mais mu­si­cal, mas sem per­der a agres­si­vi­da­de. Além dis­so se di­fe­ren­ci­a­va pe­las letras, que li­da­vam com sen­ti­men­tos e dú­vi­das da ju­ven­tu­de com uma pi­ta­da de hu­mor sa­ca­na. Ain­da em 1978, De­vo­to dei­xou o gru­po pa­ra for­mar o Ma­ga­zi­ne, con­si­de­ra­do um dos pi­o­nei­ros do pós­punk. Sua saí­da, en­tre­tan­to, não aba­lou o Buzz­cocks, que fi­cou um pou­co mais ex­pe­ri­men­tal e até me­lhor, se­gun­do crí­ti­cas da épo­ca. No en­tan­to, em 1981, o gru­po en­cer­rou as ati­vi­da­des, após três ál­buns e inú­me­ros com­pac­tos, reu­ni­dos no ex­ce­len­te Sin­gles Going Ste­ady. O gru­po foi re­for­ma­do por Shel­ley e Dig­gle em 1989 e des­de en­tão não mais pa­rou.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Another Mu­sic in a Dif­fe­rent Kit­chen (1978)

• A Dif­fe­rent Kind of Ten­si­on (1979) • Sin­gles Going Ste­ady (1980)

TOM PETTY

Um dos com­po­si­to­res mais com­pe­ten­tes de sua épo­ca, Thomas Earl Petty sem­pre usou a in­fluên­cia das ban­das da in­va­são in­gle­sa dos anos 60 mis­tu­ra­da com o coun­try e a po­e­sia folk e con­sa­grou-se to­can­do ao la­do de no­mes co­mo Bob Dy­lan e Ge­or­ge Har­ri­son. Sua ban­da mais fa­mo­sa, ini­ci­a­da em 76, a Tom Petty and The He­art­bre­a­kers, pro­du­ziu vá­ri­os ál­buns de des­ta­que. Com a for­ma­ção de Mi­ke Camp­bell, Ben­mont Ten­ch e Ron Blair, saí­ram pé­ro­las co­mo You're Gon­na Get It! (78), Damn the Tor­pe­do­es (79) e Hard Pro­mi­ses (81). Após a subs­ti­tui­ção de Blair por Howie Eps­tein, a ban­da fi­cou mui­to co­nhe­ci­da pe­las tur­nês que fez com Bob Dy­lan até o fi­nal dos anos 80 en­quan­to lan­ça­va Long Af­ter Dark (82) e Southern Ac­cents (85). Nes­sa mes­ma dé­ca­da, Petty tra­ba­lhou em pro­je­tos so­lo co­mo o ál­bum Full Mo­on Fe­ver (89) e a ban­da Tra­vel­ling Wil­burys, que co­me­çou co­mo uma pi­a­da e ter­mi­nou co­mo uma tra­gé­dia. Tom Petty, Bob Dy­lan, Ge­or­ge Har­ri­son e Roy Or­bi­son se jun­ta­ram de brin­ca­dei­ra em 1988 pa­ra fa­zer uma can­ção pa­ra o la­do B de um sin­gle de Har­ri­son, mas a união deu tão cer­to que eles lan­ça­ram um ál­bum com o no­me de Tra­ve­ling Wil­burys. Só que a car­rei­ra da “ban­da” não foi mui­to lon­ge, pois Or­bi­son mor­reu lo­go em se­gui­da. Nos anos 90, ao la­do de vá­ri­os He­art­bre­a­kers, Petty lan­çou o ál­bum In­to the Gre­at Wi­de Open (91), mas foi re­al­men­te acla­ma­do com seu se­gun­do tra­ba­lho so­lo, Wild­flower (94).

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Tom Petty & the He­art­bre­a­kers (1976)

• Damn the Tor­pe­do­es (1979)

TE­LE­VI­SI­ON T

Form­ma­do For­ma­do em 1973, o Te­le­vi­si­on di­vi­diu pal­cos com os Ra­mo­nes e o Pat­ti Smith Group na cé­le­bre ce­na punk no­va-ior­qui­na. No en­tan­to, o som do gru­po não era exa­ta­men­te punk, era mais ela­bo­ra­do, um “art rock” mar­ca­do es­pe­ci­al­men­te pe­la du­pla de gui­tar­ras de Ri­chard Lloyd e Tom Ver­lai­ne, tam­bém vo­ca­lis­ta e bas­tan­te acla­ma­do por su­as letras poé­ti­cas. Com ape­nas dois ál­buns, sen­do Mar­quee Mo­on, de 77, seu clássico ab­so­lu­to, a so­no­ri­da­de do Te­le­vi­si­on pra­ti­ca­men­te cri­ou o que se­ria a new wa­ve oi­ten­tis­ta e an­te­ci­pou mui­tos ele­men­tos do pós-punk. A ban­da se dis­sol­veu em 1978, quan­do Lloyd e Ver­lai­ne de­ci­di­ram se­guir car­rei­ras so­lo, e reu­niu-se em 1992, gra­van­do um ter­cei­ro ál­bum, o elo­gi­a­do Te­le­vi­si­on. Des­de en­tão, fa­zem tur­nês even­tu­ais ou apre­sen­ta­ções avul­sas. En­tre os gru­pos que as­su­mem o Te­le­vi­si­on co­mo in­fluên­cia es­tá o The Stro­kes, mas a so­no­ri­da­de do rock al­ter­na­ti­vo em ge­ral, de cer­to mo­do, de­ri­va des­sa fon­te.

Ál­bum es­sen­ci­al

• Mar­quee Mo­on (1977)

PAT­TI SMITH

A po­e­ti­sa nas­ci­da em Chi­ca­go for­mou o Pat­ti Smith Group em 74 e lan­çou seu ál­bum de es­treia, Hor­ses, em 1975. O

dis­co foi o pri­mei­ro da trou­pe pro­to-punk de New York e, cer­ta­men­te, uma pé­ro­la que po­de ser clas­si­fi­ca­da co­mo “art punk” se é que is­so exis­te. As in­fluên­ci­as es­tão to­das na su­per­fí­cie: li­te­ra­tu­ra be­at, Jim Mor­ri­son e Vel­vet Un­der­ground. Mas nas pro­fun­de­zas o ál­bum traz um pou­co de qu­a­se tu­do o que vi­ria na on­da punk new wa­ve, po­rém, sem a fúria e a bru­ta­li­da­de tí­pi­cas, mas com a de­li­ca­de­za ru­de de uma lady de­ca­den­te. O se­gun­do ál­bum, Ra­dio Ethi­o­pia, com uma pro­du­ção mais apu­ra­da é o mais pe­sa­do de to­da sua dis­co­gra­fia, bei­ran­do o hard rock. Após cair do pal­co em um show na Flo­ri­da, em 1977, Pat­ti fra­tu­rou du­as vér­te­bras e te­ve que fi­car de mo­lho por mais de um ano, re­tor­nan­do em 78 com uma so­no­ri­da­de mais su­a­ve no ál­bum Eas­ter, que fi­ca­ria ain­da mais co­mer­ci­al no tra­ba­lho se­guin­te, Wa­ve. Em 1980, ca­sou-se com Fred Smith, ex-MC5 e se re­ti­rou da música por mais de uma dé­ca­da pa­ra cri­ar o fi­lho Jack­son (fu­tu­ro ma­ri­do de Meg Whi­te) e a fi­lha Jes­se. Em 1988 re­tor­nou com Dre­am Of Li­fe, mas os anos 90 se­ri­am um pe­sa­de­lo pa­ra a po­e­ti­sa punk. De­pois da mor­te de dois de seus ami­gos e co­la­bo­ra­do­res mais pró­xi­mos, o fo­tó­gra­fo Ro­bert Map­plethor­pe e o pi­a­nis­ta Ri­chard Sohl, em 1994, no es­pa­ço de dois me­ses mor­re­ram seu ma­ri­do e seu ir­mão Todd. Tal­vez co­mo uma for­ma de te­ra­pia, re­to­mou a car­rei­ra em 1996 e, des­de en­tão, lan­çou ou­tros seis ál­buns, sem­pre com uma qua­li­da­de aci­ma da mé­dia. Em­bo­ra ain­da em ati­vi­da­de, seu le­ga­do é evi­den­te: que­brou al­guns ta­bus ma­chis­tas que per­mei­am o rock'n'roll.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• • • • Hor­ses (1975) Ra­dio Ethi­o­pia Eas­ter (1978) Go­ne Again (1996) (1976)

TAL­KING HE­ADS

Em 1974, após o fim da ban­da The Ar­tis­tics, Da­vid Byr­ne (voz) e Ch­ris Frantz (gui­tar­ra) re­sol­ve­ram jun­tar-se a Ti­na Wey­mouth (bai­xo) pa­ra for­mar o Tal­king He­ads. Lo­go es­ta­vam re­gu­lar­men­te to­can­do no CBGB – o pri­mei­ro show foi abrin­do pa­ra o Ra­mo­nes, em 75. Jer­ry Har­ri­son jun­tou­se a eles em 76 e fe­chou a for­ma­ção. O es­ti­lo cool, plá­ci­do e sar­cás­ti­co ao mes­mo tem­po, apa­re­ce lo­go no ál­bum de es­treia, Tal­king He­ads 77, cu­jo pon­to al­to é a “new wa­vís­s­si­ma” Psy­cho Kil­ler, até ho­je imi­ta­da por ban­das un­der­ground e al­ter­na­ti­vas. Nos tra­ba­lhos se­guin­tes, aos pou­cos fo­ram in­se­rin­do re­fe­rên­ci­as mais dan­çan­tes e rit­mos afros, es­pe­ci­al­men­te a par­tir do ter­cei­ro ál­bum Fe­ar of Mu­sic, de 1979. Um ano de­pois, lan­ça­ram Re­main in Light, que in­cluía uma ses­são rít­mi­ca apoi­a­da por um bai­xo fun­ke­a­do e per­cus­sões afri­ca­nas. O ex­pe­ri­men­ta­lis­mo se­gui­ria uma es­tru­tu­ra mais pop nos ou­tros tra­ba­lhos da ban­da: Spe­a­king in Ton­gues (83), Lit­tle Cre­a­tu­res (85) e Na­ked (87). A ban­da aca­bou ofi­ci­al­men­te em 91, mas en­quan­to Byr­ne se­guiu car­rei­ra so­lo, os três mem­bros re­ma­nes­cen­tes cri­a­ram o The He­ads, que lan­çou seu pri­mei­ro tra­ba­lho em 96, Not Tal­king Just He­ads, no qual os vo­cais fi­ca­ram a car­go de con­vi­da­dos co­mo Deb­bie Har­ry, Andy Par­trid­ge, Ri­chard Hell, Ma­ria McKee e Mi­cha­el Hut­chen­ce.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• • Tal­king He­ads 77 (1977) Fe­ar of Mu­sic (1979)

ED­DIE AND THE HOT RODS

Es­te foi um dos gru­pos de “pub rock” mais pe­sa­do e rá­pi­do des­se es­ti­lo, por is­so, caiu nas gra­ças do pú­bli­co punk in­glês. Cri­a­do em 1975, ga­nhou no­to­ri­e­da­de por sua ener­gia no pal­co, mas nun­ca te­ve uma for­ma­ção es­tá­vel. Em 1976, com a en­tra­da do gui­tar­ris­ta Gra­e­me Dou­glas, fir­mou-se com ele mais Bar­ry Mas­ters no vo­cal, Dave Higgs na gui­tar­ra e Ste­ve Ni­coll na ba­te­ria, com bai­xis­tas se al­ter­nan­do. O pri­mei­ro ál­bum, Te­e­na­ge De­pres­si­on, saiu em de­zem­bro de 1976 (an­tes do ál­bum do Dam­ned...) com uma ca­pa po­lê­mi­ca: um ga­ro­to apon­tan­do uma ar­ma pa­ra a pró­pria ca­be­ça. A re­fe­rên­cia ao sui­cí­dio tam­bém es­ta­ria na ca­pa do se­gun­do ál­bum, o óti­mo Li­fe On The Li­ne, de 1977. No en­tan­to, a on­da punk co­me­çou a bai­xar e com is­so o in­te­res­se pe­la ban­da tam­bém es­fri­ou. Em 79 lan­çou Th­ril­ler, que mes­mo sen­do um bom ál­bum de rock, não em­pla­cou. A es­sa al­tu­ra pro­ble­mas in­ter­nos, es­pe­ci­al­men­te com o con­su­mo de he­roí­na, e no­vas mu­dan­ças na for­ma­ção pra­ti­ca­men­te aca­ba­ram com o gru­po que ain­da ten­tou um úl­ti­mo sus­pi­ro com o fra­co Fish'N'Chips, de 1981. Mas não deu. Ah, sim, o Ed­die do no­me era um ma­ne­quim que usa­vam no pal­co no iní­cio da car­rei­ra e, co­mo to­das as ban­das antigas que aca­ba­ram, vi­ra e me­xe res­sur­gem por aí.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Te­e­na­ge De­pres­si­on (1976)

• Li­fe On The Li­ne (1977)

HE­ART­BRE­A­KERS

Quan­do o New York Dolls aca­bou, o gui­tar­ris­ta Johnny Thun­ders e o ba­te­ris­ta Jer­ry No­lan se jun­ta­ram ao bai­xis­ta Ri­chard Hell que aca­ba­ra de sair do Te­le­vi­si­on e fun­da­ram o He­art­bre­a­kers (na­da a ver com o gru­po de Tom Petty). Pro­va­vel­men­te a ban­da mais junk da dé­ca­da de 70. Em ter­mos mu­si­cais po­de-se di­zer que era a con­ti­nu­a­ção mais punk do New York Dolls. Mal co­me­ça­ram a se apre­sen­tar e Hell pu­lou fo­ra pa­ra for­mar seu pró­prio gru­po. Em seu lu­gar en­trou Billy Rath e um se­gun­do gui­tar­ris­ta, Wal­ter Lu­re, tam­bém foi adi­ci­o­na­do. Com es­sa for­ma­ção fo­ram con­vi­da­dos a par­ti­ci­par da Anar­chy Tour, na In­gla­ter­ra, na qual es­ta­be­le­ce­ram a fa­ma de ar­ru­a­cei­ros, mas tam­bém de ban­da in­cen­diá­ria, es­pe­ci­al­men­te pe­las per­for­man­ces ar­ra­sa­do­ras de Thun­ders, um gran­de gui­tar­ris­ta, ape­sar de sua in­dis­ci­pli­na. A in­fluên­cia que exer­ce­ram no punk com es­sa tur­nê fi­ca cla­ra ao se ou­vir o úni­co ál­bum que lan­ça­ram. De vol­ta aos EUA con­se­gui­ram um con­tra­to e pro­du­zi­ram L.A.M.F. (abre­vi­a­ção de “Li­ke a Mother F***er”), um clássico su­bes­ti­ma­do pe­la mai­o­ria dos his­to­ri­a­do­res do punk rock. É des­se ál­bum a ver­são ori­gi­nal de Chi­ne­se Rocks, re­gra­va­da pe­lo Ra­mo­nes em 1980 (Dee Dee era ami­go de se­rin­ga de Thun­ders e sem­pre rei­vin­di­cou a co­au­to­ria da música), mas tam­bém tem Born To Lo­se, I Wan­na Be Lo­ved, One Track Mind, Get Off The Pho­ne... To­das ca­pa­zes de fa­zer co­rar pseu­do­punks de plan­tão. In­fe­liz­men­te o es­ti­lo de vi­da dos ca­ras in­vi­a­bi­li­zou a con­ti­nui­da­de de qual­quer tra­ba­lho. Thun­ders se­guiu com sua car­rei­ra er­rá­ti­ca até mor­rer de over­do­se em 1991, mes­mo ca­mi­nho tri­lha­do por No­lan no ano se­guin­te. De par­tir o co­ra­ção...

Ál­bum es­sen­ci­al

• L.A.M.F. (1977)

CHE­AP TRICK

Um gru­po cheio de al­tos e bai­xos – as­sim po­de ser de­fi­ni­do o Che­ap Trick, for­ma­do em 1973 pe­lo gui­tar­ris­ta Rick Ni­el­sen e o bai­xis­ta Tom Pe­ters­son. Mas a his­tó­ria co­me­ça ain­da nos anos 60, quan­do os dois to­ca­vam no Fu­se, gru­po de hard rock que lan­çou ape­nas um dis­co, em 1969. Não deu cer­to e eles ten­ta­ram de no­vo com o Sick Man Of Eu­ro­pe, que fez uma tur­nê pe­la Eu­ro­pa, igual­men­te sem su­ces­so. De vol­ta aos EUA, re­for­mu­lam tu­do de no­vo e, en­fim, se tor­nam o Che­ap Trick. Com o vo­ca­lis­ta Ro­bin Zan­der e o ba­te­ris­ta Bun E. Car­los, o gru­po faz mais de 200 shows, a mai­o­ria co­mo ban­da de aber­tu­ra, en­tre os anos de 75 e 77. Ex­pe­ri­ên­cia que se mos­tra­ria im­por­tan­te, pois quan­do lan­ça­ram o pri­mei­ro ál­bum, que le­vou ape­nas o no­me do gru­po, es­ta­vam ma­du­ros o su­fi­ci­en­te pa­ra fa­zer al­go bas­tan­te enér­gi­co a pon­to de não se­rem ofus­ca­dos pe­la on­da punk/new wa­ve que as­so­la­va o mercado. O rock do Che­ap Trick tran­si­ta­va en­tre o hard rock, o me­tal, o punk, a new wa­ve e o pop, tu­do com uma boa do­se de hu­mor. No se­gun­do ál­bum, In Co­lor, o la­do pop e ra­di­ofô­ni­co pre­do­mi­na. No en­tan­to, vol­tam à car­ga pesada em 1978, com o con­sis­ten­te He­a­ven To­night, se­gui­do de Li­ve At The Bu­do­kan, gra­va­do no Ja­pão, on­de fa­zi­am mais su­ces­so do que em qual­quer ou­tro país. Mas o dis­co aca­bou por pro­je­tar a ban­da tam­bém nos EUA e na Eu­ro­pa e, des­de en­tão, não pa­ra­ram mais e in­cor­po­ra­ram pou­cas mu­dan­ças em seu som, al­ter­nan­do bons dis­cos com ou­tros me­di­a­nos. No to­tal, em qu­a­se 40 anos de car­rei­ra, fi­ze­ram 16 ál­buns de es­tú­dio e vá­ri­os ao vivo.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Che­ap Trick (1977) • He­a­ven To­night (1978) • Che­ap Trick (1997)

THE CARS

Um dos pi­o­nei­ros da new wa­ve nor­te-ame­ri­ca­na, o The Cars foi cri­a­do por Ric Oca­sek (voz e gui­tar­ra) e Ben Orr (voz e bai­xo), em 1976. Os dois já eram par­cei­ros há al­gum tem­po, in­clu­si­ve, gra­va­ram um ál­bum com uma ban­da de folk rock cha­ma­da Milkwo­od, em 1972. A for­ma­ção ini­ci­al do Cars con­ta­va ain­da com o ba­te­ris­ta Dave Ro­bin­son, ex-Mo­dern Lo­vers, e o te­cla­dis­ta Greg Haw­kes. De­pois de fa­ze­rem su­ces­so em al­gu­mas rá­di­os com uma de­mo ta­pe, em 1978 lan­ça­ram o pri­mei­ro ál­bum, com os hits Just What I Ne­e­ded e My Best Fri­end's Girl. Um ano de­pois che­gou às lo­jas Candy-O, com sua ca­pa à la Roxy Mu­sic – in­fluên­cia de­cla­ra­da do gru­po – e a mes­ma pe­ga­da: rock dan­çan­te com me­lo­di­as pop, al­gum pe­so e um le­ve ex­pe­ri­men­ta­lis­mo em uma ou ou­tra música. Mas, se nos dois pri­mei­ros ál­buns há uma cer­ta su­per­fi­ci­a­li­da­de, em Pa­no­ra­ma (1980) vol­tam com mais den­si­da­de e a so­no­ri­da­de se apro­xi­ma um pou­co do pós-punk. Ape­sar de já ser bas­tan­te po­pu­lar, o The Cars su­biu ain­da mais al­to adi­ci­o­nan­do mais sin­te­ti­za­do­res nos dois ál­buns se­guin­tes – Sha­ke It Up (1981) e He­art­be­at City (1984) – e

lan­çou hits co­mo Sha­ke It Up, Think It Over, Dri­ve, Ma­gic e You Might Think, que com­ple­ta­ram a pon­te en­tre o rock'n'roll gui­tar­rei­ro da dé­ca­da de 70 e o som mais sin­te­ti­za­do dos 80. O sé­ti­mo ál­bum, Do­or To Do­or, saiu em 1987 após o gru­po dar um tem­po, po­rém, pou­co de­pois de seu lan­ça­men­to o Cars im­plo­diu. Orr fa­le­ceu em 2000, en­quan­to Oca­sek lan­çou ál­buns so­lo e tor­nou-se pro­du­tor ta­bra­lhan­do com ban­das co­mo Ho­le, We­e­zer, Bad Re­li­gi­on e No Doubt, en­tre ou­tras. Mes­mo sem o par­cei­ro o gui­tar­ris­ta, re­sol­veu re­for­mar o Cars e fez um ál­bum in­te­res­san­te em 2011, cha­ma­do Mo­ve Li­ke This.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• The Cars (1978)

• Pa­no­ra­ma (1980)

• Sha­ke It Up (1981)

EL­VIS COS­TEL­LO

O in­glês De­clan McMa­nus co­me­çou a car­rei­ra mu­si­cal to­can­do em gru­pos de folk e coun­try mu­sic, mas em 1976 re­sol­veu mu­dar de no­me e di­re­ção, tor­nan­do-se El­vis Cos­tel­lo e ado­tan­do uma so­no­ri­da­de mais pró­xi­ma do pub rock. Con­se­guiu um con­tra­to com a Stiff Re­cords e de­pois de dois sin­gles sem mui­ta re­per­cus­são, em 1977, lan­çou o ál­bum My Aim Is True, em que a par­te ins­tru­men­tal fi­cou a car­go do Clo­ver, gru­po ame­ri­ca­no de coun­try rock. Já no se­gun­do dis­co, This Ye­ar's Mo­del, usou sua pró­pria ban­da, o The At­trac­ti­ons e te­ve mais êxi­to, apro­xi­man­do-se um pou­co mais do som new wa­ve da­que­le mo­men­to. E cha­mou a aten­ção tam­bém pe­lo vi­su­al ins­pi­ra­do em Buddy Holy, com jei­to de nerd (na épo­ca o ter­mo não era co­nhe­ci­do), mui­to di­fe­ren­te de 99% dos ro­quei­ros. Aliás, não é por aca­so que o tom de voz de Cos­tel­lo lem­bra um pou­co o de Buddy em vá­ri­os mo­men­tos. A boa re­cep­ção do ál­bum ren­deu uma tur­nê pe­la Eu­ro­pa e pe­los EUA. Em 1979, com mais re­cur­sos, pro­du­ziu um ál­bum mais am­bi­ci­o­so, Ar­med For­ces, que alar­ga os ho­ri­zon­tes mu­si­cais do gru­po e ini­cia uma sequên­cia de lançamentos elo­gi­a­dos e bem su­ce­di­dos, com­ple­ta­da com Get Happy! (1980) e Trust (1980). Bem es­ta­be­le­ci­do, nun­ca mais pa­rou, sen­do co­nhe­ci­do pe­lo ecle­tis­mo, o que tor­na im­pos­sí­vel en­cai­xá-lo em uma úni­ca ca­te­go­ria, a não ser a de com­po­si­tor ge­ni­al. Sua dis­co­gra­fia ul­tra­pas­sa a ca­sa das três de­ze­nas de tra­ba­lhos.

Ál­buns esen­ci­ais

• This Ye­ar's Mo­del (1977)

• Ar­med For­ces (1979)

THE POLICE

Em­bo­ra te­nha sur­gi­do em meio a ex­plo­são punk, o The Police pou­co tem a ver com o gê­ne­ro. Es­pe­ci­al­men­te pe­lo fa­to de que seus in­te­gran­tes não eram “anal­fa­be­tos mu­si­cais” co­mo a mai­o­ria dos gru­pos punks. Mes­mo en­tre as ban­das da

new wa­ve, so­bres­saíam-se em ter­mos de ex­pe­ri­ên­cia e ha­bi­li­da­de. O gui­tar­ris­ta Andy Sum­mers to­cou na úl­ti­ma for­ma­ção do The Ani­mals e no Soft Ma­chi­ne (um gru­po de jazz-rock pro­gres­si­vo dos anos 60); o ba­te­ris­ta Stewart Co­pe­land foi mem­bro do pro­gres­si­vo Cur­ved Air e Sting já to­ca­ra em di­ver­sos gru­pos de jazz-fu­si­on. As­sim, não foi por aca­so que o pri­mei­ro ál­bum, Ou­tlan­dos D'Amour, soa aci­ma da mé­dia e ra­pi­da­men­te le­vou o no­me do gru­po a ser co­nhe­ci­do in­ter­na­ci­o­nal­men­te. O trio uso e abu­sou de in­fluên­ci­as do reg­gae pa­ra tem­pe­rar su­as can­ções pop com as letras chei­as de re­fe­rên­ci­as li­te­rá­ri­as de Sting. Des­se dis­co, o sin­gle (e o cli­pe) Ro­xan­ne foi o mai­or hit. Mas su­ces­so mes­mo al­can­ça­ram com Re­gat­ta de Blanc, o se­gun­do ál­bum, de 1979, com as clás­si­cas Mes­sa­ge in a Bot­tle e Wal­king on the Mo­on. E, sem per­der fô­le­go, Zenyat­ta Mon­dat­ta, de 1980, foi pu­xa­do pe­lo su­ces­so de

Don't Stand So Clo­se To Me. Em 1981, atin­gem a ma­tu­ri­da­de com Ghost in the Ma­chi­ne e, dois anos de­pois, o au­ge com Syn­ch­ro­ni­city, com letras in­flu­en­ci­a­das pe­las te­o­ri­as do psi­qui­a­tra Carl G. Jung e o me­gahit Every Bre­ath You Ta­ke. Mas o cli­ma in­ter­no não ia bem, Sum­mers e Sting mal se olha­vam nas apre­sen­ta­ções do gru­po e, em 1984, de­ci­di­ram “dar um tem­po”. Des­de en­tão até se reu­ni­ram pa­ra um ou ou­tro show e até uma tur­nê mun­di­al, mas a ami­za­de nun­ca mais foi a mes­ma.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Ou­tlan­dos D'Amour (1978)

• Re­gat­ta de Blanc (1979)

• Syn­ch­ro­ni­city (1983)

JUDAS PRIEST

Um dos mais in­flu­en­tes gru­pos de he­avy me­tal, o Judas Priest nas­ceu em 1970, na In­gla­ter­ra. Com um som pe­sa­do e mais rá­pi­do que a mai­o­ria das ban­das de hard rock e te­má­ti­cas sa­tâ­ni­cas em su­as letras, lo­go fo­ram ado­ta­dos pe­los aman­tes do he­avy me­tal. Mas o ca­mi­nho não foi dos mais fá­ceis. A es­pi­nha dor­sal do gru­po sem­pre foi o gui­tar­ris­ta K.K. Dow­ning e o bai­xis­ta Ian Hill, re­for­ça­da de­pois pe­lo vo­ca­lis­ta Rob Hal­ford. Além dos três, a for­ma­ção sem­pre foi mu­tan­te e até mes­mo Hal­ford dei­xou a ban­da em 1990. Em ter­mos de vi­nil, o gru­po es­tre­ou com Roc­ka Rol­la de 1974, em que ain­da pa­re­ce não ter uma di­re­ção

de­fi­ni­da, o que só acon­te­ce­ria a par­tir dos tran­si­tó­ri­os Sad Wings Of Des­tiny (1976) e Sin Af­ter Sin (1977). Mas quan­do lan­ça­ram os ál­buns Stai­ned Class e Kil­ling Ma­chi­ne, am­bos em 1978, aju­da­ram a es­ta­be­le­cer os ali­cer­ces da en­tão nas­cen­te “New Wa­ve of Bri­tish He­avy Me­tal”, fenô­me­no que aju­dou o me­tal e o hard rock a se re­er­gue­rem no iní­cio da dé­ca­da de 80 (ve­ja mais à fren­te). No en­tan­to, o ál­bum que re­al­men­te ele­vou o Judas ao pe­des­tal de deu­ses do me­tal foi o pe­sa­dís­si­mo Bri­tish Ste­el, de 1980. A par­tir daí o Judas se trans­for­mou em uma das mai­o­res ban­das do gê­ne­ro, mes­mo na fa­se sem Hal­ford. O vo­ca­lis­ta aliás, re­tor­nou ao gru­po em 2005 no ál­bum An­gels Of Re­tri­bu­ti­on. Em 2008, Judas lan­çou o elo­gi­a­do Nos­tra­da­mus, e em 2014 veio o ál­bum Re­de­e­mer of Souls, que se­guiu agra­dan­do sua le­gião de fãs fer­vo­ro­sos e fiéis.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Sad Wings Of Des­tiny (1976)

• Stai­ned Class (1978)

• Kil­ling Ma­chi­ne (1978)

• Bri­tish Ste­el (1980)

DE­AD KEN­NEDYS

Co­nhe­ci­da co­mo um hi­no dos ro­quei­ros en­ga­ja­dos, a música Ca­li­for­nia Üb­ber Al­les é a ex­pres­são má­xi­ma do ide­a­lis­mo po­lí­ti­co da ban­da nor­te­a­me­ri­ca­na De­ad Ken­nedys, li­de­ra­da pe­lo vo­ca­lis­ta Jel­lo Bi­a­fra. Com letras cu­jo con­teú­do pa­re­ce ter saí­do de li­vros de so­ci­o­lo­gia, além da agi­li­da­de in­su­pe­rá­vel de Bi­a­fra com as palavras, o DK mu­dou o cur­so da his­tó­ria do punk, in­je­tan­do um dis­cur­so po­lí­ti­co es­quer­dis­ta em um país fun­da­men­ta­do em pre­cei­tos con­ser­va­do­res. For­ma­do em 1978, em San Fran­cis­co, além de Bi­a­fra, con­ta­va ain­da com o gui­tar­ris­ta East Bay Ray, o bai­xis­ta Klaus Flou­ri­de e o ba­te­ris­ta Ted Sle­sin­ger (que deu lu­gar a D.H. Pe­li­gro). Em 1980, lan­çou Fresh Fruit For Rot­ting Ve­ge­ta­bles, ál­bum que cau­sou um im­pac­to imen­su­rá­vel na ce­na punk da Cos­ta Oes­te. Lo­go de­pois saiu o EP

In God We Trust, que traz na ca­pa uma ima­gem de Cris­to cru­ci­fi­ca­do em uma no­ta de dó­lar em for­ma­to de cruz, um dos dis­cos mais pe­sa­dos e fu­ri­o­sos da his­tó­ria do punk. Hard­co­re na acep­ção má­xi­ma do ter­mo. O mes­mo não acon­te­ce­ria no se­gun­do ál­bum, Plas­tic Sur­gery Di­sas­ters, em que a do­se de ex­pe­ri­men­ta­lis­mo e o dis­cur­so de Bi­a­fra se so­bre­põem ao de­ses­pe­ro so­no­ro. De­pois de uma bre­ve pa­ra­da, vol­tam com o po­lê­mi­co Fran­ken­ch­rist, de 1985, que saiu acom­pa­nha­do de um pos­ter do ar­tis­ta plás­ti­co suíço H.R. Gi­gers, em que apa­re­cem ór­gãos se­xu­ais. Por is­so, o gru­po foi pro­ces­sa­do acu­sa­do de dis­tri­buir ma­te­ri­al por­no­grá­fi­co pa­ra me­no­res de ida­de. Ga­nha­ram a cau­sa e fi­ze­ram o ál­bum du­plo Bed­ti­me For De­mo­cracy, no qual de­fen­dem a li­ber­da­de de ex­pres­são em vá­ri­as fai­xas. Mas ain­da nos anos 80, o DK che­ga ao

fim. Jel­lo Bi­a­fra se­guiu com seu se­lo Al­ter­na­ti­ve Ten­ta­cles, lan­çan­do ban­das un­der­ground de to­dos os es­ti­los.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Fresh Fruit For Rot­ting Ve­ge­ta­bles (1980)

• Plas­tic Sur­gery Di­sas­ters (1982)

JOY DI­VI­SI­ON

O Joy Di­vi­si­on tal­vez se­ja a ban­da mais im­por­tan­te sur­gi­da sob a in­fluên­cia da pri­mei­ra on­da punk. Fun­da­do em 1977 na ci­da­de de Man­ches­ter pe­lo gui­tar­ris­ta Ber­nard Sum­mer e o bai­xis­ta Pe­ter Ho­ok, no iní­cio se cha­ma­va War­saw, no­me que pre­ci­sa­ram mu­dar pa­ra não se­rem con­fun­di­dos com ou­tra ban­da punk lon­dri­na cha­ma­da War­saw Pakt. An­tes da mu­dan­ça já con­ta­vam com o ba­te­ris­ta Stephen Mor­ris e o vo­ca­lis­ta Ian Cur­tis, fã de­cla­ra­do de Da­vid Bowie, Vel­vet Un­der­ground, Roxy Mu­sic e to­da ce­na glam in­gle­sa. Além de pas­sar es­se back­ground mu­si­cal pa­ra o gru­po, tor­nou­se res­pon­sá­vel pe­las letras. Com es­sa for­ma­ção gra­va­ram de­mo ta­pes e até mú­si­cas pa­ra um pri­mei­ro ál­bum que não che­gou a ser lan­ça­do por di­ver­gên­ci­as em re­la­ção à mi­xa­gem fi­nal. Mas, em 1979, de­pois de par­ti­ci­pa­rem do len­dá­rio pro­gra­ma do DJ John Pe­el na Ra­dio One da BBC, ga­nha­ram no­to­ri­e­da­de. No mes­mo ano sai o clássico Unk­nown Ple­a­su­res. Ain­da com ecos do punk mas tam­bém com um cli­ma som­brio e sen­ti­men­tal, o dis­co foi re­ce­bi­do com en­tu­si­as­mo pe­la exi­gen­te crí­ti­ca mu­si­cal in­gle­sa. No en­tan­to, Ian Cur­tis não ti­nha boa saú­de fí­si­ca, men­tal e emo­ci­o­nal. Era um de­pres­si­vo crô­ni­co, ti­nha epi­lep­sia e ha­via se casado mui­to jo­vem, as­sim co­mo se apai­xo­na­ra por uma ou­tra mu­lher lo­go após o nas­ci­men­to de sua fi­lha Na­ta­lie.

Em meio ao agra­va­men­to de su­as fra­gi­li­da­des, o Joy Di­vi­si­on fez seu se­gun­do ál­bum, o não me­nos se­mi­nal Clo­ser, no qual foi in­cluí­do seu úni­co hit fo­ra da In­gla­ter­ra, Lo­ve Will Te­ar Us Apart, que já era su­ces­so em um sin­gle e nos shows. Mas Cur­tis não che­gou a ver o êxi­to do tra­ba­lho, pois co­me­teu sui­cí­dio no dia 18 de maio de 1980, um mês an­tes do lan­ça­men­to. Os de­mais in­te­gran­tes cum­pri­ram um acor­do que ti­nham: aca­bar com a ban­da se qual­quer coi­sa acon­te­ces­se a qual­quer um de­les, e se jun­ta­ram à te­cla­dis­ta Gil­li­an Gil­bert pa­ra for­mar o New Or­der.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Unk­nown Ple­a­su­res (1979)

• Clo­ser (1980)

• Subs­tan­ce (1988)

• Lost Tre­a­su­res (2002)

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