RA­MO­NES

ALMANAQUE DO ROCK - EDIÇÃO DE COLECIONADOR - - Quarta Era -

O Sex Pis­tols tem o mé­ri­to de ter mos­tra­do ao mun­do a fúria so­no­ra e ter di­vul­ga­do a ima­gem do punk, mas só de­pois de ve­rem o Ra­mo­nes ao vivo é que en­ten­de­ram o que de­ve­ri­am fa­zer: ti­rar to­das as ares­tas e dei­xar o som ape­nas no seu es­ta­do mais bru­to e bá­si­co. Por is­so, o Ra­mo­nes se­rá sem­pre ci­ta­do co­mo o gru­po que cri­ou o punk rock. A his­tó­ria de­les co­me­ça no bair­ro do Qu­e­ens, em 1974. No iní­cio era um trio com Jef­frey Hy­man (Jo­ey) na ba­te­ria e voz, John Cum­mings (Johnny) na gui­tar­ra e Dou­glas Col­vin (Dee Dee) no bai­xo. Tom Er­delyi (Tommy) se­ria o em­pre­sá­rio, mas dois me­ses após a pri­mei­ra apre­sen­ta­ção, pas­sou pa­ra a ba­te­ria e Jo­ey tor­nou-se ape­nas vo­ca­lis­ta. Em 1978, Tommy da­ria seu lu­gar a Marc Bell (Marky). O no­me do gru­po foi ins­pi­ra­do no ape­li­do que Paul McCart­ney usa­va pa­ra se re­gis­trar em ho­téis e des­pis­tar fãs e im­pren­sa: Paul Ra­mon. Além de ado­ta­rem o mes­mo so­bre­no­me, to­dos pas­sa­ram a usar uma es­pé­cie de uni­for­me: ja­que­tas de cou­ro e je­ans ras­ga­dos. A ins­pi­ra­ção mais cla­ra é o rock dos anos 50 e as ban­das ga­ra­gei­ras dos anos 60, mas eles re­du­zi­ram as can­ções ao mí­ni­mo pos­sí­vel, se­ja em ter­mos de com­ple­xi­da­de, du­ra­ção ou letras e er­gue­ram o vo­lu­me dos am­pli­fi­ca­do­res e a dis­tor­ção ao má­xi­mo. Com mú­si­cas que ra­ra­men­te ul­tra­pas­sa­vam os dois mi­nu­tos, sem so­los ou qual­quer ou­tro re­cur­so, eram a an­tí­te­se do rock que se fa­zia na épo­ca.

Em 1975 con­se­gui­ram um con­tra­to com a Si­re Re­cords e, no iní­cio de 76, gra­va­ram o pri­mei­ro ál­bum a um cus­to de seis mil dó­la­res. O dis­co nun­ca se­quer fi­cou en­tre os 100 mais da pa­ra­da mu­si­cal, mas seu im­pac­to e in­fluên­cia

são imen­su­rá­veis. Da clás­si­ca aber­tu­ra de Blitz­kri­eg Bop, com o man­tra punk “hey ho, let's go” até o fe­cha­men­to com To­day Your Lo­ve, To­mor­row the World, o gru­po des­fi­la uma sequên­cia de can­ções com a mes­ma es­tru­tu­ra, ape­nas ora mais len­ta, ora mais ace­le­ra­da, mas es­sen­ci­al­men­te com a mes­ma ener­gia. E a fór­mu­la se­ria re­pe­ti­da em mais três ál­buns: Le­a­ve Ho­me (1977), Roc­ket to Rus­sia (1977) e Ro­ad to Ruin (1978), nos quais des­fi­lam ou­tros clás­si­cos co­mo She­e­na Is a Punk Roc­ker, Roc­kaway Be­a­ch, Te­e­na­ge Lo­bo­tomy e I Wan­na Be Se­da­ted, além de re­lei­tu­ras ma­gis­trais de com­po­si­ções dos anos 50 e 60 co­mo Sur­fin' Bird e Do You Wan­na Dan­ce.

Após o iní­cio ful­mi­nan­te e um ál­bum du­plo ao vivo, em 1980, en­tre as cri­ses cau­sa­das pe­lo ví­cio de

Dee Dee em dro­gas pe­sa­das e seus de­sen­ten­di­men­tos com Marky, de­ci­dem fa­zer al­go mais ela­bo­ra­do e lan­çam o ama­do e odi­a­do End of the Cen­tury.

De 83 a 87, Ri­chie Rei­nhardt ocu­pou a ba­te­ria, mas Marky vol­ta­ria de­pois. Co­mo se não bas­tas­se, em 89, Dee Dee, o par­cei­ro de com­po­si­ção de Johnny, dei­xou os Ra­mo­nes pa­ra ten­tar se li­vrar das dro­gas. Ch­ris­topher Jo­seph, vul­go CJ, che­gou. Mas, a es­sa al­tu­ra, a ban­da já era qu­a­se uma len­da e mais uma re­fe­rên­cia. Johnny mor­reu de cân­cer do pul­mão em 2001, mes­mo ano em que um lin­fo­ma le­vou Jo­ey. Dee Dee fa­le­ceu em 2002 de over­do­se. Ao to­do, fo­ram mais de dois mil shows, 21 ál­buns e in­con­tá­veis fi­lho­tes pe­lo mun­do to­do. Afi­nal, so­mos to­dos Ra­mo­nes...

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Ra­mo­nes (1976)

• Le­a­ve Ho­me (1977)

• Roc­ket to Rus­sia (1977)

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